sábado, 1 de janeiro de 2011

ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS!- OLAVO BILAC


ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS!



OLAVO BILAC



XIII


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto ...



E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.



Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?"



E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas."



 

Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br








Foto: Andrea Pinna

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

"Família é prato difícil de preparar"- Francisco Azevedo



Família é prato difícil de preparar.



São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema,


principalmente no Natal e no Ano Novo.


Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige


coragem, devoção e paciência.


Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível.


Às vezes, dá até vontade de desistir.


Preferimos o desconforto do estômago vazio.


Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação


sobre o que se vai comer e aquele fastio.


Mas a vida (azeitona verde no palito),


sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.




O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.


Súbito, feito milagre, a família está servida.


Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto,


é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.


Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.


Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.


Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.


Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.




E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia?


Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo?


A mais sentimental? A mais prestativa?


O que nunca quis nada com o trabalho?


Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.


Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.


Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo!




Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada


e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também


estará cheirando a alho e cebola.


Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona.


E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.




Primeiro cuidado:


temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.


Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase


sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar,


tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.




Atenção também com os pesos e as medidas.


Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.


Família é prato extremamente sensível.


Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.




Outra coisa:


é preciso ter boa mão, ser profissional.


Principalmente na hora que se decide meter a colher.


Saber meter a colher é verdadeira arte.


Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família,


só porque meteu a colher na hora errada.




O pior é que ainda tem gente que acredita na receita


da família perfeita.


Bobagem! Tudo ilusão.


Não existe Família à Oswaldo Aranha, Família à Rossini,


Família à Belle Meuni, Família ao Molho Pardo,


em que o sangue


é fundamental para o preparo da iguaria.

Família é afinidade, é à Moda da Casa.


E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.




Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.


Há também as que não têm gosto de nada,


seriam assim um tipo de Família Dieta,


que você suporta só para manter a linha.


Seja como for, família é prato que deve ser servido


sempre quente, quentíssimo.


Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.




Enfim, receita de família não se copia, se inventa.


A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo


o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que


sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.


Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho


já meio caduco como eu.




O que este veterano cozinheiro pode dizer é que,


por mais sem graça, por pior que seja o paladar,


família é prato que você tem que experimentar e comer.


Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.


Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.

Aproveite ao máximo!


Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.
 
 
(do livro "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo)

Ano-Novo, vida nova



UMA LEITORA, que me autoriza a citar seu e-mail, mas prefere que seu nome não seja mencionado, pergunta: "Gostaria de saber sua opinião sobre parceiros que simplesmente somem, desaparecem mesmo, sem deixar rastro. Cancelam telefones, e-mail, conta no Skype e somem, sem se despedir, sem nem mesmo um MSN. E não falo de um relacionamento de alguns dias, mas de anos. Oito para ser mais precisa. Nem falo de um adolescente, mas de um homem de 57 anos.



Ele foi trabalhar no Oriente Médio, num alto cargo, a empresa fechou e ele desapareceu. Não morreu, não foi sequestrado por terroristas. (...) O que leva alguém a agir assim? Obrigações econômicas não estão em jogo".


A cada ano, mundo afora, há centenas de milhares de pessoas que somem e nunca mais dão notícias a familiares e amigos.


Quando se trata de adultos sem obrigações jurídicas (dívidas ou pensões alimentícias, por exemplo), a polícia descobre, eventualmente, o novo paradeiro ou a nova identidade de quem sumiu, mas só o próprio desaparecido pode autorizá-la comunicar estas informações aos parentes e amigos de sua vida, digamos assim, "anterior".


No passado, nesta página, se me lembro direito, já assinalei o fato de que, estranhamente, em geral, quem some não vai longe: acaba numa cidade parecida com a que ele abandonou, a poucos quilômetros de distância. Também, na maioria dos casos, o desaparecido reconstrói uma vida próxima da vida da qual ele fugiu -encontra um ofício parecido com o que ele praticava e cria uma família similar à que deixou.


Essa "constância" nos surpreende porque imaginamos que, em regra, alguém suma por querer uma vida nova. Por alguma razão, o caminho gradativo, que consistiria em se despedir, fazer as malas, fechar as contas etc., pareceria impraticável ou insuficiente aos olhos de nosso fugitivo: talvez ele tenha esperado demais e sua paciência excessiva (para com os outros ou para consigo mesmo) exija, de repente, uma explosão, um corte sem conversa alguma. De qualquer forma, supomos (ingenuamente) que, se alguém decidiu sumir, foi para mudar radicalmente.


De fato, como disse antes, os desaparecidos acabam reconstruindo uma vida parecida com a anterior ao seu sumiço, e isso nos leva à conclusão oposta: talvez quem some não queira mudar de vida -então, ele some por quê?


Conheci pouquíssimos que sumiram, mas conheço muitos que expressam a vontade de sumir. Todos explicam sua vontade da mesma forma: trata-se de fugir de exigências impossíveis de serem satisfeitas. Mas, cuidado: "Eles me pedem demais" é a tradução projetiva de "eu me peço demais". Quem foge das exigências do mundo está quase sempre fugindo das exigências que seu próprio desejo lhe coloca.

Vamos agora ao que acontece com quem decide sumir apenas para alguém -um familiar (se não a família inteira) ou um parceiro.


Às vezes, é justificada a sensação de que, sem um sumiço, uma relação se eternizaria pela simples dificuldade de qualquer um dos dois reconhecer que acabou. Onde está a covardia, e onde a coragem? Não sei. Talvez haja covardia em não conseguir declarar que um amor terminou, assim como talvez haja covardia na incapacidade de escutar essa declaração. Há a covardia de quem some e também de quem sobra, quando ambos parecem precisar do sumiço de um dos dois para aceitar que a história chegou ao fim.


Há covardia também em fingir que a relação continua, quando ela já morreu. Alguém, aliás, pode sumir para fugir de sua própria covardia, que o mantém calado, ou para fugir da covardia do outro, que não quer ouvir uma frase de despedida.


Seja como for, muitas vezes, alguém acaba uma relação e some porque o que era (e talvez ainda seja) seu desejo se transformou numa exigência intolerável.


Funciona assim: um dos jeitos de nos autorizarmos a querer o que desejamos consiste em transformar nosso desejo numa obrigação. Desejar é mais fácil (embora menos alegre) quando imaginamos desejar a mando de algum outro. O problema é que esse desejo, facilitado por ser mandatário, logo aparece como uma exigência da qual, eventualmente, vamos querer fugir.


Meu voto para o Ano Novo: que nos preocupemos menos em mudar nossas vidas e encontremos jeitos de conseguir desejar o que já desejamos sem transformar nosso desejo em obrigação.



Blog: Contardo Calligaris


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

2011 está chegando! Natalícia Alfradique


Comecei o blog sem muitas pretensões e fico admirada ao ver que já possuo 29 pessoas acompanhando-o e mais de 13.000 visitantes. Isso para mim demonstra um grande desafio, confiança e demonstração de afeto. Aliás, acredito que estes são ingredientes fundamentais para a escolha de uma leitura e de acesso a informações relevantes.


Sinto-me honrada com a presença de todos e farei o possível para ampliar o repertório de assuntos, procurando sempre ser criteriosa na escolha, sem interferências fundamentalistas, visando apenas dar oportunidade de expressão de algumas ideias que por hora acredito e que sejam razoáveis nesse mundo em constante transformação.

Gosto de ser eclético gosto de quase tudo e tenho algumas opiniões- fortes crenças, mas sempre tenho a intenção de deixar os meus leitores bem à vontade para opinar, discordar e concordar. Fiquem à vontade, pois este espaço sem a presença de vocês, não faz o menor sentido.

Agradeço a todos que me enviaram belos textos, dos quais alguns aqui estão. Agradeço os elogios, que por ora tem sido muitos. Agradeço as críticas, pois delas tirei bons ensinamentos.

Agradeço sempre o meu amigo virtual Cesar (do Administrando Pessoas), pois ele foi o principal arquiteto do mesmo. Sem ele eu ainda estaria engatinhando.

Sou fã dos amigos virtuais, eles são sinceros e sempre presentes, pois quando te adiciona o faz por livre escolha. A eles o meu eterno agradecimento.

Espero que nesse novo ano que logo se inicia, possamos conversar mais sobre educação, que o ensino passe a ser tratado como uma mercadoria de valor inquestionável, que a saúde seja uma prioridade e faça parte da pauta dos nossos governantes, que o trabalho seja uma oportunidade para muitos e não para alguns e que possamos desfrutar do lazer de forma prazerosa, agradável e com escolhas mais saudáveis.

Desejo que o próximo ano inicie com novos paradigmas, reconhecendo que a humanidade necessita de regeneração, de corpos e alma livres de compromissos com data de validade vencidos, que tenhamos mais compromisso com os nossos semelhantes, desejando o melhor para todos. Desejo que a humanidade avance em suas pesquisas, dando mais chance de vida digna aos portadores de doenças que ainda não descobrimos a cura e que possamos amar mais os animais, protegendo-os e acolhendo-os sempre que possível.

Desejo que as nossas crianças tenham mais livros em casa, mais oportunidade de leitura, que tenham quintal, praças, rios, praias, campos, um lugar ao sol para brincar e não fiquem trancadas num quarto só vendo TV e/ ou usando o computador. Espero que toda escola reconheça que ensinar bem é dar oportunidade de expressão, livre pensamento, livre escolha curricular e que o desejo de ensinar seja tanto do aprendente quanto do ensinante.

E por último desejo para mim mais sexo (rs), mais paixão, mais estudo e paciência com os tolos que pensam que quando se chega aos 56 anos, você já aprendeu tudo.

E para os amigos... Tudo o que quero em dose dupla, rs... Afinal, amar é muito bom!!!



Feliz 2011.

Beijos, Nata

Do Livro: Repositório de sabedoria




Hoje é o dia que dá início a um novo ano.

É o dia primeiro.

Todos queremos iniciar mais um ano com esperanças renovadas.


É um momento de alegria e confraternização.

As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.


Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um ano novo cheio de felicidade?


Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas.

Seja com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde.

Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós. Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte.


Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente.

Tudo continua sendo como na véspera.

Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante.


Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, já que um feliz ano novo não se deseja, se constrói.

Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, já que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente.


Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular.

Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz.


Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos.


Só há um caminho para se chegar à felicidade.

E esse caminho foi mostrado por quem realmente tem autoridade, por já tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo.


No ensinamento "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" está a chave da felicidade verdadeira.

Jesus nos coloca como ponto de referência.

Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos.

Quem se ama preserva a saúde.

Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o espírito com a ira, a inveja, o ciúme etc.

Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita sua criação e suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos fomos criados por ele e que ele a todos nos ama.


Enfim, quem quer um ano novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo. Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que já passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.

O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação.

Assim, o dia hoje logo passará e o chamaremos ontem, como o amanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente.

E, sem que nos demos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente.

Que todos possamos aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.




Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Repositório de sabedoria.
Fonte: E.mail. Grata Valéria.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quisera Senhor


Quisera Senhor
Neste Natal,
Armar uma árvore...
E nela pendurar
Ao invés de bolas,
Os nomes de TODOS
Os meus amigos...

Os amigos de longe...
Os amigos de perto...

Os antigos
E os mais recentes...
Os que vejo a cada dia...
E os que raramente encontro...

Os sempre lembrados...
E os que às vezes
Ficam esquecidos...
Os constantes...
E os internitentes...

Os amigos das horas difíceis...
E os das horas alegres...
Os que, sem querer,
Eu magoei...
Ou os que, sem querer,
Me magoaram...

Aqueles a quem
Conheço profundamente...
E aqueles de quem conheço
Somente a aparência...

Os que me devem...
E aqueles a quem muito devo...
Meus amigos humildes...
E meus amigos importantes...

Os nomes de TODOS
Os que já passaram
Pela minha vida...

Uma árvore de raízes
Muito profundas
Para que os seus nomes
Nunca sejam
Arrancados do meu coração.

De ramos muito extensos
Para que novos nomes
Vindos de todas as partes
Venham juntar-se
Aos existentes...

Uma árvore de sonhos
Muito agradáveis
Para que nossa amizade
Seja um momento
De repouso
Nas lutas da vida...


FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO
DA FAMÍLIA ALFRADIQUE PINTO DE AZEVEDO

sábado, 18 de dezembro de 2010

Fonte de Dubai




Esta é uma gravação da cerimônia de abertura da Fonte de Dubai.
É considerado atualmente como o show tecnologicamente mais avançado.

A Fonte de Dubai custou EU$ 218 milhões.

Os jatos de água podem atingir até 50 andares de altura. Além disso, a fonte mede mais do que dois campos de futebol (mais de 275 metros de comprimento).

É tão impressionante quando está em plena exibição, que pode ser vista de até 200 milhas em um dia claro.

E eu me pergunto?

Será se esse dinheiro não poderia ser melhor empregado? Entendo que as cidades devam ser lindas esteticamente e belas aos nossos olhos. Mas... só havia essa forma de nos encantar? Só havia essa forma de ajudar-nos a compreender porque se gasta tanto numa fonte e não se investe em cultura, educação, inovações científicas onde se possa descobrir uma nova vacina contra alguma doença degenerativa? Será se nenhum país emergente ao receber essa doação, não gastaria essa pequena fortuna de forma melhor?
Eu penso que somos muito vaidosos e extremamente egoístas.
Desculpe, se contrario a opinião de milhões de pessoas, mas é assim que vejo a vida.

Natalícia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Plano Nacional de Educação 2011-2020 ( 2ª parte)

Conheça as metas que compõem o Plano Nacional de Educação 2011-2020




Meta 1: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4

e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a

atender a 50% da população de até 3 anos.



Meta 2: Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante

do ensino fundamental.



Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a

população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de

matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária.



Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento

escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do

desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de

ensino.



Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os 8 anos de

idade.



Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas

de educação básica.



Meta 7: Atingir as médias nacionais para o Ideb já previstas no Plano de

Desenvolvimento da Educação (PDE)



Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo

a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da

região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, bem como

igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à

redução da desigualdade educacional.



Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais

para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e

reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.



Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens

e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do

ensino fundamental e no ensino médio.



Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de

nível médio, assegurando a qualidade da oferta.



Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50%

e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a

qualidade da oferta.



Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da

atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior

para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do

total, 35% doutores. 7 estratégias.



Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação

stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25

mil doutores. 9 estratégias.



Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o

Distrito Federal e os municípios, que todos os professores da educação

básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso

de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.



Meta 16: Formar 50% dos professores da educação básica em nível de

pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação

continuada em sua área de atuação.



Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica a fim de

aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de

onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com

escolaridade equivalente.



Meta 18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de

carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de

ensino.



Meta 19: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos

estados, do Distrito Federal e dos municípios, a nomeação comissionada

de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e

desempenho e à participação da comunidade escolar.



Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação

até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do

País.





Fonte: Márcia Figueiredo

Coordenadora Geral do Centro de Educação a Distância

20 metas do PNE 2011-2020

Das 20 metas do PNE 2011-2020, pelo menos 6 são iguais ou aumentam um pouco os objetivos almejados pelo governo Lisandra Paraguassú - O Estado de S.Paulo, 16 de dezembro de 2010


As 20 metas do Plano Nacional de Educação 2011-2020, apresentadas ontem

pelo governo federal, são um retrato do que o Brasil deixou de fazer nos

últimos dez anos. Apesar do foco maior em qualidade - o plano anterior se

concentrava mais na quantidade - , o novo PNE repete vários dos objetivos.


Das 20 metas, pelo menos 6 são ou exatamente iguais - caso da

erradicação do analfabetismo - ou aumentam um pouco a anterior, sem

trazer um avanço real. Assim é, por exemplo, com a meta de ampliação do


ensino superior. Em 2001, a previsão era de que, até 2011, fosse atingida

uma taxa líquida de 30% dos jovens de 18 a 24 anos na universidade. No

período, o País alcançou 14,4%. A nova meta também cresceu pouco, para

33%.

A mesma coisa ocorre na outra ponta do ensino. A meta de atendimento em


creches estacionou nos 50% de dez anos atrás. Isso porque, apesar de ter

dobrado o porcentual de crianças em creches, apenas 18% são atendidas. Na

educação infantil, a decisão agora é pela universalização, enquanto

em 2001 previa chegar a 80%. Atualmente, 74,8% das crianças brasileiras

têm acesso à educação infantil.

A erradicação do analfabetismo volta à tona. Apesar dos programas

realizados por sucessivos governos, 9,6% da população brasileira ainda

não sabe ler e escrever.

Para Mozart Ramos, do Movimento Todos Pela Educação, a repetição de

metas se deve ao fato de o Brasil estar longe de atingi-las. "São metas

que ainda traduzem o nosso imenso desafio. Por isso, podemos dizer que é

um plano factível e equilibrado. "O ministro da Educação, Fernando


Haddad, afirma que o novo plano é um avanço por ter foco maior na


qualidade. "Deixou de ser apenas quantitativo", disse. "Mas é claro que é

um plano mais realista. Quando tínhamos 9% de atendimento em creche,

imaginar que poderia chegar a 50% era irreal."

O maior avanço do atual PNE é a transformação das metas de qualidade em

números. A pretensão de elevar a nota nacional no Índice de


Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para 6, já proposta pelo

Ministério da Educação quando criou o índice, também passa a integrar

o PNE.

O plano também traz a decisão de relacionar o Ideb com o Programa


Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), incluindo a meta de chegar a


473 pontos em 2020. Isso significa crescer 71 pontos nos próximos dez anos

e dobrar a velocidade de melhora - de 2001 a 2009, a média brasileira

aumentou 33 pontos.

Também no ensino superior entraram objetivos numéricos. O PNE exigirá


das universidades federais o aumento do número de alunos por professor dos


atuais 10 para 18 - apesar das reclamações das instituições, que queriam uma média de 14.

 Além disso, as universidades terão de chegar a pelo menos 33% de vagas nos cursos noturnos, quando

hoje são 26%, e fazer com que 90% dos alunos concluam o curso - atualmente, apenas cerca de 50%

chegam à graduação.

Nova lei. O governo enviará na próxima semana ao Congresso um projeto

para criação da lei de responsabilidade educacional. A proposta é

alterar a Lei de Ação Civil Pública, criando instrumentos para que o

Ministério Público possa ingressar com ações contra secretários de

educação que não cumpram suas obrigações.



Fonte: COLABORARAM LÍGIA FORMENTI e MARIANA MANDELLI



Márcia Figueiredo

Coordenadora Geral do Centro de Educação a Distância

Centro Universitário Barão de Mauá