domingo, 19 de setembro de 2010

Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital

Na próxima quarta-feira, dia 22/09, das 16h às 17h, estreia a TV Web do Grupo de Estudos Online Educar na Cultura Digital.


No primeiro programa, será apresentada a proposta desse novo ambiente de formação, disponível há um mês, que já reúne mais de 600 educadores e pessoas interessadas em refletir sobre a educação e a cultura digital.

A transmissão será ao vivo por meio da TV Web da Editora Moderna, e haverá também links nas homepages do Portal EducaRede (www.educarede.org.br) e do site do Grupo de Estudos online (www.educarnaculturadigital.org.br) para os internautas assistirem ao vídeo.

Nesse primeiro programa, as mediadoras do Grupo de Estudos - Priscila Gonsales, Mílada Gonçalves e Sonia Bertocchi - vão explicar a metodologia, os módulos temáticos, os espaços de interação, as atividades e demais recursos do ambiente.

Além disso, farão um balanço informal do primeiro mês de funcionamento do grupo. Os internautas poderão participar, enviando mensagens por uma ferramenta de chat da própria TV Web ou pelo Twitter (www.twitter.com/educultdigital), que serão respondidas e comentadas pelas mediadoras durante o programa.

"O Grupo está superando as nossas expectativas, não tanto pela grande quantidade de inscritos, mas principalmente pelo entendimento de todos sobre a proposta de colaboração e de mediação coletiva", conta Priscila Gonsales, enfatizando a excelente qualidade das interações.

Há participantes de várias regiões do país e com diferentes perfis, como professores, diretores, estudantes de Pedagogia e pesquisadores de universidade.

A programação da TV Web do Grupo de Estudos Online Educar na Cultura Digital será quinzenal, sempre às quartas, das 16h às 17h, e ocorrerá até o final do ano.

Cada programa abordará uma temática específica, tais como "Games nas Educação" e "Redes Sociais na Educação", e serão convidados especialistas nos assuntos. Acompanhe as datas dos próximos programas no site.



Saiba tudo sobre o Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital, aqui:www.educarnaculturadigital.org.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Revista LUZ :: Ter ou não ter, eis a questão

Na sociedade em que vivemos - pós-moderna, tecnológica, cheia de opções e novidades - dá para imaginar viver sem consumir nada além do estritamente essencial? Essa é a proposta de muitos grupos anti-consumismo espalhados pelo mundo, em resposta ao crescimento da onda de consumo desenfreado que pauta o estilo de vida de muitas pessoas. Até mesmo novos termos, como compacters e freegans, foram cunhados para referenciar os adeptos desse princípio de viver simples. Com base nele, a jornalista norte-americana Judith Levine enfrentou o desafio de consumir apenas o necessário durante um ano, e relatou sua experiência no livro Not buying it: my year without shopping (editora Free Press, 2006), ainda não traduzido para o português. Mesmo assim, na sua definição do que seja essencial, necessário, e não apenas desejado, foram incluídos internet, vinho, insulina para seu gato diabético e gasolina.

Mas o que motiva os atos de comprar? Diferentemente dos outros animais, o ser humano consome por impulsos que ultrapassam as necessidades físicas e os instintos naturais, consome por desejo e necessidade, como bem lembra a canção Comida, dos Titãs, cujo verso mais presente é “a gente não quer só comida”.

E, com os avanços da tecnologia, em poucos anos, a vida de um número crescente de pessoas passou não apenas a contar com uma série de bens e serviços novos, mas também a depender deles. Para constatar isso, basta uma reflexão sobre quanto tempo é possível alguém passar sem checar seu correio eletrônico, e sem que isso lhe cause incômodo.

É claro que há muitos lugares no mundo onde a vida mudou pouco em relação ao passado, onde os processos de trabalho e comunicação ainda não ganharam a celeridade e a magnitude que se veem nas megalópoles e grandes cidades, mas nas sociedades ocidentais a mudança é evidente e alvo de muitos questionamentos. Existe um estilo de vida contemporâneo? Ter mais escolhas à disposição é sempre melhor? E como vivem os grupos que não têm meios para realizar essas escolhas? As tecnologias tendem a isolar, a segregar ou a integrar as pessoas? Os valores que guiam o consumo na sociedade contemporânea mudaram?

Bem-me-quer, mal-me-quer

Para o psicólogo Barry Schwartz, professor de teoria social da Faculdade Swarthmore (Pensilvânia, EUA), a sociedade contemporânea se caracteriza pela multiplicidade de atividades simultâneas e de opções de consumo. Autor do livro O paradoxo da escolha (editora A Girafa, edição em português de 2007), Schwartz chama a atenção para o enorme crescimento dos tipos, modelos e marcas dos produtos que consumimos. São tantas opções que a sensação do consumidor nem sempre é a de satisfação pela liberdade de escolha diante das possibilidades existentes. A dúvida pode tornar penoso o ato da compra, e, uma vez feita a escolha frente a uma variedade tão extensa de outras alternativas preteridas, o arrependimento e frustração ganham espaço.

Os economistas diriam que o que se vê é um aumento do chamado “custo de oportunidade”, isto é, o custo que representa renunciar às outras opções disponíveis, ou, alternativamente, os potenciais benefícios que essas opções oferecem, mas não são aproveitados, uma vez que a escolha feita foi outra. Mais variedade representa, portanto, mais benefícios não aproveitados de escolhas não feitas. Por isso, Schwartz defende que quanto mais opções a se considerar, menor a satisfação da escolha, mesmo quando ela é sensacional. “Evidentemente, é melhor sofrer por ter muitas opções a escolher do que sofrer por não poder fazer escolhas, como ocorre com as pessoas de baixa renda, que não têm acesso a toda a amplitude dos mercados”, diz Schwartz. A sociedade atual, que muitos dizem ser a sociedade do consumo, ainda conserva um grande número de excluídos do consumo, em virtude da má distribuição de renda.

Fonte: http://luz.cpflcultura.com.br/9#


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

" Limites"- Içami Tiba

O tema desta semana é LIMITES. E quando se fala neste assunto, as opiniões são as mais diversas, não é mesmo? Entretanto, em uma coisa todos concordam: a tarefa de educar é algo bastante complexo e exige muita responsabilidade.


Confiram a entrevista de Içami Tiba, psiquiatra e educador, concedida à repórter Rosângela Santos para o Papo de Mãe e vejam o que ele tem a dizer sobre o assunto.

RS: Como educar os filhos nos dias de hoje?

IT: Hoje, para se educar, os pais precisam se preparar porque não adianta ser pai e mãe biológicos, pois isso não capacita pais para educarem. Então, a melhor maneira de educar é os pais aprenderem como se educa conforme a idade. Hoje, existe uma literatura muito vasta, basta que os pais coloquem como prioridade. Pode ser assistindo a um programa como este (Papo de Mãe), pode ser lendo livros... Em todos os jornais, pelo menos uma vez por semana, tem destaque uma parte para educação. Tem revistas... Então só não lê, só não se atualiza, quem ainda não entendeu que precisa colocar isso como prioridade.

RS: Antigamente era mais fácil educar?

IT: Não. Antigamente, não se educava também. Exigia-se e escravizava-se. Se a gente tivesse sido educado, nós saberíamos como educar. Educação é uma competência. É como um líder: um líder ensina o outro a ser líder também. Uma pessoa que é chefe ensina o outro a ser chefe. Nós aprendemos a ser chefes e não líderes. Mas hoje estamos numa outra época, em que os filhos aceitam muito a liderança, só que ela é rotativa, não é de uma pessoa só. Se o filho entende de internet e o pai não entende, então quem vai liderar este tema vai ser o filho, e todos na família ganham com isso. Ficou de ponta cabeça. O pai antes era o provedor, o sabedor de tudo, o que vai resolver tudo. Hoje não é mais assim... Às vezes, o pai está doente, não sabe que doença tem e o filho identifica porque o pai do amigo teve e dá uma força. Aquela relação vertical hoje se horientalizou para a família. A educação seria algo assim: um grupo de pessoas empenhadas no bem estar da família. Isso vai reverter num bem estar da sociedade com grandes olhos para o bem estar do planeta.


RS: Na sua opinião, quais são os maiores desafios que os pais enfrentam hoje?

IT: Primeiro ponto: a falta de conhecimento educativo. Segundo: é que as opções são muitas e os pais estão meio perdidos em qual é o melhor caminho. Terceiro: os filhos não são mais os mesmos. Antigamente, antes da era da internet, de crianças indo cedo para a escola, era fácil passar valores para os filhos porque eles conviviam com as famílias intensamente, sem interferência externa. Hoje, a interferência começa muito cedo com babá, TV, escola... Então, quando a criança começa a entender as coisas, ela já está incorporando junto com valores familiares outros valores. Aí a criança começa a contestar o que os pais fazem...


RS:Quando é que os pais devem impor limites às crianças?

IT: Desde que nascem porque nós precisamos de um limite biológico. O parto é o sinal de que pais não podem aceitar uma criança folgada que queira ficar 10 meses na barriga. E é assim também quando se começa a amamentar. A criança tem que ter ritmo de alimentação e não se alimentar quando quer. Não quer mamar, mas fica usando o seio como chupeta. Isso não pode! Então, tudo tem que ter ritmo. Chama-se ritmo biológico. A partir da compreensão da criança... Nós temos que ver qual competência a criança tem para fazer. Não adianta pedir algo muito elaborado, que ela não tenha idade para fazer. Mas é a partir das coisas simples que ela fizer, isso vai alimentando o ego dela, dando uma auto-estima suficiente de que “eu sou capaz”. Ela vai acreditando e vai crescendo cada vez mais competente. Agora, se nós fazemos por ela, ela aprende a depender, e estamos aleijando essa força da auto-estima que viria desde o comecinho. Ela fica numa espécie de “bolha”, que vai crescendo dentro da própria pessoa e isso muda tudo na vida. Determina se vai ter uma boa auto-estima ou uma auto-estima fraca.


RS: O “não” que vira “sim” prejudica muito as crianças?

IT: Prejudica muito. Muito porque não formamos cidadãos. Então formamos regras sociais à nossa maneira desde que não sejamos pegos. Em casa a mãe diz “não”. Aí a criança não faz nada até que a mãe ou o pai fala “sim” e derruba tudo. É o último dominó que derruba todos os “não” ditos até então. O que criança aprendeu? Existe regra? Existe sim, mas basta insistir que eu consigo. Isto é o grande drama do Brasil: todas as pessoas que furam as regras são as pessoas que uma hora acham que vão conseguir o que querem! Para a criança não tem pequeno ou grande. Nós é que dimensionamos. Quando ela quer uma coisa, quer no seu ser absoluto, pois ela não tem noção de grandeza, nem de responsabilidade. Isso se chama educação: passar esses valores, essas noções, para que criança crie dentro de si aquela condição de saber “isso eu posso fazer, isso eu não devo”.


RS: O que representa a falta de limites para o futuro da criança?

IT: Estraga a vida porque ela não vai conseguir acompanhar tudo o que precisa de limites. Por exemplo: na escola, ela precisa de limites. Quem não tem limites não se adequa à escola. Tem horários, lição de casa, provas. Ela vai querer estudar numa hora que é recreio e na aula vai querer ter recreio? Não tem condições. Na vida é assim! E ela acaba encontrando um jeito porque a criança precisa encontrar o ritmo dela. Isto acaba sendo deixar tudo para última hora porque, na última hora, todo mundo ajuda. E no social, ela vai sempre achar que existe uma lei que vai ajudar os que faltam porque aqueles que cumpriram se ferraram e o que bancou o espertinho e deixou por último, saiu beneficiado. Por isso que essa cultura brasileira interfere na família. Por isso temos que mexer da família para fora. Esses comportamentos que a gente condena são comportamentos que são reforçados fora de casa porque é em casa que aprendemos. Por isso faço tanta questão de dizer que é em casa que temos que educar as crianças.


RS: O amor em excesso pode estragar uma criança?

IT: Não. Existem pais que amam demais os próprios filhos, porém o que estraga são os comportamentos inadequados e não o excesso de amor. Daí mistura os dois juntos e fala que excesso de amor atrapalha. Não é não. Amor precisa existir. As crianças precisam, no início da vida, serem mais importantes que os próprios pais para os pais. Eles mesmos têm que colocar os filhos em primeiro lugar. Se o bebezinho está chorando, tem que ser atendido rápido. Não tem que deixar chorar meia hora - a não ser que seja por outro motivo que posso até explicar depois. Fora isso, o choro de recém nascido é desesperador para a própria criança porque ela não tem noção de tempo e sofre horrores. Parece que mundo vai acabar... Existe confusão entre a sensação de amor e o comportamento que os pais tomam. O que atrapalha não é o excesso de amor, elas precisam mesmo de amor, mais do que os adultos. Então, fora desse período, precisam aprender que amor tem que ser dividido entre as pessoas e não mais pra um do que pra outro, tem que dividir. O comportamento inadequado é quando nós usamos “em nome do amor” para fazer algo para o filho. No fundo, estamos aleijando a capacidade dele. Esse tipo de excesso faz mal. Em vez de desenvolver, a aleijamos na área que eles têm condições. Por peninha, muitas vezes, porque não se tolera que filho não faça. Se os pais não fizerem, o filho aprende. Não é excesso de amor que deseduca. O que deseduca são os excessos que os pais cometem quando fazem pelo filho o que ele é capaz de fazer. Daí os pais começam a se justificar, a colocar culpa em outra coisa e dizem que ele (o filho) já nasceu assim. Ninguém nasce assim. Nós é que educamos. Todos vão se corrigir quando tomarem consciência do quanto podem mudar. Por que nós ensinamos a nossos filhos que eles estejam sempre certos e os outros errados??? O filho bate com a cabeça na mesa e a mãe diz: “mesa feia!” e bate na mesa. O que a mãe está dizendo é que a mesa está errada e que ela se colocou no caminho da criança que estava inocentemente correndo pelo mundo? Não existe isso. Deve-se dizer: “então filho, tome mais cuidado, e agora chora porque dói mesmo”. Pronto e acabou. Ele nunca mais vai bater a cabeça na mesa. Senão, o colega que é ruim, a babá que não presta, a empregada que é não sei o quê, a escola, o patrão que não serve...


RS: Um filho é diferente do outro?

IT: Graças a Deus são diferentes. Quando o mais velho nasce, todo mundo está olhando para ele. Quando o segundo nasce, tem um dedo enfiando no olho dele. Por mais que pais queiram, nunca os filhos serão iguais. A parceria é desigual. O mais velho manda no mais novo e mais novo dá este poder. O mais velho tem idéias. Se o mais velho sabe fazer ele faz, se o mais novo não sabe, não vai fazer. Erram os pais quando, por exemplo, já na adolescência, o mais velho com 13 quer sair e o menor com 11 não tem com quem ficar. Aí a mãe fala “só sai se levar o menor”. Estraga os dois! Porque o de 11 ainda está na confusão, o de 13 com malícia. O de 11 funciona como o “bobo” da turma e vai levar porrada e o de 13 vai “pagar mico” . O mais velho tem que frenquentar a tuma dele e o menor a dele - que vai se divertir com outros assuntos. O grande segredo é tratar os filhos de jeito diferente. Na vida, a gente aprende com as diferenças, veja este exemplo: faz de conta que eu tenho um cachorro. Eu o agrado e ele olha pra mim e faz tudo pra mim como se eu fosse um rei. Daí eu tenho um gato, também agrado, faço tudo e o gato olha pra mim e diz “eu devo ser o rei”. Então, minha atitude depende da recepção que outro tem. Se um me maltrata porque eu fiz o bem, eu tenho que corrigir? Então, não é como os pais gostariam que fosse: falam uma coisa e querem que todos os filhos respondam igual. Isso não acontece...


RS: É correto premiar o filho quando ele faz algo certo?

IT: O filho merece tem, não merece não tem. Não importa. Cumpriu a tarefa? Tem. Não cumpriu? Não tem. Agora, tarefa não se premia não! Tarefa é obrigação. Porque se a gente premia a tarefa, daqui a pouco ele não faz nada porque não ganha nada... Você pede, ele não faz, e ainda diz “não ganho pra isso”.


RS: Castigo resolve?

IT: Não. Se castigo resolvesse todos os filhos seriam maravilhosos porque eu nunca vi uma criança que não tenha sido castigada. O que educa é corrigir o erro na base da consequência. Todo mundo fala: “errar é humano” ou “errando é que se aprende”. Isso é mentira. É corrigindo o erro que a gente aprende. Se não aprender, tem que aplicar consequências. Mostrar o que ele provocou por não ter feito algo. Então vai corrigir pra não fazer outra vez. Temos uma coisa que odiamos: corrupção, desvio de verbas... coisas que horrorizam, mas onde isso começou? Dentro de casa! Quando o filho de 6 anos pega dinheiro pra comprar lanche e vai lá e compra figurinha... Chega em casa e os pais ainda ajudam a colar no álbum! O que aconteceu? Os pais endossaram o desvio de verbas! Ele usou o que não podia. O dinheiro era para o lanche e não pra ele gastar com figurinha...


RS: O que pais devem fazer nessa hora?

IT: Devem dizer: “olha, você errou filho e você vai, durante uma semana, levar lanche de casa. Na próxima semana, a gente tenta outra vez. Se você acertar, aí vai ganhar dinheiro pro lanche, se outra vez gastar com o que não deve, vai ficar mais uma semana levando lanche de casa e ponto”. Ele aprende. Porque, caso contrário, depois sai de carro para ir até a padaria e dá volta pela cidade. Abusa do que não é dele. E quem ensinou??? Não adianta só o pai falar. Tem que ensinar. Filho faz o que aprendeu. E como aprendeu? Vendo!!! A transgressão é fácil. O “jeitinho” que se conseguem as coisas, a criança vê. A criança faz o que vê. Se o pai vai ultrapassar alguém no trânsito, ofende e xinga, pode estar certo de que a criança ali atrás já está com ódio do outro. É isso que ele está ensinando. Daí não adianta dizer que não pode xingar... Acha que por falar corrigiu o erro? Ele que não fale palavrão, ele que mostre o bom exemplo!


RS: Gritar resolve?

IT: Se gritar resolvesse, crianças seriam ótimas. Não tem mãe que não grite e nada irrita mais um filho do que uma mãe gritona! O pai é um trovão, filho não aguenta! Fale só uma vez. Se entendeu, entendeu. Se não entendeu, vai sofrer as consequências de não ter entendido para aprender a entender. Por exemplo, vou chamar você pra jantar e quero que você desça. Se não vier, vou fechar tudo e quando você quiser você vem, esquenta sua comida e deixa a comida em ordem, como encontrou. Caso contrário, não vai dormir. Aí ele (o filho) vem depois pra testar... Daí a mãe acaba fazendo miojo! Pra que fazer miojo???? Ele que se vire, ou então vai dormir sem comer. Se ele comeu, deixou bagunça na cozinha e foi dormir acorde ele com uma gotinha de água na testa e diga que só vai dormir depois que arrumar a bagunça! E deixe sem dormir uma noite. Isso não é castigo, é consequência. Se ele arrumar, pode dormir. Se não arrumar, não pode. Castigo é quando a gente dá uma surra que não tem nada a ver com arrumar ou não a cozinha.


RS: Tem que ter regras?

IT: Sim. Vai ter hora pra comer e se não veio fica sem comer. Ninguém morre por isso. O que eu acho é que isso não é excesso de amor, é moleza de pai e mãe. Seja firme uma vez e acabou. Ninguém gosta de dormir com fome!

domingo, 12 de setembro de 2010

" Educar na era planetária"- Edgard Morin



A desesperança nasce da consciência sobre as carências do Homo


sapiens/demens e das manifestações históricas do ruído e do furor

que, tantas vezes fizeram tábula rasa da razão e do amor. Essa

dialógica dispõe de seis princípios de esperança na desesperança:


·Princípio vital: assim como tudo o que vive se auto-regenera numa


tensão irredutível para o futuro, também todo o humano regenera a


esperança regenerando sua vida. Não é a esperança o que faz viver,


é o viver que cria a esperança que permite viver.



·Princípio do inconcebível: todas as grandes transformações ou


criações foram impensáveis antes de ocorrer.



·Princípio do improvável: todos os acontecimentos felizes da história


foram, a priori, improváveis.



·Princípio da toupeira: que cava suas galerias subterrâneas e


transforma o subsolo antes que a superfície se veja afetada.



·Princípio de salvação: é a consciência do perigo que, segundo


Hölderlin, sabe que "onde cresce o perigo, cresce também o que salva".



·Princípio antropológico: é a constatação de que Homo


sapiens/demens usou até o presente uma pequena porção das


possibilidades de seu espírito/cérebro. Isso supõe compreender


que a humanidade se encontra longe de ter esgotado suas


possibilidades intelectuais, afetivas,culturais, civilizacionais,


sociais e políticas.



Nossa cultura atual corresponde ainda à pré-história do espírito

humano e nossa civilização não ultrapassou a idade de ferro planetária.



Estes princípios não trazem consigo nenhuma segurança, mas não

podemos livrar-nos nem da desesperança nem da esperança. A

odisséia da humanidade permanece desconhecida, mas a missão da

educação planetária não é parte da luta final, e sim da luta inicial pela

defesa e pelo devir de nossas finalidades terrestres; a salvaguarda da

humanidade e o prosseguimento da hominização. (p.111)



Fonte: Morin Edgard, Ciurana E & Motta R 2003. Educar na era planetária


O pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e
 incerteza humana .Cortez Editora, São Paulo

sábado, 11 de setembro de 2010

aovivo » CPFL Cultura

O Cuidado é feminino?
Mary Del Priore


aovivo » CPFL Cultura

" Meditação" - Rudolf Steiner





Meditação

 
Nego-me a me submeter ao medo

Que me tira a alegria da minha liberdade

Que não me deixa arriscar nada

Que me torna pequeno e mesquinho

Que me amarra

Que não me deixa ser direto e franco

Que me persegue

Que ocupa negativamente a minha imaginação

Que sempre pinta visões sombrias


No entanto

Não quero levantar barricadas por medo do medo

Eu quero viver e não quero encerrar-me

Não quero ser amigável por medo de ser sincero

Quero pisar firme porque estou seguro

E não para encobrir o meu medo

E quando me calo

Quero fazê-lo porque amo

E não por temer as conseqüências de minhas palavras


Não quero acreditar em algo

Só pelo medo de não acreditá-lo

Não quero filosofar

Por medo de que algo possa atingir-me de perto


Não quero dobrar-me

Só porque tenho medo de não ser amável

Não quero impor algo aos outros

Pelo medo de que possam impor algo a mim

Por medo de errar

Não quero me tornar inativo

Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável

Por medo de não me sentir seguro de novo


Não quero fazer-me importante

Porque tenho medo de que se não, poderia ser ignorado.


Por convicção e amor

Quero fazer o que eu faço

E deixar de fazer o que deixo de fazer


Ao medo quero arrancar o domínio

E dá-lo ao amor

E quero crer no reino que existe em mim.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Projeto vê Lei do Bullying em escolas infantis

Projeto prevê política contra bullying em escolas infantisdo Blog do Scheinman de MauricioTramita na Câmara o Projeto de Lei 7457/10, da deputada Sueli Vidigal (PDT-ES), que prevê a adoção de política antibullying por escolas de educação infantil, públicas ou privadas. O bullying é o ato de violência praticado com o objetivo de constranger ou humilhar a vítima.


A política antibullying terá, de acordo com a proposta, objetivos como disseminar conhecimento sobre essa prática nos meios de comunicação e nas instituições de ensino e capacitar professores e equipes pedagógicas para o diagnóstico do problema.

O texto prevê também a orientação de vítimas e familiares com apoio técnico e psicológico para garantir a recuperação da autoestima de quem sofreu a violência.

Pela política traçada no projeto, deve-se evitar a punição dos agressores, em favor de mecanismos alternativos que permitam a eles aprender a ter um convívio respeitoso com outros estudantes.

De acordo com a deputada, a proposta quer atuar no "combate e erradicação desse mal, que aflige epidemicamente as comunidades e conscientizar a sociedade desse grave e atual problema".

Sueli Vidigal destaca que muitas crianças, vítimas desse mal, desenvolvem medo, pânico, depressão, distúrbios psicossomáticos e geralmente evitam retornar à escola.

O texto obriga as instituições de ensino infantil a manter histórico das ocorrências de bullying em suas dependências. Todos os casos e as medidas tomadas deverão ser enviados periodicamente à respectiva secretaria estadual de Educação.

O projeto terá análise conclusiva das comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. (Fonte: Agência Câmara)


Fonte: Blog do Scheinman

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A natureza de Guido Sterkendries



"Hoje mais do que nunca se faz necessária uma ética do cuidado, porque tudo está descuidado. A cada dia cerca de 20 espécies de seres vivos desaparecem de forma definitiva dada a presença agressiva do ser humano. Ele se fez um homicida das grandes expressões da biodiversidade da vida".


As palavras são do teólogo e escritor Leonardo Boff, em suas reflexões no Espaço Cultural CPFL. Ao participar das discussões sobre a vertigem do mundo contemporâneo, que produz desencontros e provoca dúvidas quanto ao próprio futuro da vida na Terra, Boff propôs o resgate da ética e do sentido da responsabilidade humana com relação ao equilíbrio perdido da natureza.

"Não existe meio ambiente. Existe ambiente inteiro", alertou, para definir:

"Esse ambiente inteiro é a comunidade de vida da qual somos parte e parcela, com a responsabilidade e missão de cuidar disso".

Para Boff, é urgente a correção de rumos, uma revisão de postura das ações humanas em relação à biodiversidade, à atmosfera, para que seja garantida a continuidade da vida. Ele lamentou:

"O ser humano veio sistematicamente agredindo e pilhando os recursos da natureza. Só que hoje ele chegou a um limite. A continuar essa lógica, ele pode ir ao encontro do pior. Pode ir ao encontro do destino dos dinossauros."

Em suas ponderações, ele manifestou esperança em que o ser humano assuma nova postura em relação à natureza, à vida toda, retomando o sentido da transcendência inerente a sua condição. Disse o teólogo:

"É essa dimensão do ser humano que transcende o princípio da pura necessidade, do puro desejo de postos de dominação, para dimensões de amorosidade, de cuidado, de generosidade.

E de solidariedade."
 
Leonardo Boff

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

" Letramento digital na sociedade do conhecimento"



Em 1958, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO definia como alfabetizada uma pessoa capaz de ler ou escrever um enunciado simples relacionado à sua vida diária. Entende-se, porém, que hoje em dia, muitas outras habilidades de leitura e escrita são mobilizadas pelo cidadão, e exigidas dele, no desempenho das mais diversas atividades de sua vida pessoal, profissional, esportiva, artística ou religiosa.


A própria UNESCO introduz o conceito de alfabetismo e analfabetismo funcional. É considerada alfabetizada funcional uma pessoa que é capaz de utilizar a leitura e a escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e usar essas habilidades para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.

A partir de 1990, o IBGE passou a utilizar o conceito de analfabeto funcional e, a partir daí, considerou como tal, as pessoas com menos de quatro anos de escolaridade. Não se leva em consideração no contexto atual o analfabeto de leitura, de escrita, mas sim, têm-se como analfabetos aqueles que não conseguem e não estão capacitados a solucionar os problemas do cotidiano e não se adaptam aos novos paradigmas.

Quanto ao letramento digital esta leitura articula-se com a leitura “digital” de nossa sociedade possibilitando a estes cidadãos, tanto o uso de informações para apropriação de saberes, quanto para o convívio social de forma crítica e autônoma.

Dessa forma, levando-se em consideração a leitura do mundo atual, as tecnologias recentes provocaram uma ruptura com as duas modalidades de leitura anteriores – a escrita e a audiovisual.

As novas tecnologias digitais da informação e da comunicação, de leitura e escrita, estão levando a mudanças na natureza do letramento e de forma fundamental no caráter da comunicação contemporânea, contribuindo assim, para uma alteração radical da cultura. Portanto, as novas práticas sociais de leitura e escrita se constituem no que é denominado hoje de letramento digital.

Autores como Buzato (2003) utiliza o termo letramento eletrônico, definindo-o como “o conjunto de conhecimentos que permite às pessoas participarem nas práticas letradas mediadas por computadores e outros dispositivos eletrônicos no mundo contemporâneo”, enquanto a alfabetização eletrônica estaria relacionada apenas à codificação e decodificação da mensagem digital. Já Silva (2002) relaciona alfabetização com construção social e, nesta abordagem utiliza o termo alfabetização tecnológica, ou seja, a capacitação para utilização inteligente e crítica da tecnologia, sabendo quando e por que utilizá-la, exercendo assim, a cidadania. Esta concepção coincide com o que outros autores chamam de letramento digital.

Pode-se afirmar que um indivíduo possuidor de letramento digital necessita de habilidade para construir sentidos a partir de textos que mesclam palavras que se conectam a outros textos, por meio de hipertextos, links e hiperlinks; elementos pictóricos e sonoros numa mesma superfície - textos multimodais. Ele precisa também ter capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente a informação disponibilizada eletronicamente, e ter familiaridade com as normas que regem a comunicação com outras pessoas através dos sistemas computacionais.

Tomando-se por base essa concepção, chega-se à conclusão de que o direito de acesso à rede de informações se constitui como a nova face da liberdade de expressão e a condição básica para o letramento digital. Como afirma Silveira (2001) comunicar na sociedade pós-moderna significa interagir nas redes de informação e “a maioria da população, ao ser privada do acesso à comunicação mediada por computador, está sendo simplesmente impedida de se comunicar pelo meio mais ágil, completo e abrangente”. Para o autor o direito de acessar e compartilhar as redes de comunicação e informação, como condição básica do letramento digital, é essencial para assegurar o uso cultural, social e cidadão, possibilitando assim o que chama de a “cidadania eletrônica”.

Em síntese, a inclusão social é uma categoria política que visa à transformação social, ou ainda, é um programa de ação com objetivos políticos determinados que consistam em estender a cidadania para todos os membros da sociedade.

É relevante apontar que o conceito de "inclusão social" não diz respeito apenas à questão financeira, mas à necessidade de trazer para a comunidade pessoas que estão à margem da sociedade, seja na questão de estudos, no relacionamento interpessoal, no acesso ao sistema de saúde ou mesmo em outras práticas sociais. Assim, concebe-se o letramento digital como sendo a capacidade que tem o indivíduo de responder adequadamente às demandas sociais que envolvem a utilização dos recursos tecnológicos e da escrita no meio digital. Questão que se torna imprescindível à plena conquista da cidadania, quando o acesso às ferramentas digitais é por demais importante, porém, com um sentido mais amplo e coletivo de melhoria social.

Fonte: Lúcia Serafim