segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Etiquetas psiquiátricas de trastornos inventados




Belo vídeo para refletirmos sobre os rótulos de exclusão que a sociedade tanto valoriza.
Pense no fato de mudarmos essa concepção, não será criar novas oportunidades para esses jovens?
Natalícia

Antologia Água Escondida - Poesia de amigos- Natalícia


Água Escondida: Livro de Poetas


Há mais de um ano, o site Nitnegócios está disponibilizando, semanalmente, poesias de autores nascidos e/ou radicados nesta Cidade, participantes da antologia ÁGUA ESCONDIDA, organizada por NEIDE BARROS RÊGO. Em dezembro de 1994, ano em que foi publicada, todos os 234 estavam vivos. Passados quinze anos, muitos dos poetas já “se encantaram”. Mesmo assim, suas produções, suas fotos e seus dados biográficos estão sendo divulgados.


A poetisa Gilda Clarice Graça (1960) é a homenageada desta semana. Veja, abaixo o seu poema e seus dados biográficos publicados na página 90 de Água Escondida. Conheça, também, os outros 59 autores homenageados pelo Nitnegócios.



MEMÓRIA



Gilda Clarice Graça



O tempo das conquistas

dobrou a esquina

e eu nem vi.

Onde está o moço inteligente,

construtor de sua vida?

Coisas do passado,

irremediavelmente perdidas.



Estranhos a nós mesmos,

caminhos e passos já não se encontram.

Será a resposta?

Talvez a pergunta

não possa ser repetida

e vamos ter que aguardar

o fim.



Bate à porta

a multidão desconhecida

dos lugares em que vivi.

Será assim?

A dor não tem nome próprio,

mas, se tivesse,

chamar-se-ia Memória.



Antologia Água Escondida (1994). Página: 99



*GILDA CLARICE da Silva Barroso GRAÇA Gonçalves (Niterói, RJ, 28 jul. 1960). Educadora e declamadora. Fez Teatro, Desenho, Pintura e Arquitetura. Aos nove anos já escrevia poemas e contos. Em 1983, fundou, com mais cinco poetas, o Grupo Nós no Sobrado. Poeta premiada em vários concursos. Participou dos livros Di Versos, 1981; Nus Encontramos..., 1983, este último prefaciado por Pedro Nava.



***

Autores já homenageados por nós: Luís Antônio Pimentel (1912), César de Araújo (1943-2006), Abeylard Pereira Gomes (1914-1999), Marcos Almir Madeira (1916-2003), Edmo Rodrigues Lutterbach (1931), Vilmar de Abreu Lassance (1915-2009), Alaôr Eduardo Scisínio (1927-1999), Nemécio Calazans (1918-2002), Neide Barros Rêgo (1938), Wanderlino Teixeira Leite Netto (1943), Luiz Simões (1927-1995), Armando Vaz Teixeira (1921-2007), Lizair Guarino (1930), Moacyr Sacramento (1945), Stelling (1960), Balbina Ferreira (1915), Angela Di Gemesio (1948), Antônio Soares (1933), Alda Corrêa Mendes Moreira (1926-2009), Geir Campos (1924-1999), Ricardo Fagundes (1946), Sergio Caldieri (1952), José Livio Dantas (1934- 2002), André Varella (1975), Gracinha Rego (1947), Paulo Roberto Cecchetti (1948), Aparecida Barreto (1935), Almanir Grego (1909-1997), Osvaldo Pires de Holanda (1921), Leda Mendes Jorge, Marly Prates (1934), Alcir Chácar (1933), Laudyr Neves Bruno (1928), Sália Véra (1938), Mário Monteiro (1907-2000), Marly Medalha (1934-2001), Geraldo Bezerra de Menezes (1915-2002), José Inaldo Alonso (1929), Áurea Maria (1922-2005), Neusa Peçanha (1935), Salammbô Pessoa (1919), Hermoclydes Siqueira Franco (1929), Sávio Soares de Sousa (1924), Sebastião Paulino Campelo (1944), Elenir Moreira Teixeira (1934), Ângelo Longo (1935-1997), Milton Nunes Loureiro (1923), Miguel Coelho (1934-2007, Manita (1922), Lyad de Almeida (1922-2000, Horácio Pacheco (1916-2005), Carlos Tortelly da Costa (1912-2003), Hulda Pinto Rabelo (1923), Beatriz Escórcio Chacon (1948), João Rodrigues de Oliveira (1911-1998), Hermes Santos (1934), Mariney K.R. (1945), Fernando Henriques-Gonçalves (1933) e Franci M. Darigo (1939).


No final desta página, podem ser lidas algumas manifestações sobre Água Escondida.


Para adquirir este livro, ligue para (21) 2714-7435 begin_of_the_skype_highlighting (21) 2714-7435 end_of_the_skype_highlighting ou (21) 2711-2378 begin_of_the_skype_highlighting (21) 2711-2378 end_of_the_skype_highlighting

Para a minha surpresa encontro poesias de personalidades Riobonitenses e dois deles foram meus professores, aqui estão:


BODAS DE RUBI

Angelo Longo



Rubi. As bodas são um marco. Vivo

de um juramento a dois, feito desejo:

– noite maior, estrelas e lençóis;

madrugada menor, aurora ainda.



A cor registra trinta e cinco. Em meio

aos anos de querer, e querer tanto,

teu peito e o meu, tão moços, na distância,

tão perto batem, velhos, mas amantes.



Rubi é sangue, é vida, é testemunho.

Registro rubro, fiel de muitos anos,

amar, amor, não sei, paixão tamanha.



Quero-te agora, ainda, e por eterno:

– mil bodas em que eu goze mil silêncios,

milhões de sons na pedra de um rubi.



para Wilma



Antologia Água Escondida (1994). Página: 37



*ANGELO LONGO (Rio Bonito, RJ, 19 ago. 1935). Professor universitário. Das Academias: Niteroiense de Letras, Fluminense de Letras, Brasileira de Ciências Sociais, Clube de Poesia de Rio Bonito e Cenáculo Fluminense de História e Letras. Publicou: Árvore Adulta, 1966; O Mudinho da Rua da Praia, 1970; Poemas do Corpo Branco, 1974; Sociologia, 1975; Dominação & Mudança, 1985; Ismênia, Ismênia, 1992; O Abolicionismo como Ideologia de Transição, 1993.


A Areia Pequena

Lizair Guarino



Um pedaço de mar,

ondas,

areia

que vai e que vem

sem destino.

Agarra-se à pedra,

chega-se à outra

e cresce

no mar,

que de estrelas

está cheio.

O mar, que se lança

de encontro aos rochedos,

transforma e destrói

a areia pequena,

que brilha e reflete,

por vezes,

um pedaço de lua.

Se lança

tão solta

de lá para cá,

subindo,

descendo

bem fundo.

Lá longe

a lua distante,

bem longe também

pequena,

pequena.

A luz já não chega

à pequena areia,

que vai e que vem...



Antologia Água Escondida (1994). Página: 151



*LIZAIR de Moraes GUARINO (Rio Bonito, RJ). Formada em Direito e Administração. Presidente da Federação Nacional das Sociedades Pestalozzi; da Sociedade Pestalozzi do Estado do Rio de Janeiro; do Conselho Municipal de Apoio às Pessoas Deficientes e Programas de Conduta, entre outras entidades. Publicou Poemas da Intermitência, 1988, poesia.


Trovas

Balbina Ferreira



Finda o dia. Tudo é calma.

O Sol se põe. Anoitece.

Ergue a Deus, homem, tua alma,

No silêncio de uma prece.



o



Se nos prazeres do mundo

a tua alma entontece,

pára, ao menos um segundo,

e pensa em Deus numa prece!



o



A vida sem ideal

não pode ser bem vivida

e, portanto, é natural

que se viva bem a vida.



o



Não faça nada no mundo

sem consultar a razão.

Há muito mal oriundo

de impulsos do coração.



Antologia Água Escondida (1994). Página: 50



*BALBINA FERREIRA (Boa Esperança, Rio Bonito, RJ, 14 ago. 1915). Professora. Funcionária aposentada do Ministério da Fazenda. Esperantista, participou de diversos encontros estaduais e de congressos nacionais e internacionais. Do Niterói Esperanto Klubo, onde leciona.




Fonte: Livro : Antologia água escondida.

Grata Gilda por essse excelente material.




































































quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Twitter na escola – Por que não? Por que sim?



Clive Thompson, colunista da conceituada revista New York Times e da Wired tem uma fala (26/06/07) sobre o Twitter que impressiona - para não dizer assusta - quem pensa em usar o recurso em sala de aula: "Twitter is the app that everyone loves to hate" (Twitter é o aplicativo que todo mundo adora odiar). Quando os planos são para usar o aplicativo em projetos educativos, há que se considerar sensivelmente essa fala e partir para uma análise mais cuidada desse app: suas características, atrativos, dificuldades, possibilidades e riscos.

Ainda no mesmo artigo, Clive Thompson faz uma aposta em relação ao futuro do Twitter: "Critics sneer at Twitter and Dodgeball as hipster narcissism, but the real appeal of Twitter is almost the inverse of narcissism. It's practically collectivist — you're creating a shared understanding larger than yourself. But here's my bet: The animating genius behind Twitter will live on in future apps. That tactile sense of your community is simply too much fun, too useful — and it makes the group more than the sum of its parts" (Críticos do Twitter dizem que ele explora um narcisismo moderno, mas o recurso real do Twitter é quase o inverso do narcisismo. É praticamente coletivista – você está criando uma compreensão compartilhada maior do que a sua própria. Mas aqui está a minha aposta: o gênio animador por trás do Twitter vai viver em aplicações futuras. Essa sensação tátil de sua comunidade é simplesmente muito divertida, muito útil – e torna o grupo maior que a soma de suas partes.)

Tendo como um dos atrativos principais a simplicidade da ferramenta e da sua proposta inicial, os usuários em geral têm se apropriado fácil e rapidamente do recurso e criado usos interessantes para o aplicativo. Um dos primeiros exemplos é o uso do Twitter como mídia jornalística, considerando o potencial comunicativo que a ferramenta apresenta.

Da mesma forma, esse mesmo potencial - aliado ao caráter colaborativo/cooperativo da ferramenta, à possibilidade de acesso rápido à informação, ao aumento das trocas culturais, ao poder de criação e síntese, às facilidades de uso e às inúmeras possibilidades de interação - é o que justificaria, para educadores, seu uso em projetos educativos on line, especialmente em comunidades virtuais de aprendizagem, articulado às demais atividades do processo de ensino-aprendizagem promovidas na escola ou fora dela.



* Bacharel e licenciado em História (USP-1992), especialista em Educomunicação (USP-2003), mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP (2000-2005) e gestor da comunidade virtual Minha Terra, do Portal EducaRede, desde 2007.


** Bacharel e licenciada em Letras (FFCLSanto André - 1973), master em Gestão e Produção de e-Learning pela Universidade Carlos III de Madrid, gestora de Comunidades Virtuais de Aprendizagem do Portal EducaRede Brasil.

Fonte: Blog educare





segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

“Mysterium, tremendu et fascinans”

Recebi de um grande amigo. Espero que vocês gostem!
Grata Fernando.





Queridos amigos,




Obrigado a todos que têm escrito, enviando mensagens e comentários.



A recente apresentação, sobre a tragédia no Rio, foi uma das que mais geraram comentários, sendo particularmente tocantes as mensagens dos amigos que moram na região serrana do estado, e que vivenciaram de perto toda a dor e destruição.



Certamente, estamos todos unidos em pensamentos, orações e atos de solidariedade em prol dos nossos irmãos atingidos, de modo que possam encontrar forças para superar esta hora de provação.



Segue em anexo uma nova apresentação.



Aproveito também para compartilhar o link abaixo, que contém um belo vídeo (o que melhor que a beleza para contrapor o sofrimento?)



http://www.youtube.com/watch?v=L64c5vT3NBw&feature=youtu.be



Abraço a todos,

Mateus

domingo, 30 de janeiro de 2011

" Altruísmo, generosidade e solidariedade"


Oren Harman, professor da Universidade Bar Ilan, em Tel Aviv, Israel, uniu seus conhecimentos sobre história da ciência e biologia para contar a evolução dos estudos sobre altruísmo no livro The Price of altruism (O preço do altruísmo), lançado no ano passado nos Estados Unidos. “Price”, do título em inglês, é também uma referência ao pesquisador George Price, um dos primeiros a tentar entender por que alguns indivíduos chegam a colocar em risco a própria vida para salvar a do próximo, um comportamento que contraria o princípio de autopreservação da teoria evolucionista proposta por Charles Darwin. Nesta entrevista, Harman define altruísmo e discute as descobertas científicas sobre um dos comportamentos humanos mais complexos:


ÉPOCA – Qual a diferença entre altruísmo, generosidade e solidariedade?

Oren Harman – Altruísmo, empatia, solidariedade, generosidade são todos conceitos relacionados, mas há diferenças e distinções importantes entre eles. Quando cientistas e cientistas sociais falam sobre altruísmo, geralmente estão falando de uma ação em que, para beneficiar o outro, o indivíduo arca com um custo ou prejuízo para si próprio. Embora o altruísmo tenha importância social, é muito mais uma ação pessoal, motivada por razões pessoais de diferentes tipos e voltada a alvos particulares. Solidariedade é um conceito mais social, baseado no sentimento coletivo de unidade, e não requer sacrifício pessoal. A generosidade pode ser uma forma de altruísmo, mas não precisa ser, tecnicamente falando. Todos os termos têm histórias e usos diferentes, vindos de diferentes tradições, mas não acho que as diferenças semânticas sejam realmente importantes.

ÉPOCA – Há tipos de altruísmo?

Harman – Em meu livro, discuto dois tipos de altruísmo: o biológico e o psicológico. O biológico é baseado nas abelhas sacrificando-se pelo bem da comunidade, nas amebas sociais que se sacrificam para que outra parte da população sobreviva por mais um dia, em alguns tipos de flores que deixam de competir com membros da própria espécie, em morcegos hematófagos que dividem o sangue com membros do grupo que foram menos afortunados na caça, entre outros. O que reúne todos esses atos é a própria definição de altruísmo: qualquer tipo de comportamento que reduza a sua capacidade de sobrevivência e aumente a capacidade de sobrevivência do outro. Note que não há intenção nesse caso: o altruísmo biológico é definido como o resultado de uma ação, não pelas motivações por trás dela (por isso até uma ameba pode ser altruísta!). Falamos de altruísmo psicológico quando consideramos ações entre pessoas. Nesse caso, intenção é tudo: se ajudo uma senhora a atravessar a rua mas ela sabe que só a estou ajudando porque quero que ela me inclua em seu testamento, ela corretamente não me verá como um altruísta, mesmo que eu seja atropelado por um caminhão e morra ao tentar ajudá-la. Então, há uma grande diferença entre o altruísmo biológico, que é momentâneo e pertence à natureza, e o altruísmo psicológico, um fenômeno que vemos em humanos. Ainda assim, como o cérebro humano é um órgão que passou pelo processo de evolução – como o joelho, o fígado ou a cor da nossa pele – deve haver uma ligação entre os altruísmos biológico e psicológico, e cientistas desde Darwin vêm tentando entender exatamente qual é essa conexão. Somos bons com os outros e ajudamos os outros porque somos verdadeiramente altruístas? Ou estamos seguindo algum tipo de imperativo biológico criado por milhões de anos de seleção natural para melhorar as nossas chances de sobrevivência? Essas são as questões que tentamos solucionar.

ÉPOCA – Um dos temas comuns dos estudos sobre altruísmo é a motivação desse comportamento. Por que é importante entender as razões por trás do altruísmo?

Harman – Você levanta uma questão interessante: será que conseguimos saber quais são as motivações para os atos de altruísmo? A ciência consegue responder a essa questão? Quando alguém encontra um mendigo na rua, pode decidir dar dinheiro a ele para diminuir o próprio sentimento de estresse. Essa forma de doação não é, portanto, altruísmo puro, mas, na verdade, uma forma de egoísmo. O mesmo vale para um filantropo que faz caridade para ganhar reputação como caridoso. Numa escala menor, quando fazemos boas ações para outros, há processos biológicos em nossos corpos que, inconscientemente, melhoram nosso bem-estar. Por isso, os cínicos geralmente dizem que não há algo como o altruísmo puro. Eles dizem: “Arranhe um altruísta e verá um egoísta sangrar”. Mas acredito que a ciência nunca responderá a essa questão de forma definitiva. Porque ela não tem as ferramentas para decompor as motivações humanas e chegar a essa resolução. A verdade é que as pessoas fazem o bem por várias razões, e geralmente por razões que parecem conflitantes, mas não o são. Ajudar um estranho que precisa pode satisfazer na mesma medida o senso altruísta de justiça social e empatia com relação ao outro como a necessidade do indivíduo de se sentir bem consigo mesmo. Portanto, não tenho certeza de que seja importante entender completamente as motivações por trás dos atos altruísticos das pessoas. O que conta, no final do dia, é o resultado dessas ações, mais do que suas causas: o fato de que pessoas receberam ajuda e cuidado é que é importante.


ÉPOCA – Algumas pessoas dedicam-se sempre a ações solidárias, enquanto outras ajudam apenas em tragédias, como no caso dos deslizamentos na serra fluminense. Há diferença entre um tipo e outro de altruísmo?

Harman – É uma questão difícil. O que a teoria evolucionista, assim como a sociologia, nos ensina, é que quando um grupo é ameaçado, muitos de seus membros se unem para cooperar. Isso pode ter a ver com o fato de que, quando os grupos competem entre si, aqueles com mais indivíduos altruístas são mais bem-sucedidos, porque há uma maior cooperação. Dentro do grupo, faz sentido para o indivíduo, do ponto de vista puramente racional, ser egoísta, porque o egoísta não precisa pagar nenhum preço e ainda goza da ajuda de todo mundo. Mas se o grupo é ameaçado, o comportamento altruísta aumenta. Portanto, há um conflito inerente entre o indivíduo e o grupo quando se trata de altruísmo, e tanto biólogos quando antropólogos e sociólogos estudam as condições particulares em que o interesse do grupo pode sobrepujar o interesse do indivíduo. As tragédias nacionais e as guerras parecem ser mecanismos fortes para catapultar a ação em grupo.


Os altruístas que agem altruisticamente o tempo todo, não apenas quando as coisas ficam realmente duras, podem fazê-lo por várias razões: porque foram educados de forma a promover e valorizar o serviço e o altruísmo, ou porque eles são mais empáticos que outros por sua constituição (e, sim, parece haver uma grande variação de empatia e altruísmo nas populações humanas), ou porque suas circunstâncias de vida, quaisquer que sejam, tenham-nos levado nessa direção. De novo, é muito difícil apontar as motivações, mas é um fato que, quando um grupo se percebe sob ameaça ou perigo, muitos de seus membros vão passar, de repente, a agir com o grupo, em vez de agirem por si próprios.


ÉPOCA – A capacidade de ter empatia pelos outros parece ser um fator importante para criar ações de altruísmo. Qual a diferença entre alguém que tem empatia e chora ao ver a notícia das enchentes na TV e alguém que tem empatia, chora ao ver a notícia na TV e decide ajudar?

Harman – Alguns cientistas vão atribuir essa diferença à constituição ou à biologia. Eles vão mostrar estudos dizendo que quando você usa um spray com ocitocina nas narinas dos homens, esses indivíduos imediatamente se tornam ativamente mais altruístas e têm mais empatia. Vão mostrar estudos neurogenéticos fazendo correlações entre o comportamento “pró-social” e alguns marcadores genéticos. Vão mostrar estudos com ressonância magnética que apontam grandes partes do cérebro se ativando quando altruístas fazem o bem. Mas, claro, embora estudemos esses resultados com cuidado e aprendamos com eles, precisamos exercitar também um certo ceticismo saudável a respeito da habilidade que eles têm de fornecer as respostas para as perguntas que estamos fazendo. As causas do comportamento humano são tão complexas e variadas que reduzir um comportamento complexo como o altruísmo a uma molécula ou gene ou área do cérebro é inviável. Como o filósofo Wittgenstein escreveu, as questões mais importantes nunca poderão ser respondidas pela ciência. Na verdade, elas não podem nem ser feitas, de certa maneira. Por que alguém sacrificaria a própria vida pelos outros enquanto outros nunca sonhariam fazê-lo? Nós não sabemos. O que sabemos é que, geralmente, quando as pessoas se arriscam para ajudar os outros – como fez Wesley Autrey, que pulou nos trilhos do metrô de Nova York para salvar Cameron Hollopeter, que havia caído –, elas dizem que apenas sentiram que precisavam fazê-lo, ou não pensaram duas vezes. Em outras palavras, a ação foi quase automática e não passou pelo circuito do cérebro que governa as ações ponderadas. Explicar por que isso a acontece é um mistério que talvez nunca solucionemos. E não é de todo mau.

ÉPOCA – A cultura e a religião influenciam no comportamento altruísta?

Harman – O tamanho do grupo pode ter muito a ver com o altruísmo: sabemos que quanto menor a comunidade, mais provável que as cooperem e sejam amigáveis umas com as outras. Isso faz sentido porque a reputação é muito importante nessa comunidade: se você é conhecido como alguém que só olha para si próprio, as pessoas tendem a interagir com você de maneira menos cooperativa. E quanto menor o grupo e melhor o conhecimento que as pessoas têm das outras, mais importante a reputação. As cidades grandes onde todo mundo é um estranho não necessariamente ajudam a promover boas relações porque o anonimato tira o fardo de se preocupar com a reputação. Foi Platão quem disse que o tamanho ideal de uma cidade seria grande o suficiente para as pessoas não saberem o nome umas das outras, mas pequena o suficiente para que todo mundo fosse capaz de reconhecer os outros pela fisionomia. Não há dúvidas de que a interrelação entre a seleção de grupo e o que chamamos de reciprocidade indireta teve um papel importante na evolução do nosso senso moral, de justiça e vergonha, e, portanto, na nossa habilidade de agir altruisticamente em relação ao próximo.

Dito isso, não há dúvidas de que a educação e a cultura também têm um papel importantíssimo. Muitos dizem que esses são os fatores mais importantes para incutir atitudes altruístas. Aprender com o nosso passado evolutivo é importante, mas tem seus limites, e a cultura é realmente um fator especial. Claramente, se você é ensinado a respeitar os outros como a si mesmo, e a valorizar esse preceito, seu posicionamento sobre a vida e os outros será diferente do que o de alguém que aprendeu a buscar o primeiro lugar num mundo ultra competitivo. As predisposições biológicas existem, mas são determinantes apenas em casos patológicos. A cultura e a educação realmente contam mais do que qualquer outra coisa.


ÉPOCA – A mídia tem algum papel em relação ao comportamento altruísta, especialmente em tragédias, como as enchentes da região serrana do Rio de Janeiro?

Harman – A importância da reputação, especialmnte entre espécies sociais como a nossa, não pode ser menosprezada. Por isso, a mídia pode ter um papel importante a fazer nesse sentido, uma vez que chega às casas via televisão, internet, celular e rádio. Na verdade, a vergonha é um poderoso motor para ações, e se as pessoas forem estimuladas a se sentir desconfortáveis por não agir de forma altruísta, isso pode levá-las a mudar, olhar para os lados e ajudar os outros. A vergonha é comumente induzida por pressão dos pares, mas não preciso dizer a você que a mídia tem um papel importante no imaginário coletivo da sociedade.

Fonte:Blog: livros só mudam pessoas/ Jarbas

sábado, 29 de janeiro de 2011

Como escolher um curso EAD/ By Vinícius Domênicos Melandes

Segue uma lista de ponderações a serem feitas para aqueles que pretendem iniciar um curso a distância. Talvez seja difícil que uma única instituição esteja ajustada a todos os requisitos, mas tente escolher aquela que atenda o maior número possível da melhor maneira.


Salvo o primeiro e fundamental tópico, os demais não estão relacionados por ordem de importância. Cabe a você avaliar, pois todos são muito importantes.



•Instituição: pesquise sobre a instituição que está ofertando o curso:

◦Já está estabelecida no mercado, possui boas instalações e bons cursos?

◦É bem avaliada e possui credenciamento do MEC para ofertar curso à distância?

•Modalidade semipresencial: é interessante ter ao menos um encontro presencial por semana. Onde se possa ter contato pelo menos com um tutor presencial e o professor por vídeo conferência.

•Interação: veja se há a possibilidade de interagir com o professor durante a transmissão da vídeo conferência. Observe também como é a interação com o professor e tutor após a mesma (e-mail, chat, fórum). Veja qual delas seria a mais interessante para você.

•Formação: avalie a formação de todos os professores e tutores das disciplinas que irá cursar. Dos professores espera-se pelo menos mestrado; e os tutores que tenham ao menos especialização ou atuem a um bom tempo na área.

•Material didático: procure avaliar se o material didático fornecido é de qualidade. Verifique se é livro ou apostila. Analise a capa, a diagramação, o uso de recursos visuais (tabelas, gráficos, figuras e fotos), o papel e etc.

•Avaliação: verifique a metodologia de ensino e os critérios de avaliação das disciplinas.

•Portal web: avalie o site da instituição, sua organização e profissionalismo. E no portal do aluno, quanto mais recursos utilizados melhor:

◦Fórum para debates;

◦Chats para esclarecimento de dúvidas;

◦Web aulas com vídeos, áudio, figuras e tabelas para melhorar o entendimento;

◦Power point da apresentação utilizadas pelos professores;

◦Web atividades para o aluno avaliar seu aprendizado antes da prova.

•Disponibilidade: verifique se as vídeo conferências ficam disponíveis no portal para serem revistas e se os livros também estão disponíveis para leitura por meio de computadores e e-readers.

•Polo: analise as condições e estrutura do polo. Laboratório, biblioteca, sala de vídeo conferência, atendimento e etc.

•Alunos: verifique junto aos polos a quantidade média de alunos matriculados nos atuais cursos, e se possível veja quantos alunos já estão matriculados no curso que queira fazer. É importante para que você não faça um curso com um número muito pequeno de alunos, se não sua interação e networking ficarão comprometidos. Tente conversar com algum aluno que já está realizando o curso e peça sua opinião sobre os tópicos citados aqui. Lembre-se que o EAD é direcionado para alunos de faixa etária a partir dos 24 anos e com um perfil diferenciado. Talvez algum jovem não preparado a estudar em EAD irá fazer críticas negativas da modalidade. Neste caso desconsidere-as.

•Valor: confira o valor e as condições de pagamento das mensalidades. Os valores chegam quase à metade de um curso presencial, então fique atendo.
 
 
Fonte: By Vinícius Domênicos Melandes


http://www.linkedin.com/groupItem?view=&srchtype=discussedNews&gid=1877275&item=37738159&type=member&trk=EML_anet_ac_pst_ttle

sábado, 22 de janeiro de 2011

Glee_Imagine

Aprendi a amar ouvindo essa música. Acredito que foi uma boa escolha!
Obrigada, Fernando.



Imagine não existir paraíso


É fácil se você tentar

Nenhum inferno abaixo de nós

Acima de nós apenas o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo para o hoje



Imagine não existir países

Não é difícil de fazê-lo

Nada pelo que matar ou morrer

E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz



Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

você se juntará a nós

E o mundo será como um só



Imagine não existir posses

Me pergunto se você consegue

Sem necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade de homens

Imagine todas as pessoas

Compartilhando todo o mundo



Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

Você se juntará a nós

E o mundo será como um só

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

4 passos para a tomada de decisão e negociação



Aprenda com Paul Schoemaker, diretor do Mack Center for Technological Innovation da Wharton School, como perseguir o melhor resultado para uma negociação

A base do processo para a tomada de decisão é a identificação correta do problema, que evita diversas armadilhas psicológicas com as quais as pessoas se deparam. Paul Schoemaker, diretor do Mack Center for Technological Innovation da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, explica como decidir perseguindo o melhor resultado para uma negociação.

Para o professor e autoridade em tomada de decisão, negociação e tomada de decisão andam de mãos dadas. Para isso, o acadêmico defende quatro passos que levam à tomada de decisão:


1 - Enquadre o problema.

2 - Colete informações.

3 - Tire conclusões.

4 - Aprenda com a experiência.


Esses passos são não lineares e dinâmicos, de maneira que o problema talvez precise ser redefinido no curso das conversações.

Rompa o enquadramento original

Identificar e delimitar o problema é fundamental. No entanto, cada um de nós traz consigo um enquadramento, ou seja, um repertório de receitas mentais, pelas quais entendemos como o mundo funciona. Mas, na maioria das vezes, elas estão equivocadas ou incompletas.

“Nossa janela é limitadora; então, não vemos as melhores soluções. O enquadramento filtra a informação que nos chega, mas não nos damos conta disso”, alerta Schoemaker. Em problemas complexos, como na negociação, não enxergamos todos os ângulos da questão. “Negociação tem a ver com descobertas, com fazer as perguntas certas.”

“Outros enxergam o meu nariz melhor do que eu”, diz o especialista em decisão. Segundo ele, ser criativo é romper o enquadramento que nos limita. É desafiar nossos modelos mentais e procurar conhecer os modelos mentais da outra parte.


A questão do risco de perdas

Se coloque no lugar de um chefe de divisão industrial de uma empresa que se vê diante da necessidade de decidir sobre o corte de funcionários dentro de um universo de 600 pessoas. Há duas opções: na alternativa A, 200 empregos serão salvos; na B, há um terço de chance de que 600 empregos sejam salvos e dois terços de chance de que nenhum emprego seja salvo.

As pessoas tendem a escolher a opção A, mas, quando se muda a maneira de enfocar o dilema, destacando as perdas potenciais (400 empregos em A e zero a 600 empregos em B), as pessoas tendem a optar por B, alternativa na qual a perda pode ser maior.

“Se temos metas mais ambiciosas, tendemos a estar mais dispostos a assumir riscos, quando nos deparamos com perdas grandes”, diz Schoemaker. Ele assinala que apresentamos inconsistências no modo como avaliamos e enfrentamos o risco. “Quanto mais altos os pontos de referência de uma negociação, mais altos os riscos que estamos dispostos a assumir.”


Em negociação, lidamos com a ambiguidade. Por isso, a arte dos bons negociadores e bons políticos é reenquadrar o pensamento das pessoas.

Ciladas da coleta de informações


A coleta de informações, um dos passos do sistema dinâmico de tomada de decisão que Schoemaker propõe, traz o risco de cairmos em armadilhas típicas. São elas:


1. Excesso de confiança no próprio discernimento. “Se listássemos tudo o que assumimos sobre a outra parte em uma negociação, veríamos que estamos excessivamente confiantes”. Temos que começar com honestidade, para elaborarmos as perguntas corretas.


2. Atribuir peso excessivo às informações disponíveis. “Até que ponto informações de que dispomos são parciais?” As pessoas creditam maior peso àquilo que ouvem e leem com mais frequência.


3. Ancorar exageradamente as estimativas. O ponto de partida tem uma influência excessiva na negociação final. Essa âncora é, por exemplo, quanto assumimos que a outra parte está disposta a pagar.


“Uma vez que estabelecemos a âncora, tendemos a não nos afastar dela. Utilize múltiplas âncoras”.


4. Ter predileção por dados comprobatórios. Nem tudo pode ser comprovado, e os juízos de valor são muito relevantes numa negociação.



Portal HSM
Fonte: http://www.linkedin.com/groups?