sábado, 15 de agosto de 2009

Dignidade no ato de Alfabetizar



Li certa vez um comentário do escritor Rubem Alves sobre um livro e ele citou: “O primeiro ato de domínio exige que o dominado esqueça o seu nome, perca a memória do seu passado, não mais se lembre de sua dignidade, e aceite os nomes que o senhor impõe. A perda da memória é um evento escravizador.” Fiquei por muitas horas com esse pensamento na cabeça.

Percebi o quanto essa afirmativa me incomodava, ao ponto de tentar refletir sobre ela.
Fui durante um bom tempo professora de alfabetização, do Colégio Andrews no Rio de Janeiro. Lá aprendi muito com a minha supervisora e lembro-me dela falando com um imenso prazer à importância de ser alfabetizador. Através dela conheci vários métodos e uma das premissas que levo comigo na minha prática, é a autoria de se construir um trabalho voltado para a dignidade da pessoa e respeito pela autoria do que se pensa e faz.

Assim fui construindo a minha prática. Lógico que hoje posso falar com mais propriedade do que naquela época. Mas nem por isso o trabalho foi menor.

Naquela época iniciávamos a alfabetização com a escrita do nome. Inventávamos todos os tipos de brincadeiras para ser o elo motivador, para que as crianças se envolvessem com a proposta e falassem de suas vidas.

Era um espaço único. Tínhamos tapete vermelho perto de uma estante cheia de livros infantis, onde ficava a disposição pra quem quisesse ler no devido momento. Éramos muito organizados, tudo tinha o momento certo. Lógico que nada era rígido, mas pra nos entendermos sempre tínhamos os combinados que só mudavam conforme a necessidade. Lembrei-me agora do teatro que fizemos: com o roteiro criado por uma aluna, as personagens criadas por eles e com eles (os atores) construíam o cenário. Parecia mais uma fábrica de idéias do que uma escola convencional. E bota convencional (leia-se tradicional) nisso... Portanto, quando era necessário subvertíamos a ordem.

Ao trabalhar o nome das crianças lançávamos a ideia do quanto àquela história era única. O quanto ele era importante pra ser ouvido por todos. Portanto, o nosso tamanho era igual, mesmo quando a fita métrica insistia em dizer que não era verdade. Com isso o companheirismo, a solidariedade, a cumplicidade na construção de um conhecimento acontecia naturalmente.

Éramos tão próximos que a minha autoridade se fazia presente sem maiores esforços. Líamos todos os dias, com freqüência havia um relator de histórias ou um escritor. Aliás, tive vários escritores e que hoje em dia confesso a vocês que são jornalistas.
E para completar a história, digo que são ótimos jornalistas e escritores, vivem da leitura até hoje.

Se a intenção de ter na sala de aula, um espaço de leitura, a convivência diária com os livros e uma boa dose de autoconhecimento, que os ajudaram a escolher a futura profissão, eu não tenho certeza, mas tudo me indica que em muito ajudou.

Portanto, ter uma escola é muito mais do que se ter prédio, carteira e computador. É ser cidadão de sua história, é ter uma história pessoal bem construída e bem resolvida. Se conhecer deve ser uma das condições do ato de ensinar. Não se pode ser adulto sem conhecer a criança que existe em você. A responsabilidade de tornar a sua vida profissional expressiva depende exclusivamente da imagem que você possui de você mesmo.

A criança recupera facilmente um erro, mas uma frustração é algo doloroso e que não deve fazer parte do repertório de atividades da escola.

Quando vejo algum professor falar de seu aluno de forma a diminuí-lo, sinto revolta da falta de clareza do mesmo. Não nascemos “estrelas”, nos tornamos “estrelas”. Cada professor tem por finalidade em sua educação, torná-lo um cidadão, completo no seu desejo de se tornar um indivíduo único e introduzir na pauta de trabalho a consciência que todas as pessoas, estão aptas a exercerem sua cidadania. O que se tem a fazer é ajudá-lo a recuperar o verdadeiro sentido da vida. Essa é a condição indispensável para que a criança possa reconhecer a paisagem social em que está inserida e possa ser capaz de fazer a sua leitura e principalmente, possa situar-se nela como alguém que tem deveres e direitos, como alguém que pode atuar sobre essa realidade, contribuindo para mantê-la ou transformá-la.

Nessa sala havia autonomia. Havia muita felicidade pelo que éramos. Sinto saudades das histórias, talvez por não ouvir mais as verdades que elas continham. E podem acreditar que são muitas...

Mas... Sinto-me também confortável aos vê-los doutores de palavras e dignos do que pensam e fazem.
A eles a minha eterna gratidão por fazer parte de suas vidas

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A escola pode ser legal


Hoje vamos conversar sobre uma escola legal... Antes, procuro refletir o que significa na língua portuguesa a palavra “legal” que é muito utilizada por todos nós.
Esta representa em nosso cotidiano, algo interessante, bom, bonito... “Legal” passou a ser um adjetivo que tenta expressar sempre algo positivo.
Ao buscar o significado da palavra legal no dicionário, encontramos muitas definições e algumas delas são: legal - amável, compreensivo (uma professora legal), interessante, curioso (uma dica legal), justo (uma decisão justa).

Assim, lembro-me de quando criança sempre me referir à escola de meus sonhos como sendo uma escola legal. Não me surpreendo quando vejo que em minha vida e provavelmente na de muitos que conheço; de se referir a uma escola legal, declarando alto e em bom som que passaram por uma “professora legal”. Essa para mim é a melhor definição!

E o quadro que vejo dessa época são as lembranças dos incentivos que tive, e por incrível que pareça eles sempre vieram dos professores vinculados a artes plásticas e outras tantas lembranças eram da merenda, lembrança agradável ao sentir os sabores. Parece que tudo era mais gostoso. E mais tarde lembro-me daqueles que trabalhavam na cantina. Sempre gostei de ouvi-los, eles possuíam as melhores histórias. Conheciam a escola de uma forma lúdica e muito criativa.

Mas, afinal o que significa uma escola legal? Com certeza significa que na vivência escolar os dois significados da palavra legal caminham juntos. Esta se reporta a uma educação de qualidade e amparada pela lei (legal) nacional.

A educação no espaço escolar deve discutir qual a concepção de escola em que acreditam. Essa concepção está refletida em seu projeto político pedagógico, como construção de uma filosofia de trabalho. Esta definição de educação traz um grande avanço para a cidadania, quando a educação passa a ser um direito de todos. A atual Constituição também chamada de “Constituição Cidadã”, pelos seus avanços nos direitos do cidadão, dispõe de um capítulo intitulado “Da Educação, da Cultura e do Desporto” no qual a seção I é destinada à educação (art. 205 ao art. 213)”.

Nela educação é definida como “(...) dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tendo por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (art. 2º).

Assim, percebemos que legalmente educação é responsabilidade de todos e que é necessária à estreita relação entre Estado, sendo representado pela escola pública e a família.

Mas, compreender os avanços educacionais passa pela percepção que tenho do que seja uma escola “legal”. Parece que temos que unir esforços para ampliar essa concepção, que passa pelos diferentes atores: pais, alunos, professores e comunidade. Um dos principais componente desse cenário, os pais necessita ser ouvido, para atendermos o que eles esperam da escola e quais os princípios e valores que norteiam a educação que se quer implantar.

Hoje, entendemos que muitos professores acreditam que é fundamental a participação da família na construção de uma escola de qualidade e com muita responsabilidade construir o melhor currículo para essa comunidade.

Só assim compreendo que uma escola legal, tem o compromisso no Amor e na escolha de todos que assumiram essa profissão, construindo com os seus parceiros uma sociedade democrática.

Com certeza o caminho é longo, percorrer os caminhos viáveis, independente que uma legislação venha nos autorizar e sim de vontade política. E com certeza entender melhor a infância e suas etapas de desenvolvimento humano, vem contribuir em um maior compromisso e responsabilidade de todos que participam desse processo.

Vejo que no cenário educacional quando relatamos uma escola legal, sempre nos vem à mente uma sala de aula confortável, com uma aula agradável e bons professores. É inegável que o conforto nos trás um bem enorme, porém nenhum avanço "tecnológico" irá substituir o contato humano entre professor x aluno. O maior conforto e segurança que um professor consegue construir no seu trabalho diário; é o de conhecer e reconhecer o seu aluno como um indivíduo único. É daí que nasce a verdadeira escola legal, esta se vê em construção e com uma identidade própria.

Por mais que avancemos a escola guarda em si o mistério, a curiosidade de ser um espaço de idéias e ideais, onde guardamos o nosso maior patrimônio- o conhecimento. Ainda não existe um lugar mais confortável que este, que democraticamente evolui o pensamento educacional. Portanto, a escola permanece a despeito de tudo e de todos, no rol dos livros técnicos, sendo descoberta e construída por diferentes pensadores o que seja uma escola legal.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A escola e a diversidade ambiental


Tenho lido diferentes assuntos, mas sempre leio assuntos relativos ao Meio-Ambiente. Como trabalho em educação, este tema é discutido no ambiente escolar, mesmo que seja por um período, volta e meia recebemos orientações de como trabalhar assuntos como: mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar e diversidade étnico-racial, que em 2003 reconheceu a importância da Lei 10.639, que torna obrigatória o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas do Brasil, no ensino fundamental e médio. Apesar da obrigatoriedade, ressalvo que ainda estamos longe de tratar o assunto com a importância que merece.

O Brasil possui um perfil que demonstra que a nossa sociedade é plural, composta por uma grande diversidade de povos e culturas, mas também é marcada por uma enorme desigualdade social, entre brancos, negros e indígenas. Uma grande parte da população brasileira está às margens da sociedade, sem direito ao pleno acesso à cidadania.

Mas existem movimentos sociais, como o movimento negro e o indígena, que têm exigido o reconhecimento e a valorização de sua identidade, da sua história e cultura. O grande desafio que o Brasil apresenta hoje é a garantia de condições para que a diversidade étnico-racial e a igualdade social sejam partes cotidianas de toda uma sociedade emergente.

Existem hoje no Brasil por volta de 440 mil indígenas, organizados em 220 etnias, que falam cerca de 180 diferentes línguas. Eles representam agora apenas 0,24% da população brasileira. É importante que seja assegurado, que os povos indígenas possam manter o seu modo de vida, tradições, formas de organização, que possam falar a sua própria língua, administrar suas terras e decidir de que maneira querem educar suas crianças e jovens. E é importante que participem do desenvolvimento político, social, econômico e cultural do Brasil.

Isto tudo depende, principalmente, de que cada comunidade indígena tenha o seu território tradicionalmente ocupado demarcado como seu. São reconhecidas que terras cultivadas, terras que são ocupadas e os recursos naturais, são territórios indígenas, estas terras são reconhecidas pela Constituição Brasileira, portanto ninguém pode usá-la a não ser os próprios. Para se ter uma idéia, existem 2.228 escolas indígenas cadastradas pelo Censo de 2004, fora outras não cadastradas.

O que se pode tirar dessa realidade é que o Brasil é um País que as cidades cresceram muito, mas ainda 1/5 da população mora fora das zonas urbanas. São os povos da floresta, da pecuária, das minas, da agricultura, os pesqueiros, caipiras, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas entre outros. A educação nessas comunidades deve ser diferenciada e deve ajudar a preservar a memória, atender às necessidades do presente e ajudar a construir o futuro que cada uma deseja.
Hoje em dia sabemos que as teorias sobre as raças estavam erradas e que os seres humanos pertencem todos à mesma espécie- a raça humana.

O que percebo é que poucos sabem e pouco é debatido nas escolas é o acordo internacional que orienta os estudos e debates sobre a diversidade étnico-racial, que é a Declaração de Durban, assinada durante a III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada pela ONU, na áfrica do Sul, em 2001.
Nessa Conferência participaram diversos movimentos sociais defensores da igualdade étnico-racial, como o movimento negro. O Brasil apresentou um programa de ação afirmativa, que tem o propósito de diminuir a desigualdade social existente entre os grupos étnico- raciais.
Para se ter idéia a Declaração de Durban teve enorme repercussão e a mesma deve fazer parte de leitura obrigatória nas escolas quando se quiser falar sobre diversidade étnico-racial. Esta é uma das afirmativas em seu documento: “Todos os povos e indivíduos constituem uma única família humana, rica em sua diversidade”.

Muito daquilo que sabemos do mundo chega até nós pelos meios de comunicação, seja revistas ou outros instrumentos. Então, é importante observar de que modo as minorias estão sendo retratadas na mídia. Esse olhar muda e muito a nossa avaliação.

Por outro lado, podemos usar esses meios para mostrar a nossa realidade, o jeito como vivemos, pois é assim que a gente conhece e reconhece a diversidade, e passa a entender e respeitar outros modos de vida.

A responsabilidade de tratarmos desses assuntos no espaço escolar passa pelo respeito à diversidade que deve compartilhar o permanente diálogo na comunidade e na sociedade.
Existem organizações sociais e governamentais que tratam desse tema e a presença da criança, do jovem e do adolescente ajuda a pensar e definir como será futuro que queremos.

Outro assunto muito relevante e complementar trata das questões referentes a segurança alimentar e nutricional que em breve iremos conversar.




domingo, 9 de agosto de 2009

O que há de errado com seu pai?


Alguém já disse: “é importante gastar menos tempo
com a nossa aparência e mais tempo com como nós vemos”?
Se não, alguém deveria.

Carmen Richardson Rutlen


Eu estava no ginásio antes de perceber que meu pai tinha um defeito de nascença. Ele tinha lábio leporino e fenda palatina, mas, para mim, continuava com a mesma aparência que tinha no dia em que nasci. Lembro-me de dar-lhe um beijo de boa noite certa vez, quando eu era pequena, e perguntar se meu nariz ficaria chato depois de uma vida inteira dando beijos. Ele me assegurou que isso não aconteceria, mas me recordo de um tremor em seus olhos. Tenho certeza de que ele estava assombrado por ter uma filha que o amava tanto, que pensava que seus beijos, não trinta e três cirurgias, haviam remodelado seu rosto.

Meu pai era gentil, paciente, atencioso e amoroso. Ele nunca encontrou uma pessoa na qual não pudesse vislumbrar qualidades. Sabia o primeiro nome de serventes, secretárias e diretores. Na verdade, acho que ele gostava mais dos serventes. Sempre perguntava sobre suas famílias, sobre quem eles achavam que iria ganhar o campeonato de futebol e sobre como andava a vida. Preocupava-se o suficiente para escutar suas respostas e lembrar-se delas.

Papai nunca deixou que sua deformação comandasse sua vida. Quando foi considerado muito feio para trabalhar com vendas, começou a fazer entregas de bicicleta e criou sua própria clientela. Quando o exército não permitiu que ele se alistasse, ele se ofereceu como voluntário. Chegou até mesmo a convidar uma Miss América para sair, uma vez.
- Se você não perguntar, nunca vai saber- disse-me mais tarde.

Raramente falava ao telefone, pois as pessoas tinham dificuldades para entendê-lo. Quando o encontravam pessoalmente, com sua atitude positiva e sorriso fácil, pareciam não levar sua deficiência em consideração. Casou-se com uma linda mulher e tiveram sete crianças saudáveis, que achavam, todas, que o sol e a lua nasciam em seu rosto.

Quando eu era uma “adolescente sofisticada”, entretanto, mal tolerava estar no mesmo aposento com este homem que, durante uma década, me aturou enquanto eu o observava fazendo a barba todas as manhãs. Meus amigos eram chiques, na moda e populares; meu pai era velho e ultrapassado.

Numa noite eu cheguei com o carro cheio de amigos e paramos na minha casa para fazer um lanche de madrugada. Meu pai saiu de seu quarto e cumprimentou meus amigos, servindo refrigerantes e fazendo pipoca. Um de meus amigos me puxou para o lado e me perguntou:
- O que há de errado com seu pai?

De repente, olhei através da cozinha e o vi pela primeira vez com olhos imparciais. Fiquei chocada. Meu pai era um monstro! Fiz com que todos saíssem imediatamente e levei-os para casa. Senti-me tão idiota. Como podia ter deixado de ver?
Mais tarde, naquela noite, eu chorei, não porque percebi que meu pai era diferente, mas porque percebi que pessoa fútil e patética eu estava me tornando. Ali estava a pessoa mais doce e carinhosa que você poderia pedir e eu o havia julgado por sua aparência.

Naquela noite eu aprendi que, quando você ama totalmente alguém e então a vê através dos olhos da ignorância, do medo ou do desprezo, começa a entender a profundidade do preconceito.Eu havia visto meu pai como os estranhos o viam, como alguém diferente, deformado e anormal. Sem me lembrar que ele era uma boa pessoa que amava sua esposa, seus filhos e seus semelhantes. Ele tinha alegrias e tristezas e já vivera uma vida inteira sendo julgado pelas pessoas por sua aparência. Fiquei grata por tê-lo conhecido primeiro, antes que as pessoas me mostrassem seus defeitos.

Papai já se foi. Empatia, compaixão e preocupação pelo próximo são o legado que ele me deixou. São os maiores presentes que os pais podem dar a um filho- a capacidade de amar os outros sem considerar sua posição social, raça, religião ou incapacidades físicas, mas os dons da perseverança positiva e do otimismo. O sublime objetivo de ser tão amorosa em minha vida que receba beijos o bastante para que meu nariz fique chato.


Carol Darnell

Fonte: Histórias para Aquecer o Coração



sábado, 8 de agosto de 2009

Educar nos dias dos Pais




O dia em que se comemora o dia dos pais é considerado mais uma data convencionalmente programada pela sociedade para um crescente consumo de presentes. Com essa idéia em mente, a escola refaz o seu percurso e tenta burlar as convenções criando uma nova abordagem sobre o assunto.

Entre as décadas de 70 a 90 era comum se ter atividades de artes plásticas no intuito de criarmos presentinhos para serem dados nessa ocasião, em nome dessa data comemorativa. Entretanto, novas abordagens filosóficas foram surgindo e com elas novas formas de atingirmos esse mesmo objetivo.

Com o avanço das tecnologias e de técnicas de consumo desenfreada, passou a se priorizar nessa data o consumo, principalmente presentes comprados em uma grande rede de lojas. Com isso, a prioridade de se ter uma comemoração em família, onde se curtisse um momento de afeto, com o passar dos anos ficou cada vez mais escasso.

Antigamente ser pai, era se falar de uma paternidade assumida e geralmente consensual onde o papel do pai era primordialmente ser o provedor da família. Talvez seja aí que se tenha criado a grande distorção de idéias, onde o fato de comemorarmos o dia dos pais tivesse que ser comemorado dando presente, isto é, demonstrando todo o nosso reconhecimento de paternidade “compactuando” com a idéia de que tínhamos algo a pagar, portanto, pagamos dando um presentinho nesse dia.
Hoje em dia, as escolas fogem desse padrão, mas pouco fez de criativo para substituir essas atividades.

O que me chamou a atenção é o formato da família, que com o tempo ganhou novas formas, tão diferentes ao ponto de ser extinto essa festividade na escola, devido a não se ter mais a família considerada “padrão”. Hoje se falar de família nas escolas e principalmente de pai é algo que no mínimo requer um estudo profundo de sua comunidade escolar. A equipe da escola terá que estar muito bem afinidade com os objetivos que se quer traçar e alcançar com essa atividade, porque senão enfrentará com situações bastantes constrangedoras. A escola para enfrentar essa realidade resolveu ser prática, adotando a idéia de que hoje é extremamente retrógrada o fato de se comemorar os dias dos pais.

No entanto, tenta deslumbrar a idéia quando trabalha no contexto mais amplo, a família, alegando que assim dilui um pouco a idéia de ser uma festa para o pai. Uma vez que só se é pai, dentro de um contexto familiar, numa visão conservadora, então, volta-se a questionar qual é o papel do “pai perfeito”. O que é ser pai na sociedade contemporânea. O que te faz enquanto gênero ser um pai eficiente, amoroso e responsável?
E tem mais... Comemoramos dia das mães, será se não é a mesma coisa? Não sei da onde surgiu essa separação, mas entendo que qualquer atividade que gere um consumo de idéias e padrões, passa pelos mesmos referenciais, isto é, de privilegiar uma sociedade "democrática" e consumista.

Essas famílias constituídas dentro dessa visão, dentro de um padrão de muitas informações e divergências em seu papel, me parecem que o que ficou de primordial foi à função que o pai exerce enquanto protetor de sua espécie. Podemos ter ganhado em muitas dessas funções, mas a mais segura de todas é a idéia de proteção, cuidado, de doação de um amor incondicional que temos na paternidade.

Espero que com o passar dos tempos, nada consiga descontruir a idéia de paternidade, pois é dela que ainda tiramos um referencial saudável do que seja viver e conviver em família. Se permitirmos jogá-la fora, será um erro a mais, que nem os avanços tecnológicos darão conta da frustração de não se ter o que oferecer a uma convivência humana.
Não acredito em bebês biônicos, de pais pasteurizados e nem mães geneticamente formadas com o objetivo de uma produção independente. Acredito que os avanços tecnológicos são e devem ser reconhecidos como algo a gerar facilidades, principalmente para aqueles que não conseguem ser pais naturalmente. Outra estratégia é a possibilidade de uma adoção.
Ainda não existe nenhuma fórmula que possa substituir a função da família na crianção de uma criança, independente de qual "formato" essa família faça parte. A relação humana ainda passa pela construção do vínculo, da amorosidade, da cumplicidade de afeto entre dois seres com o mesmo objetivo.
Não é à toa que sofremos quando vemos as famílias se desestruturando em busca de novas oportunidades de ser feliz. O que julgo ainda ser uma aspiração comum é a formação de uma família, constituída por pessoas comprometidas por ideais e humanamente saudável ao censo comum.

Não cabe aqui nenhum julgamento de valor, uma vez que não descarto a possibilidade de novos paradigmas. Apenas, acredito que uma boa formação em família ainda é à base de tudo.

Assim, para aqueles que estão em processo, ainda há tempo de pensar na sua nova família e para aqueles que já são pais, curtam muito os seus filhos em todas as idades. O tempo passa rápido, assim como as idéias avançam em busca de novas referencias.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Educar e Aprender com crianças de 1 a 5 anos

Já passei da fase de brincar de palhaço, de subir em árvores e brincar de pique-esconde. Mas não posso negar que é uma fase maravilhosa. Agora, talvez esteja no momento de lembrar com saudades e quem sabe curtir um pouco mais a frente quando eu for avó. Tudo é possível. Educar com sensibilidade e carinho sempre é um aprendizado.

A curiosidade é muita nas crianças de 1 a 5 anos. O melhor é previnir!

A faixa de idade de um a cinco anos necessita de muitos cuidados.Quando a criança começa a aprender a fazer suas atividades por si só, acabamos perdendo de vista certos perigos. Nesse período em que começa a andar, seu aprendizado e curiosidade aumentam, gerando os acidentes mais comuns: quedas, queimaduras, engasgos e choque elétrico.
Alguns são mais fáceis de prevenir. Outros se tornam difíceis de evitar, considerando a freqüência com que acontecem. Um exemplo são as quedas. Elas até são incorporadas como parte do aprendizado da criança. Até que firme seu andar, ou se sinta segura para correr e andar de bicicleta ou patins, isso ocorrerá tantas vezes que é quase impossível prevenir as quedas mais graves.
A criança necessita passar por determinadas situações no seu aprendizado. Acompanhe de perto esses momentos, para conhecer o limite entre o corriqueiro e o anormal, e evitar acidentes e dor desnecessária.

Para evitar quedas:

1- Se a casa tiver varanda, é preciso que essa varanda seja protegida por grades de altura segura.
2- Em casas que têm escadas o cuidado deve ser redobrado. É recomendado o uso de grades que impeçam a passagem da criança para a escada. Assim, só o adulto poderá permitir o acesso a ela.
3- Quando a criança começar a andar de bicicleta ou outros brinquedos de rotina, é indispensável o uso de equipamentos de proteção como capacete, joelheira e cotoveleira.
4- Observa-se sempre que for a locais públicos, clubes aquáticos e praias. Fique sempre por perto para a criança não se afogue nem caia de algum dos brinquedos.

Para evitar queimadura

1- Deixe o cabo das panelas virado para o lado de dentro do fogão. Assim, se a criança tentar alcançar uma panela, não correrá o risco de derrubá-la sobre si mesma. Acidentes gravíssimos são evitados tomando esse tipo de precaução.
2- Verifique sempre a temperatura da água do chuveiro antes que a criança entre no banho.

Para evitar engasgo

Algumas mães costumam deixar nas mãos da criança algum tipo de alimento como bolacha ou uma fruta. Assim ela para de chorar . Mas a criança ainda não tem bem definida a noção de tamanho e , às vezes, tenta por tudo de uma vez na boca. Outra situação é a da criança que chega à fase em que deseja comer sozinha. Isso aumenta o risco do engasgo. Para prevenir:

1- Dê você mesmo as refeições no horário certo. Não deixe pedaços de alimentos nas mãos da criança. Assim você poderá também cultivar o hábito saudável da alimentação em horários regulares.
2- Se optar por deixar seu filho tentar se alimentar sozinho, monitore o tempo todo.
3- Deixe fora do alcance da criança todo objeto pontiagudo ou pequeno demais, para que ela não se fira nem tente engolir.
4- Coloque protetores de gaveta para evitar que sejam facilmente abertas. Assim a criança não corre o risco de pegar algum objeto perigoso.

Para evitar choque elétrico

Com a curiosidade a mil, a criança vai por si só tentar descobrir o mundo ao seu redor. Tudo é novo. Normalmente, ela usa a boca e os dedos para isso. Se algumas medidas não forem tomadas, muitos choques irão acontecer.

1- Coloque protetores nas tomadas.
2- Não deixe fios elétricos desencapados ou plugues de tomadas conectados à rede elétrica.

Aqui estão algumas dicas, uma pequena fala sobre o assunto, visto que o mesmo é grande e de muito interresse. Espero ter contribuído para sua leitura.


Fonte: Cuidando de crianças na educação infantil, catálogo 1-5.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

História do Palhaço





" Se você tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer verdades, teria ouvido muitas verdades que insisto em dizer brincando... Falei, muitas vezes, como um palhaço, mas nunca desacreditei da seriedade da platéia que sorria".
Autor: Desconheço


A HISTÓRIA DO PALHAÇO

Os palhaços são conhecidos há aproximadamente quatro mil anos, mas a verdade, é que desde sempre, e através dos tempos, inúmeras pessoas dedicaram-se à arte de fazer rir.
O Palhaço no Oriente
Nas cortes dos imperadores chineses os palhaços adquiriram importante papel, podendo inclusive fazer com que o imperador muda-se de idéia em suas decisões. Por mais de mil anos, em várias partes do Oriente (como Malásia, Burma e o Sudeste da Ásia) os palhaços apareciam em teatros, mesmo em representações religiosas; eram conhecidos como “Lubyet” (homens frívolos), os palhaços e atuavam como desastrosos assistentes dos personagens príncipes e princesas.
Na Malásia os palhaços se chamavam “P'rang” e usavam horrendas máscaras de bochechas e sobrancelhas enormes, cores carregadas e um grande turbante, criando uma figura pavorosa.
Alguns dos melhores palhaços asiáticos vêm de Bali; os personagens mais populares e que ainda se pode ver são os irmãos Penasar e Kartala. O primeiro palhaço aparece sempre preocupado e angustiado, e nunca deixa de comportar-se bem; o segundo palhaço não faz nada do jeito certo, senão tudo ao contrário.
O Palhaço na Grécia e Roma
A história no palhaço na antiga Grécia existe a mais de 2.000 anos, os palhaços faziam parte das comédias teatrais. Após a apresentação de tragédias sérias, os palhaços davam sua própria versão do fato, onde os heróis apareciam como idiotas perante o palhaço. Seu alvo preferido era Hércules, mostrando que suas façanhas aconteciam mais pelo acaso do que intencionalmente.
Também na antiga Roma existiam diversas classes de palhaços; Um palhaço era Cicirro, que se caracterizava com uma máscara de cabeça de galo e cacarejava movendo os braços como asas, e o outro palhaço era Estúpido, com gorro pontiagudo e roupa de retalhos. Os outros atores aparentavam estar enojados e batiam nos dois palhaços causando ainda mais riso entre o público.
O Palhaço na Idade Média
Já no início da Idade Média, com os teatros fechados, artistas perambulavam por toda parte para atuar onde pudessem, para sobreviver, participando de feiras em várias regiões. Na Alemanha e na Escandinávia os palhaços eram conhecidos como “gleemen”, e na França, “jongleurs” (malabaristas). Os palhaços contavam contos, cantavam baladas, eram músicos, malabaristas, mímicos, acrobatas, equilibristas e toda sorte de artistas. Em épocas mais festivas, grupos de mímicos e palhaços apresentavam danças e comédias nessas feiras. Nesses grupos, depois dos bailarinos, os personagens mais importantes eram os palhaços, que levavam uma bola atada por um barbante, com o qual iam batendo nos espectadores, a fim de abrir espaço para a atuação dos mímicos e dos próprios palhaços. Com freqüência levava uma vassoura para varrer as pessoas do local gritando: "Espaço! Espaço! Preciso de espaço para recitar minhas trovas!". As palhaçadas eram, nessa época, mais importantes do que a própria história que se apresentava.
Foi também na Idade Média que surgiu a figura do bufão, ou “bobo da corte” (palhaço da corte); alguns eram realmente “bobos”, mas a maior parte era formada por palhaços inteligentes que se faziam de estúpidos para alegrar as pessoas com a arte do palhaço.
Na Alemanha, os palhaços eram chamados de “alegres conselheiros”, pois, em suas agudas observações, cada palhaço incluía bons conselhos.
Ainda durante a Idade Média os palhaços atuaram nos teatros pouco a pouco “re-abertos”, principalmente em comédias religiosas, representando o “diabo”, os “vícios”, a estupidez e o mal. Muitas vezes o narrador era um palhaço que mantinha a platéia entretida, atenta, e explicava melhor a história. Cada vez mais o papel do palhaço foi se tornando mais importante, ressaltando os contrastes, até que William Shakespeare mostrou que o palhaço podia não só fazer rir, como fazer chorar, e tornar ainda mais dramáticas as cenas trágicas de uma obra, os palhaços passaram a ser tão importantes, nessas representações, quanto os atores sérios de grandes clássicos do teatro.
O Palhaço na Commedia Dell'Arte
No século XVI, na Itália, surge a “Comédia de Arte”, com companhias e personagens que se tornaram muito populares.
Cada um vinha de uma região diferente da Itália e tinham características marcantes que os tornavam facilmente reconhecíveis. É o caso do Arlequim, com sua roupa de retalhos; o Pantaleão, veneziano, e de vermelho; Briguela, de branco e verde; Polichinelo, de branco e gorro pontiagudo; o Doutor, de negro e o Capitão, com sotaque espanhol e roupas militares. Esses personagens tinham características muito definidas e seus papéis eram quase sempre os mesmos e se tornaram tão famosos que os atores eram mais conhecidos pelos personagens que interpretavam do que por seus próprios nomes.
Da Itália, a Commedia Dell''Arte se estendeu por toda a Europa, adaptando-se a cada país, como na Inglaterra, onde, por exemplo, Pulcinella se tornou Mister Punch, personagem conhecido até os dias atuais, ou o Pierrot, transformado em “clown” (palhaço), sendo que o mais famoso foi Grimaldi, nascido em 1778.
Os palhaços e os primeiros circos
O circo moderno parece ter surgido a partir de 1766, criado por um jovem sargento, chamado Philip Astley. Primeiro, a princípio o circo era formado com atrações eqüestres e logo, enriquecendo as performances com artistas mambembes e atrações mais divertidas para mesclar com as exibições de equitação. O palhaço mais importante foi “Mr. Merryman”, que atuava a cavalo.
Com o tempo mais atrações foram sendo incluídas no circo, surge o palhaço “branco”, ou “clown”, palhaço vestido ricamente com lantejoulas e gorro pontiagudo, cara branca e pouca maquiagem; o palhaço “augusto”, tonto, desajeitado e extravagante; o palhaço “toni” e o palhaço “excêntrico”, arquétipos de palhaços que iam colaborando para que a gargalhada corresse solta no circo.
Vários números de palhaços no circo, eram conhecidos como “entradas de palhaços”, se tornaram clássicos circenses, como “O Espelho Quebrado”, “Hamlet”, “A Água”, “A Estátua”, “O Barbeiro de Sevilha”, etc. E podem ser vistos ainda hoje nos números de palhaços em grandes circos. Outra maneira do palhaço participar dos espetáculos circenses é através das “reprises de palhaço”, pequenas cenas de palhaços que acontecem enquanto se prepara a parafernália de um novo número no circo (como preparar as jaulas, o trapézio, etc.). No início do século XIX outra participação importante dos palhaços no circo se dava na segunda metade do espetáculo, quando estes apresentavam uma “pantomima” cômica, um pequeno espetáculo de cunho teatral, dentro do espetáculo circense, muitas vezes baseado em clássicos da dramaturgia e da literatura mundial.
O palhaço era, até pouco tempo, o principal personagem de um circo, sendo uma honra ao palhaço ocupar esse papel tão importante a todos os circos. Geralmente, os palhaços são habilidosos em alguma arte, muitos são grandes acrobatas, músicos, malabaristas, domadores, bailarinos, piadistas, cantores, equilibristas, atores, mímicos, enfim grandes artistas de circo.
Hoje em dia os palhaços ocupam espaço não só nos circos, estão presentes nas ruas, nos teatros, na televisão, no cinema, eventos, enfim, em vários e infinitos espaços e, se um dia, descobrirmos vida em outros planetas, descobriremos, também, novas formas de fazer rir, pois, dentro do mais íntimo de todos os mundos, existe, reluzindo o riso, o Mundo do Nariz Vermelho, o Mundo do Palhaço.
Fonte: site O Malabarista

"O sorriso é o idioma universal."
(José Wladimir Klein)



terça-feira, 4 de agosto de 2009



Nesse momento, quem pode fazer a diferença é Você! Quando for votar pense bem, qual é a sociedade que você deseja. Qual é o cidadão que você quer formar...Que tipo de sustentabilidade você acredita! Eu posso mudar e Você também!

Postado: jornal Zero Horas

sábado, 1 de agosto de 2009

Mudança na Lei de Adoção e no ECA agilizam adoções


As mudanças na Lei Nacional de Adoção combinadas com as adequações no Estatuto da Criança e do Adolescente devem agilizar a adoção de crianças no Brasil. A avaliação é do vice-presidente de Assuntos da Infância e da Juventude da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Francisco de Oliveira Neto. As duas alterações legislativas foram aprovadas esta semana pelo Senado e seguem para sanção presidencial.
“Essa lei e a alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente são questões importantes para agilizar a adoção de crianças e adolescentes do país e fazer, também, com que as crianças que estão em abrigos retornem mais rápido para as suas famílias, quando há condições para isso”, afirmou Oliveira Neto, em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional.
Para o relator da matéria no Senado, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), a nova legislação “desburocratiza o processo, garante proteção integral à criança e ao adolescente e mostra que existem possibilidades de horizontes diferentes de adoção”. A adoção de crianças poderá ser feita agora por maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, e, no caso de adoção conjunta, os adotantes deverão ser casados civilmente ou manter união estável. Também está prevista a criação de cadastro nacional e estaduais de crianças e adolescentes em condições de serem adotados, bem como de pessoas ou casais habilitados à adoção.
“A grande função [do cadastro] é potencializar as possibilidades de quem quer adotar e da criança a ser adotada. Ele é o mecanismo para se fazer a verificação através de um sistema informatizado”, explicou Oliveira Neto. As pessoas ou casais residentes fora do país interessados em adotar também serão cadastrados. Mas, em respeito à Convenção de Haia, a adoção internacional será possível somente em última hipótese. A preferência será, pela ordem, das adotantes nacionais e de brasileiros residentes no exterior.
Entre as mudanças na lei atual está a definição do conceito de família ampla, com maior empenho na permanência dos menores na família original ou com parentes próximos — avós, tios e primos. O tempo de permanência nos abrigos será reduzido a, no máximo, dois anos, preferencialmente em endereço próximo ao da família.
Existem atualmente no país 22 mil candidatos no cadastro nacional de pais adotantes e duas mil crianças à espera de adoção, de acordo com a Agência Brasil. Uma reclamação comum diz respeito a um suposto excesso de burocracia no processo de adoção.
Francisco de Oliveira Neto discorda. “O Judiciário quer conhecer a pessoa que quer adotar, saber as características dela. Isso não é burocracia. Se submeter a uma avaliação é o mínimo que o Poder Judiciário pode exigir para entregar a criança com a certeza de que ela não vai sofrer novo abandono”, argumentou. “Há diálogo no processo. O juiz não faz nada sozinho, ouve assistentes sociais, psicólogos, tem a participação do Ministério Público e de advogados”, acrescentou.
Segundo o juiz, um problema comum é a grande diferença entre o tipo de criança pretendida por quem quer e o tipo de criança disponível para adotar. “Cerca de 80% das pessoas só aceitam adotar crianças com menos de três anos de idade, que representam apenas 7% das crianças disponíveis para a adoção no país”, exemplificou.
Fonte: D.O de 30/07/09 - postado por Mauricio










sexta-feira, 31 de julho de 2009

Enriquecimento Ambiental

O trabalho no zoológico de San Diego (EUA) e está na organização "The Shape of Enrichment", cujo site, aliás, tem várias informações sobre enriquecimento ambiental.

Mas afinal, o que é isto?

Animais em cativeiro vivem em ambientes muito menores daqueles onde estariam originalmente na natureza. Não tem predadores dos quais fugir, nem precisam buscar alimento ou água, pois já está tudo ali, prontinho e disponível para eles. Resultado: a vida deles é um tédio só! Assim, esses animais podem ficar, e geralmente ficam, muito obesos. Além disso podem ficar nervosos e irritados, ou mesmo apáticos com o resto do mundo. Muitos animais desenvolvem o que chamamos "comportamentos estereotipados", como as onças que ficam andando de um lado para o outro, repetidamente. Esses comportamentos não são normais, e não ocorreriam na natureza.

Assim, o enriquecimento ambiental é uma tentativa de tornar a vida destes animais melhor. Existem vários tipos de enriquecimento. Geralmente o primeiro a ser realizado é uma mudança no recinto onde está preso o animal. Galhos e cordas permitem que macacos e aves utilizem melhor o espaço. Alguns animais ganham um local para se esconder se quiserem. Outro tipo de enriquecimento é mudar a alimentação, tornando-a mais próxima do que o animal come na natureza. Ou dificultando o acesso ao alimento, assim o animal precisa "trabalhar" um pouco para consegui-lo. Por exemplo, os biólogos podem esconder o alimento em caixas, oferecer alimento vivo para animais carnívoros (geralmente isso é feito quando o público do zoológico não pode ver) ou até mesmo enterrar a comida. Claro que tudo depende do tipo de animal com que estamos lidando.


Às vezes um simples brinquedo, como caixas de papelão ou pedaços de tecido podem manter um animal distraído - e ativo - por horas a fio. Nem sempre é tão fácil. Como fazer um enriquecimento ambiental para jabutis, por exemplo? Uma vez conheci um biólogo que simplesmente pendurou a saladinha dos jabutis alguns centímetros acima da cabeça deles. Assim eles eram obrigados a erguer ao máximo o pescoço, e demoravam mais para comer. Parece maldade, né? Mas na natureza os animais não conseguem alimento tão facilmente como no zoológico.

Existem muitos tipos de enriquecimento que estão sendo testados nos zoológicos. Não existem receitas prontas, cada recinto é construído de um jeito, e cada animal (mesmo os da mesma espécie) reage de forma diferente aos estímulos. O importante é sempre pensar na segurança deles. É sugerido responder a uma lista de perguntas para avaliar se o enriquecimento escolhido não vai fazer mal ao animal. Há bordas pontiagudas ou ásperas? O objeto ou partes dele podem ser engolidas? O animal pode ficar enroscado no item? O objetivo final sempre é aumentar o bem-estar do animal

Como saber se um animal está realmente feliz? Não é muito simples. Por exemplo, podemos supor que uma ave prefira um recinto bem grande, onde ela possa voar bastante. Mas sabia que nem sempre recintos maiores são melhores? Aves raramente se reproduzem em recintos grandes. Além disso, ao ganhar impulso no vôo, elas podem se machucar ao bater contra as grades, o que não aconteceria em um recinto pequeno.
Existe muita coisa para se falar sobre o assunto. Existe também o enriquecimento ambiental para animais de laboratório e, como não, para animais domésticos... Mas vai ter que ficar para uma próxima vez!


Fonte: Tipos de enriquecimento - Fundação Parque Zoológico de São Paulo