
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A linguagem na infância

segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Tempo de delicadeza

Mas houve um tempo em que tive que lutar muito. Nasci e tive que batalhar para viver. Lutei tanto que acredito que hoje a minha luta é pequena, os maiores desafios eu superei até um ano de vida.
Fui privilegiada, tive minhas irmãs ao meu lado o tempo todo. Para elas eu era uma boneca, afinal eu era tão pequena que cabia na palma da mão de minha irmã.
Fui batizada após ter alcançado o peso ideal, isso já com um ano e foi quando tirei a minha primeira foto. Na verdade esse dia foi celebrado em dobro, esse foi o meu real nascimento. A felicidade era total. Eu que nasci e fui colocada em uma caixa de sapato, cheia de algodão e com uma garrafa de água quente do lado para me aquecer, logo, logo, esperneei por um espaço maior.
Nasci em um dia onde se celebra o nascimento do menino Jesus, o Mestre dos mestres, imagina compartilhar essa data com os amigos e os inúmeros parentes. Era uma grande festa! A casa ficava quase que intransitável, de tanta gente se abraçando, pois era um momento onde todos podiam se reencontrar depois de um longo tempo sem se ver.
Falar de infância não é algo tão fácil assim. O esforço de ser fiel a um tempo que ficou para trás não é fácil.
O que me faz saber que estou sendo fiel ao que vivi, são as lembranças que ora me vêem a mente e os relatos amorosos que minha irmã conta com muito carinho e até com muita vaidade.
Tenho sonhado com bons momentos que vivi. Os amigos de infância são os amigos de rua também. Não havia distinção. Na verdade amigo era amigo. Não importava se era negro, pobre, rico, se gostava de batata frita ou não, eles eram presenças constantes.
O tempo passa e o que trazemos dessa época com certeza se traduz na pessoa que sou hoje. Acredito que amor de mãe acontece muito antes do nascimento e perdura para sempre com gestos e atitudes.
A responsabilidade que dividimos com a família, com os jovens e adultos que convivo diariamente, nos ajudam a reviver essas lembranças, que querendo ou não fazem parte de sua história de vida e que é única.
E eu sou única, na medida em que fiz as minhas escolhas e hoje traço os caminhos que percorri. Tenho família e junto dela passo os melhores momentos. Ainda não sou avó, mas acredito que em breve serei e com certeza começo um novo ciclo. Ciclo este que se renova a cada instante, pois a vida é um eterno desafio, onde não deve faltar: o amor, gestos delicados, dia de sol, natal, aniversários e chocolate! Ah! E o meu Amor...
sábado, 10 de outubro de 2009
A adoção de crianças
Não solicito só atenção e nem piedade, solicito reflexão sobre um assunto que deveria ser dado pelos meios de comunicação mais prioridade, sendo aberto um canal de discussão constante que é: A Adoção de crianças independente do gênero, cor , raça ou idade.“A criança tem o direito a uma família, não são os pais que têm direito a filhos. Uma adoção não vai resolver a situação de um casal com problemas conjugais, por exemplo”, afirma.
Quem quer adotar precisa saber que vai ter que passar e ser aprovado por uma série de análises de especialistas da Vara da Infância. Algumas pessoas têm uma dificuldade muito grande para serem avaliadas. Elas acham que o simples fato de quererem ser pais é suficiente, não aceitam as avaliações.
Se você pensou bem e está preparado, confira agora o que acontece em um processo normal de adoção:
Quem pode adotar: - Qualquer pessoa maior de 18 anos independente de seu estado civil. Os pais adotivos precisam ser no mínimo 16 anos mais velhos que o adotado.
10 passos para adotar:
1) O primeiro passo é procurar a Vara de Infância e Juventude mais perto de sua casa e entrar com um pedido de adoção. “Não é preciso advogado e é tudo de graça”, afirma o juiz Torres de Carvalho.
2) Após a entrada do pedido, você será encaminhado para o setor técnico da Vara, onde assistirá palestras de orientação sobre a documentação e os cuidados necessários.
3) Os futuros pais considerados aptos são encaminhados para entrevistas com psicólogos e assistentes sociais. Os considerados não-preparados recebem o contato de grupos de apoio para pretendentes à adoção.
4) Nas entrevistas, os pais são avaliados. Nessa fase, a casa dos adotantes também deve ser visitada por assistentes sociais.
5) O setor elabora um parecer técnico sobre as condições da futura família, que vai ao Ministério Público. O Ministério Público analisa o caso e faz o seu próprio parecer. O processo todo é encaminhado ao juiz da Vara.
6) O juiz decide se os pais estão habilitados para a adoção. Se estiverem, seu registro vai para o Cadastro Nacional de Adoção. Se não estiverem, eles podem recorrer à decisão.
7) Depois dos pais estarem devidamente cadastrados, o juiz vai ver quais crianças ele tem disponível para adoção que correspondem ao perfil especificado. “O principal cuidado é encontrar uma família que seja adequada à criança”, afirma Carvalho. Quanto menos exigências o casal fizer, mais rápida é essa fase.
8) Se os pais concordam com a sugestão do juiz, começa a fase de “aproximação”. A criança começa a ser preparada no abrigo para conhecer a família. A família são informados sobre a história da criança.
9) Os pais conhecem a criança gradativamente. Primeiro, vêem de longe. Depois, conhecem dentro de um grupo. Após algumas visitas, levam a criança para passear. Mais tarde, para dormir na casa da família. Assistentes sociais e psicólogos acompanham o processo.
10) Se tudo der certo, os pais recebem a guarda da criança por um "período de convivência”. A Vara e o abrigo acompanham tudo. Quando a nova família for considerada “estável”, a adoção é formalizada e a criança é considerada filha, com todos os direitos de um filho biológico. De acordo com o juiz, é impossível precisar o tempo que o processo leva. “Varia de casal para casal, de caso para caso”, afirma.
“Mesmo entre as pessoas que têm um perfil mais aberto é difícil. Há casos de pais para quem não importa o sexo da criança, nem a idade, nem a cor e ainda assim eles têm que esperar por que geralmente ninguém quer uma criança com um histórico de violência”, afirma ele. “As crianças que vão para adoção não fizeram pré-Natal no Einstein. São crianças que foram abandonadas e estão traumatizadas.”
Para Liberati, os pais adotivos precisam estar preparados por que sua missão é “resolver o problema da criança”. “Essa criança provavelmente veio de um ambiente difícil. O trabalho dos pais será consertar isso. Não é fácil”, afirma.
Adoção dirigida
O juiz Reinaldo Cintra Torres de Carvalho explica também que é crime de falsidade ideológica “adotar” uma criança simplesmente a registrando como se fosse sua. “Essa é uma prática que diminuiu muito devido às medidas tomadas para inibir o registro fora das maternidades, mas ainda existe. É bom lembrar que isso é crime”, afirma.
Adotar uma criança já conhecida é possível, mas precisa obedecer algumas regras. A chamada “adoção dirigida” só é permitida pelo juiz caso seja comprovado um “vínculo afetivo” entre os pais biológicos e os potenciais pais adotivos. “Por exemplo, se for um parente, um padrinho ou um amigo comprovadamente de muitos anos”, afirma.
Entrega para adoção
Quem quer entregar uma criança para adoção, por qualquer motivo, também deve procurar a Vara da Infância. “Quem não tem condições ou não quer, por qualquer motivo, criar uma criança não só pode, como deve, procurar a Vara. Lá, essa mãe vai receber todo o apoio necessário. A Vara vai tentar ajudar a situação para que a família permaneça unida, mas se isso não for possível, vai receber a criança da melhor maneira possível”, explica.
Fonte:www.o globo.com.br
" Onde você coloca o sal"
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Uma visita ao Blog “Administrando Pessoas”
Não esperava uma atitude tão aberta e desafiadora. Bem, não vivo na Califórnia, vivo em uma cidade pequena, metida à cidade grande e ainda muito provinciana.
O desafio é lançado com originalidade, com certeza haverá muitas opiniões controversas, mas haverá também opiniões favoráveis. Não tenho conhecimento suficiente para ter uma orientação técnica sobre o assunto, isto é, será se o universo da ciência tem algo revelador para nos dizer a respeito do homossexualismo? A única coisa que tenho é o que sinto, percebo e vejo no meu pequeno mundo.
Sou contra o aborto. Sou contra a discriminação sexual. Sou contra o racismo. Sou contra a discriminação de gênero, cor e raça. Sou contra o uso de animais em laboratórios. Sou contra a injustiça. Sou contra a tourada e contra a qualquer ato desumano com os animais.
Sou preconceituosa, porque fui criada dessa forma. Mas luto todos os dias para vencer essa barreira. Sou conservadora, sou romântica, tenho opinião, sou centralizadora, sou favorável à união e sou principalmente família. E não sou hipócrita!
A nossa sociedade adora uma hipocrisia. Adora sorrir e fazer média. Adora ser deslumbrada!
Vejo o universo de forma a reconhecer que ele é muito maior do que a minha possibilidade de julgamento. Vejo que o homem cresce em busca de respostas. Mas não cresce tanto quanto deveria quando se restringe ao seu universo para julgar o “comportamento” do outro. Isso é perda de tempo.
Você já parou para pensar que o seu último desejo antes de morrer, será realizado por outra pessoa e que na verdade você não irá desfrutá-lo?
Você já parou para pensar que de repente, esse desejo represente tudo aquilo que você queria, mas não teve “peito” para assumir?
Eu tenho pensado sobre isso... Quantas pessoas detestam o seu trabalho e não saem por medo.
Quantas pessoas que só querem ter uma família, o seu projeto de vida é este, e não se realizam porque a sociedade te convence o tempo todo que o melhor indivíduo é aquele que se encontra no mercado de trabalho e de preferência no topo. “Essa afirmação “me fez lembrar tal programa chamado” O APRENDIZ”. Pior que o modelo deste é o apresentador ( esse é o tipo de perda de tempo nada recomendável e nada eficaz!) Eu fico a imaginar como uma pessoa inteligente (bem todos nós somos inteligentes!), pode se oferecer para tanto. Este é de uma arrogância e prepotência, que mesmo sendo de fachada me incomoda.
Bem, alguns dirão, então este cumpriu o seu papel. Não acredito! Ali há uma enorme exposição de ego, que só não é maior que os comerciais dos intervalos, porque não podem ser.
Eu sou avessa a comerciais. A maioria dele deveria ser banida. Para mim este é um meio promissor à apatia, a intolerância e ao desrespeito ao ser humano. Vende-se o tempo todo gato por lebre.
O meu universo ainda é poético. Preciso de livros. Necessito sempre com urgência da escrita para dizer o quanto posso ser melhor e de preferência estudando, criando e trabalhando. Fico satisfeita quando ouço um noticiário e fico sabendo que alguém descobriu a cura de uma doença grave e ou escreveu um novo livro. Como isso me faz feliz!
A vida é assim. Você vive por ela e com ela, criando, reinventando, fazendo e desfazendo os equívocos a todo tempo. Não existe a pergunta respondida, que não mereça ser revisitada. Nada é definitivo!
Tenho certeza que se fosse pra existir algo “definitivo”, este seria o homem, como não é...
Coloque-se sempre no presente. Coloque amor e originalidade em tudo. Se for possível, pense grande, mas com responsabilidade. Sonhe, sonhe muito... Não há nada melhor do que acreditar em si mesmo. Ame, ame muito, pois só assim a sua vida terá valido a pena. E nunca desista! Amanhã é um novo dia e tudo se renova.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
" Eu carrego você comigo"...(Poema de E.E. Cummings)

Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você
Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja
Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distancia
Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.
(Poema de E.E. Cummings)
" O Lixo" - Luis Fernando Veríssimo
Este texto nos faz refletir sobre o nosso lixo... Principalmente o lixo interior, que insistentemente lidamos no dia a dia, com o nosso e os dos outros. Quanto lixo carregamos sem necessidade, penso eu... Mas ainda há tempo para refletirmos. Então, compartilho com vocês essa crônica.
O Lixo
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?
Fonte: http://portalliteral.terra.com.br
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
" Enquanto houver um adulto lendo, haverá uma criança para imitá-lo"

A carreira da escritora de “Bisa Bia, bisa Bel” em um bate-papo na XIV Bienal do Livro Rio com Ruth Rocha, outro ícone da literatura infantil no país que também comemora as suas quatro décadas de trabalho. Após o debate, Ana Maria irá autografar cópias da segunda edição de seu “Palavras, palavrinhas e palavrões”, no estande da editora FTD.
Presença indispensável nas bibliotecas escolares e listas de favoritos de leitores-mirins pelo menos desde a década de 1980, Ana Maria não é lembrada com a mesma intensidade nas páginas de resenhas de jornais e internet quanto poderia, mas tampouco se intimida com isso.
“Em todas as bienais, por exemplo, e grandes feiras de livros, o volume de vendas do setor supera (em muito) as vendas de livros para adultos. As tiragens médias de infantis são sempre mais altas do que as de adultos — e a vida editorial dos livros (seu tempo de permanência nos catálogos das editoras, sendo reimpressos e vendidos ou ganhando novas ilustrações e capas após alguns anos) também. Conseguir esse feito com muito menos espaço na imprensa só confirma o vigor do segmento e sua independência em relação à percepção ‘oficial’ adulta”, defende a escritora.
E, como uma boa professora de português, aproveita para puxar a orelha do jornalista: “O Brasil conhece seus autores de literatura infantil. Quem não os conhece são os chamados ‘formadores de opinião’. Um fenômeno interessante, capaz de fazer pensar no que aconteceria com ‘este país’ se ele fosse ajudado por quem tem poder para incentivá-lo”.
Em tempos de MSN, videogames e TVs a cabo, a escritora não engrossa o coro dos que acham que os livros são pobres-coitadinhos no embate com as novas tecnologias. A briga não é de hoje, lembra. Antes, “havia quintais (com árvore, cachorro etc.), brincadeiras na calçada, turmas de rua, todos a atrair a atenção das crianças”. E completa: “O mundo é mesmo muito atraente, para todas as idades. A literatura faz parte dele, é apenas um de seus encantos. Pode ser que os livros percam a disputa e daqui a pouco desapareçam. Pessoalmente, creio que é até mais provável que isso aconteça antes para os adultos e só depois para as crianças, a julgar pelas tendências do setor. E porque enquanto houver um adulto lendo, será um exemplo para a criança que o ama e o deseja imitar como modelo”.
Vão-se os livros, ficam as palavras.
Há pelo menos duas décadas, depois de abandonar o jornalismo e as aulas em colégios e universidades, Ana Maria vive dos livros – tem mais de 200 publicados, entre histórias infantis e adultas e traduções -, mas reforça que, no caso de um eventual desaparecimento dos impressos em papel, sobrarão certamente as palavras. “Há 2.800 anos, lá na Grécia, quando ainda nem se tinha inventado a escrita, Homero ou outros poetas cantavam e contavam ‘A Ilíada’ e a ‘Odisseia’ ao som da lira em palácios de pedra ou em praças diante de templos de mármore deslumbrantes.
É por isso que ela acha “válido” – e não temerosas – iniciativas como as da Floresta de Livros da Bienal do Rio e do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, que usam recursos de áudio, vídeo e computação para tornar a literatura atraente para o público infantil. “As histórias podem ser contadas de várias maneiras. ‘Troia’ pode ser um filme com Brad Pitt. Ou um jogo de videogame. Ou um desfile de escola de samba, como as referências a ela que o Império Serrano fez ao contar a história de Zumbi dos Palmares. São coisas diferentes, ligadas a emoções distintas e produzem formas diversas de transmissão de conhecimentos. Quem se contentar com a mais pobre delas, tem o direito de escolher ficar só com ela. Ninguém precisa lhe enfiar livros pela goela abaixo.”
Fonte: Entrevista da escritora Ana Maria Machado A ruth Rocha na Bienal- " O Globo Notícias".
terça-feira, 29 de setembro de 2009
"Privacidade encarada"- Rosely Sayão

" A Mulher Madura"- Affonso Romano de Sant'Ana
