Hoje acordei sentindo uma dorzinha. Aquela dor sem explicação e uma palpitação! Resolvi procurar um doutor.
Fui divagando pelo caminho. Lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo. Meu doutor, que curava a minha dor! Não apenas a do meu corpo, mas a da minha alma. Que me transmitia paz e calma.
Chegando à recepção do consultório, fui atendida com uma pergunta:
- "Qual o seu plano?
O meu plano? Ah! O meu plano é viver mais e feliz. É dar sorrisos, aquecer os que sentem frio e preencher esse vazio que sinto agora! Mas, a resposta teria que ser outra! O "meu plano de saúde"!
Apresentei o documento do dito cujo, já meio suado tanto quanto o meu bolso. E aguardei.
Quando fui chamada, corri apressada. Ia ser atendida pelo doutor, ele que cura qualquer tipo de dor. Entrei e o olhei. Me surpreendi!
Rosto trancado, triste e cansado. Será que ele estava adoentado? É, quem sabe, talvez gripado! Não tinha um semblante alegre, provavelmente devido a febre. Dei um sorriso meio de lado e um bom dia.
Olhei o ambiente bem decorado. Sobre a mesa à sua frente um computador e no seu semblante a sua dor. O que fizeram com o doutor? Quando ouvi a sua voz de repente:
- "O que a senhora sente? Como eu gostaria de saber o que ele estava sentindo... Parecia mais doente do que eu a paciente.
- Eu? - Ah! Sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação e esperei a sua reação.
Vai me examinar, escutar a minha voz e auscultar o meu coração. Para a minha surpresa apenas me enntregou uma requisição e disse:
- Peça autorização desses exames para conseguir a realização.
Quando li quase morri. Tomografia computadorizada, Ressonância magnética e Cintilografia.
Ai meu Deus, que agonia! Eu só conhecia uma tal de abreugrafia... Só sabia o que era "ressonar" (dormir), de "magnético" eu conhecia um olhar... e "cintilar" só o das estrelas!
Estaria eu a beira da morte? De ir para o céu? Iria morrer assim ao léu?
Naquele instante timidamente pensei em falar "Não terá o senhor uma amostra grátis de calor humano para aquecer esse meu frio"? O que fazer com essa sensação de vazio? Me observe doutor! O tal "Pai da Medicina", o grego Hipócrates acreditava que, "A arte da Medicina está em observar". Olhe pra mim... É bem verdade que o juramento dele está ultrapassado. Médico não é sacerdote.Tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano.
Mas, por favor me olhe! Ouça a minha história! Preciso que o senhor me escute e ausculte. Me examine! Estou sentindo falta de dizer até aquele 33! Não me abandone assim de uma vez. Procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança! Alimente a minha mente e o meu coração... Me dê ao menos uma explicação! O senhor não se informou se eu ando descalça... Ando sim! Gosto de pisar na areia e seguir em frente deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida. Estarei errada? Ou estarei com o verme do amarelão? Existirá umas gotinhas de solução? Será que já existe vacina contra o tédio? Ou não terá remédio?
Que falta o senhor me faz, meu antigo doutor! Cadê o Scot, aquele da emulsão? Que tinha um gosto horrível mas me deixava forte que nem um "Sansão"! E o elixir? Paregórico e categórico E o chazinho de cidreira, que me deixava a sorrir sem tonteiras? Será que pensei asneiras?
Ah! Meu querido e adoentado doutor! Sinto saudades... Dos seus ouvidos para me escutar... Das suas mãos para me examinar...Do seu olhar compreensivo e amigo... Do seu pensar! Do seu sorriso que aliviava a minha dor... Que me dava forças para lutar contra a doença... E que estimulava a minha saúde e a minha crença... Sairei daqui para um ataúde? Preciso viver e ter saúde! Por favor me ajude!
Oh! Meu Deus, cuide do meu médico e de mim, caso contrário chegaremos ao fim... Porque da consulta só restou uma requisição digitada em um computador e o olhar vago e cansado do doutor!
Precisamos urgente dos nossos médicos amigos... A medicina agoniza... Ouço até os seus gemidos...
Por favor! Tragam de volta o meu doutor! Estamos todos doentes e sentindo dor!
E Peço: Para o ser humano, uma receita de amor e para o exercício da Medicina uma prescrição de "amor"!
- Por onde andará o meu Doutor?
(Tatiana Bruscky - Médica)
terça-feira, 2 de março de 2010
“Onde andará o meu doutor?” de Tatiana Bruscky
O beijo- Júlio Cortázar
"Toco a sua boca com um dedo, toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se, pela primeira vez, a sua boca entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade, eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto, e que, por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõe-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem, com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se estivéssemos com a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água."
Fonte: UOL.com -(Julio Cortázar)
sábado, 27 de fevereiro de 2010
“Teoria Moral da Manga”
O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano... Novas perspectivas... E como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover? Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo: "- Qual é então o maior problema do Brasil para ser resolvido? "E aí o representante rural, nosso querido "Mazaropi da modernidade" falou com um tom sério demais para aquele dia:
" - O Maior Problema do Brasil é que sobra muita manga!"
Tentei entender a teoria...Fez-se um silêncio e ele continuou:
" - O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga?
"Sim... Creio que todos já percebemos isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga... E Aí ele continuou:
" - Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só "ice cream" e jujuba são sobremesas gostosas. Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho tem pai... Se tiver pai e manga de sobremesa é por que a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra... Se tiver sombra tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar... Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é porque toca viola... E com certeza tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus.
Quem louva a Deus, não tem medo... Nada faltará porque tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz... Não reclama da vida em fila do banco... "
Daí fez-se um silêncio...
Muito mais que o padrão de vida, deve-se procurar a qualidade de vida. Quer uma manga?...
Fonte: autor desconhecido,recebido por e.mail.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
“Passeio Socrático” – Frei Betto
Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelo produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O programa de proteção às crianças e adolescentes deve ser revisto...
O jovem Ezequiel Toledo Lima, de 19 anos, condenado pelo assassinato do menino João Hélio, em 2007, no Rio, se apresentou, no final da noite desta terça-feira, 23, à 2ª Vara da Infância da Capital, após o desembargador Francisco José de Asevedo, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, anular a inserção do rapaz no Programa de Proteção às Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM).
Ezequiel está sob custódia da Justiça e enfrenta nesta quarta-feira, 24, uma nova audiência para decidir se cumprirá o regime semiaberto na cidade ou se ingressará no programa de proteção. O rapaz era menor na época da morte de João Hélio e cumpriu três anos de medida socioeducativa.
O crime aconteceu em fevereiro de 2007. Acompanhado por três comparsas maiores de idade, ele abordou o Corsa Sedan dirigido pela mãe de João Hélio, Rosa Cristina Fernandes.
O grupo anunciou o assalto e impediu que a mulher retirasse a criança do carro. O então adolescente fechou a porta e deixou João Hélio pendurado pelo cinto de segurança. O menino foi arrastado por seis quilômetros e morreu.
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Começar a falar sobre o caso do menino João Hélio, já nos traz uma sensação de impotência e frustração. Digo isto, porque nem o tempo ameniza a dor de ter vivenciado momentos de tamanha brutalidade. Se não fosse o papel da mídia, provavelmente acreditaríamos que estávamos num túnel do tempo, que teríamos voltado ao tempo das arenas, onde as pessoas eram sacrificadas. Foram dias de terror. Se aquela imagem não tivesse sido reproduzida e repetida por tantas vezes, provavelmente tudo teria caído no esquecimento.
Indubitavelmente somos fracos de memória. Tivemos três anos para revermos as leis, estatutos, etc. No entanto, fomos ingênuos ao acreditarmos que apenas a opinião pública daria conta de fazer a justiça. Infelizmente, não é o que estamos presenciando.
Não entendo por que um adolescente comete um crime hediondo e tenha que ser tratado como alguém irresponsável, sem identidade, sem vontade própria, como se fosse um débil mental, coisa que ele não é... Não entendo como uma pessoa escolhe em se juntar a uma gangue, comete um crime e ainda duvidamos de sua total responsabilidade de seus atos.
Não entendo também, porque o mesmo não é julgado como uma pessoa comum, afinal somos todos iguais perante a lei. Não é a idade que torna a sua responsabilidade maior ou menor. E sim... a sua crueldade. E nesse exato momento, este já é maior de idade, portanto, pode e deveria responder por seus atos. Sinto que a responsabilidade de olhar os fatos de forma adulta cabe a nós, que querendo ou não fazemos parte dessa sociedade que demonstra a sua insanidade.
Esse camarada que um dia foi adolescente passou por um processo que todos nós em algum momento já passamos e nem por isso saímos agredindo ou matando pessoas. Então o que nos difere? O que nos faz diferente? Como somos diferentes...
Alguns justificariam que existem seres humanos que nascem com essa índole para o mal. Outros diriam que já nasceram com uns genes diferentes, ou seja, já nascemos com uma disponibilidade para cometermos ações tão desprezíveis. Mas, qualquer que seja a explicação, nenhuma nos satisfaz. Nenhuma sociedade aceitaria atos tão hediondos como algo normal, aceitável, compreensível, razoável, cientificamente explicável... Não existe nada razoável quando quebramos a moral, a ética, o direito de sermos diferentes entre tantos iguais e principalmente emotivos.
Eu me pergunto, onde fica a emoção? A emoção de ser agradável, responsável, digno, de ser flexível com o que somos e pretendemos ser.
Sei que uma pessoa desequilibrada convive com as suas mil faces, sem ao menos se dar conta. Mas sei também que este pode viver por muitos e muitos anos sem se quer agredir ninguém. Tudo depende do seu meio social. Por isso, a aplicação de ações educativas (e não reeducativas) em alguns casos será para vida inteira. Não existem pessoas prontas, acabadas. Existem pessoas em formação e em transformação. Portanto, o mundo pode ser explorado de diferentes formas, só depende das escolhas que fizermos. As minhas crenças, valores serão o termômetro. Não existe o impossível quando vejo que há espaço para todos. Existe sim, pessoas que não acreditam em si própria, por total falta de conhecimento de suas possibilidades. E neste quesito a família tem total participação e responsabilidade.
Assim, no mínimo essas pessoas com atitudes e ações desqualificadas: ações agressivas, atitudes que põe em risco a sua vida e a de outrem, devem viver em total vigilância e cuidados terapêuticos. Não existe meio termo para elas, tanto é assim que elas não pensam duas vezes quando estão cometendo os seus delitos.
Mas, o que nos torna diferente é o fato de que uma pessoa em sã consciência, não mata para virar notícia. Não mata para ter um minuto de audiência. E tem mais, amam...
Pessoas ditas normais fazem de seu minuto de estrelado algo positivo, para si e para o outro.
Acreditar que a justiça será feita é o mínimo que posso esperar. Não sou defensora da menor idade penal. Acredito que não resolveria. O que resolve é um melhor acompanhamento no andamento desses processos. Uma política pública capaz de reconhecer que a punição ainda é algo subjetivo, visto que, o que pode ser punição para mim, não é para outra pessoa.
Acredito que o razoável é crermos que trabalho torna as pessoas dignas e responsáveis. Que ambiente educativo ainda é a melhor fonte de conhecimento. Que família amparada é aquela que reconhece os seus erros e trata dos seus com carinho e amparo. Que o espaço de uma má ação, deve ser ocupado por uma boa ação. E que existem boas e más pessoas e que devemos reconhecer que o pior dos seres humanos deve ser tratado com dignidade. E que o seu papel na sociedade será de se cuidar e trabalhar em benefício próprio. Ninguém deve cuidar de sua sobrevivência a não ser ele próprio. Cuidado é algo que vem com responsabilidade, amadurecimento e dignidade.
E que somos todos iguais, no mundo de diferenças desiguais. Não existe nada que não possa ser recuperado, a não ser a morte.
Por isso viva, um ou dois milhões de dias, mas faça a sua parte. Não espere que a sociedade a faça. Não seja permissivo, bajulador e nem político de porta de cadeia.
Seja digno, seja humano, seja responsável por sua pobreza. Não responsabilize a todos aquilo que lhe diz respeito.
Pense, seja homem, foi isso que você ouviu a vida toda. A fase de criancice já passou. A única criança dessa estória foi para outro plano espiritual. Por isso, em sua memória, respeite a dor de uma família e de muitos brasileiros.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
“ O primeiro mundo logo ali”
Volto de três semanas de férias no Chile e peço licença para falar mais do nosso companheiro de América do Sul. Em Santiago, o taxista me perguntou, incrédulo: "É verdade que pelos carros brasileiros que compramos aqui, vocês pagam mais lá no Brasil?" Expliquei que somos um país com uma altíssima carga tributária, como se fôssemos um povo rico. E tive que contar ao motorista que, mesmo com tanto imposto, não temos segurança pública, a educação é ruim a saúde pública é péssima e nossas estradas são piores ainda. Andei pelo Chile de norte a sul, o que não é pouco: a distância entre Punta Arenas, no extremo sul e Arica, no extremo norte, equivale à distância entre o Oiapoque e o Chuí. Com a dificuldade de estar tudo espremido entre a mais alta cadeia de montanhas do planeta, fora do Himalaia, e o mar. E as rodovias são um tapete. Fui reapresentado aos buracos no asfalto quando voltei à capital do meu país.
Andei na Patagônia, na região dos lagos, no deserto do Atacama, na região dos vinhos, na capital, Santiago. Estive a quase 5 mil metros de altitude e a cinco graus negativos, escalei um vulcão, caminhei por geleiras, fiz trilhas no deserto, cavalguei, dirigi, andei de barco e avião. E não vi lixo em lugar algum. Nem mesmo no deserto mais seco do mundo, onde o lenço-papel para assoar o nariz volta para o bolso, pois ninguém tem coragem de poluir. As cidades maiores têm a mesma limpeza; o transporte público de Santiago é perfeito; o trânsito é silencioso e o sinal Pare serve para parar os carros, como no primeiro mundo. A propósito, se o Chile estivesse na Europa, ficaria à frente da Espanha, da Grécia, de Portugal, da Itália e talvez da França, em organização urbana e serviços públicos, pelo que notei como visitante. Os chilenos são educados, simpáticos, e até tratam os brasileiros com pedagógica amabilidade, nos fazendo perceber que não estamos no Brasil, mas num lugar civilizado, e, portanto, nos induzem, com cortesia, a que nos comportemos de modo diferente do cotidiano tupiniquim.
Divertiu-me encontrar a cada dia nos jornais uma aventura diferente do novo presidente, Sebastián Piñera, que toma passe dia 11. Num dia cavalgava, no outro jogava futebol, no dia seguinte pilotava uma potente moto, no quarto dia praticava mergulho com cilindro, no quinto jogava tênis, no sexto velejava e no sétimo dia brincava com os netos... ufa! O primeiro país a ser visitado por ele como presidente será o Brasil. Uma boa oportunidade para o presidente Lula compará-lo a seus companheiros sul-americanos, como Chavez, Evo, Correa, e pensar no "dize-me com quem andas..." Não custa repetir que o Chile tem taxa anual de juros de 2,5% e uma dívida pública equivalente a 4% do PIB – no Brasil, a proporção é de 10 vezes mais.
Enfim, confirmei, nesses dias, que é possível ser primeiro mundo mesmo sendo latinoamericano. O Chile teve a sorte de ser também influenciado pelo meu herói sul-americano, o argentino Domingo Faustino Sarmiento. Esteve exilado no Chile e aproveitou para fazer lá a revolução na educação, que mais tarde aplicou à Argentina, como presidente. A educação é a base de tudo. Aqui no Brasil, na última eleição presidencial, o candidato que teve a educação como plataforma, recebeu 2% dos votos. Talvez não queiramos educação, porque a educação liberta, forma cidadãos livres, produtivos, civilizados, felizes.
Alexandre Garcia é jornalista em Brasília e escreve semanalmente em Só Notícias
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
“O português brasileiro no Carnaval”
"Bom dia. Seu passaporte, por favor."
"Aqui está."
"Você é inglesa, não é?"
"Sim, sou."
"Muito bem. Quanto tempo vai passar aqui?"
"Seis meses."
"Está bem. Obrigado. Tchau."
"Bom dia, obrigada."
*
"A que horas parte o próximo ônibus de luxo para Salvador?"
"Parte às dez e quinze."
"Queria um bilhete para este, se faz favor."
"De ida ou de ida e volta?"
"Só de ida."
"Muito bem. Agora, são 68 reais."
*
"Tem uma mesa livre?"
"São quantos?"
"Somos só dois."
"Temos esta mesa aqui perto da porta, ou aquela ali ao fundo."
"Esta está bem. Traga o cardápio por favor."
"Tome."
*
Os diálogos acima reproduzidos foram extraídos de uma série de pequenos folhetos que, durante toda a semana que antecede o Carnaval, aí, e o Dia dos Namorados, aqui, vieram junto com o jornal que compro todos os dias, o "Guardian", de tendência esquerdista-liberal.
Sob o título geral de "Línguas para o século 21", os opúsculos ilustrados e com cerca de 22 páginas de texto começaram com o mandarim, na segunda-feira, prosseguindo sucessivamente pelo hindi, russo e, na quinta, com o português do Brasil, encerrando os trabalhos na sexta, com o espanhol da América Latina ("Buenas tardes." "Buenas tardes, señorita. A sus órdenes.").
Acompanhei com vivo interesse, uma vez que, apesar de todas as minhas desilusões de pobre pierrô abandonado ("É Carnaval?", "Sim, cavalheiro, é Carnaval."), continuo a manter altivo e sacudido meu abre-alas pelo desfile de fantasias a que chamamos de vida, skindô.
Não acho a menor graça em debochar de quem está tentando me ajudar a pegar um bom lugar num ônibus de luxo para Salvador e, uma vez lá, trio elétrico desfilando ou não, encontrar uma boa mesa num restaurante de Salvador que conte inclusive com cardápio.
Inevitável, no entanto, nesta época em que Momo é rei, e além do mais rei de tríduo, jogar o confete do deboche na boca de quem nos lê, atirar para o outro canto do salão a serpentina da galhofa e mirar nas costas alabastrinas da odalisca mascarada o esguicho gelado do lança-perfume do escárnio.
Quá, quá, quá! Pobres inglesas a caminho da capital baiana! Crentes que a língua fica paradona vendo os blocos e as escolas de samba passarem. O português do Brasil ginga, mexe, remexe, efervesce, queima, manda brasa e passa a perna em tudo e todos com suas reformas ortográficas e vernaculares a que insiste, como um pirata da perna de pau, lá no alto da popa, de chamar de "acordo ortográfico". Mais uma vez, ela, a Europa, terá de se curvar diante de nós, depois de lhe passarmos a bola entre as pernas.
"É aqui que se realizará o jogo de futebol a fantasia ?"
"Aqui mesmo, senhorita. Quantas entradas quer?"
"Duas entradas."
"Arquibancada, geral ou cadeira numerada?"
IVAN LESSA
colunista da BBC Brasil
sábado, 13 de fevereiro de 2010
“O Quê Atrai Pessoas ao Marketing de Rede”?
Todos nós fazemos as coisas por motivos diferentes. Algumas pessoas querem ir para a universidade e estudar para se tornar um médico. Ou talvez um advogado. Algumas pessoas querem aprender a como estar no negócio. Outros não têm nenhum interesse em promover a sua educação, mas se contentam em trabalhar para alguém e ganhar um salário regular e curtir a vida.
Quando se trata de marketing da rede, as pessoas têm diferentes razões para se envolver. A maioria das pessoas vão dizer que querem ganhar algum dinheiro extra. Alguns dirão que querem substituir a sua renda para que eles possam parar seu trabalho. Outros estão apenas interessados em receber os seus produtos sem nenhum custo. E alguns vão participar, porque eles podem se sentir pressionados por um amigo.
Independentemente das razões que as pessoas se juntam a uma empresa de MLM, é vantagem para você saber as razões pelas quais seus prospectos aderem. Se você pode determinar a verdadeira razão por trás do interesse de seu prospecto em possuir um negócio em casa de marketing de rede você pode medir exatamente o seu envolvimento com seus novos "recrutas".
Porque isso é importante? Porque algumas pessoas se juntam por razões erradas. E se você está constantemente patrocinando as pessoas que têm razões erradas, para a adesão pode ter problemas. Como pode ser isso? Não querem apenas ser financeiramente independente?
Algumas pessoas têm um problema em determinar a diferença entre o que eles querem e o que eles precisam. E quando eles começam em um MLM, se não souberem ao certo porque eles estão envolvidos, então eles não serão um construtor de negócio sério. Eles têm de saber o que eles querem, porque querem e como obtê-lo.
Na superfície, a indústria do marketing de rede parece ser o veículo que irá dar às pessoas o que elas querem. E a maioria das pessoas vai lhe dizer que querem sair do seu atual trabalho. Bem, quem não gostaria de encerrar seu trabalho e viver a "boa vida"? Será que estas pessoas estão realmente procurando uma maneira de sair do trabalho?
Há um mundo de diferença entre parar seu trabalho e não querer trabalhar. Muitas pessoas que se juntam a uma empresa MLM esperam que eles vão fazer tanto dinheiro que eles podem parar seu trabalho. Um trabalho que não querem fazer.
Mas eles não conseguem perceber que o marketing de rede é também um trabalho. Se você quiser ganhar dinheiro com isso você tem que trabalhar para isso. Não há ciência miraculosa. No entanto, muitas pessoas pensam que marketing de rede lhes dará a oportunidade de fazer o que quiser e curtir a vida sem trabalhar.
Por que muitas pessoas aderem a indústria? Porque eles não querem trabalhar... Ponto final! Se você sabe isso antes de assinar o que você pode salvá-los, bem como a si mesmo um monte de agravamento. Certifique aos seus prospectos agora que é preciso trabalho para ser um distribuidor de sucesso em marketing de rede.
Consultor de negócios online e estudante auto-didata nato incansável de técnicas de internet marketing e de ferramentas que auxiliem as pessoas que queiram desenvolver trabalhar a partir de casa utilizando a Internet. Como cristão sou empreendedor e empresário, cursei administração, trabalho a muitos anos com informática e internet. Para ler este e outros artigos mais aprofundados acesse o blog: http://blog.maisricodinheiro.net
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
“Atividades de Educação Física”
Pega-pega americano, mãe da rua e fugi-fugi
Introdução
Dentro do universo de jogos e brincadeiras infantis, os jogos de corrida e perseguição constituem um segmento muito importante para o desenvolvimento da motricidade e também uma modalidade de atividade lúdica muito apreciada pelas crianças dessa faixa etária (6 a 8 anos).
Os três jogos propostos aqui mobilizam as habilidades de perseguir e fugir, em três contextos com características diferenciadas, a saber:
No pega-pega americano, a trajetória de corrida de pegador e fugitivos é multi-direcional, ou seja, os deslocamentos acontecem em todas as direções possíveis.
No mãe da rua, a trajetória do pegador é multi-direcional, mas as trajetórias dos fugitivos acontecem apenas em um sentido, de uma calçada para a outra.
No fugi-fugi, a trajetória de corrida de pegador e fugitivos ocorre no mesmo sentido, mudando apenas a direção.
A realização desse tipo de atividade se justifica também pelas restrições de utilização do espaço impostas às crianças de hoje, principalmente para aquelas que moram em zonas urbanas.
Objetivos
Reconhecer a existência de regras nos jogos vivenciados.
Obedecer as regras com o auxílio do professor.
Explicar as regras dos jogos verbalmente para outras pessoas.
Realizar os movimentos básicos de correr, desviar, frear e equilibrar-se.
Conteúdos específicos
Jogos de corrida e perseguição.
habilidades motoras de correr, desviar, frear, equilibrar, além de capacidades físicas de velocidade, flexibilidade e resistência.
Ano
1º ao 3º ano
Tempo Estimado
Seis aulas de 40 minutos, subdivididos em 10 minutos para a roda de conversa inicial, 20 minutos para a vivência do jogo e os últimos 10 minutos para roda de conversa.
Material necessário
Espaço físico plano e desimpedido (quadra, pátio, rua, praia ou similar).
Lousa e giz.
Desenvolvimento das atividades
Em todas as aulas, inicie o encontro mostrando aos alunos como o jogo vai se desenvolver. Desenhe um diagrama simples na lousa, mostrando os limites de espaço a serem utilizados e o posicionamento das crianças. É interessante dar referências do espaço e representar os tipos de movimentos possíveis na atividade. Explique também as regras.
A seqüência didática está organizada em três conjuntos de duas aulas. Cada um dos jogos é vivenciado numa primeira aula e repetido na aula seguinte, visando a apropriação das regras e dos movimentos básicos por todo o grupo.
1ª e 2ª aulas
Pega-pega americano
Regras
Um jogador é escolhido como pegador, e os demais fogem dentro dos limites estabelecidos previamente. Quando um jogador é pego, ele deve ficar parado no lugar em que foi pego até ser salvo por algum outro jogador.
Para salvar um colega pego, o jogador deve agachar e engatinhar por entre as pernas desse jogador. É importante esclarecer que nenhum jogador pode ser pego pelo pegador enquanto estiver salvando algum colega.
O vencedor do jogo é aquele pegador que conseguir imobilizar todos os fugitivos, numa mesma rodada.
Atenção: é importante orientar os alunos sobre a forma segura de pegar os fugitivos, utilizando apenas o toque de mão em alguma parte do corpo do colega, evitando tocar a região do rosto e dos cabelos ou agarrar e segurar os jogadores fugitivos, o que poderá causar acidentes.
Periodicamente, interrompa a partida e torque o pegador, para garantir que ao longo das duas aulas todos os alunos passem pelas funções básicas do jogo: pegador e fugitivo/salvador.
3ª e 4ª aulas
Mãe da Rua
Regras
O espaço em que será realizado é delimitado por duas linhas paralelas com a distância de mais ou menos 8 metros entre elas, simulando o espaço de uma rua com duas calçadas.
As crianças se posicionam atrás de uma das linhas e ficam voltadas na direção do espaço entre elas. Um jogador é escolhido como pegador e se posiciona no centro do espaço de jogo.
O desafio para os fugitivos é atravessar o campo de jogo entre uma calçada e outra sem ser tocado pelo pegador, caso isso aconteça o jogador pego assume essa função, e o pegador passa a ser fugitivo.
Você pode propor uma regra que torna o jogo mais desafiante para todos os participantes: os jogadores fugitivos que deixarem uma das calçadas em direção ao campo não podem mais retornar para a calçada de onde saíram, tendo que tentar a travessia do campo.
Essa regra é um pouco difícil de ser seguida de pronto por crianças dessa idade pois envolve um controle corporal e uma leitura das velocidades e das distâncias entre os jogadores que é um pouco complexa. No entanto, é justamente a construção dessas noções de distância e velocidade o objeto principal de aprendizagem que o jogo promove nos jogadores.
Um desdobramento do grau de complexidade do jogo pode ser proposto na segunda aula de vivência do jogo, com a alteração de um detalhe da regra: o jogador que é pego se transforma em pegador, mas quem o pegou continua exercendo essa função, ou seja, a cada jogador pego aumenta o número de pegadores. Conseqüentemente, o espaço de fuga vai se tornando cada vez menor e o desafio para os fugitivos vai se tornando cada vez mais complexo.
Também aqui, cuide para que todos os jogadores possam vivenciar as funções de pegador e de fugitivo.
5ª e 6ª aulas
Fugi-fugi
O espaço para o jogo é delimitado num retângulo de 15 x 10 metros, aproximadamente. Essa medida pode variar um pouco em função do número de alunos e do espaço físico disponível. Se no início da atividade o educador perceber que o espaço está muito congestionado ou que os jogadores estão ficando muito distantes entre si, faça um ajuste nas medidas.
Um jogador é escolhido pegador e se posiciona atrás de uma das linhas do lado menor do retângulo. Os demais jogadores (os fugitivos) se posicionam atrás da linha, do lado oposto do campo onde está o pegador.
O desafio dos fugitivos é atravessar correndo o campo de jogo sem serem pegos, até a extremidade oposta do campo, a cada rodada. No início de cada rodada, o pegador, de sua posição inicial, grita a todos: "Lá vou eu!!!" Ao que os fugitivos respondem em coro: "Fugi-fugi!!!" e imediatamente partem para a travessia do campo de jogo.
Também aqui, ao jogador que entra no campo não é mais permitido voltar para trás da linha de fundo. Os jogadores que forem pegos se transformam em pegadores fixos, na posição do campo em que foram pegos, tornando-se auxiliares do pegador principal.
A cada rodada, repetem-se os avisos de "Lá vou eu!" e "Fugi-fugi!" antes de cada período de fuga e perseguição. Ao longo da partida, o espaço vai sendo ocupado por um número maior de pegadores fixos, e é declarado vencedor o jogador que conseguir se manter ileso até a rodada final.
Fique atento para o caso de um pegador escolhido não conseguir realizar seu propósito, tornando o jogo desinteressante para si e para o grupo. Nesse caso, escolha um segundo pegador para auxiliar o pegador principal.
Avaliação
Ao final de cada aula, reúna os estudantes numa roda de conversa para vocês avaliarem juntos os avanços conquistados e as dificuldades que foram enfrentadas durante a vivência dos jogos. Embora exista a possibilidade de um vencedor final, é pouco provável que isso ocorra nessa faixa etária. Atenção: saber quem foram os vencedores também é pouco eficiente, uma vez que a sensação mais efetiva é vivida pela criança a cada êxito alcançado no ato de conseguir pegar ou conseguir escapar.
*Fonte: Marcelo Jabu é professor de educação física.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
“Distúrbios e Transtornos”
Distúrbios e transtornos
» Dislexia
» TDAH
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A matemática para algumas crianças ainda é um bicho de sete cabeças. Muitos não compreendem os problemas que a professora passa no quadro e ficam muito tempo tentando entender se é para somar, diminuir ou multiplicar; não sabem nem o que o problema está pedindo. Alguns, em particular, não entendem os sinais, muito menos as expressões. Contas? Só nos dedos e olhe lá.
Em muitos casos o problema não está na criança, mas no professor que elabora problemas com enunciados inadequados para a idade cognitiva da criança.
Carraher afirma que:
"Vários estudos sobre o desenvolvimento da criança mostram que termos quantitativos como "mais", "menos", maior", "menor" etc. são adquiridos gradativamente e, de início, são utilizados apenas no sentido absoluto de "o que tem mais", "o que é maior" e não no sentido relativo de " ter mais que" ou "ser maior que". A compreensão dessas expressões como indicando uma relação ou uma comparação entre duas coisas parece depender da aquisição da capacidade de usar da lógica que é adquirida no estágio das operações concretas"..."O problema passa então a ser algo sem sentido e a solução, ao invés de ser procurada através do uso da lógica, torna-se uma questão de adivinhação" (2002, p. 72).
No entanto, em outros casos a dificuldade pode ser realmente da criança e trata-se de um distúrbio e não de preguiça como pensam muitos pais e professores desinformados.
Em geral, a dificuldade em aprender matemática pode ter várias causas.
De acordo com Johnson e Myklebust, terapeutas de crianças com desordens e fracassos em aritmética, existem alguns distúrbios que poderiam interferir nesta aprendizagem:
- Distúrbios de memória auditiva:
- A criança não consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não conseguem guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas matemáticos.
- Problemas de reorganização auditiva: a criança reconhece o número quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar do número com rapidez.
- Distúrbios de leitura:
- Os dislexos e outras crianças com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz alta. É bom lembrar que os dislexos podem ser excelentes matemáticos, tendo habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo. Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação.
- Distúrbios de percepção visual: a criança pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por não conseguirem se lembrar da aparência elas têm dificuldade em realizar cálculos.
- Distúrbios de escrita:
- Crianças com disgrafia têm dificuldade de escrever letras e números.
Estes problemas dificultam a aprendizagem da matemática, mas a discalculia impede a criança de compreender os processos matemáticos.
A discalculia é um dos transtornos de aprendizagem que causa a dificuldade na matemática. Este transtorno não é causado por deficiência mental, nem por déficits visuais ou auditivos, nem por má escolarização, por isso é importante não confundir a discalculia com os fatores citados acima.
O portador de discalculia comete erros diversos na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, nas habilidades computacionais, na compreensão dos números.
Kocs (apud García, 1998) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos:
- Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
- Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
- Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de símbolos matemáticos.
- Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
- Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
- Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.
Na área da neuropsicologia as áreas afetadas são:
- Áreas terciárias do hemisfério esquerdo que dificulta a leitura e compreensão dos problemas verbais, compreensão de conceitos matemáticos;
- Lobos frontais dificultando a realização de cálculos mentais rápidos, habilidade de solução de problemas e conceitualização abstrata.
- Áreas secundárias occípito-parietais esquerdos dificultando a discriminação visual de símbolos matemáticos escritos.
- Lobo temporal esquerdo dificultando memória de séries, realizações matemáticas básicas.
De acordo com Johnson e Myklebust a criança com discalculia é incapaz de:
- Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;
- Conservar a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas.
- Seqüenciar números: o que vem antes do 11 e depois do 15 – antecessor e sucessor.
- Classificar números.
- Compreender os sinais +, - , ÷, ×.
- Montar operações.
- Entender os princípios de medida.
- Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas.
- Estabelecer correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras.
- Contar através dos cardinais e ordinais.
Os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:
1. Dificuldade na memória de trabalho;
2. Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;
3. Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefas de escrita);
4. Não há problemas fonológicos;
5. Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;
6. Dificuldade nas habilidades visuo-espaciais;
7. Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.
De acordo com o DSM-IV, o Transtorno da Matemática caracteriza-se da seguinte forma:
- A capacidade matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, encontra-se substancialmente inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo.
- As dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade.
- Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente a este associadas.
- Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades lingüisticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos), perceptuais (reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação), e matemáticas (dar seqüência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).
Quais os comprometimentos?
- Organização espacial;
- Auto-estima;
- Orientação temporal;
- Memória;
- Habilidades sociais;
- Habilidades grafomotoras;
- Linguagem/leitura;
- Impulsividade;
- Inconsistência (memorização).
Ajuda do professor:
O aluno deve ter um atendimento individualizado por parte do professor que deve evitar:
- Ressaltar as dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais;
- Mostrar impaciência com a dificuldade expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala;
- Corrigir o aluno freqüentemente diante da turma, para não o expor;
- Ignorar a criança em sua dificuldade.
Dicas para o professor:
Não force o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido;
Explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar;
Proponha jogos na sala;
Não corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis;
Procure usar situações concretas, nos problemas.
Ajuda do profissional:
Um psicopedagogo pode ajudar a elevar sua auto-estima valorizando suas atividades, descobrindo qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu entendimento. Os jogos irão ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem.
Recomenda-se pelo menos três sessões semanais.
O uso do computador é bastante útil, por se tratar de um objeto de interesse da criança.
O neurologista irá confirmar, através de exames apropriados, a dificuldade específica e encaminhar para tratamento. Um neuropsicologista também é importante para detectar as áreas do cérebro afetadas. O psicopedagogo, se procurado antes, pode solicitar os exames e avaliação neurológica ou neuropsicológica.
O que ocorre com crianças que não são tratadas precocemente?
- Comprometimento do desenvolvimento escolar de forma global
- O aluno fica inseguro e com medo de novas situações
- Baixa auto-estima devido a críticas e punições de pais e colegas
- Ao crescer o adolescente / adulto com discalculia apresenta dificuldade em utilizar a matemática no seu cotidiano.
Qual a diferença? Acalculia e Discalculia.
A discalculia já foi relatada acima.
A acalculia ocorre quando o indivíduo, após sofrer lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico, perde as habilidades matemáticas já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para realização de cálculos matemáticos.
Cuidado!
As crianças, devido a uma série de fatores, tendem a não gostar da matemática, achar chata, difícil. Verifique se não é uma inadaptação ao ensino da escola, ou ao professor que pode estar causando este mal estar. Se sua criança é saudável e está se desenvolvendo normalmente em outras disciplinas não se desespere, mas é importante procurar um psicopedagogo para uma avaliação.
Muitas confundem inclusive maior-menor, mais-menos, igual-diferente, acarretando erros que poderão ser melhorados com a ajuda de um professor mais atento.
Bibliografia:
CARRAHER, Terezinha Nunes (Org.). Aprender Pensando. Petrópolis, Vozes, 2002.
GARCÍA, J. N. Manual de Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre, ArtMed, 1998.
JOSÉ, Elisabete da Assunção, Coelho, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo, Ática, 2002.
RISÉRIO, Taya Soledad. Definição dos transtornos de aprendizagem. Programa de (re) habilitação cognitiva e novas tecnologias da inteligência. 2003.
http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=133
http://www.juliannamartins.ubbi.com.br/pagina2.html
O que é?
A dislexia é um distúrbio na leitura afetando a escrita, normalmente detectado a partir da alfabetização, período em que a criança inicia o processo de leitura de textos. Seu problema torna-se bastante evidente quando tenta soletrar letras com bastante dificuldade e sem sucesso.
Porém se a criança estiver diante de pais ou professores especialistas a dislexia poderá ser detectada mais precocemente, pois a criança desde pequena já apresenta algumas características que denunciam suas dificuldades, tais como:
- - Demora em aprender a segurar a colher para comer sozinho, a fazer laço no cadarço do sapato, pegar e chutar bola.
- - Atraso na locomoção.
- - Atraso na aquisição da linguagem.
- - Dificuldade na aprendizagem das letras.
A criança dislexa possui inteligência normal ou muitas vezes acima da média. Sua dificuldade consiste em não conseguir identificar símbolos gráficos (letras e/ou números) tendo como conseqüência disso a dificuldade na leitura e escrita.
A dislexia normalmente é hereditária. Estudos mostram que dislexos possuem pelo menos um familiar próximo com dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita.
O distúrbio envolve percepção, memória e análise visual. A área do cérebro responsável por estas funções envolve a região do lobo occipital e parietal.
Características:
- Confusão de letras, sílabas ou palavras que se parecem graficamente: a-o, e-c, f-t, m-n, v-u.
- Inversão de letras com grafia similar: b/p, d/p, d/q, b/q, b/d, n/u, a/e.
- Inversões de sílabas: em/me, sol/los, las/sal, par/pra.
- Adições ou omissões de sons: casa Lê casaco, prato lê pato.
- Ao ler pula linha ou volta para a anterior.
- Soletração defeituosa: lê palavra por palavra, sílaba por sílaba, ou reconhece letras isoladamente sem poder ler.
- Leitura lenta para a idade.
- Ao ler, movem os lábios murmurando.
- Freqüentemente não conseguem orientar-se no espaço sendo incapazes de distinguir direita de esquerda. Isso traz dificuldades para se orientarem com mapas, globos e o próprio ambiente.
- Usa dedos para contar.
- Possui dificuldades em lembrar se seqüências: letras do alfabeto, dias da semana, meses do ano, lê as horas.
- Não consegue lembrar-se de fatos passados como horários, datas, diário escolar.
- Alguns possuem dificuldades de lembrar objetos, nomes, sons, palavras ou mesmo letras.
- Muitos conseguem copiar, mas na escrita espontânea como ditado e ou redações mostra severas complicações.
- Afeta mais meninos que meninas.
O dislexo geralmente demonstra insegurança e baixa auto-estima, sentindo-se triste e culpado. Muitos se recusam a realizar atividades com medo de mostrar os erros e repetir o fracasso. Com isto criam um vínculo negativo com a aprendizagem, podendo apresentar atitude agressiva com professores e colegas.
Antes de atribuir a dificuldade de leitura à dislexia alguns fatores deverão ser descartados, tais como:
- imaturidade para aprendizagem;
- problemas emocionais;
- métodos defeituosos de aprendizagem;
- ausência de cultura;
- incapacidade geral para aprender.
Tratamento e orientações:
- O tratamento deve ser realizado por um especialista ou alguém que tenha noções de ajuda ao dislexo. Deve ser individual e freqüente.
Durante o tratamento deve-se usar material estimulante e interessante. - Ao usar jogos e brinquedos empregar preferencialmente os que contenham letras e palavras.
- Reforçar a aprendizagem visual com o uso de letras em alto relevo, com diferentes texturas e cores. É interessante que ele percorra o contorno das letras com os dedos para que aprenda a diferenciar a forma da letra.
- Deve-se iniciar por leituras muito simples com livros atrativos, aumentando gradativamente conforme seu ritmo.
- Não exigir que faça avaliação de outra língua. Deve-se dar mais importância na superação de sua dificuldade do que na aprendizagem de outra língua.
- O tratamento psicológico não é recomendado a não ser nos casos de graves complicações emocionais.
- Substituir o ensino através do método global (já que não consegue perceber o todo), por um sistema mais fonético.
- Não estimule a competição com colegas nem exija que ele responda no mesmo tempo que os demais.
- Oriente o aluno para que escreva em linhas alternadas, para que tanto ele quanto o professor possa entender o que escreveu e poder corrigi-los.
- Quando a criança não estiver disposta a fazer a lição em um dia ou outro não a force. Procure outras alternativas mais atrativas para que ele se sinta estimulado.
- Nunca critique negativamente seus erros. Procure mostrar onde errou, porque errou e como evitá-los. Mas atenção: não exagere nas inúmeras correções, isso pode desmotivá-lo. Procure mostrar os erros mais relevantes.
- Peça que os pais releiam o diário de classe sem criticá-los por não conseguir fazê-lo, pois a criança pode esquecer o que foi pedido e/ou não conseguir ler as instruções.
Bibliografia:
CONDEMARÍN, Mabel, BLOMQUIST, Marlys. (1989). Dislexia; manual de leitura corretiva. 3ª ed. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artes Médicas.
ELLIS, Andrew W. (1995). Leitura, escrita e dislexia: uma análise cognitiva. 2 ed. Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas.
JOSÉ, Elisabete da Assunção José & COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. 12ª edição, São Paulo: Ática.
Simaia Sampaio
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O que é: A disgrafia é também chamada de letra feia. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. Ao tentar recordar este grafismo escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando a letra ilegível. Algumas crianças com disgrafia possui também uma disortografia amontoando letras para esconder os erros ortográficos. Mas não são todos disgráficos que possuem disortografia A disgrafia, porém, não está associada a nenhum tipo de comprometimento intelectual. Carcaterísticas: - - Lentidão na escrita. - - Letra ilegível. - - Escrita desorganizada. - - Traços irregulares: ou muito fortes que chegam a marcar o papel ou muito leves. - - Desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial. - - Desorganização do texto, pois não observam a margem parando muito antes ou ultrapassando. Quando este último acontece, tende a amontoar letras na borda da folha. - - Desorganização das letras: letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas, omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários à escrita (um S ao invés do 5 por exemplo). - - Desorganização das formas: tamanho muito pequeno ou muito grande, escrita alongada ou comprida. - - O espaço que dá entre as linhas, palavras e letras são irregulares. - - Liga as letras de forma inadequada e com espaçamento irregular. O disgráfico não apresenta características isoladas, mas um conjunto de algumas destas citadas acima. Tipos: Podemos encontrar dois tipos de disgrafia: - Disgrafia motora (discaligrafia): a criança consegue falar e ler, mas encontra dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, palavras e números, ou seja, vê a figura gráfica, mas não consegue fazer os movimentos para escrever - Disgrafia perceptiva: não consegue fazer relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam os sons, as palavras e frases. Possui as características da dislexia sendo que esta está associada à leitura e a disgrafia está associada à escrita. Tratamento e orientações: O tratamento requer uma estimulação lingüística global e um atendimento individualizado complementar à escola. Os pais e professores devem evitar repreender a criança. Reforçar o aluno de forma positiva sempre que conseguir realizar uma conquista. Na avaliação escolar dar mais ênfase à expressão oral. Evitar o uso de canetas vermelhas na correção dos cadernos e provas. Conscientizar o aluno de seu problema e ajudá-lo de forma positiva. | |
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Até a 2ª série é comum que as crianças façam confusões ortográficas porque a relação com os sons e palavras impressas ainda não estão dominadas por completo. Porém, após estas séries, se as trocas ortográficas persistirem repetidamente, é importante que o professor esteja atento já que pode se tratar de uma disortografia. A característica principal de um sujeito com disortografia são as confusões de letras, sílabas de palavras, e trocas ortográficas já conhecidas e trabalhadas pelo professor. Caraterísticas: - - Troca de letras que se parecem sonoramente: faca/vaca, chinelo/jinelo, porta/borta. - - Confusão de sílabas como: encontraram/encontrarão. - - Adições: ventitilador. - - Omissões: cadeira/cadera, prato/pato. - - Fragmentações: en saiar, a noitecer. - - Inversões: pipoca/picoca. - - Junções: No diaseguinte, sairei maistarde. Orientações: Estimular a memória visual através de quadros com letras do alfabeto, números, famílias silábicas. Não exigir que a criança escreva vinte vezes a palavra, pois isso de nada irá adiantar. Não reprimir a criança e sim auxiliá-la positivamente.
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Tem como característica principal a fala lenta e arrastada devido a alterações dos mecanismos nervosos que coordenam os órgãos responsáveis pela fonação. A disartria de origem muscular é resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervêm nesta articulação. A disartria pode ter origem em lesões no sistema nervoso o que altera o controle dos nervos provocando uma má articulação. Podemos encontrar a disatria em pessoas que sofrem de paralisia periférica do nervo hipoglosso (duodéssimo par dos nervos cranianos. Inerva os músculos da língua) pneumogástrico (nervo vago ou décimo par craniano que inerva a laringe, pulmões, esôfago, estômago e a maioria das vísceras abdominais) e facial. Em pessoas que apresentam esclerose, intoxicação alcoólica, com tumores (malignos ou benignos) no cérebro, cerebelo ou tronco encefálico, traumatismos crânio-encefálicos. No caso de lesões cerebrais, os exames clínicos mostram que as alterações não se manifestam isoladamente estando associada geralmente a outros distúrbios tais como gnósio-apráxicos ou transtornos disfásicos. Bibliografia: JOSÉ, Elisabete da Assunção José & COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. 12ª edição, São Paulo: Ática. http://www.mps.com.br/InfoServ/renascer/neurologia.htm http://www.psiqweb.med.br/cursos/linguag.html
Fonte: Simaia Sampaio
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