sábado, 9 de janeiro de 2010

“Romance de Chico Buarque é tema literário”

O romance de Chico Buarque já é tema de estudos literários, diz André Luiz Glaser, doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Língua Inglesa pela USP (Universidade de São Paulo).

Atualmente, ele é professor adjunto do Centro Universitário Ibero-Americano- Anhanguera Educacional, em São Paulo. Leia a resenha do professor sobre o livro de Chico, que será publicado na Alemanha.

* Leite Derramado - Sobre Narrador e Personagem

Inicialmente, já desde o primeiro capítulo, o que me chamou atenção no último livro de Chico Buarque, Leite Derramado, foi uma estranheza uma narrativa contada em primeira pessoa, por um homem já bastante idoso, em um leito de hospital de segunda classe, formalmente organizada com uma clareza surpreendente. Poder-se-ia questionar a qualidade do romance, se um efeito estético não prendesse o leitor desde as primeiras sentenças. Um narrador em primeira pessoa pressupõe, em geral, uma proximidade entre o que é narrado e o estilo da narrativa um envolvimento emotivo ou distanciamento instaurados pelo jogo lúdico da própria ficção. Assim, um narrador louco tende a usar palavras que não se organizam racionalmente, um narrador tenso fará uso de estruturas linguísticas tensas e um narrador distante será frio no tom de seu discurso. Não deveria um narrador em idade avançadíssima, doente e com uma memória já bastante falha, apresentar uma forma discursiva que, ao menos em certos momentos, fosse falha? Não falo aqui da organização do discurso, que se mostra embaralhado em vários momentos da narrativa; o foco é no domínio da sintaxe que percorre todo o romance, em um estilo próprio, que gera uma certa autonomia...

Uma análise pode destacar, entre tantos outros aspectos do livro em questão, três linhas de força que percorrem o romance. Uma, a estória de Eulálio contada por ele mesmo, que, logo nos primeiros capítulos, já se mostra de veracidade bastante duvidosa. O que temos de mais "real" são as impressões do espaço que rodeia o doente o texto projeta um mundo fictício estável que nos faz "acreditar" na existência do quarto de hospital, da televisão alta, da enfermeira, da irmã, etc. Quando, contudo, o que temos são os relatos de seu passado, a confusão de uma memória fraca instaura a dúvida. Só um leitor ingênuo levaria a sério o que está sendo relatado. Não só o passado, mas também o presente são constantemente distorcidos. A enfermeira escreve a narrativa? Ou, mais provavelmente, tem sua caneta sobre um prontuário de hospital? Matilde existiu? Ou é uma criação de uma imaginação alienada da realidade?

A sucessão dos acontecimentos responde pela lógica da associação. Já no primeiro capítulo este esquema organiza a narrativa. Eulálio quer casar-se com a enfermeira, que poderá dispor das coisas da mãe, na fazenda. Daí, fala de sua ex-mulher, que lá morou com ele, e uma propriedade leva-o a comentar a outra, o casarão de Botafogo, comprado pelos dinamarqueses dadas as trapalhadas de seu genro. Volta ao presente, comenta só haverem homens no hospital, de modo a poder falar das putinhas do Hitz, em Paris. Seguem por associação os assuntos de família, então tratados em francês, etc. Num primeiro momento, esta estrutura nos faz pensar em uma narrativa construída pelo fio do desejo, tecendo as associações de forma a chegarmos, em algum momento, numa consciência das forças inconscientes que direcionam este fluxo do pensamento do protagonista. Mas logo percebemos a fraqueza desta linha argumentativa, dado o caráter cada vez mais impalpável do que é dito. Embora um forte erotismo percorra todo o texto, a possível traição de Matilde, por exemplo, é tratada com tal distância e sob tantas perspectivas que só nos resta, se não a tratar apenas como mais um episódio do romance, não confiar a leitura a esta linha argumentativa como principal.

Mas então o romance traz uma forte vertente histórica --por baixo dessas associações gratuitas corre um processo seletivo muito bem construído, que vai mapeando momentos da história de um país corrupto, racista, aristocrático em sua organização classista. Do caos das memórias do protagonista surge uma outra dimensão, muito mais palpável por sustentar-se sobre personagens que, além de sua individualidade, comportam generalizações. O Vidal, por exemplo, é quase um ícone de certa vertente da classe dominante brasileira capaz da frieza máxima para manter as aparências da boa conduta e, porque não, da pureza racial. Matilde, de filha bastarda, passa a ser aquela negrinha que pegamos para criar. Já a decadência dos Assumpção não se limita, por sua vez, a um caso de família. A sua incapacidade dupla --fazerem a aposta financeira certa e manterem-se "puros" (longe do estigma negro em seu sangue)--, marca a história de tantos sobrenomes brasileiros. Uma falha trágica os impede de funcionar dentro das regras do jogo de classes à brasileira, uma democracia com profundas raízes aristocráticas.

Concomitante a estas duas linhas de força, temos a que mais interessa do ponto de vista literário --esta estranheza acima comentada da clareza do discurso. Se Eulálio narra sua estória, não pode ser o mesmo Eulálio que o faz com uma prosa tão clara. Aqui, o narrador se torna ambíguo: entre o conteúdo narrado e a forma narrativa uma brecha se abre, um espaço que instaura uma contradição viva. E ao avançarmos na leitura, mais e mais este deleite de uma prosa "musical" toma posse do leitor. Momentos supostamente de grande tensão emocional mantêm o mesmo estilo calmo, seguro, com pontuação quase poética, que se desdobra por todo o romance. Se tomarmos, por exemplo, um dos episódios mais dramáticos da narrativa, no final do capítulo oito, quando Eulálio narra seus encontros eróticos com Matilde na cozinha, detectamos o mesmo ritmo claro, um andante que não se dobra ao ímpeto emocional da cena. Um impulso métrico parece emergir, com a predominância de iâmbicos e dátilos que dão à prosa um tom quase poético. E neste ponto nos perguntamos, por quê?

Um leitor curioso talvez dê atenção apenas à estória, aos acontecimentos relatados de pouca credibilidade. O leitor que se deleita no mergulho em uma prosa formalmente bem escrita talvez termine o livro com a impressão de ter lido algo belo. Mas no cruzamento entre ambas estas possibilidades, salta uma terceira a crueza da distância, que pode marcar tanto o conformismo com uma história que não muda quanto a ironia fina e triste da recusa da poesia a envolver-se com a sujeira do recorte do mundo narrado.

Ou ainda uma terceira opção. Não estaria a prosa, aqui, trazendo para si um recurso tão utilizado na poesia, inclusive na presente nas canções compostas pelo próprio autor a distância radical entre o ritmo e musicalidade das palavras e o conteúdo do texto? Tantas vezes o ritmo alegre do samba fala da tristeza, da perda, do sofrimento. Há algo próximo em Leite Derramado, mas trazido criticamente (e artisticamente) às tensões e possibilidades características do romance. O narrador em primeira pessoa tem uma história considerável nos desdobramentos da literatura ocidental, e no Brasil suas potencialidades já foram bastante exploradas basta citarmos Machado de Assis. Aqui, nosso narrador é mais uma vez distendido, desdobrado, explorado ao máximo. E no vão criado entre forma e conteúdo, a crítica social ganha muito. Se uma das conquistas formais do narrador em primeira pessoa foi permitir que as mais diversas e opostas visões de mundo ganhassem corpo a partir de um de seus membros e/ou defensores, agora esta voz é marcada pela distância que embaralha a construção do narrador-personagem, criado dois mundos paralelos, mas unidos estruturalmente. O alcance da crítica ganha nova amplitude que lhe possibilita apalpar, de um outro ângulo, o poder e sua autonomia que, por mais absurdo que pareça, dada a "desumanidade" (tão humana, por sinal) dos seus traços, continua ditando as normas.

Não tenho dúvidas quanto à qualidade literária do livro. Este narrador em primeira pessoa narra da boca do personagem e se afasta dele. E este prisma da forma, para citar Anatol Rosenfeld, lhe dá "certa transparência ou 'iridiscência' em direção a significados mais profundos, em que se revela o 'sentido', a 'ideia' da obra" 1. A projeção do mundo ficcional criado pelo "conteúdo" ganha uma tridimensionalidade, indo além dos limites do ponto de vista do narrador e construindo um espaço ficcional mais abrangente, que cria neste outras possibilidades de leitura da sociedade brasileira. E não deixa de merecer atenção o fato de este impulso crítico vir pelo bom e velho livro, ainda vivíssimo, como momento de um grande crítico que por tantos anos se debruçou sobre a música e o drama.

O momento presente, tão perto historicamente e tão longe ideologicamente do impulso democrático que movimentou a arte e cultura críticas dos anos setenta, não perdeu o impulso crítico. Leite Derramado atesta o interesse do autor em manter viva a arte politizada, que faz parte de sua história pessoal e de um viés importante da história de nosso país. Um golpe de mestre, de grande maturidade literária. E de mensagem poderosíssima, se não recusarmos ao olhar multifacetado que o romance parece sugerir.

1Anatol ROSENFELD. "Literatura e personagem". In: A personagem de ficção. SP: Ed. Perspectiva, 2007.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

“Dez dicas para facilitar discussões”

 

   

O seu papel durante uma discussão em grupo é facilitar o fluxo de comentários dos participantes. Embora não seja necessário interpor seus comentários depois de cada participante falar, periodicamente, apoiar alguns comentários pode ajudar. Aqui está um menu com dez pontos para você usar quando estiver conduzindo discussões em grupo.

1. Parafraseie o que um participante disse de modo que ele ou ela se sinta compreendido e de maneira que os outros participantes ouçam um sumário conciso do que foi dito.

  • Então, o que você está dizendo é que você tem que ser muito cuidadoso sobre perguntar aos candidato onde eles moram durante uma entrevista porque isto pode sugerir algum tipo de afiliação racial ou ética. Você também nos falou que está certo perguntar o endereço do entrevistado no formulário da companhia.


2. Cheque o seu entendimento da afirmação de um participante ou peça a ele para clarificar o que ele está dizendo.

  • Você está dizendo que este plano não é realista? Eu não tenho certeza de que entendi exatamente o que você quis dizer. Você poderia repetir, por favor?

3. Cumprimente um comentário interessante ou perspicaz.

  • Este é um bom ponto. Estou feliz que você o trouxe a nossa atenção.

4. Elabore a contribuição do participante para a discussão com exemplos ou sugestão de uma nova maneira de ver o problema.

  • Seus comentários proporcionaram um ponto interessante da perspectiva do empregado. Isto poderia também ser útil ao considerar como um gerente veria a mesma situação.

5. Energize a discussão acelerando o ritmo, usando humor ou se necessário encorajando o grupo a dar mais contribuições.

  • Nós temos muitas pessoas modestas nesse grupo! Aqui vai um desafio para vocês. Nos próximos dois minutos, vamos ver quantas maneiras de como aumentar a cooperação dentro do seu departamento você pode pensar.

6. Discorde (gentilmente) com um comentário de um participante para estimular mais discussões.

  • Eu posso ver onde de onde você está partindo, mas eu não tenho certeza de que o que está descrevendo é sempre o caso. Alguém mais teve uma experiência que é diferente da do João?

7. Medeie as diferenças de opinião entre os participantes e atenue quaisquer tensões que possam estar fermentando.

  • Eu acho que Maria e Joana não estão realmente discordando entre si, mas apenas trazendo dois lados diferentes da questão.

8. Trabalhe em conjunto idéias, mostrando suas relações entre si.

  • Como vocês podem ver a partir dos comentários de João e Maria, estabelecer objetivos pessoais faz parte da administração do tempo. Você precisa ser capaz de estabelecer objetivos para si diariamente para administrar seu tempo mais eficazmente.

9. Mude o processo do grupo alterando o método de obter participação ou fazendo com que o grupo avalie as idéias que foram apresentadas.

  • Vamos nos dividir em grupos menores e ver se vocês podem identificar algumas objeções típicas de clientes aos produtos que foram cobertos na apresentação desta manhã.

10. Resuma (e escreva se for adequado) as principais percepções do grupo.

  • Eu notei que as quatro principais razões que apareceram na nossa discussão porque os gerentes não delegam são: (1) falta de confiança, (2) medo do fracasso, (3) conforto em fazer eles mesmos a tarefa e (4) medo de ser substituído.

domingo, 3 de janeiro de 2010

“É a treva: rumo ao desastre”

Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:"É a treva". Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva!  Sim, a humanidade penetrou numa zona  de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre.  Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:"faltou-nos inteligência" porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?

Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.
 
Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.

Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos "pro tempore" e pratica trabalho infantil  em vários paises.

Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?

Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um "louco" numa sociedade de "sábios", foi o presidente Evo Morales: "Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra".

Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.

  
 


 

Leonardo Boff, escritor, filósofo e teólogo.

" A internet nos dias atuais"


Esta entrevista trata de um tema atual e nos leva a refletir o porquê a internet nos toma tanto tempo, e vai mais além, e fala do como devemos utilizá-la.


Não podemos negar que as nossas crenças nos levam a cometer inúmeros erros, mesmo sendo constantemente reavaliadas.


O poder de escolha ainda é frágil diante de tantos apelos. A escola possui um papel relevante, pois é nela que formamos a pessoa, esse indivíduo único, que se tornará um adulto.


A alienação ainda é um objeto de destruição. A mudança ocorre à todo momento e cabe a você transformá-la a todo instante.


Leia este artigo, que trata de uma visão sobre o mundo da informática e faça as suas considerações. Este espaço é coletivo, portanto a sua opinião é sempre importante!


Para Nicholas Carr, um dos palestrantes mais valorizados do mundo dos negócios, a dependência da troca de informações pela internet está empobrecendo nossa cultura. Mais ainda: nosso intelecto, ao se acostumar aos múltiplos estímulos das redes sociais, aos e-mails e aos comunicadores instantâneos, perde a capacidade de raciocínios elaborados. Autor de um famoso artigo cujo título resume o conteúdo - "O Google está nos tornando mais estúpidos?" - , Carr está preparando um livro de nome igualmente provocativo - numa tradução literal, O raso: o que a internet está fazendo com nosso cérebro. Ele falou a ÉPOCA durante uma visita ao Brasil para uma palestra a 4.500 líderes empresariais, num dos maiores eventos para executivos do país.

Nicholas Carr
Sascha Pflaeging QUEM É
Americano, 50 anos, é formado em Harvard e autor de livros de tecnologia e administração, é membro do conselho editorial da Enciclopédia Britânica

O QUE FEZ
Ficou famoso pela crítica à qualidade de "obras abertas" da internet, como a Wikipédia, e por artigos em que afirma que as empresas deveriam terceirizar o investimento em tecnologia da informação

ÉPOCA - A internet afeta a inteligência?


Nicholas Carr - Você fica pulando de um site para o outro. Recebe várias mensagens ao mesmo tempo. É chamado pelo Twitter, pelo Facebook ou pelo Messenger. Isso desenvolve um novo tipo de intelecto, mais adaptado a lidar com as múltiplas funções simultâneas, mas que está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade. Isso é um resultado da dependência crescente em relação à internet. Essa forma de pensar vai reduzir nossa habilidade para pensar contemplativamente. Ela prejudica nossa cabeça.

ÉPOCA - Quais seriam as consequências?


Carr - A riqueza de nossa cultura não é apenas quanta informação você consegue juntar. Ela tem a ver com os indivíduos pensando profundamente sobre a informação, refletindo sobre ela, avaliando pessoalmente os dados que recebe e não se deixando passivamente bombardear por vários estímulos. Estamos perdendo isso agora. Toda a cultura fica mais rasa. Temos acesso democrático à informação, mas o resultado é mais pobre. Temos menos condições de compreender as grandes obras da arte, da ciência ou da literatura, que exigem uma concentração mais profunda.

ÉPOCA - As pessoas deveriam ficar desconectadas de vez em quando?


Carr - Sim. Deveríamos desconfiar da internet. É claro que conseguir bastante informação útil é parte de nossa vida moderna. Mas precisamos encorajar continuamente o outro lado, que é a aquisição calma e contemplativa do conhecimento. Isso exige ficar fora do fluxo contínuo de informação. Só não sei se isso será possível porque nossa vida social está cada vez mais dependente de quão conectados estamos. Seu grupo de amigos está embrulhado em redes sociais na internet. Você precisa da internet para executar seu trabalho. Não para de olhar para seu BlackBerry. Não é mole se desligar disso tudo.

ÉPOCA - A filosofia grega foi construída em cima de debates. O pensamento de Platão são conversas com seus discípulos. Por que não daria para erigir conhecimento a partir da interação com os outros?


Carr - Nos Diálogos de Platão, temos duas pessoas dedicadas a uma conversa atenta sobre determinado tema. Se você entra on-line, encontra dezenas de pessoas trocando mensagens de texto, vendo e-mails, escrevendo no Twitter e pulando de uma página para outra. A troca de informação ocorre com interrupções o tempo todo. Sócrates sentava-se embaixo de uma árvore e pensava longamente enquanto conversava com seus discípulos. É muito diferente do que fazemos agora.

ÉPOCA - Uma das maiores lojas on-line, a Amazon, vende livros. As pessoas baixam livros no Kindle. Até o senhor vende livros. Isso não significa que as pessoas ainda leem textos extensos?


Carr - É verdade que as pessoas ainda lerão livros por muito tempo. Mas o porcentual de tempo dedicado à mídia impressa vem caindo. A média americana é de um livro por dia, o que ainda é muito bom. Só que o ato de ler uma página após a outra fica cada vez mais difícil à medida que você se adapta à comunicação da internet. Eu mesmo sinto isso. Antes eu me sentava e lia por horas. Agora, fico pensando se devia conferir meu e-mail ou acho ruim não encontrar hiperlinks no texto.

"AS CRIANÇAS NÃO DEVEM MEXER EM COMPUTADORES DE JEITO NENHUM. OS PAIS DEVEM DEIXAR OS FILHOS AO MÁXIMO LONGE DAS TELAS"

ÉPOCA - Essa habilidade para múltiplas tarefas e para administrar várias informações simultâneas não nos dá, em compensação, maior capacidade para criar novas ideias?


Carr - Certamente temos maior capacidade para encontrar informação ou relacionar uma com a outra. Mas dependemos cada vez mais de conexões externas. Você estabelece uma relação porque clicou em um hiperlink que alguém deixou lá. Já construir as próprias relações entre um fato e outro exige um tempo de reflexão própria, que não estamos tendo.

ÉPOCA - Essa visão negativa da internet não é apenas o medo da mudança?


Carr - Não há dúvida que, toda vez que uma tecnologia nova aparece, algumas pessoas imaginam que tudo vai desmoronar. Sim. É preciso ter essa visão cética. Por outro lado, também devemos desconfiar quando ouvimos alguém glorificando as novas tecnologias e prometendo uma nova utopia. Recomendo que as pessoas não sigam o que eu digo cegamente. Mas que examinem o próprio comportamento. Testem em si mesmos o que estou dizendo.

ÉPOCA - Os cursos on-line vão revolucionar a educação?


Carr - Existe empolgação em torno dos cursos on-line porque parecem cortar os custos. Um professor poderia dar aula para milhares de alunos, em vez de apenas uma turma de algumas dezenas. Mas não acho que a educação on-line vá substituir a tradicional. Ela pode funcionar como complemento para o professor ter um material de apoio na sala de aula ou para o aluno reforçar em casa o que aprendeu na escola. Outra utilidade dos cursos on- -line é a formação técnica profissional em casos específicos. Existe um aspecto importante na educação, que é juntar os alunos fisicamente para conviver e trocar experiências. Isso vai além de apenas assistir a uma aula. Tem a ver com o lado comunitário da educação, que se perderia se passarmos tudo para o computador.

ÉPOCA - Como a tecnologia pode beneficiar a educação?


Carr - Por um lado, o que estamos vendo é que muitas escolas, especialmente universidades, começam a oferecer material on-line de seus cursos, inclusive algumas aulas. Isso é bom. Permite que gente de fora da universidade tenha acesso à informação de ponta e aulas de grandes pensadores. O perigo para as grandes universidades é que os alunos possam ter a ilusão de que terão acesso ao conhecimento apenas sentados diante de um computador. Aí o que acontece é que a eficiência de fornecer material on-line começa a capturar os investimentos financeiros, que deveriam ir para as universidades e escolas. Se um professor dá aula para milhões de alunos, quem vai pagar o salário dos outros?

ÉPOCA - Como atrair a atenção dos jovens que estão ligados nas redes de relacionamento e nos jogos da internet para a educação "formal"?


Carr - Naturalmente, não há como fazer isso. Nossa dependência dos serviços de internet não está mudando apenas nossos relacionamentos e nosso acesso ao conhecimento, mas também a forma como nossa mente funciona. Não é só entre os jovens, mas gente de todas as idades usa cada vez mais a internet. Nas escolas e em casa, os pais e os educadores têm sido excessivamente entusiastas do poder dos computadores. Temo que, como o cérebro constrói a maior parte das ligações entre os neurônios na juventude, o modo de pensar promovido pelo convívio com a internet predomine sobre a capacidade de análise. Os pais devem manter seus filhos o máximo longe das telas. Na verdade, acredito que as crianças não devem mexer em computadores de jeito nenhum. Mais tarde, quando entrarem na adolescência, terão de aprender a lidar com a internet para sua vida adulta, social e profissional. Mas antes disso não.

ÉPOCA - Como o senhor fez com seus filhos?


Carr - Minha filha tem 24 anos, meu filho 19. Então, quando eram crianças não havia tanto acesso à internet e a computadores. Nem as redes sociais existiam. Mas mesmo naquela época eu já sabia que as mídias usadas pelas crianças teriam influência em sua capacidade cognitiva futura. Não quero dizer que a internet seja ruim. Ela é essencial para encontrarmos pessoas e informações úteis. Mas ela é como uma esponja. Vai sugando todos os aspectos da vida. E nos obriga a se adaptar a ela. É o futuro da humanidade. Só que perderemos alguma coisa no meio do caminho.


Fonte: texto publicado na revista Época.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

" Cuidado com o quê e como você fala"


A linguagem dirige nossos pensamentos para direções específicas e, de alguma maneira, ela nos ajuda criar a nossa realidade, potencializando ou limitando nossas possibilidades. A habilidade de usar a linguagem com precisão é essencial para nos comunicarmos melhor. A seguir estão algumas palavras e expressões a que devemos estar atentos quando falamos, porque elas podem nos atrapalhar:
1) Cuidado com a palavra NÃO, a frase que contém "não", para ser compreendida, traz à mente o que está junto com ela. O "não" existe apenas na linguagem e não na experiência. Por exemplo, pense em "não"... (não vem nada à mente). Agora vou lhe pedir "não pense na cor vermelha", eu pedi para você não pensar no vermelho e você pensou. Procure falar no positivo, o que você quer e não o que você não quer;

2) Cuidado com a palavra MAS, que nega tudo que vem antes. Por exemplo, "o Pedro é um rapaz inteligente, esforçado, mas.....". Substitua MAS por E quando indicado;

3) Cuidado com a palavra TENTAR que pressupõe a possibilidade de falha. Por exemplo, "vou tentar encontrar com você amanhã às 8 horas". Tenho grande chance de não ir, pois, vou "tentar". Evite "tentar", FAÇA;

4) Cuidado com as palavras DEVO, TENHO QUE ou PRECISO, que pressupõem que algo externo controla sua vida. Em vez delas, use QUERO, DECIDO, VOU;

5) Cuidado com NÃO POSSO ou NÃO CONSIGO, que dão a idéia de incapacidade
pessoal. Use NÃO QUERO, DECIDO NÃO, ou NÃO PODIA, NÃO CONSEGUIA, que
pressupõe que vai poder ou conseguir;
6) Fale dos problemas ou das descrições negativas de si mesmo utilizando o verbo no tempo passado. Isto libera o presente. Por exemplo, "eu tinha dificuldade de fazer isso";
7) Fale das mudanças desejadas para o futuro utilizando o tempo presente do verbo. Por exemplo, em vez de dizer "vou conseguir", diga "estou conseguindo";
8) Substitua SE por QUANDO. Por exemplo, em vez de falar "se eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar", fale "quando eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar". Quando pressupõe que você está decidido;

9) Substitua ESPERO por SEI. Por exemplo, em vez de falar, "eu espero aprender isso", fale: "eu sei que eu vou aprender isso". Esperar suscita dúvidas e enfraquece a linguagem;
10) Substitua o CONDICIONAL pelo PRESENTE. Por exemplo, em vez de dizer "eu
gostaria de agradecer a vocês", diga "eu agradeço a vocês". O verbo no presente fica mais concreto e mais forte.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Escola e comunidade, enfrentando a violência


No Governo de Leonel Brizola, na época dos CIEPS, havia um setor escolar que trabalhava com a comunidade familiar escolar e a comunidade local. Foi um trabalho dinâmico e o seu resultado foi significativo. Pena que tudo que é bom dure pouco.

Depois disso, não vi nada mais nesse aspecto. Tomara que esta iniciativa colha bons frutos. Hoje não dá para ver um bom trabalho educacional, se não houver um trabalho forte com a comunidade e seus familiares.

O governo de São Paulo informa que vai colocar, em cada escola, um professor comunitário. Pela minha experiência dentro e fora do Brasil, posso garantir o seguinte: se esse profissional for bem treinado e tiver um mínimo de apoio, haverá a redução da violência na sociedade em geral e na escola, em particular. Além disso, com a melhora do ambiente, haverá mais chances para o estudante progredir.
A ideia é que esse professor seja um intermediador de conflitos --coisa abundante na escola--, atue para envolver a família e a comunidade. Um de seus papéis seria visitar as famílias, a exemplo do que ocorre (e com ótimos resultados) em Taboão da Serra.Já se podem encontrar professores comunitários em áreas conflagradas do Rio, como a Cidade de Deus, onde a matrícula escolar cresceu 30% nos últimos 12 meses. E o assassinato caiu mais de 90%.
Lá o professor comunitário surgiu logo depois da implantação de um melhor sistema de policiamento. Funciona tão bem no Rio que a prefeitura decidiu expandir esse projeto não só para as áreas conflagradas, como para toda cidade. Projetos semelhantes podem ser encontrados em Nova Iguaçu (Rio) e Belo Horizonte.

Fonte: Folha Online- publicidade

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"O conceito de árvore de natal"



A tradição natalina, determina a duração das decorações de natal em torno de um mês e meio, que se encerra em 6 de Janeiro, Dia de Reis, quando os enfeites são retirados da árvore e guardados para o ano seguinte.

Nas organizações, diferentemente dos lares das pessoas em que nelas trabalham, a árvore natalina transcende os costumes do Cristianismo, e transformou-se em símbolo de união em torno de ideais e valores supra-religiosos e universais de paz e boa vontade entre os seres humanos.


Complementadas por confraternizações, trocas de presentes, gera-se, nesta época, um clima de harmonia entre áreas, de planos para um futuro de paz, projetados sobre cada enfeite colocado nas árvores de natal.
Artificiais ou naturais, de espécies e tamanhos variados, com luzes americanas ou chinesas, decoradas por bolas ou outros adornos, há um ponto em comum neste ritual -- toda decoração tem um prazo de validade definido.

Olhando uma árvore dessas, das pequenas e simples, às imensas e ricas, encontramos pontos em comum: sua base, seu tronco, seus galhos, seus enfeites, suas luzes e sua ponteira no alto.
A base quando de árvores naturais, envolvem a terra que alimenta o ser sustentado. Mesmo quando artificial, ela representa a cultura, as memórias e história da organização -- essenciais para a transmissão de valores às novas gerações.


Os galhos, rígidos por moldes plásticos ou predestinados pela genética de sua espécie, buscam expandir-se ao longo da projeção do tronco, para projetar as individualidades das pessoas que trabalham na organização. Elas moldam e definem o perfil do conjunto. Dispostas simétrica ou aleatoriamente, buscam a luz que faça a fotossíntese de resultados e realizações ou a visibilidade de sua personalidade.

Presos aos galhos, as folhas, de polietileno ou de células clorofiladas, captam o reflexo de luzes de néon ou de janelas entreabertas de persianas corporativas. Aos mesmos galhos, prendem-se os enfeites. Cada um poderia representar hábitos, condutas, contratos interpessoais, ostentando uma estética de frutos, carregados de significado para as relações mais harmoniosas entre aqueles que fazem parte da instituição.


Talvez com novas lentes poderíamos ver:


A bola vermelha da Empatia - a disposição de ouvir e se colocar no lugar do outro, de esforçar-se para entendê-lo, partindo de suas premissas, para poder efetivamente se comunicar.
O enfeite que reproduz um brinquedo ingênuo de criança, poderia ser o do feedback para as pessoas, ao invés da arma delinqüente, que fala (mal) das pessoas para outros -- menos para aquele que é diretamente envolvido.


O adorno de Papai Noel, pode representar a disposição de negociações internas do tipo Ganha-Ganha, que geram energia para todos envolvidos.


Algumas árvores trazem também um sino que poderia soar como o perdão para as desavenças passadas, naturais sobre as pressões do dia-a-dia, cada vez mais estressante.
E finalmente, acima de toda a árvore, a ponteira. Geralmente a estrela maior, iluminada, resplandecente do potencial de todos colaboradores que dão sentido à árvore organizacional. A ponteira refletiria o brilho das luzes de incentivo e motivação dos colegas e líderes.


Como seria bom se as árvores de Natal não fossem apagadas, dobradas, descartadas ou guardadas por 330 dias por ano...
Será que todos os penduricalhos reluzentes afixados à árvore verde, azul, branca ou amarela, não manteriam acesos o espírito positivo de se dar e querer bem, para uma vida corporativa com mais qualidade - uma empresa boa para se viver?

Feliz Árvore de Natal do Ano Inteiro!

Fonte: uol.com/Roberto Santos

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cartão de Natal


Obrigada a todos vocês, que me honraram com as suas visitas e comentários,
fazendo com que o blog "Paisagens Educacionais" seja um espaço aberto ao convívio de muitas ideias e saberes.
Desejo a todos um Feliz Natal e que o ano de 2010 seja pleno de paz, saúde, felicidade e conquistas.
Natalícia

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

" O processo de Avaliação Institucional"

A proximidade do fim do ano representa, para as mais diferentes áreas, o momento de refletir sobre o ciclo percorrido e fazer projetos para o próximo. Na escola, não é diferente. O término do período letivo traz a oportunidade ao orientador educacional e a todo o grupo de gestão de fazer um levantamento das demandas coletivas, das metas educacionais e das ações necessárias para realizá-las no ano seguinte.
O processo de avaliação institucional, quando bem realizado, permite elucidar os problemas da escola. E toda a comunidade é envolvida na busca de soluções. Existem diversas maneiras de realizar esse trabalho. O número de participantes e a qualidade das relações interpessoais determinam as estratégias mais eficientes. Ele pode ser feito em diferentes espaços e por meios variados (em reuniões de equipe, via internet ou com o uso de questionários ou urnas, quando é preciso que todos se manifestem) e organizado por séries, ciclos ou segmentos.
O essencial nessa ação é criar dispositivos para que todos - alunos, pais, professores, funcionários e gestores - sejam convidados a pensar nos desafios coletivos que a escola enfrenta e se responsabilizar pelas mudanças necessárias para superá-los. Para que a avaliação seja bem-sucedida, é necessário, antes de tudo, focar apenas os assuntos e objetivos institucionais que dizem respeito a toda a comunidade e dividir o trabalho em duas etapas. A primeira delas envolve o levantamento das demandas, isto é, de tudo aquilo que o grupo identifica como sendo um problema que afeta a todos.
Entre os desafios educacionais que exigem tratamento institucional, é comum aparecerem problemas relativos aos trabalhos em grupo dos alunos, ao conselho de classe, à alimentação, à indisciplina, ao bullying, ao uso da internet, à comunicação com os pais e ao sistema de avaliação.
Na segunda fase, faz-se uma análise dos assuntos que preocupam e elege-se pelo menos um grande tema que inclua a parte mais significativa das demandas. Como essa escolha não é fácil, sugiro escolher sempre aquele que mais afetou a aprendizagem durante o ano. Feito isso, os envolvidos precisam se debruçar sobre a questão para identificar formas de solucioná-la ou minimizá-la. Essas atividades demandam reflexões de duas ordens: - A constatação do problema e o levantamento das origens e das consequências.
Uma escola que, por exemplo, tenha definido como uma dificuldade institucional a baixa adesão dos alunos à realização das lições de casa pode começar a se perguntar por que e para quem isso é um problema.
Como esse fenômeno se desenvolve ao longo da escolaridade?
Quando os alunos deixam de fazer as tarefas?
Há um período do ano de maior ou menor produtividade?
Quais as intenções dos professores com as propostas das lições?
Em que momento da rotina o docente anuncia os deveres para os alunos?
Eles são retomados em sala de aula?
Quais as intenções pedagógicas do professor com esses trabalhos?
Qual o sentido que os alunos atribuem às atividades? Existe alguma regra para aplicar a quem faz e a quem não faz as lições?
O que dizem os estudantes que realizam e os que não executam as tarefas?
E os pais, o que pensam?
Como participam? - Definição das ações que visam solucionar a questão e a meta pretendida. Esclarecida a natureza do problema, começa a busca pelas formas de resolvê-lo. Ainda no exemplo das lições de casa, uma possibilidade é propor que elas se tornem um tema das reuniões pedagógicas. Nos encontros, gestores e professores têm oportunidade de investigar os diferentes modelos de tarefa para os alunos e trocar experiências de atividades que envolveram as turmas.
Os gestores podem definir, por exemplo, os princípios que vão orientar a elaboração dos deveres de casa e como ele precisa ser problematizado em sala de aula. O tipo de controle sobre a quantidade e a qualidade dos conteúdos também entra na discussão desse fórum, assim como a relevância de atribuir nota a essas atividades. Nessa dinâmica, a orientação educacional atua junto aos alunos, trazendo uma reflexão: esse o problema é pessoal ou coletivo?
Os pais também devem ser envolvidos, pois podem ajudar na apresentação de soluções. Antes, porém - ainda no exemplo das tarefas de casa -, eles precisam ser ouvidos sobre as dificuldades em regular as atividades das crianças e trazer sugestões.
Certa vez, uma mãe conseguiu que uma organização não-governamental, próxima à escola, montasse um espaço com recursos humanos e tecnológicos para que as crianças que não tinham acompanhamento em casa fizessem as lições na sede da instituição no período da tarde.
Definidas as intervenções, parte-se para a próxima etapa, que consiste em estabelecer coletivamente as metas, assim como os indicadores que apontarão se elas foram ou não alcançadas. Por fim, é importante estabelecer um prazo para que seja possível fazer a verificação do impacto das ações propostas inicialmente. Todo processo de avaliação coletivo é trabalhoso, conflituoso e exige tempo, disposição e muita reflexão. Porém, ao mesmo tempo, ele promete resultados bastante significativos para toda a escola, os alunos e a comunidade.

Fonte: folha Online- Marina Piedade.

" Rede Social de livros Skoob"

Achei muito interessante este espaço, trouxe para vocês conferirem.
Rede social de livros Skoob lança tutorial de uso
da Livraria da Folha
Reprodução

Site permite que você discuta o livro conforme progride com a leitura
A rede social brasileira de amantes de livros Skoob revelou um tutorial para auxiliar os usuários a utilizar esse serviço que facilita a troca de livros entre milhares de leitores.
O site, cujos cadastros de obras e discussões são mantidos pelos próprios usuários, foi criado há cerca de um ano e permite que os entusiastas mantenham uma estante virtual com seus títulos favoritos, facilitando o encontro de leitores com perfis semelhantes.
Veja nossa matéria sobre redes sociais de livros
O tutorial também foi criado por uma usuária e ensina passo a passo como montar um cadastro, adicionar livros, encontrar amigos, colocar fotos, resenhas e muito mais. Veja o tutorial completo clicando aqui.

Fonte: Folha online