quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O poder das emoções positivas para a saúde física e mental
RIO — Generosidade, solidariedade, gratidão pelo que foi conquistado, alegria por estar perto da família e dos amigos. Da próxima vez em que você for aconselhado a preservar, o ano inteiro, os sentimentos que afloram na época do Natal, procure seguir o conselho. Pesquisas vêm comprovando que emoções positivas fazem bem à saúde física e mental. E, depois da psicologia, é a neurociência que busca entender como isto acontece. O caminho, que já levava aos neurotransmissores serotonina e dopamina, agora aponta para uma nova estrela: o hormônio oxitocina, que também atua como neutransmissor.
— Os cientistas começam a se voltar para estas questões neuropsicológicas e a se interessar pelas vias relacionadas ao bem-estar, importantes para que, num futuro próximo, seja possível desenvolver novas drogas que melhorem a vida das pessoas — diz a cientista Denise Pires de Carvalho, professora titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, e especialista na fisiologia do sistema endocrinológico. — Novas técnicas, como a ressonância magnética nuclear funcional, estão nos ajudando a estudar áreas do cérebro ligadas às emoções.
Um artigo publicado pela Universidade de Harvard cita diversos estudos ligando explosões de fúria recorrentes à atividade anormal da serotonina, responsável pela sensação de prazer. E pesquisas recentes relacionam sentimentos positivos à maior produção de oxitocina, também conhecida como o hormônio do amor e liberada em grandes quantidades nas relações sexuais e durante o parto e a amamentação. Em outra frente, um trabalho divulgado este mês pela Universidade da Concordia, no Canadá, constatou que a oxitocina torna a pessoa mais confiante. Sabe-se ainda que ela pode ser a encarregada de ativar o sistema de recompensa do corpo, estimulando a produção de dopamina, atrelada à sensação de motivação, e diminuindo o nível de estresse. A serotonina regularia todo este mecanismo. O resultado final da equação bons sentimentos mais produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar é um indivíduo mais feliz e menos propenso a doenças como depressão e problemas cardiovasculares.
Na UFRJ, a bióloga Rafaela Campagnoli, doutora em neurofisiologia, acaba de concluir o trabalho "Interação social: modulação neural e comportamental por estímulos pro-sociais", sobre como o cérebro processa imagens de interações sociais positivas. Na pesquisa, um grupo formado por 36 universitários saudáveis, e que não tomavam remédios capazes de afetar o sistema nervoso central, observou 60 fotos, sendo 30 de adultos e crianças interagindo e 30 de pessoas alheias umas às outras, embora estivessem próximas. Enquanto o faziam, suas reações eram medidas por eletroencefalograma e eletromiograma (teste que mede a atividade elétrica dos músculos).
— É fato que os cérebros dos voluntários reagiram diferentemente às imagens de cada grupo. Diante das fotografias com interações sociais positivas, ocorreu aumento da atividade elétrica do cérebro, relacionada às emoções, e do músculo do sorriso espontâneo. Isso quer dizer que elas impactaram mais os voluntários, foram mais relevantes emocionalmente — explica Rafaela.
Enquanto a ciência busca documentar que emoções positivas são sinônimo de mais saúde, o senso comum já tem esta convicção há muito tempo. Pessoas como a dona de casa Ana Lúcia Fraga de 54 anos, que há 11 anos se veste de Papai Noel para alegrar e presentear as crianças da creche Novo Palmares, em Vargem Pequena, dizem se sentir bem ao fazer uma boa ação.
— É sempre uma emoção muito grande, uma energia muito boa. Gosto de ir à creche, ver as crianças brincando, conversar com a presidente da associação local — conta Ana Lúcia. — Continuarei fazendo este trabalho enquanto estiver viva.
Gilberto Ururahy, diretor-médico da Med Rio Check Up, especializado em medicina preventiva, está prestes a lançar um trabalho intitulado “Emoções e doenças", baseado no que observa na clínica, que já realizou 60 mil check ups. Para ele, não há dúvidas de que quem encontra mais motivos para experimentar sensações positivas em sua rotina goza de melhor saúde.
— A prática demonstra isso: um quadro de emoções negativas conduz a depressão e outros males — diz ele. — Um dos grandes avanços da psiquiatria foi identificar que o cortisol (hormônio relacionado ao estresse) elevado e crônico é um caminho natural para a morte. Por outro lado, a emoção positiva é a mola da vida.
Estudos americanos, a maioria feitos por psicólogos, comprovam a relação de sentimentos como gratidão, reconhecimento e satisfação com o que se tem à maior sensação de bem-estar. A budista americana Carolyn Pasternak, que esteve no Brasil para ministrar cursos no Instituto Nyingma, também afirma que uma atitude positiva, inclusive para consigo mesmo, é a chave da saúde.
— Costumamos tentar encontrar a felicidade nas coisas que temos ou podemos ter, nas outras pessoas, em livros. Mas parece que algo continua faltando. É porque procuramos nos lugares errados; temos que aprender a olhar para dentro de nós — diz Carolyn.
Fonte: O Globo
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
15 coisas que serão obsoletas na Educação até 2020
Por webmaster a 21 Dezembro, 2011 · 3 Comentários ....Os próximos 10 anos serão de mudanças profundas na Educação, a todos os níveis. Nada que tenha a ver com a crise que vivemos, mas com a revolução digital que se acelera todos os dias.
Há cerca de um ano, a escritora Shelley Blake-Plock publicou um artigo no seu blogue Teacher 2.0, intitulado, “21 Things That Will Become Obsolete in Education by 2020″. Mais adaptado à realidade portuguesa, selecionei e adaptei 15 tópicos que vão no mesmo sentido. Talvez ajude a ultrapassar a depressão portuguesa de 2012 e 2013. Sem cinismo.
1. Mesas
O século 21 não se encaixa nada em mesas alinhadas. A educação vai reforçar os conceitos baseados em redes de fluxos, colaboração e dinamismo que vão reorganizar o espaço das aprendizagens, tornando obsoletas as filas de mesas e cadeiras características das nossas salas de aula fabris.
2. Laboratórios de Línguas
A aprendizagem de um língua estrangeira vai estar (já está, para quem quiser) à distância de um smartphone. Mais espaço disponível nas escolas.
3. Computadores
As salas de computadores, muitas vezes encostados às paredes, serão como que peças de museu. Os portáteis, tablets, smartphones e outros dispositivos vão limpar os velhos ecrãs, as torres e os emaranhados de fios. Mais espaço.
4. Trabalhos de casa
A educação será pensada e trabalhada 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os limites tradicionais entre a escola e a casa tenderão a desaparecer. Como disse alguém, não precisamos de crianças para irem à escola; precisamos delas para aprenderem mais. A aprendizagem será contínua e em movimento. (ver o ponto 3).
5. Instrução massificada
Nos próximos 10 anos o professor que não souber utilizar a tecnologia para personalizar e diferenciar a aprendizagem dos seus alunos será “carta fora do baralho”. A diferenciação será tão natural como respirar. O professor de massas acabou.
6. Medo da Wikipedia
Wikipedia é a maior força democratizante no mundo actual. Se os professores têm receio em deixar os alunos utilizá-la, está na hora de olhá-la de frente sabendo que com este ou outro nome a Wikipedia vai continuar a crescer exponencialmente. Talvez esteja na hora de cada um também dar o seu contributo.
7. Manuais em papel
Os livros são agradáveis, mas, daqui a dez anos, toda ou quase toda a leitura será feita através de meios digitais.
8. Cadernos, lápis, canetas… papel
Provavelmente não vão acabar, mas com toda a certeza vão diminuir e muito na quantidade. As crianças aprenderão a escrever e a desenhar em dispositivos digitais e a grande maioria dos trabalhos, testes e exames poderão ser feitos da mesma maneira. A floresta agradece. Quem não perceber e se adaptar… desaparece.
9. Pastas
Já hoje, em muitas das nossas escolas, que necessidade têm as crianças e os jovens de andarem com bolsas pesadas às costas com custos associados à sua saúde? Com livros e cadernos digitais… as pastas escolares serão cada vez menos pesadas até desaparecerem. As colunas vertebrais agradecem.
10. Departamentos TIC
Um fim à vista. As TIC não serão uma especialidade. As TIC serão a realidade, as ferramentas essenciais de todos os professores e educadores. Todos os agentes da educação e formação terão competências TIC elevadas. Com a afirmação do “Cloud Computing”, a qualidade e aumento da cobertura sem fios e o acesso via satélite, coisas agora “tão importantes” como software, segurança e conectividade serão coisas do passado.
11. Instituições centralizadas
Os edifícios escolares vão transformar-se em centros de aprendizagem e não em locais onde toda a aprendizagem acontece. Os edifícios serão menores, os horários dos professores e alunos irão mudar para permitir que menos pessoas estejam na escola de uma só vez, abrindo caminho a um ensino mais experimental, vivencial, fora do ambiente escolar.
12. Níveis de ensino
A educação vai tornar-se mais individualizada, abandonado significativamente a estrutura dos níveis de ensino tal como os conhecemos hoje. Os alunos serão associados por interesses, seguindo cada um uma aprendizagem especializada. (ver ponto 5)
13. Escolas e professores “atecnológicos”
Escolas e professores que não utilizem as tecnologias estarão condenados ao fracasso. As primeiras a fechar. Os segundos a mudar de profissão.
14. Normas Curriculares
As normas curriculares actuais integram enormes bloqueios à diferenciação da aprendizagem, imagem de marca da educação do futuro. A raiz da mudança curricular será as escolas do ensino básico como fornecedoras de conteúdos fundamentais e as dos níveis superiores com a oferta de aprendizagens especializadas.
15. Reuniões de pais e professores à noite
As ferramentas já hoje disponíveis para comunicação virtual tornarão as reuniões “físicas” uma raridade. De uma forma ou de outra, os pais vão obrigar a escola a utilizar a tecnologia para comunicar. Não vá. Ligue-se.
Fonte:
http://www.professortic.com/2011/12/15-coisas-que-serao-obsoletas-na-educacao-ate-2020/
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Brigadeiro ganha ares de iguaria e até algumas versões dedicadas ao paladar adulto
Brigadeiro ganha ares de iguaria e até algumas versões dedicadas ao paladar adulto
Aos poucos, brigaderias gourmet conquistam o mercado fluminense
Verdadeira febre em São Paulo, as brigaderias gourmet estão chegando de maneira bem tímida no mercado fluminense. Lojinhas muito charmosas, recheadas com centenas de sabores de brigadeiros, dos tradicionais aos mais exóticos, tornam-se um cantinho especial, em meio ao burburinho do dia a dia das cidades. Para os mais tradicionais, vale a pena conferir a sofisticação que essas empresas trazem ao tão famoso doce. Mas as verdadeiras sensações são as novas roupagens, envolvendo ingredientes de altíssimo nível e as misturas mais inusitadas.
Dessa alquimia proporcionada pela gastronomia não poderia surgir nada diferente. Café, cappuccino, damasco, wasabi, limão siciliano, polpa de frutas frescas, confeitos coloridos, menta, cookies, gengibre, pão de mel, gergelim, pastas de amêndoa, nozes e todos os tipos de castanha fazem parte dos ingredientes utilizados nas receitas; isso, sem contar os sabores etílicos, que envolvem cachaça artesanal, vinho do porto, saquê e outras possibilidades. Para completar, as chefs capricham nas coberturas – toppings – e no tempero dos doces, onde não faltam especiarias.
A Granulado Brigaderia Gourmet, em Icaraí, é a versão niteroiense dessas pequenas joias urbanas. Com uma cozinha de três integrantes – entre elas, a sócia Anna Isabella Leal, as meninas têm que se virar entre a cozinha e os clientes que não param de chegar, seja para buscar uma sobremesa ou um motivo para adoçar o dia. Isabel Maria Vieira é a outra sócia. A administradora é uma das responsáveis pelo clima do ambiente, carregado de brigadeiros para todos os lados: desde a estampa no papel de parede aos potinhos e granulados que cobrem as luminárias da loja.
O cuidado com a decoração, que agora está em clima de Natal, é notória em cada detalhe. Desenvolvido pela arquiteta Helena Bernardo, com iluminação de Widimar Ligeiro, o design da loja tem um toque retrô – unindo madeira com elementos pós-modernos de plástico e metal –, e apela para cores sedutoras. Mas esta não é a principal característica do local, aberto desde outubro e já com clientes cativos.
“As pessoas vêm aqui para degustar. Nossos brigadeiros têm peso e formato em padrão pensado para não enjoar. Queremos que todos possam experimentar vários e voltem sempre atrás de novidade”, avalia Anna que, antes, distribuía seu dom apenas entre amigos e para pequenas vendas.
Isabel diz que não saberia criar novas receitas, mas, em compensação, tornou-se a principal degustadora e incentivadora da marca.
“Sempre quis abrir um negócio e a minha associação à Anna foi maravilhosa. Estamos amando a experiência e não paramos de pensar em novos produtos, novas propostas”, revela Isabel.
No Rio, gourmet já tem três filiais
No Rio, estes doces requintados também já têm nomes certos. A Brigaderia Chic foi a primeira marca criada na região, em janeiro deste ano. Com três filiais abertas – Barra Square Expansão, Barra Shopping e Condado de Cascais – a chef Carolina Sales não quer parar por aí. As duas últimas foram inauguradas no mesmo mês para dar conta de atender a demanda de encomendas.
“Não imaginava que ia dar nisso tudo. A loja do Condado hoje é a minha fábrica. Lá, temos uma cozinha industrial que nos permitiu saltar de 30 mil para 50 mil brigadeiros por mês”, orgulha-se.
A inspiração é tanta que ela tem ideias para novos sabores a cada dia. Além dos mais de 80 brigadeiros, a casa oferece releituras de doces como bolo da vovó, whoopie, brownie e cookie. As apresentações também são muitas: chocolate na bisnaga, fondue e panelinha.
Carolina estava na sua segunda faculdade quando começou a fabricar brigadeiros para vender, em maio do ano passado. Os doces eram comercializados para os amigos, no melhor estilo boca a boca. Veterinária formada, ela cursava Medicina enquanto mantinha um blog chamado “Rosa e Chic”, onde vendia caixinhas, balões para casamentos e maçãs confeitadas, que era o mais próximo de gastronomia que ousava comercializar. O primeiro passo foi criar um segmento “especial” na página, que deslanchou na rede e logo se mostrou uma ótima oportunidade de investimento.
“Quando me interessei e comecei a pesquisar este ramo, descobri que precisaria de inspiração nas lojinhas de São Paulo, já que aqui não havia nada parecido”.
Elizabeth Garber é a mulher dos quiosques. Famosa por seus chocolates, a chocolatièr também resolveu apostar no brigadeiro gourmet, com a “Brigaderia Fashion”. Ludicidade é a alma de seu negócio, que se apresenta como uma carruagem conversível verde recheada desses docinhos requintados dentro de shoppings – Rio Design Barra, Rio Sul e Botafogo Praia Shopping. A ideia surgiu após muitas idas a Paris, onde ela se apaixonou por uma carruagem que vendia macarrons (doce francês recheado).
“Brigadeiróloga” de carteirinha, começou a incluí-los no cardápio da sua outra empresa, mas a demanda era muito grande e não queria mudar o foco da Beth Chocolates. Foi aí que decidiu abrir, com Maria Lucia Seródio, um cantinho só para brigadeiros, com direito a todos os sabores, confeitos e tipos – tem até uma versão diet.
“Os clientes aos poucos ficavam encantados com a textura e os sabores dos nossos brigadeiros porque, por mais que inovássemos com os sabores, nunca fugimos do que realmente é um brigadeiro: leite condensado, chocolate e manteiga de boa qualidade”, explica.
O FLUMINENSE
Natália Klensorgen
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