terça-feira, 8 de março de 2011
" Antes que o mundo acabe"-livro de Marcelo Carneiro da Cunha
Baseado no livro de Marcelo Carneiro da Cunha, Daniel (Pedro Tergolina) é um adolescente de classe média, de 15 anos, que vive em uma pequena cidade, junto com a irmã Maria Clara (Caroline Guedes), a mãe Elaine (Janaína Kremer) e seu marido Antônio (Murilo Grossi). Ele namora Mim (Bianca Menti), porém o relacionamento entre eles jamais o deixa seguro. O motivo é que Mim é uma garota autônoma, que tem uma banda própria e está em dúvida se deseja ser namorada de alguém. Os dois e Lucas (Eduardo Cardoso), o melhor amigo de Daniel, estudam no Colégio Santa Bárbara. Lá Lucas é acusado de ter cometido um roubo, o que faz com que Daniel e Mim briguem. FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/antes-que-o-mundo-acabe/
Categoria:
Educação
Palavras-chave:
Antes que o mundo acabeMarcelo Carneiro da CunhaAna Luiza Azevedo
Fonte: Youtube
"O que é viver bem?! " Cora Coralina
O que é viver bem?!
Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem?
Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”
"Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."
Fonte: Texto Cora Coralina ( recebido por e.mail)
Grata, Valéria
segunda-feira, 7 de março de 2011
" Pedagogia de Projetos"- Paty Fonte
Paty Fonte, educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora do livro “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar”, publicado pela editora Wak, autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante. Além disso ela é idealizadora e diretora dos sites Projetos Pedagógicos Dinâmicos e Cursos Projetos Pedagógicos Dinâmicos. Confira a seguir como foi a conversa.
Por que é importante para o professor realizar projetos em sala de aula?
Vivemos um momento de rápidas transformações nas formas de ser, viver, relacionar-se. Principalmente pelo grande avanço das tecnologias e dos os meios de comunicação. É praticamente impossível planejar e definir com antecedência o que deve ser aprendido. O ensino tradicional, aquilo que Paulo Freire chamava de “educação bancária” não condiz com a sociedade atual globalizada e multimídia.
Através da pedagogia de projetos é possível: Atualizar fontes de informações e desenvolver novos talentos/competências em todas as áreas, impedindo que as defasagens aumentem; Desenvolver atitudes e valores para a convivência com autonomia e cooperação; Desenvolver novas habilidades para uma mesma profissão cujas atividades variam e se transformam rapidamente; Desenvolver competências que permitam também mudanças de uma profissão para outras emergentes, no curso da vida.
A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação, e a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos nossos alunos a construção de seus conhecimentos.
Ao realizar projetos o professor muda de postura passando a ser também aprendiz. Todos os membros da comunidade escolar são responsáveis pelo bom desenvolvimento do projeto, assim o aluno sente-se motivado e valorizado.
Você acredita em um ensino sem a realização de projetos?
Eu acredito em um ensino que seja prazeroso, dinâmico e significativo, vinculado a vida real. O que só acontece quando o professor o realiza com paixão e compromisso de buscar novas estratégias, de pesquisar, de se colocar no lugar do aluno e não como detentor do saber absoluto. Essa é uma proposta da pedagogia de projetos, mas possível de ser realizada através de outras metodologias e/ou filosofias semelhantes, como: Vivencionismo, Pedagogia do Parangolé – proposta pelo Prof. Marco Silva, entre outras que unem Freinet, Piaget ou até mesmo os sete saberes de Edgar Morin.
Quais os resultados que você mais vê na Aprendizagem Baseada em Projetos e como o professor pode começar a aprender sobre o assunto?
Trabalho há mais de 15 anos elaborando projetos pedagógicos e/ou didáticos, tendo resultados que vão além das expectativas. Sou especializada no assunto, porém, sempre me surpreendo e me emociono trabalhando com projetos.
O trabalho com projetos não se trata de uma técnica atraente para transmitir aos alunos o conteúdo das matérias. Significa repensar a escola, seus tempos, seu espaço, sua forma de lidar com conteúdos das áreas e com o mundo da informação; significa pensar na aprendizagem como um processo global e complexo; significa romper com um modelo fragmentado de educação e recriar a escola, transformando-a em espaço significativo de aprendizagem para todos que dela fazem parte, sem perder de vista a realidade cultural especifica de seus alunos e professores.
Os resultados são alunos entusiasmados, freqüentando a escola com prazer, buscando conhecimentos também fora da escola, integrando as famílias e mobilizando a comunidade. Isso faz com que a escola se torne um ambiente agradável e acolhedor.
Para aprender sobre o assunto basta dedicar-se a leituras e pesquisas. Existem sites, livros, revistas e cursos livres. Muito material bom disponível gratuitamente ou por valores módicos. Em seguida, não ter medo de errar. Colocar um projeto em prática exige coragem e ousadia. É um trabalho profundo, imprevisível, que exige determinação, compromisso, pesquisa. Nem sempre os resultados são imediatos, não é fácil, mas possível e extremamente gratificante.
Seu livro chama-se “Projetos Pedagógicos Dinâmicos” conte um pouco mais sobre este conceito e todos os educadores podem trazê-lo para a sala de aula ou vale apenas em determinados contextos?
O livro tem o mesmo nome do meu site – existente desde 2001. Tanto site quanto o livro surgiram na luta contra a simples transmissão de conhecimentos prontos e acabados, apresentando novas estratégias, sugestões de atividades originais, reflexões pertinentes, soluções criativas e práticas bem sucedidas. Meu objetivo é que o livro seja um apoio constante aos docentes em serviço. Sem dúvida todos os professores podem dinamizar suas aulas e realizar projetos de trabalho, todavia, para tal é fundamental o apoio da direção e coordenação da escola e a união do corpo docente.
Fonte:Instituto Crescer
Por que é importante para o professor realizar projetos em sala de aula?
Vivemos um momento de rápidas transformações nas formas de ser, viver, relacionar-se. Principalmente pelo grande avanço das tecnologias e dos os meios de comunicação. É praticamente impossível planejar e definir com antecedência o que deve ser aprendido. O ensino tradicional, aquilo que Paulo Freire chamava de “educação bancária” não condiz com a sociedade atual globalizada e multimídia.
Através da pedagogia de projetos é possível: Atualizar fontes de informações e desenvolver novos talentos/competências em todas as áreas, impedindo que as defasagens aumentem; Desenvolver atitudes e valores para a convivência com autonomia e cooperação; Desenvolver novas habilidades para uma mesma profissão cujas atividades variam e se transformam rapidamente; Desenvolver competências que permitam também mudanças de uma profissão para outras emergentes, no curso da vida.
A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação, e a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos nossos alunos a construção de seus conhecimentos.
Ao realizar projetos o professor muda de postura passando a ser também aprendiz. Todos os membros da comunidade escolar são responsáveis pelo bom desenvolvimento do projeto, assim o aluno sente-se motivado e valorizado.
Você acredita em um ensino sem a realização de projetos?
Eu acredito em um ensino que seja prazeroso, dinâmico e significativo, vinculado a vida real. O que só acontece quando o professor o realiza com paixão e compromisso de buscar novas estratégias, de pesquisar, de se colocar no lugar do aluno e não como detentor do saber absoluto. Essa é uma proposta da pedagogia de projetos, mas possível de ser realizada através de outras metodologias e/ou filosofias semelhantes, como: Vivencionismo, Pedagogia do Parangolé – proposta pelo Prof. Marco Silva, entre outras que unem Freinet, Piaget ou até mesmo os sete saberes de Edgar Morin.
Quais os resultados que você mais vê na Aprendizagem Baseada em Projetos e como o professor pode começar a aprender sobre o assunto?
Trabalho há mais de 15 anos elaborando projetos pedagógicos e/ou didáticos, tendo resultados que vão além das expectativas. Sou especializada no assunto, porém, sempre me surpreendo e me emociono trabalhando com projetos.
O trabalho com projetos não se trata de uma técnica atraente para transmitir aos alunos o conteúdo das matérias. Significa repensar a escola, seus tempos, seu espaço, sua forma de lidar com conteúdos das áreas e com o mundo da informação; significa pensar na aprendizagem como um processo global e complexo; significa romper com um modelo fragmentado de educação e recriar a escola, transformando-a em espaço significativo de aprendizagem para todos que dela fazem parte, sem perder de vista a realidade cultural especifica de seus alunos e professores.
Os resultados são alunos entusiasmados, freqüentando a escola com prazer, buscando conhecimentos também fora da escola, integrando as famílias e mobilizando a comunidade. Isso faz com que a escola se torne um ambiente agradável e acolhedor.
Para aprender sobre o assunto basta dedicar-se a leituras e pesquisas. Existem sites, livros, revistas e cursos livres. Muito material bom disponível gratuitamente ou por valores módicos. Em seguida, não ter medo de errar. Colocar um projeto em prática exige coragem e ousadia. É um trabalho profundo, imprevisível, que exige determinação, compromisso, pesquisa. Nem sempre os resultados são imediatos, não é fácil, mas possível e extremamente gratificante.
Seu livro chama-se “Projetos Pedagógicos Dinâmicos” conte um pouco mais sobre este conceito e todos os educadores podem trazê-lo para a sala de aula ou vale apenas em determinados contextos?
O livro tem o mesmo nome do meu site – existente desde 2001. Tanto site quanto o livro surgiram na luta contra a simples transmissão de conhecimentos prontos e acabados, apresentando novas estratégias, sugestões de atividades originais, reflexões pertinentes, soluções criativas e práticas bem sucedidas. Meu objetivo é que o livro seja um apoio constante aos docentes em serviço. Sem dúvida todos os professores podem dinamizar suas aulas e realizar projetos de trabalho, todavia, para tal é fundamental o apoio da direção e coordenação da escola e a união do corpo docente.
Fonte:Instituto Crescer
domingo, 6 de março de 2011
O Super Bowl
O Super Bowl (principal momento do campeonato esportivo americano) tem os melhores comerciais do ano nos EUA.
A Motorola fez mais uma provocação à Apple. No comercial todo mundo esta de branco usando os fones de ouvido da Apple. Um rapaz diferente tem o tablet Motorola XOOM e conquista uma colega de trabalho que está paquerando com uma animação feita no tablet e enviada para o email dela.
A Motorola fez mais uma provocação à Apple. No comercial todo mundo esta de branco usando os fones de ouvido da Apple. Um rapaz diferente tem o tablet Motorola XOOM e conquista uma colega de trabalho que está paquerando com uma animação feita no tablet e enviada para o email dela.
Veja que beleza de criatividade!
Bom domingo!
Natalícia
Fonte:Youtube.com.br
sábado, 5 de março de 2011
"A presidenta foi estudanta? "
A presidenta foi estudanta?
Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?
Miriam Rita Moro Mine - Universidade Federal do Paraná
Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que a candidata Dilma Roussef e seus apoiadores, pretendem que ela venha a ser a primeira presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada na mídia.
Presidenta???
Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?
Bem, vejamos:
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".
Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação...
Miriam Rita Moro Mine
UFPR
Recebido por e.mail: Acho interessante para acabar com a polêmica de "Presidente ou Presidenta",
Um grande abraço!
Grata Natalícia
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Clipe de Dr. Dre com Eminem
Saiu o clipe de I Need A Doctor, o primeiro single do esperadíssimo novo álbum de Dr. Dre, Detox.
A música traz como convidados o rapper Eminem e a cantora Skylar Grey. O trio interpretou a música na cerimônia do Grammy deste ano.
A produção é digna de cinema, com imagens de alta qualidade e efeitos especiais caprichados, incluindo um fantástico acidente de carro.
O enredo carrega nas tintas dramáticas. A "volta" de Dre, que não lança um álbum desde 1999 (chamado 2001), é tratada como episódio de superação pessoal e renascimento a la fênix.
Imagens da vida e carreira de Dre aparecem em vários momentos: ele se casando, com filhos, seus tempos de NWA, suas descobertas como Snoop Dogg e Eminem.
A participação de Eminem é uma declaração emocionada de gratidão a seu "mentor". "Você salvou a minha vida/Talvez agora eu possa salvar a sua", ele diz.
Veja abaixo o clipe de I Need A Doctor:
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
"Solidariedade pede mais do que 140 caracteres" - André Trigueiro
Solidariedade pede mais do que 140 caracteres
Por David Harris, tem pós-graduação pela Universidade de São Paulo, e hoje investiga desigualdade, movimentos sociais e novos meios de comunicação no Instituto do Futuro/ Institute for the Future (IFTF). Em 2012, o IFTF lançará o projeto “Previsão Social Mundial” — uma plataforma online que possibilitará imaginar outros mundos, construídos especificamente para a comunidade do Fórum Social Mundial. É também fundador e diretor executivo do Global Lives Project.
O artigo “Solidarity takes more than 140 characters”, do sociólogo estadunidense David Evan Harris, presente no Fórum Social Mundial, avalia o impacto, e o futuro da tecnologia e redes sociais na mobilização política e na transformação do mundo. O texto foi publicado na BBC Business Online, e cedido gentilmente ao Portal Mercado Ético.
“Como pesquisador do Institute for the Future (Palo Alto, California), é fácil para mim sucumbir ao ‘tecno-otimismo’: “tecnologia é a revolução”, eu diria. Com um laptop por criança, e um tweeter em cada casa, um novo mundo de internautas hiperconectados parece nascer das cinzas do nosso devastado planeta.
Após meu quarto Fórum Social Mundial, em Dakar, o mundo parece diferente. O triunfo do mercado no Vale do Silício é completamente ausente aqui.
Se empreendedores podem ter um importante papel aqui na África, precisamos nos lembrar das instituições públicas que criaram, e agora reproduzem, as condições políticas e econômicas que possibilitam ao mercado prosperar nos Estados Unidos: educação pública, leis de salário mínimo, redes de segurança social, redes de esgoto, e sistemas de água e eletricidade, e, por fim, a separação nominal entre os poderes da igreja e do estado, e os diferentes braços do governo.
Os jovens do Egito e da Tunísia, usando as últimas ferramentas da comunicação, destituíram dois ditadores em dois meses. Essas revoluções muito provavelmente teriam acontecido com ou sem essas tecnologias. Mas provavelmente não tão rapidamente, ou relativamente em paz.
Além disso, ambos os países, ainda estão na contramão da miséria, das dramáticas desigualdades, e cara a cara no enfrentamento da reconstrução de instituições democráticas, para os quais não há modelos claros.
Também no Fórum Social Mundial, surgem questões sobre os novos tipos de instituições. Falamos não apenas de revolução, mas nos perguntamos sobre que tipo de mundo, baseado em que tipo de instituições a serem criadas no amanhecer dos escombros de ditaduras. Índia e Brasil – duas das grandes democracias — mostram que a extrema pobreza é completamente compatível com o rápido crescimento econômico e a proliferação de empreendedores.
Um dos perigos possíveis emana das tecnologias - aquelas que permitiram a ação revolucionária de quem seguiu tweets da Praça Tahrir (”Praça da Libertação”, no centro do Cairo), e expressou sua solidariedade no Facebook e agora estará distraído com uma nova causa, perdendo de vista o sinal das correntes mais profundas do jogo, e a necessidade de criação de estruturas sustentáveis que as superem.
Com 140 caracteres permitidos, é fácil esquecer que a arquitetura financeira global que nos dirigiu à crise está intocada. Séculos de pilhagem do hemisfério Sul não podem ser apagados no espaço de um simples tweeter. A solidariedade real é um compromisso para a vida inteira”.
Fonte: Mercado Ético
Por David Harris, tem pós-graduação pela Universidade de São Paulo, e hoje investiga desigualdade, movimentos sociais e novos meios de comunicação no Instituto do Futuro/ Institute for the Future (IFTF). Em 2012, o IFTF lançará o projeto “Previsão Social Mundial” — uma plataforma online que possibilitará imaginar outros mundos, construídos especificamente para a comunidade do Fórum Social Mundial. É também fundador e diretor executivo do Global Lives Project.
O artigo “Solidarity takes more than 140 characters”, do sociólogo estadunidense David Evan Harris, presente no Fórum Social Mundial, avalia o impacto, e o futuro da tecnologia e redes sociais na mobilização política e na transformação do mundo. O texto foi publicado na BBC Business Online, e cedido gentilmente ao Portal Mercado Ético.
“Como pesquisador do Institute for the Future (Palo Alto, California), é fácil para mim sucumbir ao ‘tecno-otimismo’: “tecnologia é a revolução”, eu diria. Com um laptop por criança, e um tweeter em cada casa, um novo mundo de internautas hiperconectados parece nascer das cinzas do nosso devastado planeta.
Após meu quarto Fórum Social Mundial, em Dakar, o mundo parece diferente. O triunfo do mercado no Vale do Silício é completamente ausente aqui.
Se empreendedores podem ter um importante papel aqui na África, precisamos nos lembrar das instituições públicas que criaram, e agora reproduzem, as condições políticas e econômicas que possibilitam ao mercado prosperar nos Estados Unidos: educação pública, leis de salário mínimo, redes de segurança social, redes de esgoto, e sistemas de água e eletricidade, e, por fim, a separação nominal entre os poderes da igreja e do estado, e os diferentes braços do governo.
Os jovens do Egito e da Tunísia, usando as últimas ferramentas da comunicação, destituíram dois ditadores em dois meses. Essas revoluções muito provavelmente teriam acontecido com ou sem essas tecnologias. Mas provavelmente não tão rapidamente, ou relativamente em paz.
Além disso, ambos os países, ainda estão na contramão da miséria, das dramáticas desigualdades, e cara a cara no enfrentamento da reconstrução de instituições democráticas, para os quais não há modelos claros.
Também no Fórum Social Mundial, surgem questões sobre os novos tipos de instituições. Falamos não apenas de revolução, mas nos perguntamos sobre que tipo de mundo, baseado em que tipo de instituições a serem criadas no amanhecer dos escombros de ditaduras. Índia e Brasil – duas das grandes democracias — mostram que a extrema pobreza é completamente compatível com o rápido crescimento econômico e a proliferação de empreendedores.
Um dos perigos possíveis emana das tecnologias - aquelas que permitiram a ação revolucionária de quem seguiu tweets da Praça Tahrir (”Praça da Libertação”, no centro do Cairo), e expressou sua solidariedade no Facebook e agora estará distraído com uma nova causa, perdendo de vista o sinal das correntes mais profundas do jogo, e a necessidade de criação de estruturas sustentáveis que as superem.
Com 140 caracteres permitidos, é fácil esquecer que a arquitetura financeira global que nos dirigiu à crise está intocada. Séculos de pilhagem do hemisfério Sul não podem ser apagados no espaço de um simples tweeter. A solidariedade real é um compromisso para a vida inteira”.
Fonte: Mercado Ético
"Os cabelos e as mulheres da Amazônia"
Em novembro/2009, após aparar meus cabelos e deixá-los à altura dos ombros, tomei conhecimento de uma campanha de doação de cabelos para a confecção de perucas para mulheres que sofreram escalpelamento nos rios da Amazônia.
Àquela época, tomei a decisão de deixá-los crescer, sem aparar um milímetro sequer. Pretendia cortá-los no meio do ano, em junho ou julho/2010. Mas achei que não estavam em um bom tamanho. No último dia 06/01/2011 cortei meus cabelos. No dia seguinte levei ao Espaço Acolher, da Santa Casa do Pará.
Anos atrás, quando conheci o drama vivido por ribeirinhas, que tinham o couro cabeludo arrancado pelo eixo do motor de pequenas embarcações, fiquei indignado em saber que havia uma solução, simples e barata, que impediria por completo que esse tipo de acidente voltasse a acontecer.
Infelizmente vivemos em um mundo capitalista, onde a sede de lucro comanda as ações dos donos do poder. Infelizmente vivemos em um mundo capitalista, onde a imensa maioria dos governantes, ou faz parte de uma ínfima minoria, proprietária dos meios de produção, ou faz parte de uma casta subserviente a seus desmandos. E as mulheres escalpeladas da Amazônia não fazem parte desse minúsculo círculo. Na verdade, a maioria delas está excluída por completo dos centros de decisão.
Há um ditado que diz: "se fosse o homem quem engravidasse, o aborto não seria considerado crime". A lógica é similar, no caso dos escalpelamentos, pois se fosse um acidente que atingisse ricas damas da sociedade, certamente os governantes já teriam, há muito tempo, determinado uma solução definitiva ao problema.
E a solução é tão absurdamente simples, que chega a ser inacreditável que muitas mulheres – crianças, jovens, adultas, idosas – sejam vítimas de tal crueldade: basta cobrir o eixo do motor, com um assoalho de madeira ou com uma carenagem metálica. Mas as frágeis vítimas estão lá, no meio da Amazônia. No interior de rios e igarapés que correm distantes dos grandes centros urbanos. Distantes dos olhos e ouvidos do mundo. E isso faz toda a diferença.
Em 2009 foi promulgada a Lei 11.970, que altera a Lei 9.537/97, e torna "obrigatório o uso de proteção no motor, eixo e quaisquer outras partes móveis das embarcações que possam promover riscos à integridade física dos passageiros e da tripulação". Na verdade, a lei de 1997 nem precisaria de reforço, pois o seu artigo 4º, inciso V, determina que é atribuição da autoridade marítima "estabelecer a dotação mínima de equipamentos e acessórios de segurança para embarcações e plataformas". Talvez, se fossem os homens – ou as autoridades marítimas – que tivessem seus cabelos arrancados...
Esta "pequena" mudança, que foi colocada em prática graças aos conselhos existentes nas comunidades ribeirinhas, aliada a uma campanha de conscientização, foram as responsáveis – ao que tudo indica – pela redução nos casos de escalpelamento. Em 2009, 21 mulheres (boa parte crianças) tiveram seus cabelos arrancados, no Pará. E às vezes, foram junto com orelhas e a pele do rosto e pescoço. Em 2010, somente 07 casos foram registrados na Santa Casa.
Isso sem falar dos casos não informados, dos óbitos não contabilizados...
Se, de fato, a promulgação da nova Lei e a campanha de esclarecimento foram determinantes para essa drástica diminuição dos acidentes, há de se comemorar. Mas, também, há de se questionar: se era tão simples, porque não foi feito antes?
Confirmando a decisão tomada a pouco mais de um ano, cortei e doei meus cabelos.
Sei que é um pequeno gesto, minúsculo. Sei que não trará de volta a felicidade em poder observar o simplório ciclo de crescimento e queda de fios de cabelo. Sei que não trará de volta o prazer em banhar-se nas águas dos rios sem sentir dor na fina pele transplantada para o crânio. Sei que não trará de volta a saudável vaidade de pentear e acariciar os cabelos.
Mas sei que, de alguma maneira, essa pequena doação colocará um sorriso no rosto de alguém que já passou por muitos sofrimentos, mas não desistiu de lutar. E não desistiu de ser feliz.
E sei, também, que se quisermos baixar a zero a quantidade de vítimas, será preciso botar a boca no mundo. Gritar. Berrar o mais alto que puder. Para que acordem os responsáveis pela fiscalização e cumprimento de mais uma lei. Apenas o silêncio pode impedir a felicidade das mulheres dos rios da Amazônia. Não nos calemos, jamais!
Fonte: Mauricio Santos Mato
Grata, EVANI
Àquela época, tomei a decisão de deixá-los crescer, sem aparar um milímetro sequer. Pretendia cortá-los no meio do ano, em junho ou julho/2010. Mas achei que não estavam em um bom tamanho. No último dia 06/01/2011 cortei meus cabelos. No dia seguinte levei ao Espaço Acolher, da Santa Casa do Pará.
Anos atrás, quando conheci o drama vivido por ribeirinhas, que tinham o couro cabeludo arrancado pelo eixo do motor de pequenas embarcações, fiquei indignado em saber que havia uma solução, simples e barata, que impediria por completo que esse tipo de acidente voltasse a acontecer.
Infelizmente vivemos em um mundo capitalista, onde a sede de lucro comanda as ações dos donos do poder. Infelizmente vivemos em um mundo capitalista, onde a imensa maioria dos governantes, ou faz parte de uma ínfima minoria, proprietária dos meios de produção, ou faz parte de uma casta subserviente a seus desmandos. E as mulheres escalpeladas da Amazônia não fazem parte desse minúsculo círculo. Na verdade, a maioria delas está excluída por completo dos centros de decisão.
Há um ditado que diz: "se fosse o homem quem engravidasse, o aborto não seria considerado crime". A lógica é similar, no caso dos escalpelamentos, pois se fosse um acidente que atingisse ricas damas da sociedade, certamente os governantes já teriam, há muito tempo, determinado uma solução definitiva ao problema.
E a solução é tão absurdamente simples, que chega a ser inacreditável que muitas mulheres – crianças, jovens, adultas, idosas – sejam vítimas de tal crueldade: basta cobrir o eixo do motor, com um assoalho de madeira ou com uma carenagem metálica. Mas as frágeis vítimas estão lá, no meio da Amazônia. No interior de rios e igarapés que correm distantes dos grandes centros urbanos. Distantes dos olhos e ouvidos do mundo. E isso faz toda a diferença.
Em 2009 foi promulgada a Lei 11.970, que altera a Lei 9.537/97, e torna "obrigatório o uso de proteção no motor, eixo e quaisquer outras partes móveis das embarcações que possam promover riscos à integridade física dos passageiros e da tripulação". Na verdade, a lei de 1997 nem precisaria de reforço, pois o seu artigo 4º, inciso V, determina que é atribuição da autoridade marítima "estabelecer a dotação mínima de equipamentos e acessórios de segurança para embarcações e plataformas". Talvez, se fossem os homens – ou as autoridades marítimas – que tivessem seus cabelos arrancados...
Esta "pequena" mudança, que foi colocada em prática graças aos conselhos existentes nas comunidades ribeirinhas, aliada a uma campanha de conscientização, foram as responsáveis – ao que tudo indica – pela redução nos casos de escalpelamento. Em 2009, 21 mulheres (boa parte crianças) tiveram seus cabelos arrancados, no Pará. E às vezes, foram junto com orelhas e a pele do rosto e pescoço. Em 2010, somente 07 casos foram registrados na Santa Casa.
Isso sem falar dos casos não informados, dos óbitos não contabilizados...
Se, de fato, a promulgação da nova Lei e a campanha de esclarecimento foram determinantes para essa drástica diminuição dos acidentes, há de se comemorar. Mas, também, há de se questionar: se era tão simples, porque não foi feito antes?
Confirmando a decisão tomada a pouco mais de um ano, cortei e doei meus cabelos.
Sei que é um pequeno gesto, minúsculo. Sei que não trará de volta a felicidade em poder observar o simplório ciclo de crescimento e queda de fios de cabelo. Sei que não trará de volta o prazer em banhar-se nas águas dos rios sem sentir dor na fina pele transplantada para o crânio. Sei que não trará de volta a saudável vaidade de pentear e acariciar os cabelos.
Mas sei que, de alguma maneira, essa pequena doação colocará um sorriso no rosto de alguém que já passou por muitos sofrimentos, mas não desistiu de lutar. E não desistiu de ser feliz.
E sei, também, que se quisermos baixar a zero a quantidade de vítimas, será preciso botar a boca no mundo. Gritar. Berrar o mais alto que puder. Para que acordem os responsáveis pela fiscalização e cumprimento de mais uma lei. Apenas o silêncio pode impedir a felicidade das mulheres dos rios da Amazônia. Não nos calemos, jamais!
Fonte: Mauricio Santos Mato
Grata, EVANI
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