segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rio Bonito/RJ




Rio Bonito a cidade brilha ao anoitecer.
Ficou linda a igreja iluminada.


Brigadeiro ganha ares de iguaria e até algumas versões dedicadas ao paladar adulto

Brigadeiro ganha ares de iguaria e até algumas versões dedicadas ao paladar adulto



Aos poucos, brigaderias gourmet conquistam o mercado fluminense



Verdadeira febre em São Paulo, as brigaderias gourmet estão chegando de maneira bem tímida no mercado fluminense. Lojinhas muito charmosas, recheadas com centenas de sabores de brigadeiros, dos tradicionais aos mais exóticos, tornam-se um cantinho especial, em meio ao burburinho do dia a dia das cidades. Para os mais tradicionais, vale a pena conferir a sofisticação que essas empresas trazem ao tão famoso doce. Mas as verdadeiras sensações são as novas roupagens, envolvendo ingredientes de altíssimo nível e as misturas mais inusitadas.



Dessa alquimia proporcionada pela gastronomia não poderia surgir nada diferente. Café, cappuccino, damasco, wasabi, limão siciliano, polpa de frutas frescas, confeitos coloridos, menta, cookies, gengibre, pão de mel, gergelim, pastas de amêndoa, nozes e todos os tipos de castanha fazem parte dos ingredientes utilizados nas receitas; isso, sem contar os sabores etílicos, que envolvem cachaça artesanal, vinho do porto, saquê e outras possibilidades. Para completar, as chefs capricham nas coberturas – toppings – e no tempero dos doces, onde não faltam especiarias.



A Granulado Brigaderia Gourmet, em Icaraí, é a versão niteroiense dessas pequenas joias urbanas. Com uma cozinha de três integrantes – entre elas, a sócia Anna Isabella Leal, as meninas têm que se virar entre a cozinha e os clientes que não param de chegar, seja para buscar uma sobremesa ou um motivo para adoçar o dia. Isabel Maria Vieira é a outra sócia. A administradora é uma das responsáveis pelo clima do ambiente, carregado de brigadeiros para todos os lados: desde a estampa no papel de parede aos potinhos e granulados que cobrem as luminárias da loja.



O cuidado com a decoração, que agora está em clima de Natal, é notória em cada detalhe. Desenvolvido pela arquiteta Helena Bernardo, com iluminação de Widimar Ligeiro, o design da loja tem um toque retrô – unindo madeira com elementos pós-modernos de plástico e metal –, e apela para cores sedutoras. Mas esta não é a principal característica do local, aberto desde outubro e já com clientes cativos.



“As pessoas vêm aqui para degustar. Nossos brigadeiros têm peso e formato em padrão pensado para não enjoar. Queremos que todos possam experimentar vários e voltem sempre atrás de novidade”, avalia Anna que, antes, distribuía seu dom apenas entre amigos e para pequenas vendas.

Isabel diz que não saberia criar novas receitas, mas, em compensação, tornou-se a principal degustadora e incentivadora da marca.



“Sempre quis abrir um negócio e a minha associação à Anna foi maravilhosa. Estamos amando a experiência e não paramos de pensar em novos produtos, novas propostas”, revela Isabel.



No Rio, gourmet já tem três filiais



No Rio, estes doces requintados também já têm nomes certos. A Brigaderia Chic foi a primeira marca criada na região, em janeiro deste ano. Com três filiais abertas – Barra Square Expansão, Barra Shopping e Condado de Cascais – a chef Carolina Sales não quer parar por aí. As duas últimas foram inauguradas no mesmo mês para dar conta de atender a demanda de encomendas.



“Não imaginava que ia dar nisso tudo. A loja do Condado hoje é a minha fábrica. Lá, temos uma cozinha industrial que nos permitiu saltar de 30 mil para 50 mil brigadeiros por mês”, orgulha-se.



A inspiração é tanta que ela tem ideias para novos sabores a cada dia. Além dos mais de 80 brigadeiros, a casa oferece releituras de doces como bolo da vovó, whoopie, brownie e cookie. As apresentações também são muitas: chocolate na bisnaga, fondue e panelinha.



Carolina estava na sua segunda faculdade quando começou a fabricar brigadeiros para vender, em maio do ano passado. Os doces eram comercializados para os amigos, no melhor estilo boca a boca. Veterinária formada, ela cursava Medicina enquanto mantinha um blog chamado “Rosa e Chic”, onde vendia caixinhas, balões para casamentos e maçãs confeitadas, que era o mais próximo de gastronomia que ousava comercializar. O primeiro passo foi criar um segmento “especial” na página, que deslanchou na rede e logo se mostrou uma ótima oportunidade de investimento.



“Quando me interessei e comecei a pesquisar este ramo, descobri que precisaria de inspiração nas lojinhas de São Paulo, já que aqui não havia nada parecido”.



Elizabeth Garber é a mulher dos quiosques. Famosa por seus chocolates, a chocolatièr também resolveu apostar no brigadeiro gourmet, com a “Brigaderia Fashion”. Ludicidade é a alma de seu negócio, que se apresenta como uma carruagem conversível verde recheada desses docinhos requintados dentro de shoppings – Rio Design Barra, Rio Sul e Botafogo Praia Shopping. A ideia surgiu após muitas idas a Paris, onde ela se apaixonou por uma carruagem que vendia macarrons (doce francês recheado).



“Brigadeiróloga” de carteirinha, começou a incluí-los no cardápio da sua outra empresa, mas a demanda era muito grande e não queria mudar o foco da Beth Chocolates. Foi aí que decidiu abrir, com Maria Lucia Seródio, um cantinho só para brigadeiros, com direito a todos os sabores, confeitos e tipos – tem até uma versão diet.



“Os clientes aos poucos ficavam encantados com a textura e os sabores dos nossos brigadeiros porque, por mais que inovássemos com os sabores, nunca fugimos do que realmente é um brigadeiro: leite condensado, chocolate e manteiga de boa qualidade”, explica.







O FLUMINENSE
Natália Klensorgen





Vídeo


Sensacional!

Fonte: Youtube

Mensagem aos Amigos!



Desejo a todos um Feliz Natal!
Esse cartão é lindo, recebi de um grande amigo e compartilho com vocês!
Natalícia

Alunos


Alunos são sempre alunos!
Vivem do presente.
Saudades de todos!

Natalícia

Quadrinho





Inteligente esse quadrinho.

Fonte: Facebook

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) colocou esses alimentos entre os mais perigosos para o consumo

Um estudo divulgado esse ano pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) colocou esses alimentos entre os mais perigosos para o consumo, por terem grande chance de sofrer contaminação excessiva ou uso errôneo de agrotóxicos. Aqui está, em ordem do mais perigoso para o menos, a lista dos top 10: pimentão (80,0%), uva (56,40%), pepino (54,80%), morango (50,80%), couve (44,20%), abacaxi (44,10%), mamão (38,80%), alface (38,40%), tomate (32,60%) e beterraba (32,00%).




Da ANVISA, sobre os resultados do relatório:



…chama a atenção a grande quantidade de amostras de pepino e pimentão contaminadas com endossulfan, de cebola e cenoura contaminados com acefato e pimentão, tomate, alface e cebola contaminados com metamidofós. Além de serem proibidas em vários países do mundo, essas três substâncias já começaram a ser reavaliadas pela Anvisa e tiveram indicação de banimento do Brasil. De acordo com Dirceu Barbano, diretor da Anvisa, “são ingredientes ativos com elevado grau de toxicidade aguda comprovada e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer”. (grifo nosso)



A tabela a seguir mostra os resultados da pesquisa, que analisou amostras de 20 tipos de vegetais. Em 15 delas, encontrou agrotóxicos usados de forma irregular. A 1ª coluna mostra o número de amostras analisadas por alimento. Em seguida, na coluna ‘Não autorizados para cultura’, aparece o número absoluto e percentual das amostras onde aparece o uso irregular de agrotóxicos. No mesmo formato, a 3ª coluna ‘Acima do limite máximo de resíduo’ destaca as amostras que continham quantidades de agrotóxicos permitidos, mas além dos limites seguros. A 4ª coluna mostra a intersecção das amostras que se encaixam nas duas categorias. E, finalmente, a última coluna, mostra a chance de contaminação do alimento de acordo com a soma das modalidades anteriores. Os 5 alimentos que têm chance de contaminação abaixo de 10% estão marcados em verde água (de novo, o colorido é nosso). É um panorama nada animador, pois essa lista contém boa parte dos vegetais que, até mesmo por razões de saúde, somos incentivados a consumir.






A alternativa eficaz para evitar pesticidas é consumir orgânicos. Mas nem sempre isso é possível – já que esses vegetais costumam ser mais caros e não são encontrados em quantidade suficiente em todas as cidades. Por isso, uma solução intermediária é tentar eliminar os resíduos de agrotóxicos, quando possível. A nutricionista Cláudia Cardim, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro, dá as dicas para isso.



•No caso de alimentos de origem animal (que podem ter sido contaminados pelos agrotóxicos pela água ou pela comida), retire a gordura aparente, pois algumas dessas substâncias são armazenadas no tecido gorduroso

•Lave frutas e verduras em água corrente por pelo menos um minuto, esfregando com uma esponja ou escova

•Tire as folhas externas das verduras e descasque as frutas, pois essas partes concentram mais agrotóxico

•Diversifique os vegetais consumidos no dia a dia, pois isso reduz a ingestão de quantidades maiores de um mesmo agrotóxico

•Como alguns pesticidas podem ser utilizados na fase final da maturação do alimento, reduza o risco comprando frutas e legumes mais verdes, e espere alguns dias antes de consumi-los.



Fonte:Por Patricia Patriota– 7 de dezembro de 2011


Publicado em: Curiosidades, Notícias


sábado, 26 de novembro de 2011

Generosidade e convivência em grupo

As famílias sofreram grandes mudanças nos últimos 40 anos, mais ou menos, e essas mudanças ainda não terminaram. Uma delas, bem significativa, foi a diminuição do número de filhos que decidem que devem ou podem ter principalmente porque ter e criar um filho custa hoje muito caro. Antes, um casal com quatro filhos e até mais era um fato muito comum. Hoje, quando encontramos uma família com mais de dois filhos, já nos surpreendemos.


Além do número de filhos, o tipo de vida das famílias grandes favorecia o ensinamento aos irmãos da partilha, da solidariedade, do companheirismo. Na época das grandes famílias, ter um filho único era preocupante porque parecia não haver condições propícias a esses aprendizados. Hoje, muitos casais com apenas um filho se preocupam pelo fato de essa situação, por si só, criar condições problemáticas para a formação e educação dos filhos. Vários leitores já escreveram manifestando essa impressão. Vale refletir a respeito.

Um ponto importante é o fato de que o contexto social ser decisivo na determinação de situações consideradas usuais e, portanto, na das consideradas exceções - viver como diferente sempre foi e ainda é bem difícil. Na época das grandes famílias, ter um filho único onerava os pais sobremaneira já que eles tinham de educar na ausência de referências socialmente compartilhadas porque essa não era uma situação vivida por muitos.

Hoje, mesmo a situação social tendo interferido radicalmente no número de integrantes das famílias, a preocupação dos pais continua. Mas o que temos visto é que, mesmo nas famílias com mais de um filho, todos são criados como se fossem filhos únicos, o que não favorece o surgimento daquelas situações que já foram consideradas ideais para determinados ensinamentos de convivência

Antes, o filho único não dividia seu quarto com ninguém, não precisava emprestar seus brinquedos nem vivia em casa situações que poderiam facilitar o aprendizado da tolerância ou da divisão da atenção dos pais.

Essas gerações mais novas não nasceram portadoras de um “chip novo”, como diz uma amiga, que programa determinados comportamentos. Elas têm aprendido a viver de acordo com a cultura do individualismo que as cerca e têm priorizado a posse das coisas mais do que o uso delas porque assim temos ensinado. O individualismo não combina com a generosidade, o clima competitivo não se conecta com a solidariedade, não é?

Então, se hoje apenas alguns pais com um único filho se preocupam com o tipo de educação que praticam porque querem evitar um filho egoísta, exigente e mimado, é porque há algo de equivocado em nossas interpretações. Talvez um dos equívocos seja o de acreditarmos que as situações vividas por crianças e jovens são mais decisivas em sua formação do que as atitudes educativas dos pais.

O fato é de que temos tido muita dificuldade para ensinar certas virtudes e atitudes na convivência porque nós mesmos não mais as exercermos. Como ensinar a ceder se sequer no trânsito somos capazes de permitir que outro carro entre a nossa frente? Como ensinar a tolerância se não suportarmos o que é diferente? Como ensinar a dialogar se não sabemos ouvir? Com ensinar a esperar a vez se fazemos de tudo para sermos os primeiros?

Os pais de filhos únicos não precisam se preocupar com essa situação específica da vida do filho e sim com todas as outras que invadem nossa vida e que ensinam a eles que não desejaríamos que aprendessem. E é preciso contar também com a vivência na escola. Lá eles podem e devem aprender a compartilhar, a saber esperar, a colaborar com os outros, a conter seus impulsos individualistas. É por isso que os pais não devem pedir à escola que trate seu filho de forma individualizada.



Fonte: Folha de SP. Rosely Sayão













domingo, 6 de novembro de 2011

A análise é de Edgar Morin- Religião de salvação terrestre


A esquerda é uma noção complexa, no sentido em que este termo comporta nele mesmo, unidade, concorrências e antagonismos. A unidade está em suas fontes: a aspiração a um mundo melhor, a emancipação dos oprimidos, explorados, humilhados, ofendidos, a universalidade dos direitos do homem e da mulher.”




A análise é de Edgar Morin, filósofo "indisciplinado" francês, nascido em 1921


Diretor emérito de pesquisa no CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), Edgar Morin promove uma política de civilização e ao mesmo tempo uma reforma do pensamento. Este intelectual fora da norma analisou bem o fenômeno yé-yé como a nova idade ecológica, as estrelas e a crise da modernidade. O artigo foi publicado no jornal Le Monde, 23-05-2010. A tradução é de Cristina Poersch.



A esquerda. Eu sempre repugnei este “a” unificador que oculta as diferenças, as oposições e os conflitos. Porque a esquerda é uma noção complexa, no sentido em que este termo comporta nele mesmo, unidade, concorrências e antagonismos. A unidade está em suas fontes: a aspiração a um mundo melhor, a emancipação dos oprimidos, explorados, humilhados, ofendidos, a universalidade dos direitos do homem e da mulher. Estas fontes, ativadas pelo pensamento humanista, pelas idéias da Revolução Francesa e pela tradição republicana, irrigaram, no século XIX, o pensamento socialista, o pensamento comunista, o pensamento libertário.



A palavra “libertário” centraliza-se na autonomia dos indivíduos e dos grupos, a palavra “socialista” na melhora da sociedade, a palavra “comunista” na necessidade da comunidade fraternal entre os humanos. Mas as correntes libertárias, socialistas, comunistas tornaram-se concorrentes. Estas correntes encontraram-se também em antagonismos, em que alguns tornaram-se mortíferos, desde o esmagamento da revolta spartakista por um governo social-democrata alemão até a eliminação dos socialistas e anarquistas pelo comunismo soviético.



As frentes populares, as uniões da Resistência foram somente momentos efêmeros.



E após a vitória socialista, em 1981, uma traição, na qual François Mitterrand foi o hábil estrategista, asfixiou o Partido Comunista.



É por isso que eu sempre combati o “a” esclerosante e mentiroso da esquerda, reconhecendo a unidade das fontes e aspirações. As aspirações a um mundo melhor sempre basearam-se na obra de pensadores. Os Iluministas de Voltaire e Diderot, unidos às idéias antagonistas de Rousseau, irrigaram o 1789. Marx foi o formidável pensador que inspirou, ao mesmo tempo, a social-democracia e o comunismo, até que a social-democracia se torne reformista. Proudhon foi o inspirador de um socialismo não marxista. Bakounine e Kropotkine foram os inspiradores das correntes libertárias.



Estes atores são-nos necessários, mas insuficientes para pensar nosso mundo. Fomos obrigados a empreender um gigantesco esforço de repensamento, que possa integrar os inúmeros conhecimentos dispersados e compartimentados para considerar nossa situação e nosso tornar-se no nosso Universo, na biosfera, na nossa História.



É preciso pensar nossa era planetária que tomou forma de globalização na unificação técnico-econômica que se desenvolve a partir dos anos 90. A nave espacial Terra é propulsada a uma velocidade vertiginosa pelos quatro motores incontrolados ciência-técnica-economia-lucro. Esta corrida nos conduz a perigos crescentes, a turbulências crisiques [1] e a críticas de uma economia capitalista desencadeada, à degradação da biosfera, que é nosso meio vital, a convulsões belicosas crescentes coincidindo com a multiplicação das armas de destruição massiva, todos estes perigos desenvolvendo-se mutuamente entre si.



Devemos considerar que estamos, no presente, numa fase regressiva de nossa história. O “colapso” do comunismo, que foi uma religião de saudação terrestre, foi seguido pelo retorno eruptivo das religiões da saudação celeste: nacionalismos adormecidos entraram em virulência, aspirações etno-religiosas, para aceder ao Estado-nação, desencadearam guerras de secessão.



Consideramos a grande regressão européia. Primeiramente, vamos relativizá-la, porque foi um grande progresso a emancipação das nações submetidas à URSS. Mas a independência destas nações suscitou um nacionalismo reduzido e xenófobo. A explosão da economia liberal superexcitou, ao mesmo tempo, a aspiração aos moldes de vida e consumos ocidentais e a nostalgia das seguranças da época soviética, mantendo o ódio da Rússia. Também as idéias e os partidos de esquerda estão no grau zero nas democracias populares.



No Oeste, não é somente a globalização que varreu os direitos sociais do pós-guerra, eliminando um grande número de indústrias incapazes de sustentar a concorrência asiática, provocando as transferências de indústrias eliminadoras de empregos; não é somente a corrida desenfreada ao rendimento que “sugou” as empresas expulsando muitos empregados e operários; é também a incapacidade de partidos considerados para representar o mundo popular de elaborar uma política que responda a estes desafios. O Partido Comunista tornou-se uma estrela anã, os movimentos trotskistas, apesar de uma denúncia justa do capitalismo, são incapazes de enunciar uma alternativa. O Partido Socialista hesita entre sua velha linguagem e uma “modernização” considerada ser realista, ao passo que a modernidade está em crise.



Mais grave ainda é o desaparecimento do povo de esquerda. Este povo, formado pela tradição vinda de 1789, (re)atualizada pela III República, foi cultivado nas idéias humanistas pelos professores, pelas escolas de formação socialistas, depois comunistas, as quais ensinavam a fraternidade internacionalista e a aspiração a um mundo melhor. O combate contra a exploração dos trabalhadores, o acolhimento do imigrante, a defesa dos fracos, a preocupação com a justiça social, tudo isto nutriu durante um século o povo de esquerda e a Resistência sobre a Ocupação regenerou a mensagem.



Mas a degradação da missão do professor, a esclerose dos partidos de esquerda, a decadência dos sindicatos cessaram de nutrir de ideologia emancipadora um povo de esquerda cujos últimos representantes, idosos, vão desaparecer. Resta a esquerda bobo [2] e a esquerda caviar [3]. E então racismo e xenofobia, que nos trabalhadores votando na esquerda, expressam-se somente no privado, entram na esfera política e conduzem a votar, como aconteceu, em Jean-Marie Le Pen. Uma França reacionária exilada na segunda fila no século XX, menos durante o movimento de Vichy, chega na primeira fila, endurecida, chauvinista, com soberania. Ela deseja a expulsão dos imigrantes clandestinos, a repressão cruel dos jovens das periferias, ela exorciza a angústia de tempos presentes no ódio ao Islã, ao magrebino, ao africano, e, discretamente, ao judeu, apesar de sua alegria de ver Israel tratar a Palestina como o cristão tratava o judeu.



A vitória de Nicolas Sarkosy foi devida, secundariamente, à sua astúcia política, principalmente à falta de esquerdas. Sob formas diferentes, a mesma situação na Itália, na Alemanha e na Holanda, países cujo livre pensamento torna-se xenófobo e reacionário.



A situação exige, ao mesmo tempo, uma resistência e uma regeneração do pensamento político.



Não se trata de conceber um “modelo de sociedade” (que poderia ser estático num mundo dinâmico), nem mesmo procurar algum oxigênio da idéia da utopia. Precisamos elaborar um Caminho, que poderá se formar somente da confluência de múltiplos caminhos reformadores, e que trariam, se não for tarde demais, a decomposição da corrida louca e suicidaria que nos leva aos abismos.



O caminho que hoje parece inultrapassável pode ser ultrapassado. O novo caminho conduziria a uma metamorfose da humanidade: a acessão a uma sociedade-mundo de tipo absolutamente novo. Ele permitiria associar a progressividade do reformismo e a radicalidade da revolução. Aparentemente, nada começou. Mas em todos os lugares, países e continentes, incluído na França, há multiplicidade de iniciativas de todas as ordens, econômicas, ecológicas, sociais, políticas, pedagógicas, urbanas, rurais, que encontram soluções aos problemas vitais e são portadoras do futuro. Elas são esparsas, separadas, compartimentadas, ignorando-se umas às outras... Elas são ignoradas de partidos, de administradores, de mídias. Elas merecem ser conhecidas e que suas conjunções permitam entrever caminhos reformadores.



Como tudo é a transformar, e que todas as reformas são solidárias e dependentes umas das outras, não posso aqui recenseá-las, isto será o trabalho de um livro ulterior, talvez o último. Indicamos somente aqui e, muito resumidamente, os caminhos de uma reforma da democracia.



A democracia parlamentar, se esta for necessária, é insuficiente. Seria preciso conceber e propor os modos de uma democracia participativa, realmente nas escalas locais. Seria útil, ao mesmo tempo, favorecer um despertar cidadão, e este é inseparável de uma regeneração do pensamento político, assim como da formação de militantes para os grandes problemas. Seria também útil multiplicar as universidades populares que ofereceriam aos cidadãos uma iniciação às ciências políticas, sociológicas, econômicas.



Seria igualmente preciso adotar e adaptar uma espécie de concepção neoconfuciana nas carreiras da administração pública e nas profissões que comportam uma missão cívica (professores, médicos), isto é, promover uma maneira de recrutamento levando em consideração os valores morais do candidato, suas aptidões à “benevolência” (atenção alheia), à compaixão, sua devoção ao bem público, sua preocupação de justiça e igualdade.



Preparamos um novo começo ligando as três estirpes (libertária, socialista, comunista) acrescentando nelas a estirpe ecológica numa tetralogia. Isto implica, evidentemente, a decomposição das estruturas partidárias existentes, uma grande recomposição de acordo com a fórmula ampla e aberta, o aporte de um pensamento político regenerado.



Certamente, precisamos, antes de tudo, resistir à barbárie que aumenta. Mas o “não” de uma resistência deve se nutrir de um “sim” a nossas aspirações. A resistência a tudo que se degrada o homem pelo homem, às realimentações, aos desprezos, às humilhações, nutre-se da aspiração, e não ao melhor do mundo, mas a um mundo melhor. Esta aspiração que não parou de nascer e de renascer ao longo da história humana, renascerá ainda.



Fonte:http: //www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=4138:edgar-morin-o-que-seria-minha-esquerda&catid=99:batalha-de-ideias&Itemid=113

Observação: a expressão "religião de saudação terrestre", que aparece no texto, contém um erro de digitação. O correto é "religião de salvação terrestre", conforme uma conhecida análise que o autor desenvolveu em livro anterior (Terra-Pátria).





domingo, 30 de outubro de 2011

Audioteca Sal e Luz

Queridos amigos, para seu conhecimento e divulgação dentro de suas possibilidades!
 Venho por meio deste e-mail divulgar o trabalho maravilhoso que é realizado na Audioteca Sal e Luz e que corre o risco de acabar.


A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados (audiolivros).

Mas o que é isto?

São livros que alcançam cegos e deficientes visuais (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada), de forma totalmente gratuita.

Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.



Nos ajude divulgando!!!



Se você conhece algum cego ou deficiente visual, fale do nosso trabalho, DIVULGUE!!!

Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125 - Centro. RJ. Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.

A outra opção foi uma alternativa que se criou, face à dificuldade de locomoção dos deficientes na nossa cidade.

Eles podem solicit ar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e enviaremos gratuitamente pelos Correios.

A nossa maior preocupação reside no fato que, apesar do governo estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, senão ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura.

Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...



Ajudem-nos. Divulguem!



Atenciosamente,



Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz. Rua Primeiro de Março, 125- 7º Andar. Centro - RJ. CEP 20010-000

Fone: (21) 2233-8007

Horário de atendimento: 08:00 às 16:00 horas



http://audioteca.org.br/noticias.htm

A Audioteca não precisa de Dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!

Então conto com a ajuda de vocês: repassem!

Eles enviam para as pessoas de graça, sem nenhum custo.

É um belo trabalho!

Quem puder fazer com que a Audioteca chegue à mídia.

É tudo do que eles precisam.




Fonte: recebido por email- Valéria, grata!