terça-feira, 30 de novembro de 2010
Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
O infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado,
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
.
Mas cada um cumpre o destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
-
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça em maresia,
Ergue a mão e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
########
Pra Você que tanto curte o netinho.
Natalícia
domingo, 28 de novembro de 2010
" Ensinar a alegria"- Rubem Alves
Reli, faz poucos dias, o livro de Hermann Hesse, O jogo das contas de vidro. Bem ao final, à guisa de conclusão e resumo da estória, está este poeminha de Ruckert:
Nossos dias são preciosos mas com alegria os vemos passando
se no seu lugar encontramos uma coisa mais preciosa crescendo: uma planta rara e exótica, deleite de um coração jardineiro, uma criança que estamos ensinando, um livrinho que estamos escrevendo.
Este poema fala de uma estranha alegria, a alegria que se tem diante da coisa triste que é ver os preciosos dias passando... A alegria está no jardim que se planta, na criança que se ensina, no livrinho que se escreve. Senti que eu mesmo poderia ter escrito essas palavras, pois sou jardineiro, sou professor e escrevo livrinhos. Imagino que o poeta jamais pensaria em se aposentar. Pois quem deseja se aposentar daquilo que lhes traz alegria? Da alegria não se aposenta... Algumas páginas antes o herói da estória havia declarado que, ao final de sua longa caminhada pelas coisas mais altas do espírito, dentre as quais se destacava a familiaridade com a sublime beleza da música e da literatura, descobria que ensinar era algo que lhe dava prazer igual, e que o prazer era tanto maior quanto mais jovens e mais livres das deformações da deseducação fossem os estudantes.
Ao ler o texto de Hesse tive a impressão de que ele estava simplesmente repetindo um tema que se encontra em Nietzsche. O que é bem provável. Fui procurar e encontrei o lugar onde o filósofo (escrevo esta palavra com um pedido de perdão aos filósofos acadêmicos, que nunca o considerariam como tal, porque ele é poeta demais, "tolo" demais...) diz que "a felicidade mais alta é a felicidade da razão, que encontra sua expressão suprema na obra do artista. Pois que coisa mais deliciosa haverá que tornar sensível a beleza? Mas esta felicidade suprema", ele acrescenta, é ultrapassada na felicidade de gerar um filho ou de educar uma pessoa".
Passei então ao prólogo de Zaratustra.
Quando Zaratustra tinha 30 anos de idade deixou a sua casa e o lago de sua casa e subiu para a montanha. Ali ele gozou do seu espírito e da sua solidão, e por dez anos não se cansou. Mas, por fim, uma mudança veio ao seu coração e, numa manhã, levantou-se de madrugada, colocou-se diante do sol, e assim lhe falou: Tu, grande estrela, que seria de tua felicidade se não houvesse aqueles para quem brilhar? Por dez anos tu vieste à minha caverna: tu te terias cansado de tua luz e de tua jornada, se eu, minha águia e minha serpente não estivéssemos à tua espera. Mas a cada manhã te esperávamos e tomávamos de ti o teu transbordamento, e te bendizíamos por isso.
Eis que estou cansado na minha sabedoria, como uma abelha que ajuntou muito mel;; tenho necessidade de mãos estendidas que a recebam. Mas, para isso, eu tenho de descer às profundezas, como tu o fazes na noite e mergulhar no mar... Como tu, eu também, devo descer...
Abençoa, pois a taça que deseja esvaziar-se de novo...
Assim se inicia a saga de Zaratustra, com uma meditação sobre a felicidade. A felicidade começa na solidão: uma taça que se deixa encher com a alegria que transborda do sol. Mas vem o tempo quando a taça se enche. Ela não mais pode conter aquilo que recebe. Deseja transbordar. Acontece assim com a abelha que não mais consegue segurar em si o mel que ajuntou;; acontece com o seio, túrgido de leite, que precisa da boca da criança que o esvazie. A felicidade solitária é dolorosa Zaratustra percebe então que sua alma passa por uma metamorfose. Chegou a hora de uma alegria maior: a de compartilhar com os homens a felicidade que nele mora. Seus olhos procuram mãos estendidas que possam receber a sua riqueza. Zaratustra, o sábio, transforma-se em mestre. Pois ser mestre é isso: ensinar a felicidade.
"Ah!", retrucarão os professores, "a felicidade não é a disciplina que ensino. Ensino ciências, ensino literatura, ensino matemática..." Mas será que vocês não percebem que essas coisas que se chamam "disciplina", e que vocês ensinam não é um deleite para a alma? Se não fosse, vocês não deveriam ensinar. E se é, então é preciso que aqueles que recebem, os seus alunos, sintam prazer igual ao que vocês sentem. Se isso não acontecer, vocês terão fracassado, na sua missão, como a cozinheira que queria oferecer prazer, mas a comida saiu salgada e queimada.
O mestre nasce da exuberância da felicidade. E, por isso mesmo, quando perguntado sobre a sua profissão, os professores deveriam ter coragem para dar a absurda resposta: "Sou um pastor da alegria..." Mas, é claro, somente os seus alunos poderão atestar da verdade da sua declaração...
Rubem Alves
Fonte:http://www.peabirus.com.br/redes
Obrigada Denise Vilardo
Comissão da Diversidade e Direito Homoafetivo do IBDFAM
Coordenação geral:
Dra. Maria Berenice Dias
Coordenação local:
Drs. Marília Arruda, Ana Gerbase, Patrícia Sanches, Raquel Castro, Silvana Monte
Realização:
Comissão da Diversidade e Direito Homoafetivo do IBDFAM;
Grupo de Trabalho da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia – Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ.
Sobre o Direito Homoafetivo
O Direito Homoafetivo tem se desenvolvido como um novo ramo do Direito, com todo um arcabouço de proteção Jurídica que passa pelas relações familiares, de direito pessoal, sucessório, previdenciário, criminal, entre outras.
Atentos às transformações sociais, o IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família - através de sua Comissão da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo, a OAB/RJ, e as diversas Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, através de seus Grupos de Trabalho e Comissões de Diversidade Sexual e Combate à Homofobia, apoiam o I Congresso Nacional de Direito Homoafetivo, coordenado pela Dra. Maria Berenice Dias.
O Evento ocorrerá nos dias 23, 24 e 25 de março de 2011, na Cidade do Rio de Janeiro.
Programação
23 de março
17h – Credenciamento
18h – Abertura
Wadih Damous – Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro;
Rodrigo da Cunha Pereira – Presidente do IBDFAM;
Ana Gerbase – Advogada, representante do Grupo de Trabalho da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ;
19h – Palestra
Palestrante: Maria Berenice Dias – Desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul; Advogada Especializada em Direito Homoafetivo; Vice-Presidente e fundadora do Instituto Brasileiro de Direito de Família.
20h – Cocktail de Abertura.
24 de março
10h – Família Homoafetiva: uma nova hermenêutica constitucional
Palestrante: Rodrigo da Cunha Pereira - Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná e Mestre em Direito Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais. Presidente Nacional do IBDFAM.
11h – Adoção Homoparental: o princípio do melhor interesse da criança.
Palestrante: Conceição Mousnier – Desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, coordenadora da Comissão Estadual Judiciária de Adoção - CEJA.
12h – Almoço
14h – Reprodução Assistida e Gravidez por Substituição.
Palestrante: Ana Carla Harmatiuk Matos – Mestre pela Universidade Federal do Paraná e pela Universidad Internacional de Andalucía; Doutora pela Universidade Federal do Paraná; Professora Adjunta da Universidade Federal do Paraná e Complexo de Ensino Superior do Brasil – UNIBRASIL.
15h – Guarda e Alienação Parental
Palestrante: Gerardo Carnevale – Juiz de Direito da 2ª. Vara de Família da Capital do RJ
16h – Coffee Break
16:30h – Poder-Dever aos Alimentos
Palestrante: Cristiano Chaves de Farias – Promotor de Justiça do estado da Bahia; Mestre em Ciências da Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica do Salvador (UCSal); Professor do Curso JusPODIVM e das Faculdades Jorge Amado; Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP).
17:30h – Direito Sucessório: uma vocação hereditária?
Palestrante: Zeno Veloso - Professor de Direito Civil e de Direito Constitucional aplicado na Universidade da Amazônia – UNAMA e na Universidade Federal do Pará – UFPa.
18:30h – As relações homoafetivas nos Tribunais Superiores
Palestrante: Luis Roberto Barroso (a confirmar) – Advogado; Doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Professor Titular de Direito Constitucional dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ).
25 de março
10h – Expressões da Transexualidade: concepções da medicina e da psicologia
Palestrante: Maria Cristina Milanez Werner (a confirmar)
11h – Implicações jurídicas da transexualidade
Palestrante: Tereza Rodrigues Vieira – Advogada; Pós Doutorada pela Université de Montreal, Canadá; Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Université Paris; Pós-Graduada em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Pós-Graduada em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana; Pós-Graduada em Interesses Difusos e Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo.; Professora titular do Mestrado em Direito Processual e Cidadania na Universidade Paranaense.
12h – Almoço
14h – A Criminalização da Homofobia
Palestrante: Jéssica Oliveira de Almeida – Delegada de Polícia Civil; Subsecretaria de Ensino e Programas de Prevenção da Secretaria de Estado de Segurança; Ex-Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro.
15h – Aspectos registrais e notariais do Direito Homoafetivo
Palestrante: Christiano Cassettari – Advogado; Mestre em Direito Civil pela PUC-SP; Especialista em Direito pelo IBET; Professor de Direito Civil. Membro e Diretor Cultural do IBDFAM-SP.
16h – Coffee Break
16:30h – Bullying e assédio nas relações de trabalho
Palestrante: Fábio Goulart Villela – Procurador do Ministério Público do Trabalho da 1ª. Região e professor universitário;
17:15h – Painel:
Aspectos Processuais e Previdenciários
Debatedores:
Viviane Girardi – Advogada; Mestre e Professora de Direito Civil. Especializada Direito das Famílias.
Sergio Camargo – Advogado; Mestre em Direito e Economia; Membro do IBFAM.
18h – A Homossexualidade e a Religião
Palestrante: Pe. Luís Corrêa Lima – Padre Jesuíta e Historiador; Coordenador do grupo de pesquisas sobre diversidade sexual, cidadania e religião da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ.
18:30h – Palestra
Palestrante: Nancy Andrighi (a confirmar) – Ministra do Superior Tribunal de Justiça.
Dra. Maria Berenice Dias
Coordenação local:
Drs. Marília Arruda, Ana Gerbase, Patrícia Sanches, Raquel Castro, Silvana Monte
Realização:
Comissão da Diversidade e Direito Homoafetivo do IBDFAM;
Grupo de Trabalho da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia – Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ.
O Direito Homoafetivo tem se desenvolvido como um novo ramo do Direito, com todo um arcabouço de proteção Jurídica que passa pelas relações familiares, de direito pessoal, sucessório, previdenciário, criminal, entre outras.
Atentos às transformações sociais, o IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família - através de sua Comissão da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo, a OAB/RJ, e as diversas Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, através de seus Grupos de Trabalho e Comissões de Diversidade Sexual e Combate à Homofobia, apoiam o I Congresso Nacional de Direito Homoafetivo, coordenado pela Dra. Maria Berenice Dias.
O Evento ocorrerá nos dias 23, 24 e 25 de março de 2011, na Cidade do Rio de Janeiro.
Programação
23 de março
17h – Credenciamento
18h – Abertura
Wadih Damous – Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro;
Rodrigo da Cunha Pereira – Presidente do IBDFAM;
Ana Gerbase – Advogada, representante do Grupo de Trabalho da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ;
19h – Palestra
Palestrante: Maria Berenice Dias – Desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul; Advogada Especializada em Direito Homoafetivo; Vice-Presidente e fundadora do Instituto Brasileiro de Direito de Família.
20h – Cocktail de Abertura.
24 de março
10h – Família Homoafetiva: uma nova hermenêutica constitucional
Palestrante: Rodrigo da Cunha Pereira - Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná e Mestre em Direito Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais. Presidente Nacional do IBDFAM.
11h – Adoção Homoparental: o princípio do melhor interesse da criança.
Palestrante: Conceição Mousnier – Desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, coordenadora da Comissão Estadual Judiciária de Adoção - CEJA.
12h – Almoço
14h – Reprodução Assistida e Gravidez por Substituição.
Palestrante: Ana Carla Harmatiuk Matos – Mestre pela Universidade Federal do Paraná e pela Universidad Internacional de Andalucía; Doutora pela Universidade Federal do Paraná; Professora Adjunta da Universidade Federal do Paraná e Complexo de Ensino Superior do Brasil – UNIBRASIL.
15h – Guarda e Alienação Parental
Palestrante: Gerardo Carnevale – Juiz de Direito da 2ª. Vara de Família da Capital do RJ
16h – Coffee Break
16:30h – Poder-Dever aos Alimentos
Palestrante: Cristiano Chaves de Farias – Promotor de Justiça do estado da Bahia; Mestre em Ciências da Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica do Salvador (UCSal); Professor do Curso JusPODIVM e das Faculdades Jorge Amado; Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP).
17:30h – Direito Sucessório: uma vocação hereditária?
Palestrante: Zeno Veloso - Professor de Direito Civil e de Direito Constitucional aplicado na Universidade da Amazônia – UNAMA e na Universidade Federal do Pará – UFPa.
18:30h – As relações homoafetivas nos Tribunais Superiores
Palestrante: Luis Roberto Barroso (a confirmar) – Advogado; Doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Professor Titular de Direito Constitucional dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ).
25 de março
10h – Expressões da Transexualidade: concepções da medicina e da psicologia
Palestrante: Maria Cristina Milanez Werner (a confirmar)
11h – Implicações jurídicas da transexualidade
Palestrante: Tereza Rodrigues Vieira – Advogada; Pós Doutorada pela Université de Montreal, Canadá; Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Université Paris; Pós-Graduada em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Pós-Graduada em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana; Pós-Graduada em Interesses Difusos e Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo.; Professora titular do Mestrado em Direito Processual e Cidadania na Universidade Paranaense.
12h – Almoço
14h – A Criminalização da Homofobia
Palestrante: Jéssica Oliveira de Almeida – Delegada de Polícia Civil; Subsecretaria de Ensino e Programas de Prevenção da Secretaria de Estado de Segurança; Ex-Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro.
15h – Aspectos registrais e notariais do Direito Homoafetivo
Palestrante: Christiano Cassettari – Advogado; Mestre em Direito Civil pela PUC-SP; Especialista em Direito pelo IBET; Professor de Direito Civil. Membro e Diretor Cultural do IBDFAM-SP.
16h – Coffee Break
16:30h – Bullying e assédio nas relações de trabalho
Palestrante: Fábio Goulart Villela – Procurador do Ministério Público do Trabalho da 1ª. Região e professor universitário;
17:15h – Painel:
Aspectos Processuais e Previdenciários
Debatedores:
Viviane Girardi – Advogada; Mestre e Professora de Direito Civil. Especializada Direito das Famílias.
Sergio Camargo – Advogado; Mestre em Direito e Economia; Membro do IBFAM.
18h – A Homossexualidade e a Religião
Palestrante: Pe. Luís Corrêa Lima – Padre Jesuíta e Historiador; Coordenador do grupo de pesquisas sobre diversidade sexual, cidadania e religião da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ.
18:30h – Palestra
Palestrante: Nancy Andrighi (a confirmar) – Ministra do Superior Tribunal de Justiça.
"Bullying homofóbico"
Columnista del periódico O GLOBO relata una experiencia de "bullying" homofóbico sufrida en su vecindario, ubicado en un barrio de la zona sur de Río de Janeiro. El caso revela, por un lado, que la homofobia y los prejuicios persisten incluso en las clases sociales más altas y, por otro, que falta información dirigida al sector LGBT acerca de los servicios legales a los que tiene derecho.
Em palestra no CLAM, em outubro de 2008, o psicólogo norte-americano James T. Sears, professor do programa on line de mestrado e doutorado em Educação da Penn State University (EUA), examinou pesquisas sobre o tema da violência psicológica e física exercida sistematicamente por alunos sobre outros alunos nas escolas, quando esta é relacionada à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. “Se casos de bullying acontecem nas escolas muito mais frequentemente do que imaginamos, uma parte significativa desses casos é de bullying homofóbico”, sustentou o pesquisador.
Jefferson Lessa mora em um bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Identifica-se como um gay de meia-idade. Em texto-desabafo publicado na edição de domingo do jornal O GLOBO (Ed. 18/07/2010), afirma estar sendo vítima dessa mesma violência psicológica de forma sistemática, mas não na escola, e sim em sua vizinhança. Abaixo selecionamos alguns trechos do texto publicado pelo jornal:
“Na semana em que a Argentina aprova o casamento gay, peço licença para relatar uma historinha banal. Moro num bairro aprazível e ‘tranquilo’, sonho de consumo de dez entre dez cariocas. (...) De um tempo para cá, por motivos que me são alheios, alguns playboys deram de gritar ‘veaaaaaado!!!’ quando me veem na rua. Outro dia, derrubaram minha pasta no chão. Numa noite anterior, rolou um inesperado banho de uísque com Redbull no casaco novo... Depois disso, a calçada ficou mais longa que uma maratona. Chegar à varanda torna-se uma decisão pesada, difícil de tomar. A pasta, o cheiro do uísque com Redbull... Difícil.
Como vocês podem ver, trata-se de uma história de bullying, a palavra do momento. Seria só mais uma, não fosse o caso de atingir um certo cara no auge da meia-idade. Eu. Nunca havia passado por isso antes. E não pretendia experimentar agora. Mas aconteceu — fazer o quê? Penso em várias ‘soluções’. A mais radical é mudar de bairro. Deixar para trás uma casa que adoro e que montei aos poucos, no ritmo que o salário aguado permitiu. Deixar para trás, também, um prédio no qual fiz amigos. É uma ‘solução’ penosa e triste, creio. Faz com que eu me sinta covarde, pequeno, sujo, miserável. A outra ‘solução’ é sugerida por amigos, que perguntam: ‘Por que você não denuncia? Por que não procura a polícia?’ Simplesmente porque não vivo dentro de um episódio de ‘Law & order: Special Victims Unit’, a genial série americana que ficcionaliza o cotidiano da unidade de elite da polícia novaiorquina especializada na investigação de crimes de natureza sexual. Se eu tivesse a certeza de que meu ‘caso’ seria tratado pelos detetives Stabler e Benson, correria para a delegacia mais próxima. Na maior confiança. Como todos sabemos, não é bem o caso por aqui”.
Segundo James Sears, além da psicologia do agressor, o bullying não é apenas uma conduta individual anti-social, mas é sustentado em opiniões amplamente difundidas e se trata de um mecanismo chave na reprodução de idéias preconceituosas sobre o gênero e a sexualidade. “Quem mais sofre bullying são as pessoas que se apresentam como desviantes em termos de sexualidade”, afirmou o pesquisador. Sears destacou que pesquisas feitas em diferentes países mostram padrões similares ao de um estudo realizado no Brasil no qual um em cada sete alunos afirmou preferir não ter um colega de classe homossexual.
Para o pesquisador norte-americano, “o bullying não deve ser entendido como algo necessariamente físico”. De modo análogo aos xingamentos do qual o colunista do Globo foi vítima, “a pichação reforça a ideia de que o lugar público é um espaço heterossexual e que ninguém deve se comportar de maneira diferente em relação à sexualidade. Ao deixar que a pichação homofóbica permaneça em suas instalações, como nos banheiros masculino e feminino, a escola acaba por ensinar a heterossexualidade e por reforçar a heterodoxia sexual e de gênero. O recado serve para demarcar um território de tolerância para a homofobia”, ressaltou Sears.
“Fazer o que?”, questiona-se em certa altura Jefferson Lessa. O problema enfrentado por Lessa – e por muitos – chega ao conhecimento público uma semana depois de o governo do Rio de Janeiro ter inaugurado o mais importante produto do festejado programa Rio sem Homofobia: o Centro de Referência e Promoção da Cidadania LGBT, local onde a população de gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans poderão encontrar atendimento legal e psico-social (o Centro conta com advogados, psicólogos e assistentes sociais) quando vítimas de discriminação e violência (seja ela verbal ou física). Projeto talvez até superior a um ‘Law & order: Special Victims Unit’. Além disso, a população LGBT do Rio de Janeiro também conta atualmente com mecanismos de denúncia inexistentes em um passado recente: a categoria “homofobia” pode também aparecer nos boletins de ocorrência (B.O.) da polícia civil como motivação para qualquer crime. A medida também faz parte do pacote de iniciativas inaugurado pelo programa Rio sem Homofobia.
O comportamento dos “playboys” citados no texto de Lessa não chega a surpreender pois, sabe-se, se a cidade do Rio de Janeiro – embora conhecida mundialmente como gay friendly – precisa de um programa chamado “Rio sem Homofobia” é por que a discriminação e o preconceito por orientação sexual persistem. Mas como interpretar a prática do bullying quando esta não acontece exatamente no ambiente escolar, para onde aponta a grande maioria das atenções e estudos concernentes ao problema?
Há cinco anos, os resultados da Pesquisa Política, Direitos, Violência e Homossexualidade (CLAM/CESeC), realizada durante a 9ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, trouxeram à tona dados impressionantes em relação à discriminação e a violência sofridas por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros no ambiente familiar, na escola, no trabalho e em locais públicos, como a experimentada por Lessa. Um dado: 22% dos respondentes tinham entre 30 e 39 anos, enquanto 19,4% revelaram idade superior a 40, possivelmente a faixa etária em que Lessa se enquadra.
De acordo com a pesquisa, o círculo de amigos e vizinhos era citado como o campeão em discriminação – 33,5% dos gays, lésbicas, pessoas trans e bissexuais entrevistados[Horacio3] disseram ter sido discriminados neste ambiente, enquanto 27% apontaram o ambiente familiar. A discriminação nas escolas e universidades, por parte de professores e colegas vinha logo em seguida, com uma incidência de 26,8%. Os ambientes religiosos (20,6%) e de lazer (18%) vinham num segundo bloco, seguidos pelas discriminações no ambiente de trabalho (11,7%) e no atendimento na área de saúde (11,1%).
Entretanto, foram as agressões verbais citadas como as que mais atingem a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e trans – o estudo indicou uma incidência de 55,4%, o que significa que mais da metade dos entrevistados já tinham sido vítimas de xingamentos, humilhações verbais ou ameaças. Para os autores da pesquisa, as agressões verbais são expressivas da “disseminação cultural da homofobia”. “Aparentemente, as sanções sociais e legais para ofensas de natureza sexual não têm sido suficientemente fortes para impedirem a homofobia que se generaliza através da palavra”, ressaltam em um trecho do relatório.
Curiosamente, o nível alarmante de ofensas verbais convive com um ambiente de tolerância e valorização da homossexualidade, no momento em que a cidade acolhe e apóia paradas que reúnem milhares de gays, lésbicas e travestis, e inaugura aparelhos do Estado protetivos dos direitos dessa população. O maior problema, no entanto, também apontado pelo estudo do CLAM/CESeC, era o desconhecimento do próprio segmento em relação aos seus direitos. Ao serem perguntados sobre leis que beneficiam os (as) homossexuais, entre os participantes, 50.1% disseram conhecer a existência de lei, aprovada ou em discussão, no Rio ou no Brasil, que proteja os homossexuais. No entanto, uma proporção quase idêntica (49.9%) disse não conhecer qualquer legislação. A legislação sobre parceria ou união civil foi a mais lembrada (27.7%) entre as 206 menções espontâneas, embora esta nunca tenha sequer sido votada no país.
Essa falta de informação sobre serviços a que procurar parece ser um dos maiores desafios do movimento LGBT: alcançar o segmento de forma eqüitativa e fazer chegar suas informações a esta parcela da população, para que esta tome conhecimento dos serviços existentes que têm à sua disposição. A visibilidade de conquistas locais, como a inauguração do Centro de Referência de Promoção da Cidadania LGBT, tem de ser equivalente à disseminação de informações como a da aprovação do matrimônio gay pelo Senado argentino.
Fuente: CLAM
O Globo
Em palestra no CLAM, em outubro de 2008, o psicólogo norte-americano James T. Sears, professor do programa on line de mestrado e doutorado em Educação da Penn State University (EUA), examinou pesquisas sobre o tema da violência psicológica e física exercida sistematicamente por alunos sobre outros alunos nas escolas, quando esta é relacionada à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. “Se casos de bullying acontecem nas escolas muito mais frequentemente do que imaginamos, uma parte significativa desses casos é de bullying homofóbico”, sustentou o pesquisador.
Jefferson Lessa mora em um bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Identifica-se como um gay de meia-idade. Em texto-desabafo publicado na edição de domingo do jornal O GLOBO (Ed. 18/07/2010), afirma estar sendo vítima dessa mesma violência psicológica de forma sistemática, mas não na escola, e sim em sua vizinhança. Abaixo selecionamos alguns trechos do texto publicado pelo jornal:
“Na semana em que a Argentina aprova o casamento gay, peço licença para relatar uma historinha banal. Moro num bairro aprazível e ‘tranquilo’, sonho de consumo de dez entre dez cariocas. (...) De um tempo para cá, por motivos que me são alheios, alguns playboys deram de gritar ‘veaaaaaado!!!’ quando me veem na rua. Outro dia, derrubaram minha pasta no chão. Numa noite anterior, rolou um inesperado banho de uísque com Redbull no casaco novo... Depois disso, a calçada ficou mais longa que uma maratona. Chegar à varanda torna-se uma decisão pesada, difícil de tomar. A pasta, o cheiro do uísque com Redbull... Difícil.
Como vocês podem ver, trata-se de uma história de bullying, a palavra do momento. Seria só mais uma, não fosse o caso de atingir um certo cara no auge da meia-idade. Eu. Nunca havia passado por isso antes. E não pretendia experimentar agora. Mas aconteceu — fazer o quê? Penso em várias ‘soluções’. A mais radical é mudar de bairro. Deixar para trás uma casa que adoro e que montei aos poucos, no ritmo que o salário aguado permitiu. Deixar para trás, também, um prédio no qual fiz amigos. É uma ‘solução’ penosa e triste, creio. Faz com que eu me sinta covarde, pequeno, sujo, miserável. A outra ‘solução’ é sugerida por amigos, que perguntam: ‘Por que você não denuncia? Por que não procura a polícia?’ Simplesmente porque não vivo dentro de um episódio de ‘Law & order: Special Victims Unit’, a genial série americana que ficcionaliza o cotidiano da unidade de elite da polícia novaiorquina especializada na investigação de crimes de natureza sexual. Se eu tivesse a certeza de que meu ‘caso’ seria tratado pelos detetives Stabler e Benson, correria para a delegacia mais próxima. Na maior confiança. Como todos sabemos, não é bem o caso por aqui”.
Segundo James Sears, além da psicologia do agressor, o bullying não é apenas uma conduta individual anti-social, mas é sustentado em opiniões amplamente difundidas e se trata de um mecanismo chave na reprodução de idéias preconceituosas sobre o gênero e a sexualidade. “Quem mais sofre bullying são as pessoas que se apresentam como desviantes em termos de sexualidade”, afirmou o pesquisador. Sears destacou que pesquisas feitas em diferentes países mostram padrões similares ao de um estudo realizado no Brasil no qual um em cada sete alunos afirmou preferir não ter um colega de classe homossexual.
Para o pesquisador norte-americano, “o bullying não deve ser entendido como algo necessariamente físico”. De modo análogo aos xingamentos do qual o colunista do Globo foi vítima, “a pichação reforça a ideia de que o lugar público é um espaço heterossexual e que ninguém deve se comportar de maneira diferente em relação à sexualidade. Ao deixar que a pichação homofóbica permaneça em suas instalações, como nos banheiros masculino e feminino, a escola acaba por ensinar a heterossexualidade e por reforçar a heterodoxia sexual e de gênero. O recado serve para demarcar um território de tolerância para a homofobia”, ressaltou Sears.
“Fazer o que?”, questiona-se em certa altura Jefferson Lessa. O problema enfrentado por Lessa – e por muitos – chega ao conhecimento público uma semana depois de o governo do Rio de Janeiro ter inaugurado o mais importante produto do festejado programa Rio sem Homofobia: o Centro de Referência e Promoção da Cidadania LGBT, local onde a população de gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans poderão encontrar atendimento legal e psico-social (o Centro conta com advogados, psicólogos e assistentes sociais) quando vítimas de discriminação e violência (seja ela verbal ou física). Projeto talvez até superior a um ‘Law & order: Special Victims Unit’. Além disso, a população LGBT do Rio de Janeiro também conta atualmente com mecanismos de denúncia inexistentes em um passado recente: a categoria “homofobia” pode também aparecer nos boletins de ocorrência (B.O.) da polícia civil como motivação para qualquer crime. A medida também faz parte do pacote de iniciativas inaugurado pelo programa Rio sem Homofobia.
O comportamento dos “playboys” citados no texto de Lessa não chega a surpreender pois, sabe-se, se a cidade do Rio de Janeiro – embora conhecida mundialmente como gay friendly – precisa de um programa chamado “Rio sem Homofobia” é por que a discriminação e o preconceito por orientação sexual persistem. Mas como interpretar a prática do bullying quando esta não acontece exatamente no ambiente escolar, para onde aponta a grande maioria das atenções e estudos concernentes ao problema?
Há cinco anos, os resultados da Pesquisa Política, Direitos, Violência e Homossexualidade (CLAM/CESeC), realizada durante a 9ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, trouxeram à tona dados impressionantes em relação à discriminação e a violência sofridas por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros no ambiente familiar, na escola, no trabalho e em locais públicos, como a experimentada por Lessa. Um dado: 22% dos respondentes tinham entre 30 e 39 anos, enquanto 19,4% revelaram idade superior a 40, possivelmente a faixa etária em que Lessa se enquadra.
De acordo com a pesquisa, o círculo de amigos e vizinhos era citado como o campeão em discriminação – 33,5% dos gays, lésbicas, pessoas trans e bissexuais entrevistados[Horacio3] disseram ter sido discriminados neste ambiente, enquanto 27% apontaram o ambiente familiar. A discriminação nas escolas e universidades, por parte de professores e colegas vinha logo em seguida, com uma incidência de 26,8%. Os ambientes religiosos (20,6%) e de lazer (18%) vinham num segundo bloco, seguidos pelas discriminações no ambiente de trabalho (11,7%) e no atendimento na área de saúde (11,1%).
Entretanto, foram as agressões verbais citadas como as que mais atingem a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e trans – o estudo indicou uma incidência de 55,4%, o que significa que mais da metade dos entrevistados já tinham sido vítimas de xingamentos, humilhações verbais ou ameaças. Para os autores da pesquisa, as agressões verbais são expressivas da “disseminação cultural da homofobia”. “Aparentemente, as sanções sociais e legais para ofensas de natureza sexual não têm sido suficientemente fortes para impedirem a homofobia que se generaliza através da palavra”, ressaltam em um trecho do relatório.
Curiosamente, o nível alarmante de ofensas verbais convive com um ambiente de tolerância e valorização da homossexualidade, no momento em que a cidade acolhe e apóia paradas que reúnem milhares de gays, lésbicas e travestis, e inaugura aparelhos do Estado protetivos dos direitos dessa população. O maior problema, no entanto, também apontado pelo estudo do CLAM/CESeC, era o desconhecimento do próprio segmento em relação aos seus direitos. Ao serem perguntados sobre leis que beneficiam os (as) homossexuais, entre os participantes, 50.1% disseram conhecer a existência de lei, aprovada ou em discussão, no Rio ou no Brasil, que proteja os homossexuais. No entanto, uma proporção quase idêntica (49.9%) disse não conhecer qualquer legislação. A legislação sobre parceria ou união civil foi a mais lembrada (27.7%) entre as 206 menções espontâneas, embora esta nunca tenha sequer sido votada no país.
Essa falta de informação sobre serviços a que procurar parece ser um dos maiores desafios do movimento LGBT: alcançar o segmento de forma eqüitativa e fazer chegar suas informações a esta parcela da população, para que esta tome conhecimento dos serviços existentes que têm à sua disposição. A visibilidade de conquistas locais, como a inauguração do Centro de Referência de Promoção da Cidadania LGBT, tem de ser equivalente à disseminação de informações como a da aprovação do matrimônio gay pelo Senado argentino.
Fuente: CLAM
O Globo
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
" Um dia da caça e outro do caçador"- Natalícia Alfradique
Ontem fui à rua comprar enfeites de natal! Quando me deparei de repente com vários cachorros de rua, maltratados, famintos e sem condições mínimas de sobrevivência. Eu fico incomodada e estarrecida como nós não fazemos nada em prol de melhorias em nossa cidade. Como é difícil encontrarmos parceiros na hora de ajudar o próximo! E tem mais... Alguns ainda judiam dos pobres animais porque disputam com os pedestres um espaço na calçada.
E no mês de dezembro, o mês que todos elegem para sermos mais solidários, isso para nos confortarmos de nosso egoísmo, ainda passamos por estes e nada fazemos. Tive vontade de trazê-los para casa! Mas como tenho um cachorro e mais dois gatos, que acredito que ainda faço pouco por eles, o que fazer com mais meia dúzia, isso em poucas horas de idas e vindas num percurso de 500m?
Fico pensando como a nossa cidade é descuidada, não se vê responsável pela saúde no sentido amplo da palavra. Afinal, esses animais merecem um destino melhor, fora o fato que todos transmitem doenças, por total abandono e falta de cuidado.
Sinto por eles e gostaria de ter soluções práticas para os mesmos. Não sei se existe lei que possa ser acionada em prol dos mesmos, pois eles merecem serem cuidados.
Eu não suporto crueldade! Fico indignada e me revolto quando vejo um ato de vandalismo com os animais. Já cuidei de alguns aqui em frente de minha casa, com a ajuda de alguns vizinhos, mas eles continuavam na rua. Isso era sempre um desafio, pois cuidávamos e no dia seguinte eles estavam machucados devido às agressões que sofriam. Tentei acolher alguns, mas devido o hábito de viverem na rua, eles pulam, arranjam sempre um jeitinho de escapulir.
Se todo ser humano se preocupasse um pouco mais com os animais, não veríamos tantas atrocidades!
Já trabalhei em escolas onde fatos desagradáveis já aconteceram como por exemplo, mães acharem normal o seu filho de 6 anos puxar o rabo do gato,mordê-lo, trancá-lo em gaiolas, apertá-lo como se fosse um boneco, alegando que isso é carinho. Eu pergunto: Alguém gostaria de passar pelo mesmo? Aí, vem logo a resposta... Mas estamos falando de um animal. E eu continuo, mas nós somos animais!? E daí pra frente vocês imaginam a batalha que é para convencer a essas mães, que não faz diferença em ser um agressor de animais ou de gente. Tudo nos leva a cometermos erros, grandes erros!
Uma criança dita saudável não desenvolve esse tipo de perfil... Temos que ficar em alerta quando uma criança não faz a diferença entre ser agredido e em ser o agressor. Quando ele desrespeita a tudo e a todos! Quando em momento algum se coloca no lugar do outro, afinal ora podemos ser vilões e ou vítimas! Mas, quem dirá para essa criança o limite de suas ações? Acredito que num primeiro momento a família. Se a família encoraja uma criança a “machucar” o outro em nome de uma defesa pessoal, fiquemos em alerta. Cuidado! Porque muitos equívocos são cometidos em nome da defesa pessoal, que de pessoal não tem nada, a não ser o incômodo que essas pessoas e ou animais nos acarretam.
Lembram-se da história do índio queimado? Não está muito longe desses conceitos equivocados que temos sobre a falta de limites, da falta de correção de ações erradas que cometemos na primeira infância, e acreditávamos que era uma atitude boba, sem maiores conseqüências. Aí, na fase da adolescência ou adulta os erros se apresentam de forma muito mais contudente. E ninguém não pode dizer que não havia visto isto antes.
Uma vez travei uma discussão com um aluno, porque ele agrediu, machucou um sapo, sem menor sentido. Só pela demonstração de força e de poder sobre o outro. Ele falou exatamente isso: É só um sapo! Porque te incomodas tanto? Juro que tive que me segurar, porque eu já estava perdendo a razão. Não me importa se é um sapo ou um elefante... Isso não faz a menor diferença!
Nesses dias ouvi uma história que também me fez refletir. É a seguinte. Um amigo a passeio ao Mato Grosso foi visitar um fazendeiro. Logo que chegou foi recepcionado com um belo churrasco. No dia seguinte, foi o dia da caçada, onde todos os fazendeiros se reúnem para caçar onça, pois a mesma é um problema para os fazendeiros, afinal cada onça mata inúmeros gados. E o fazendeiro não pode aceitar isso como normal e nem arranjar outra solução que não seja o prazer de sair para caçar. Entender que aqui temos um problema, eu entendo, mas será se as onças são tantas que não podem ter outro destino?
E tem mais... Não bastando à demonstração de força, de poder, saem para caçar jacaré. E isso é uma grande infração, afinal os mesmos estão em área de preservação, de tanto que já mataram estão se tornando extintos. E eles saboreiam só o rabo do jacaré, pois o restante é aproveitado, menos para consumo humano. E tudo é vendido!
E eu me pergunto ainda: Quem é o animal e o humano? Quem é desleal, arbitrário e desumano nisso tudo?
Só o arsenal de armas que esses fazendeiros possuem, dá para armar todos os policiais do Rio de Janeiro. E quantas crianças são criadas vendo isso tudo e achando que é normal? Imaginem eles vendo o filme “Dança com Lobos”, devem rir...
Acredito que um dia essa história mudará. Sei que a esperança em dias melhores virão. Por isso, escrevo por desabafo, por indignação, para que todos possam ajudar a melhorar o nosso planeta, com mais amor e responsabilidade.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Uma carta de amor- Natalícia Alfradique
Minha filha tem várias amigas e uma delas é jornalista. Esta amiga é muito especial, elas se amaram desde o primeiro dia que se conheceram e estudaram juntas desde a alfabetização. Eu sempre a incentivo a escrever a sua história, porque sei que dará um belo livro. Na verdade, temos sempre boas histórias a contar, mas alguns possuem excelentes histórias, mas não conseguem reconhecê-las. Talvez isso se deva a nossa cultura, que nos afirma sempre que gostar de si mesma é uma demonstração de egoísmo e um exagerado ego. Eu diria que não! Mas, infelizmente a escola, assim como as nossas famílias, preferem acreditar nos outros, do que nos seus.
Presenciamos o tempo todo à valorização que damos ao que é importado, não nos incomodamos de como eles nos chegam, de qual o seu destino e que males eles possam nos trazer.
Assim, as histórias desde a minha infância foram construídas. Tudo que era do outro, era melhor do que o meu. Desde os aspectos materiais, até os aspectos intelectuais...
Quantas escolas nos ridicularizavam quando não tínhamos uma pronuncia correta do inglês? Quanto de nós sofria quando não entendíamos a história que nos era contada, afinal era tão distante de nossa realidade que parecia que era uma ficção, que estávamos ali perdendo tempo!
O melhor jeito de se educar é sendo educado. Educado no sentir, no agir e no fazer! E isso nos era arrancado desde cedo, pois escola não é um espaço onde diferentes emoções, sentimentos, discórdias, podiam se digladiar no seu dia a dia.
Isso era considerado falta de educação. Graças a Deus que a liberdade nos chegou, ainda que tardia, ainda após ter feito muitos estragos e criado a síndrome do neurônico único! A este me refiro a àqueles que ainda acreditam no vestibular, que acreditam que após se concretizar seis anos de faculdade de medicina, você deva fazer mais cinco anos de especialização.
Será se no passado os médicos, tiveram essa mesma oportunidade? Será se eles foram piores médicos do que os de hoje? Ou será se isso tudo não passa de uma crise mercadológica, onde o único objetivo é ter mão de obra barata por mais cinco anos? Afinal, quem pode ficar à disposição em um hospital por 40h, com baixa remuneração e ainda construir uma família? Parece-me que nem todos possam fazer essa escolha sem remorso. Provavelmente terá que abrir mão de algo...
Nesse país as histórias se repetem com freqüência. Os anos demoram a passar muito mais que no hemisfério norte. Às vezes penso que o clima influi. Talvez o frio ajude a ficarmos mais em casa lendo e ouvindo música. Não é à toa, que são eles que estão sempre na frente quando o terreno é estudo e trabalho e para completar sempre nos dizem o que é certo ou errado.
Na verdade, temos tantos talentos como eles. Só nos faltam oportunidades! Se cada professor desse país abraçar e acolher a história de vida de um de seus alunos, tudo muda!
Não existem crianças perdidas, existem histórias perdidas, existem crianças excluídas de afeto, de credibilidade, de perseverança e crença em si mesmas.
Fui dar uma palestra e ouvi a seguinte afirmação de uma coordenadora escolar: - Tem mães que vem para cá, nos entregando os filhos e nos dizendo que eles não prestam para nada. E eu respondi para ela:- E Você acreditou nisso!? Não deixe nunca uma mãe te convencer daquilo que você não vê! Não deixe uma mãe dizer aquilo que ela diz por desespero e você faz dela suas palavras, reforçando assim um ciclo vicioso de abandono intelectual e afetivo.
Nós por medida de proteção, dizemos muitas coisas das quais não acreditamos, mas também insistimos na nossas crenças, dizendo sempre a verdade para os pais como são os seus filhos. E muitas das vezes falamos, agimos e fazemos com que o pai acredite em seu filho, discursando para os pais:- Ame seus filhos e contem a eles a sua história de vida, demonstrando o seu amor por eles!
Mas ainda existe escola que por comodidade, por subverniência concorda com aquilo que lhe é mais fácil tratar, sem se dar conta que está indo contra aos próprios princípios que ela acredita.
Eu duvido que alguém na condição de mãe, gostaria de ouvir de um funcionário de uma escola que o seu filho não serve para nada. E, no entanto, falamos em ações, muitas das vezes sem ao menos perceber que o fazemos. E essa é a lógica que nós criamos e os alunos não entendem, se sentem perdidos, afinal dizemos para eles o tempo todo:- Você é bom nisso e péssimo naquilo e vice-versa. Assim, em que devo acreditar? Na lógica dos adultos ou na visão das crianças que ainda estão se construindo como autores de sua história?
O que nos leva a crer que maçã é melhor do que pêra? Que inglês é mais fácil do que alemão? Quais são as nossas crenças que não tiveram uma única influência do outro?
E eu me pergunto: - E quando eu não sou o outro?
Essa é a grande dúvida. A escola tem muito que aprender. A escola ainda deve perceber que eu não existo se não existisse o outro dentro de mim. Somos muitos e na verdade únicos! Não existe verdade que não tenha passado pela inverdade, pois sem a qual a verdade não existiria.
Criei duas filhas, tão diferentes que os caminhos foram arduamente construídos de formas completamente desiguais, mas nem por isso pior. Apenas diferentes! Criei duas filhas para o sucesso, como sempre me ensinaram, mas não as deixei se consumirem na competição desleal de vencer a qualquer preço. E isso eu chamo dignidade.
O pai de minhas filhas é exemplo de vida para as duas e em nenhum momento eu interferi em suas escolhas. E agradeço a ele por ser essa grande pessoa.
Deus me deu a oportunidade de conhecer e ter belas pessoas ao meu lado. Por isso, tento retribuir sendo uma boa amiga e profissional.
Espero que minha filha, que hoje se formou em medicina, faça de sua trajetória um exemplo de vida e que nunca se esqueça de seus bons exemplos, para que o seu trabalho possa sempre ser fonte de boas referências, pois elas que garantirão o futuro das novas gerações.Se cuide filha e enfrente tudo com o coração e muita dignidade.
Beijos de sua mãe.
Natalícia
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
NBA- exemplo de um líder!
Que exemplo lindo!
LEIA O TEXTO ANTES DE ASSISTIR AO VÍDEO
NBA - exemplo de um líder.
Olhem o grande espírito de solidariedade.
Líder não manda, líder encaminha, orienta e fica atento a
todo momento, ele vive o sucesso.
A menina, 13 anos, ganhou um prêmio e foi cantar o Star
Spangled Banner, hino dos EUA, no jogo da NBA.
Vinte mil pessoas no estádio, ela afinadinha.
Aí o braço tremeu, ela engasgou, esqueceu a letra... DEU
BRANCO!!! Treze anos. Sozinha, ali no meio...
O PÚBLICO ESTUPEFATO ameaça uma VAIA.
De repente, Mo Cheeks, técnico dos Portland Trail Blazers,
aparece ao seu lado e começa a cantar, incentivando-a, e
trazendo o público junto.
Bonita CENA e - o que é mais incrível - ... só o técnico
tomou a iniciativa de ir até lá para ajudar, enquanto os
demais à volta dela só observavam estupefatos...
Mostra como uma atitude de *LIDERANÇA e SOLIDARIEDADE, NA
HORA CERTA*, pode fazer uma grande diferença, para ajudarmos
um ser humano e mudar a história do JOGO da vida.
Será que isso já não aconteceu em nossas vidas? E a nossa
atitude foi a do técnico Mo Cheeks ou da de todos que
estavam ao redor, comum e de descaso?
* TEM GENTE QUE ESTÁ NO MUNDO PARA AJUDAR... OUTROS PARA VAIAR *.
*PENSE NISSO. AGORA VEJA O FILME... *
Se tivermos pessoas com essa atitude não estaremos só. Uma
mão amiga na hora certa é tudo.
Fonte: Enviado por email. Grata Gilberto!
LEIA O TEXTO ANTES DE ASSISTIR AO VÍDEO
NBA - exemplo de um líder.
Olhem o grande espírito de solidariedade.
Líder não manda, líder encaminha, orienta e fica atento a
todo momento, ele vive o sucesso.
A menina, 13 anos, ganhou um prêmio e foi cantar o Star
Spangled Banner, hino dos EUA, no jogo da NBA.
Vinte mil pessoas no estádio, ela afinadinha.
Aí o braço tremeu, ela engasgou, esqueceu a letra... DEU
BRANCO!!! Treze anos. Sozinha, ali no meio...
O PÚBLICO ESTUPEFATO ameaça uma VAIA.
De repente, Mo Cheeks, técnico dos Portland Trail Blazers,
aparece ao seu lado e começa a cantar, incentivando-a, e
trazendo o público junto.
Bonita CENA e - o que é mais incrível - ... só o técnico
tomou a iniciativa de ir até lá para ajudar, enquanto os
demais à volta dela só observavam estupefatos...
Mostra como uma atitude de *LIDERANÇA e SOLIDARIEDADE, NA
HORA CERTA*, pode fazer uma grande diferença, para ajudarmos
um ser humano e mudar a história do JOGO da vida.
Será que isso já não aconteceu em nossas vidas? E a nossa
atitude foi a do técnico Mo Cheeks ou da de todos que
estavam ao redor, comum e de descaso?
* TEM GENTE QUE ESTÁ NO MUNDO PARA AJUDAR... OUTROS PARA VAIAR *.
*PENSE NISSO. AGORA VEJA O FILME... *
Se tivermos pessoas com essa atitude não estaremos só. Uma
mão amiga na hora certa é tudo.
Fonte: Enviado por email. Grata Gilberto!
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