sexta-feira, 29 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Que escola que queremos?
Hoje fui convidada a conversar numa escola com crianças entre 8 a 12 anos. O principal motivo são os inadequados comportamentos repetitivos.
Conversa vai e conversa vem... Um dos meninos falou-me que Lula foi presidente e não estudou. Isso depois de eu fazer todo o meu discurso dentro de uma lógica de adulto e principalmente de pedagoga.
Aí eu parei e falei. Você tem razão. Lula não é o melhor exemplo que nós temos de um intelectual. Mas, com certeza é um grande exemplo do que seja ser popular, o primeiro presidente eleito por uma grande maioria de votos de pessoas com pouco estudo, mas rico em habilidades que normalmente a escola não valoriza: que são as relações interpessoais. Ele soube valorizar e priorizar qual era a sua maior habilidade, que é fazer política e ser um cidadão com um discurso onde o povo falava como ele.
E eu lhe perguntei: O que tem de errado nisso? O importante é você conseguir entender que todos nós possuímos uma, duas ou muitas habilidades e é com ela que eu farei a diferença. Se eu considero que todos nós somos iguais nos direitos e deveres: O que me torna diferente de você?
É exatamente o que eu faço com a minha habilidade. Querendo ou não, você possui uma, basta observar o que você mais gosta de estudar, fazer e realizar enquanto ação.
E aí me veio à mente, o atual casamento real, na Inglaterra com uma cidadã que não faz parte da mesma casta das famílias que tanto a Inglaterra valoriza, dentro das normas e princípios da realeza. E por que hoje é aceito com bons olhos esse casamento? Por que a sociedade mudou e todos nós temos que conviver com essa realidade.
Eu expliquei para este pequeno aluno, que por hora se pergunta, o que serei quando crescer, afinal se eu estudo não tenho garantia de emprego e estudando tenho que agüentar por quatro horas aulas que me desafiam a ser motivado, quieto, ter boas notas e um cidadão de respeito, sem eu perceber que faço parte desse contexto que na verdade nunca me perguntaram o que quero.
Quantas questões a serem resolvidas, não só no universo infantil dessa criança, como no ambiente escolar.
Fico perplexa quando a escola não percebe que o aluno de hoje não é mais o de antigamente, onde se dizia, senta e todos atendiam sem questionar nada.
É verdade também que nós percebemos o quanto a família mudou. E com ela criamos novos problemas, desafios e nem sempre damos conta, afinal o principal papel da escola é ensinar. E hoje, os pais delegam à escola toda e qualquer responsabilidade de educar os seus filhos e de preferência sem incomodá-los. Aí, fica difícil, afinal a escola não é uma "mãe adotiva" e nem um lugar onde se "deposita crianças".
O mundo contemporâneo tem nos mostrado que a história muda, que a sociedade não necessita mais de padrões homogêneos, onde uma única opção é a correta.
E como viver com tanta diversidade? Com tantos desafios e informações irrelevantes e muitas também relevantes, mas que não são aproveitadas no currículo escolar, porque não é algo “concreto”, palpável e que possui retorno rápido.
A diferença nessa hora se soma, cria redes, e se expande de tal forma que aquele que não tiver soluções rápidas e democráticas, estará fora da escola, porque infelizmente os currículos são excludentes.
Eu só vejo uma saída. A reflexão. É urgente que façamos algo para que esses alunos pensem, pergunte, problematize algumas questões, para aí sim, perceber que ele faz parte desse contexto e que ele é sujeito da história.
E alertei a esses pequenos jovens, que a consciência é a responsabilidade caminham juntas. Elas andam de mãos dadas, uma amparando a outra, pois não somos nada se não tivermos a ajuda do outro. Que é necessário compartilhar ideias, soluções, amores, conflitos, para vencermos o medo de crescermos.
Nada mais cruel, do que crescer e se vê só... Nada mais improdutivo, do que se ver adulto sem desejo e sem esperança.
A ação nos torna forte, nos torna aquecida para enfrentarmos os desafios, porque eles existirão sempre, independentes de sua idade.
Eu desejo que as escolas revejam os seus currículos. Que dêem voz aos alunos. Que ouçam os seus desejos como uma ponte entre a realidade do adulto e da criança.
Nessa visão, a escola muda o tom da conversa, passa não existir espaço para a competição e sim para a colaboração, onde sou mais um entre os muitos que existem, fazendo e criando história por onde passar.
Natalícia
sábado, 23 de abril de 2011
Woman - The Beatles
Woman
Woman I can hardly expressMy mixed emotions at my thoughtlessnessAfter all I'm forever in your debtAnd woman I will try to expressMy inner feelings and thankfulnessFor showing me the meaning of successOoh, well, wellDoo, doo, doo, doo, dooOoh, well, wellDoo, doo, doo, doo, doo
Woman I know you understandThe little child inside of the manPlease remember my life is in your handsAnd woman hold me close to your heartHowever distant don't keep us apartAfter all it is written in the stars
Ooh, well, wellDoo, doo, doo, doo, dooOoh, well, wellDoo, doo, doo, doo, dooWellll
Woman please let me explainI never meant to cause you sorrow or painSo let me tell you again and again and again
I love you, yeah, yeahNow and foreverI love you, yeah, yeahNow and foreverI love you, yeah, yeahNow and foreverI love you, yeah, yeah
Mulher
Mulher, eu quase não consigo expressarMinhas emoções confusas na minha negligência.Afinal de contas, estou eternamente em dívida com você.E, mulher, eu tentarei expressarMeus sentimentos interiores e gratidãoPor me mostrar o significado do sucesso.Ooh, bem, bem,Doo, doo, doo, doo, doo.Ooh, bem, bem,Doo, doo, doo, doo, doo.
Mulher, eu sei que você compreendeA criancinha dentro do homem.Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos.E, mulher, mantenha-me próximo do seu coraçãoPor mais que [estejamos] distantes, não nos mantenha separados.Afinal de contas, está escrito nas estrelas...
Ooh, bem, bem,Doo, doo, doo, doo, doo.Ooh, bem, bem,Doo, doo, doo, doo, doo,Bem...
Mulher, por favor deixe-me explicar:Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor.Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo
Eu te amo, sim, sim,Agora e eternamente.Eu te amo, sim, sim,Agora e eternamente.Eu te amo, sim, sim,Agora e eternamente.Eu te amo, sim, sim...
Note For a Child - Impossibly Beautiful
Note For a Child - Impossibly Beautiful
I am the question and you are the answer
I am the lyric with words, who, like dancers,
Need you, the melody, to give life to my song
I am a boat in the sea all alone
You are the North Star, guiding me home
I'm the explorer and you are the treasure I seek
And how can I dare to believe
I wake from this dream to see
Impossibly beautiful, you walk beside me
And all that I see in you
I just want to be with you
Impossibly beautiful, but beautifully true
I am a Japanese house made of paper
You, like a hurricane, lay me to waste
Here in my brokenness, everything changes but you
*********************
Recado para uma criança, Incrivelmente bonito.
Eu sou a pergunta e você é a resposta
Eu sou a letra com as palavras, que, parecem dançarinos,
Preciso de você, a melodia, para dar vida a minha canção
Eu sou um barco no mar sozinho
Você é a Estrela do Norte, guiando-me para casa
Eu sou o explorador e você é o tesouro que eu procuro
E como eu poderia ousar acreditar
Acordar desse sonho para ver
Incrivelmente bonito, você caminha ao meu lado
E tudo que eu vejo em você
Eu só quero estar com você
Impossivelmente belo, mas bem verdade
Eu sou uma casa japonesa feita de papel
Você, como um furacão, coloco-me a perder
Aqui na minha angústia, tudo muda, mas você.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
" Ecobiologia Interior" - Frei Beto
Por um minuto, esquece a poluição do ar e do mar, a química que contamina a terra e envenena os alimentos, e medita: como anda o teu equilíbrio eco-biológico?
Tens dialogado com teus órgãos interiores? Acariciado o teu coração? Respeitas a delicadeza de teu estômago? Acompanhas mentalmente teu fluxo sanguíneo? Teus pensamentos são poluídos? As palavras, ácidas? Os gestos, agressivos? Quantos esgotos fétidos correm em tua alma? Quantos entulhos - mágoas, ira, inveja - se amontoam em teu espírito?
Examina a tua mente. Está despoluída de ambições desmedidas, preguiça intelectual e intenções inconfessáveis? Teus passos sujam os caminhos de lama, deixando um rastro de tristeza e desalento? Teu humor intoxica-se de raiva e arrogância?
Onde estão as flores do teu bem-querer, os pássaros pousados em teu olhar, as águas cristalinas de tuas palavras?
Por que teu temperamento ferve com freqüência e expele tanta fuligem pelas chaminés de tua intolerância? Não desperdiça a vida queimando a tua língua com as nódoas de teus comentários infundados sobre a vida alheia.
Preserva o teu ambiente, investe em tua qualidade de vida, purifica o espaço em que transitas. Limpa os teus olhos das ilusões de poder, fama e riqueza, antes que fiques cego e tenhas os passos desviados para a estrada dessinalizada dos rumos da ética. Ela é cheia de buracos e podes enterrar o teu caminho num deles.
Tu és, como eu, um ser frágil, ainda que julgues fortes os semelhantes que merecem a tua reverência.
Somos todos feitos de barro e sopro.
Finos copos de cristal que se quebram ao menor atrito: uma palavra descuidada, um gesto que machuca, uma desconfiança que perdura.
Graças ao Espírito que molda e anima o teu ser, o copo partido se reconstitui, inteiro, se fores capaz de amar.
Primeiro, a ti mesmo, impedindo que a tua subjetividade se afogue nas marés negativas.
Depois, a teus semelhantes, exercendo a tolerância e o perdão, sem jamais sacrificar o respeito e a justiça.
Livra a tua vida de tantos lixos acumulados.
Atira pela janela as caixas que guardam mágoas e tantas fichas de tua contabilidade com supostos débitos de outrem.
"Vive o teu dia como se fosse a data de teu renascer para o melhor de ti mesmo - e os outros te receberão como dom de amor. Pratica a difícil arte do silêncio. Desliga-te das preocupações inúteis, das recordações amargas, das inquietações que transcendem o teu poder.
Recolhe-te no mais íntimo de ti mesmo, mergulha em teu oceano de mistério e descobre, lá no fundo, o Ser Vivo que funda a tua identidade. Guarda este ensinamento: por vezes é preciso fechar os olhos para ver melhor.
Acolhe a tua vida como ela é: uma dádiva involuntária. Não pediste para nascer e, agora, não desejas morrer. Faz dessa gratuidade uma aventura amorosa. Não sofras por dar valor ao que não merece importância. Trata a todos como igual, ainda que estejam revestidos ilusoriamente de nobreza ou se mostrem realmente como seres carcomidos pela miséria.
Faz da justiça o teu modo de ser e jamais te envergonhes de tua pobreza, de tua falta de conhecimentos ou de poder. Ninguém é mais culto do que o outro. O que existem são culturas distintas e socialmente complementares.
O que seria do erudito sem a arte culinária da cozinheira analfabeta?
Tua riqueza e teu poder residem em tua moral e dignidade, que não têm preço e te trazem apreço. Porém, arma-te de indignação e esperança.
Luta para que todos os caminhos sejam aplainados, até que a espécie humana se descubra como uma só família, na qual todos, malgrado as diferenças, tenham iguais direitos e oportunidades. E estejas convicto de que convergimos todos para Aquele que, supremo Atrator, impregnou-nos dessa energia que nos permite conhecer a abissal distância que há entre a opressão e a libertação.
Faze de cada segundo de teu existir uma oração. E terás força para expulsar os vendilhões do templo, operar milagres e disseminar a ternura como plenitude de todos os direitos humanos. Ainda que estejas cercado de adversidades, se preservares a tua ecobiologia interior serás feliz, porque trarás em teu coração tesouros indevassáveis".
Texto: Frei Beto
Fonte: Bliss1000
Tens dialogado com teus órgãos interiores? Acariciado o teu coração? Respeitas a delicadeza de teu estômago? Acompanhas mentalmente teu fluxo sanguíneo? Teus pensamentos são poluídos? As palavras, ácidas? Os gestos, agressivos? Quantos esgotos fétidos correm em tua alma? Quantos entulhos - mágoas, ira, inveja - se amontoam em teu espírito?
Examina a tua mente. Está despoluída de ambições desmedidas, preguiça intelectual e intenções inconfessáveis? Teus passos sujam os caminhos de lama, deixando um rastro de tristeza e desalento? Teu humor intoxica-se de raiva e arrogância?
Onde estão as flores do teu bem-querer, os pássaros pousados em teu olhar, as águas cristalinas de tuas palavras?
Por que teu temperamento ferve com freqüência e expele tanta fuligem pelas chaminés de tua intolerância? Não desperdiça a vida queimando a tua língua com as nódoas de teus comentários infundados sobre a vida alheia.
Preserva o teu ambiente, investe em tua qualidade de vida, purifica o espaço em que transitas. Limpa os teus olhos das ilusões de poder, fama e riqueza, antes que fiques cego e tenhas os passos desviados para a estrada dessinalizada dos rumos da ética. Ela é cheia de buracos e podes enterrar o teu caminho num deles.
Tu és, como eu, um ser frágil, ainda que julgues fortes os semelhantes que merecem a tua reverência.
Somos todos feitos de barro e sopro.
Finos copos de cristal que se quebram ao menor atrito: uma palavra descuidada, um gesto que machuca, uma desconfiança que perdura.
Graças ao Espírito que molda e anima o teu ser, o copo partido se reconstitui, inteiro, se fores capaz de amar.
Primeiro, a ti mesmo, impedindo que a tua subjetividade se afogue nas marés negativas.
Depois, a teus semelhantes, exercendo a tolerância e o perdão, sem jamais sacrificar o respeito e a justiça.
Livra a tua vida de tantos lixos acumulados.
Atira pela janela as caixas que guardam mágoas e tantas fichas de tua contabilidade com supostos débitos de outrem.
"Vive o teu dia como se fosse a data de teu renascer para o melhor de ti mesmo - e os outros te receberão como dom de amor. Pratica a difícil arte do silêncio. Desliga-te das preocupações inúteis, das recordações amargas, das inquietações que transcendem o teu poder.
Recolhe-te no mais íntimo de ti mesmo, mergulha em teu oceano de mistério e descobre, lá no fundo, o Ser Vivo que funda a tua identidade. Guarda este ensinamento: por vezes é preciso fechar os olhos para ver melhor.
Acolhe a tua vida como ela é: uma dádiva involuntária. Não pediste para nascer e, agora, não desejas morrer. Faz dessa gratuidade uma aventura amorosa. Não sofras por dar valor ao que não merece importância. Trata a todos como igual, ainda que estejam revestidos ilusoriamente de nobreza ou se mostrem realmente como seres carcomidos pela miséria.
Faz da justiça o teu modo de ser e jamais te envergonhes de tua pobreza, de tua falta de conhecimentos ou de poder. Ninguém é mais culto do que o outro. O que existem são culturas distintas e socialmente complementares.
O que seria do erudito sem a arte culinária da cozinheira analfabeta?
Tua riqueza e teu poder residem em tua moral e dignidade, que não têm preço e te trazem apreço. Porém, arma-te de indignação e esperança.
Luta para que todos os caminhos sejam aplainados, até que a espécie humana se descubra como uma só família, na qual todos, malgrado as diferenças, tenham iguais direitos e oportunidades. E estejas convicto de que convergimos todos para Aquele que, supremo Atrator, impregnou-nos dessa energia que nos permite conhecer a abissal distância que há entre a opressão e a libertação.
Faze de cada segundo de teu existir uma oração. E terás força para expulsar os vendilhões do templo, operar milagres e disseminar a ternura como plenitude de todos os direitos humanos. Ainda que estejas cercado de adversidades, se preservares a tua ecobiologia interior serás feliz, porque trarás em teu coração tesouros indevassáveis".
Texto: Frei Beto
Fonte: Bliss1000
"Solidariedade e Direitos: aprendendo com a tragédia em Realengo"
Hoje fui conversar com os pais da Escola Municipal daqui de minha cidade, que tinha como objetivo trazer a família à escola.
Vi no pátio da escola, um mural com a foto do Wellington. Fiquei um pouco perplexa, pois não esperava, visto que essa escola é de educação infantil e primeiro segmento do ensino fundamental. Não tive tempo de perguntar aos professores do que se tratava e de como a escola trabalhou aquela notícia.
De repente, me veio a ideia de falar sobre acolhimento. Como enfrentamos a nossa dor e a do outro? Como posso dialogar com o meu filho, sem agredi-lo, inibi-lo e aproximá-lo de uma convivência saudável? E daí para frente tudo fluiu bem.
Às vezes penso, que as palavras não virão, mas de repente elas brotam como uma nascente de rio, que necessita de cuidado diário.
Grata a todos e a Você em especial - Sandra Celano.
Natalícia
*********
O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro vem a público manifestar sua total solidariedade às famílias e aos funcionários diretamente atingidos pela tragédia ocorrida na Escola Estadual Tasso da Silveira em Realengo, e a todos os que, mesmo indiretamente, sofrem o impacto brutal da violência deste acontecimento.
Para uma dor de tal magnitude não se procura palavras vazias de consolo. Buscamos nesta nota problematizar a vida que vem sendo condenada a sobrevivência sob o julgo permanente da violência, das mais diversas violências, a qual todos estamos submetidos, cotidianamente.
Muito se tem discutido e interpretado nas mais diversas mídias acerca das motivações de Wellington, desde seu comportamento introspectivo, das humilhações sofridas na infância e adolescência e de um diagnóstico psiquiátrico, o qual, hoje apenas pode ser suposto. Muito se tem falado também sobre medidas de prevenção que garantiriam nossa segurança e de nossos entes queridos. Tais medidas, veiculadas em geral nos meios de comunicação de massa, têm como característica comum uma maior repressão: policiamento nas escolas, câmeras de vídeo, catracas eletrônicas e maior punição para os condenados. As soluções apontadas sinalizam que a sociedade deveria ser mais repressiva e punitiva, que solidária e acolhedora com a diferença.
Pouco se tem falado em tais mídias do modo como temos funcionado como sociedade. Diante de um acontecimento traumático e imprevisível, encontramos como explicação mais pacificadora para nossos afetos a “monstruosidade sociopata” de Wellington, advinda de uma patologia tranquilizadora para nossa suposta normalidade. Ao focarmos no indivíduo que empunhou as armas, deixamos de pensar a naturalização cada vez mais veloz da violência em nosso cotidiano.
Na nova ordem mundial é esperado que, sozinho, o indivíduo enfrente todas as adversidades da vida, muitas delas produzidas pelo modo como exploramos os trabalhadores, abandonamos os desempregados, os idosos, as crianças e os adultos fragilizados por uma sociedade onde se vale o quanto se pode comprar, o quanto se pode consumir.
Na atual ‘ordem’ carioca, cujo lema central da gestão estatal é o ‘choque’, como sair das análises individualizantes para fomentar reflexões sobre o campo social, avaliar o processo de trabalho das gestões públicas no investimento de políticas que garantam acesso aos direitos a todo e qualquer cidadão, no momento em que ele necessita, e não apenas diante da vivência de uma tragédia que produz incomensurável dor coletiva.
Neste sentido, nos cabe fazer algumas perguntas: como as políticas públicas vêm sendo implementadas e se mantendo na “cidade maravilhosa” para responder às violências cotidianas que afetam toda e qualquer pessoa? De que modo vem se estruturando a rede pública assistencial? Há serviços suficientes? Há profissionais concursados, com dignas remunerações para acolher às demandas crescentes, oriundas do sofrimento da população?
Diante da tragédia no bairro de Realengo, em que tanto se pedem psicólogos, psiquiatras, médicos, assistentes sociais e outros profissionais para o atendimento às pessoas que foram diretamente atingidas, o que dizer do fato de que, justamente nesta região, os serviços de atenção primária em saúde são escassos. Assim como são muito poucos os profissionais nos ambulatórios de saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (há apenas dois serviços de atenção diária em saúde mental para um território de quase 850 mil habitantes), e nos serviços de assistência social (CRAS e CREAS). Nada tão diferente da realidade da maior parte dacidade do Rio de Janeiro.
É preciso se preocupar com a continuidade do cuidado a toda e qualquer pessoa que em algum momento buscará a rede pública para atendimento de suas demandas, as quais, por mais que estejam sendo protagonizadas em um indivíduo, traduz uma produção coletiva do adoecer.
De fato, temos acompanhado que as políticas públicas de apoio solidário são abandonadas pelas gestões políticas, há muitos anos – a saúde é sucateada e levada à beira da falência, a educação é ignorada, a assistência social não consegue ampliar a implantação de seus serviços e articular ações visando proteção social e a Previdência Social condena quase todos à miséria, quando de seu adoecimento ou quando a idade deveria significar descanso dos longos anos de trabalho.
Seria possível encontrar saídas individuais para as mazelas nas quais estamos imersos? Eis uma questão impossível de ser calada, não obstante a espetacularização midiática que tem sido produzida no cotidiano de nossas vidas...
14 de Abril de 2011
http://www.crprj.org.br/noticias/2011/0414-solidariedade_e_direitos_aprendendo_com_a_tragedia_em_realengo.html
Vi no pátio da escola, um mural com a foto do Wellington. Fiquei um pouco perplexa, pois não esperava, visto que essa escola é de educação infantil e primeiro segmento do ensino fundamental. Não tive tempo de perguntar aos professores do que se tratava e de como a escola trabalhou aquela notícia.
De repente, me veio a ideia de falar sobre acolhimento. Como enfrentamos a nossa dor e a do outro? Como posso dialogar com o meu filho, sem agredi-lo, inibi-lo e aproximá-lo de uma convivência saudável? E daí para frente tudo fluiu bem.
Às vezes penso, que as palavras não virão, mas de repente elas brotam como uma nascente de rio, que necessita de cuidado diário.
Grata a todos e a Você em especial - Sandra Celano.
Natalícia
*********
O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro vem a público manifestar sua total solidariedade às famílias e aos funcionários diretamente atingidos pela tragédia ocorrida na Escola Estadual Tasso da Silveira em Realengo, e a todos os que, mesmo indiretamente, sofrem o impacto brutal da violência deste acontecimento.
Para uma dor de tal magnitude não se procura palavras vazias de consolo. Buscamos nesta nota problematizar a vida que vem sendo condenada a sobrevivência sob o julgo permanente da violência, das mais diversas violências, a qual todos estamos submetidos, cotidianamente.
Muito se tem discutido e interpretado nas mais diversas mídias acerca das motivações de Wellington, desde seu comportamento introspectivo, das humilhações sofridas na infância e adolescência e de um diagnóstico psiquiátrico, o qual, hoje apenas pode ser suposto. Muito se tem falado também sobre medidas de prevenção que garantiriam nossa segurança e de nossos entes queridos. Tais medidas, veiculadas em geral nos meios de comunicação de massa, têm como característica comum uma maior repressão: policiamento nas escolas, câmeras de vídeo, catracas eletrônicas e maior punição para os condenados. As soluções apontadas sinalizam que a sociedade deveria ser mais repressiva e punitiva, que solidária e acolhedora com a diferença.
Pouco se tem falado em tais mídias do modo como temos funcionado como sociedade. Diante de um acontecimento traumático e imprevisível, encontramos como explicação mais pacificadora para nossos afetos a “monstruosidade sociopata” de Wellington, advinda de uma patologia tranquilizadora para nossa suposta normalidade. Ao focarmos no indivíduo que empunhou as armas, deixamos de pensar a naturalização cada vez mais veloz da violência em nosso cotidiano.
Na nova ordem mundial é esperado que, sozinho, o indivíduo enfrente todas as adversidades da vida, muitas delas produzidas pelo modo como exploramos os trabalhadores, abandonamos os desempregados, os idosos, as crianças e os adultos fragilizados por uma sociedade onde se vale o quanto se pode comprar, o quanto se pode consumir.
Na atual ‘ordem’ carioca, cujo lema central da gestão estatal é o ‘choque’, como sair das análises individualizantes para fomentar reflexões sobre o campo social, avaliar o processo de trabalho das gestões públicas no investimento de políticas que garantam acesso aos direitos a todo e qualquer cidadão, no momento em que ele necessita, e não apenas diante da vivência de uma tragédia que produz incomensurável dor coletiva.
Neste sentido, nos cabe fazer algumas perguntas: como as políticas públicas vêm sendo implementadas e se mantendo na “cidade maravilhosa” para responder às violências cotidianas que afetam toda e qualquer pessoa? De que modo vem se estruturando a rede pública assistencial? Há serviços suficientes? Há profissionais concursados, com dignas remunerações para acolher às demandas crescentes, oriundas do sofrimento da população?
Diante da tragédia no bairro de Realengo, em que tanto se pedem psicólogos, psiquiatras, médicos, assistentes sociais e outros profissionais para o atendimento às pessoas que foram diretamente atingidas, o que dizer do fato de que, justamente nesta região, os serviços de atenção primária em saúde são escassos. Assim como são muito poucos os profissionais nos ambulatórios de saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (há apenas dois serviços de atenção diária em saúde mental para um território de quase 850 mil habitantes), e nos serviços de assistência social (CRAS e CREAS). Nada tão diferente da realidade da maior parte dacidade do Rio de Janeiro.
É preciso se preocupar com a continuidade do cuidado a toda e qualquer pessoa que em algum momento buscará a rede pública para atendimento de suas demandas, as quais, por mais que estejam sendo protagonizadas em um indivíduo, traduz uma produção coletiva do adoecer.
De fato, temos acompanhado que as políticas públicas de apoio solidário são abandonadas pelas gestões políticas, há muitos anos – a saúde é sucateada e levada à beira da falência, a educação é ignorada, a assistência social não consegue ampliar a implantação de seus serviços e articular ações visando proteção social e a Previdência Social condena quase todos à miséria, quando de seu adoecimento ou quando a idade deveria significar descanso dos longos anos de trabalho.
Seria possível encontrar saídas individuais para as mazelas nas quais estamos imersos? Eis uma questão impossível de ser calada, não obstante a espetacularização midiática que tem sido produzida no cotidiano de nossas vidas...
14 de Abril de 2011
http://www.crprj.org.br/noticias/2011/0414-solidariedade_e_direitos_aprendendo_com_a_tragedia_em_realengo.html
sábado, 9 de abril de 2011
Bullying: “brincadeira” com consequências
No dia 7 de abril de 2011, o mundo foi vítima de mais uma matança em escolas, desta vez no Brasil. Um ex-aluno entrou numa escola municipal em Realengo, zona Oeste do Rio, e promoveu um massacre. Este ex-aluno, segundo as pessoas que o conheceram, tinha um comportamento que leva a supor que sofria de alguma doença mental. O que é certo é que sofria de bullying, como afirmaram 2 ex-colegas de turma. Assim como os rapazes que promoveram o massacre em uma escola em Columbine, nos Estados Unidos, que depois gerou o documentário “Tiros em Columbine”.
O bullying sempre existiu nas escolas, mas nem sempre foi encarado como um problema. Há algumas décadas atrás era considerado “coisa normal de crianças”. Aquelas que divergissem um pouco da média eram as vítimas preferenciais. Hoje o bullying tem sido denunciado, mas está bem longe de ser controlado.
Na mesma semana, dois outros casos envolvendo bullying povoaram os jornais. Uma estudante universitária de enfermagem que denunciou as agressões que sofria à direção da faculdade, em Ribeirão Preto, foi agredida por uma colega com o capacete de motociclista. E um aluno de 15 anos de uma escola do sertão de Alagoas passou por uma sessão de três minutos de tapas na cara por ser homossexual. O bullying não respeita fronteiras nem nível social.
No ambiente escolar é muito importante para a criança e o adolescente fazer parte de um grupo, ser aceito e apoiado por ele. Quem sofre bullying sente-se excluído, e geralmente reage com um sentimento de minusvalia que pode influenciar sua vida em seus aspectos emocional, social e profissional, não só no momento em que sofre a agressão, mas por muitos anos no futuro. Cria-se um sentimento de inadequação, de não pertencimento, que mina sua autoconfiança e o faz sentir-se inferior. Algumas vezes esse sentimento de inferioridade pode gerar uma reação violenta e, se somar-se a um transtorno grave e não tratado de personalidade, um massacre como esse.
No Ensino Médio, estudei em uma escola particular de Niterói, e morava em São Gonçalo. Eu e muitos colegas que vínhamos da cidade vizinha sofríamos todo tipo de gozações, até mesmo por parte de professores. Algumas inócuas, outras bem agressivas. Um de nossos colegas sofria mais perseguições pois, além de gonçalense, era negro (o que era uma exceção numa escola de classe média de Niterói à época) e obeso. Não eram só piadinhas, eram tapinhas na nuca, tomar seus cadernos e jogar no chão, colocar o pé na frente para derrubá-lo. Os inspetores, pomposamente chamados de ‘auxiliares de comunicação’, limitavam-se ao ‘não faça isso de novo’. Ele tornou-se mais tímido do que no início do ano. Um dia ele surrou o colega mais insistente nas provocações, e foi suspenso das aulas pela atitude violenta.
O bullying sofrido pelo meu colega tinha as três características que o definem: era alvo de agressões e comentários negativos, as agressões eram repetidas e havia um suposto desequilíbrio de poder entre os colegas. Nem sempre o bullying é tão evidente, ele pode acontecer por meio de intrigas, espalhando comentários entre colegas (e a internet, através das redes sociais, pode ser um veículo para isso), ou evitando falar com a pessoa que é vítima de bullying, até mesmo porque quem se aproxima da vítima também é hostilizado. Os temas mais usados pelos agressores são a forma física (‘baleia’, ‘esqueleto’, ‘sem-bunda’, ‘baixinho’, ‘pintor-de-rodapé’, ‘caolho’), a etnia (‘crioulo’, ‘branco-azedo’, ‘japa’) e a religião (‘crente’, ‘papa-hóstia’, ‘macumbeiro’).
Os agressores buscam, através das provocações, dominar um grupo, numa estrutura de poder semelhante ao de animais na selva. É preciso que o bullying não seja tolerado como ‘coisa normal’, que se estimule o agressor a buscar sua própria humanidade, e a arte é o melhor instrumento para isso. E a vítima precisa ser amparada e protegida pela escola e por psicoterapia, não exposta ainda mais aos agressores, para que possa ter a real percepção de si, e não aquela imagem perniciosa que o bullying insiste em fazê-la acreditar.
Fonte: Artigo original de Terapia Biográfica em 08/04/2011.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Pela Educação: Andrea Ramal no Bom Dia Rio
Pela Educação: Andrea Ramal no Bom Dia Rio: "Oi pessoal! Este post é para informar que a partir de amanhã, Andrea Ramal, Mestra e Doutora em Educação pela PUC-Rio, é a comentarista ofi..."
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