quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O medo não pode ser um estilo de vida por Roberto Shinyashiki

Viver preocupado e inseguro não pode ser uma opção de vida.

Você já notou como o mundo está repleto de medo? As angústias estão mais presentes na vida das pessoas do que sua própria sombra. Muita gente vive em um estado de apreensão constante, como se viver fosse um peso a ser carregado a cada dia.

A insegurança é, provavelmente, a pior das doenças da humanidade. Não estou falando daquele medo saudável, que nos leva a ser cautelosos e a proteger a nós mesmos. Mas, sim, daquele medo irracional que muitas vezes fica tão grande que nos paralisa.

O medo de amar e não ser amado, intensificado por fantasias derrotistas, impede que você se lance à mais bela de todas as aventuras do ser humano: viver um grande amor.

O medo de não suportar as dificuldades à sua frente o impede de viver plenamente a vida.

O medo de não conseguir aquele emprego nos faz nervosos durante os testes e as entrevistas, pondo tudo a perder.

O medo de não fechar um negócio faz com que você nem ao menos marque a reunião com um cliente potencial.

O medo de viajar de avião faz com que você não consiga comprar a passagem aérea enquanto seus amigos vão se divertir.

A cara feia de uma amiga na hora do almoço logo se torna um exercício de tortura, pois você fica tentando imaginar o que a teria levado a se comportar daquela maneira. ("Será que teria a ver com algo que eu tenha feito?")

Quando o medo está presente no seu coração, você fecha todas as suas portas para o amor, pois a insegurança faz com que a solidão seja mais suportável do que ver um novo amor terminando.

Muitas pessoas vão para seus encontros afetivos com tanta apreensão que qualquer coisa em seu caminho se transforma em motivo para desistência. Tem gente que, quando sai com alguém com quem está envolvida, tem de escutar sua mente repetir muitas vezes: "Eu sei que não dará certo".

Um vendedor vai para uma reunião de negócios com a mente repetindo muitas vezes: "Eu sei que não dará certo".

Um estudante vai para a prova com uma voz interior dizendo: "Eu sei que não dará certo".

E adivinha o que acontece: acaba não dando certo mesmo!

O medo, aquela emoção natural de cuidado, de proteção, de atenção com o que pode apresentar riscos reais, atualmente está se transformando em uma paranoia sem limites.

O medo da violência nas ruas transforma-se em assombrações grandiosas, e as pessoas portam-se como crianças assustadas. Já não distinguem a realidade da fantasia e tudo as assusta. Muitos adultos passam a ter medo de coisas tão imaginárias quanto o bicho-papão. São adultos agindo como crianças indefesas, apavorando-se em plena luz do dia, pensando que seus medos são verdadeiros.

Muitas vezes, vejo terapeutas atuando com o objetivo de tranquilizar adultos que agem como crianças com medo do escuro. Vejo adultos pedindo ajuda a esses profissionais para adquirir coragem de ir à festa da empresa porque têm medo de que algo dê errado.

Para muitas pessoas, o medo atua como um microscópio que amplifica as dificuldades e que, muitas vezes, distorce um acontecimento simples, dando-lhe o aspecto de uma desgraça de enormes proporções.

Um homem inseguro é capaz de imaginar a esposa fiel como a pior das adúlteras.

Um chefe assustado pode interpretar o interesse do funcionário em participar de um congresso como um sinal de que ele está procurando outro emprego - ou até mesmo de que queira tomar o seu lugar. Resumindo: o medo faz com que interpretemos fatos simples como se fossem inimigos monumentais.

Viver inseguro tornou-se um estilo de vida. Mas isso não tem necessariamente de acontecer.


Fonte: uol.com.br

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vista a camisa da Educação!

Caros Amigos
Sou testemunha desse desrespeito ao educador. Faço parte dessa categoria por 28 anos e não vi até hoje nenhum governador cumprir o que realmente prometeram. Espero que a população não se iluda e olhem com respeito e admiração aqueles que ensinam os seus filhos. Junte-se a nossa palavra, só ela nos conduzirá para dias melhores. Grata.

Carta aberta a população do Estado do Rio de Janeiro – Vista a camisa da Educação!


Carta aberta a população do Estado do Rio de Janeiro – Vista a camisa da Educação!Nós, professores servidores do Estado do Rio de Janeiro, escrevemos esta carta aberta à população do Rio de Janeiro para mostrar aquilo que realmente envolve a questão a incorporação da gratificação chamada Nova Escola e a diminuição do nosso plano de carreira.A princípio, não foi dito o valor do salário do professor estadual, que é de apenas R$ 607,26.
A população deve imaginar que recebemos alguma ajuda extra, como vale transporte, vale refeição, que qualquer empresa é obrigada a pagar a seu funcionário. Porém, não é isso o que acontece: não recebemos estes benefícios que são direitos de todo o trabalhador e ainda temos o desconto previdenciário de 11%, recebendo um salário líquido de aproximadamente R$ 540,00.
O Governo faz propagandas na televisão dizendo que deu laptops para todo professor, mas na verdade, estes laptops foram adquiridos pelo sistema de comodato, ou seja, estes equipamentos são emprestados pelo governo que, quando bem entender, pode pedir os mesmos de volta.Atualmente, observamos a climatização das salas de aula, onde o Governo aluga os aparelhos e ainda terá um consumo absurdo de energia elétrica, gerando consumo de energia bastante elevado.A incorporação do Nova Escola se dará até 2015, em 7 parcelas.
O governador já se considera reeleito. Existem casos de professores que receberão, no ano que vem, segundo este projeto, um aumento de R$ 2,47! Isso mesmo, talvez não dê para pagar uma passagem com o valor deste aumento em 2010.
Um outro ponto é o grande número de pedidos de exoneração de professores, estima-se que seja aproximadamente 30 por dia! Não existem condições de trabalho e isso nos incomoda.Contudo, o que mais nos deixa indignados, é a carta compromisso enviada aos nossos lares onde o mesmo governador empenha sua palavra e agora se esquece de tudo aquilo que prometeu. As promessas são:
Promessa 1- Reposição das perdas dos últimos 10 anos.Resultado- Reajuste de 4% e mais 8% de uma perda de mais de 70%.

Promessa 2- Manutenção do atual plano de carreira e inclusão dos professores de 40h.Resultado- Não só manteve o professor 40h de fora do plano como diminuiu as diferenças entre níveis de 12% para 7,5%.

Promessa 3- Fim da política da gratificação Nova Escola e incorporação do valor da gratificação ao piso salarial.Resultado- Esqueceu de avisar que seria em 7 anos e sem reposição da inflação.

Promessa 4- "A secretaria de Estado de Educação do meu governo terá como titular pessoa com histórico na área de educação e vínculos com o magistério."Resultado- A atual titular da pasta é da área de computação, burocrata sem passagem pelo magistério.Não somos ouvidos, e ainda vemos a imprensa nos virar as costas e distorcer a situação real. Somos pais e mães de família, que fizeram um curso superior, na esperança de um futuro melhor.
Contamos com a compreensão e a colaboração da população do Estado do Rio de Janeiro.Vista a camisa da Educação, você pode não ser professor, seu filho e sua família podem não precisar da Educação Pública, mas a nossa sociedade só vai melhorar com Educação Pública de qualidade Faça a sua parte, essa será uma verdadeira mudança na história da Educação no Estado do Rio de Janeiro, porém precisamos adequar a verdadeira realidade do magistério Estadual.Mande para os seus contatos e vamos mostrar a nossa força!!!!!!!Agradecemos imensamente a atençãoProfessores do Estado do Rio de Janeiro

A difícil arte de ser criança


Um colega, professor universitário, disse que não gostaria de ser jovem no mundo de hoje. Penso sempre nisso e concordo com ele. Agora, tenho a mesma maneira de pensar a respeito da criança. Como é difícil ser criança no mundo em que vivemos!
Nos primeiros anos de vida, quando deveria ser livre para brincar, para se relacionar com outras crianças -não necessariamente da mesma idade-, para explorar o mundo com liberdade, sem hora marcada e roteiro preestabelecido, ela precisa bancar uma vida ao modo do adulto e do que ela deverá se tornar no futuro.
Menores de seis anos têm agenda apertada a cumprir, obrigações dos mais variados tipos, preocupações dignas de adultos, escolarização precoce e tudo o mais. Pouco resta de tempo que possa ser usado para a coisa mais importante desse período: brincar sem compromisso. Não há espaço na vida delas para o ócio, veja só.
Depois dos seis anos, mais ou menos, a criança deveria se desenvolver: passar, progressivamente, a se responsabilizar por suas coisas, assumir compromissos, encontrar soluções para situações problemáticas próprias de sua vida, aprender. É o tempo de crescer, que coincide com o início do árduo aprendizado da leitura, da escrita e da aritmética. A vida na escola, que nesse momento representa o mundo para a criança, é, portanto, a situação privilegiada para que ela cresça. E não é que muitos pais têm atrapalhado os filhos em seu crescimento e, portanto, não têm deixado que isso ocorra?
Esses pais têm o que julgam ser um bom motivo: protegê-los de injustiças, sofrimentos, frustrações e problemas. Na verdade, impedem que eles cresçam. Crescer dói e, portanto, certos sofrimentos são inevitáveis.
Há pais que reclamam dos professores de seus filhos, por exemplo. Ora são considerados bravos em demasia, ora injustos em suas atitudes, ora rigorosos ou exigentes além da conta. Acontece que a criança dessa idade precisa aprender a lidar com as incompreensões do mundo, com as pequenas injustiças, com as exigências e cobranças a ela dirigidas, entre outras coisas. Crescer supõe construir mecanismos para fazer frente a essas situações.
Lembro-me de um trecho de um livro de Françoise Dolto -transcrição de um programa de rádio em que respondia a pais aflitos- em que a psicanalista sugeriu que a mãe, cujo filho se recusava a ir para a escola porque a professora era muito brava, dissesse a ele que, se a professora ensinava, não tinha importância se era brava. Esse é um modo de dizer que o filho não pode se recusar a crescer, que esse é seu destino.
Há pais que não querem que filhos dessa idade enfrentem dissabores e arquem com as consequências de seus atos. Permitem que drible os colegas ou a escola quando precisam prestar contas de alguma atitude ou dever. Há os que aceitam desculpas esfarrapadas para os mesmos erros repetidas vezes.
Precisamos ajudar essas crianças a crescer, a seguir em frente. Caso contrário, estaremos plantando um futuro infantilizado em suas vidas.

Categoria: Folha Equilíbrio
Escrito por Rosely Sayão

sábado, 12 de setembro de 2009

" Maluco Beleza"

Maluco Beleza
Misturando lucidez e maluquez
Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...
Eu do meu lado
Aprendendo a ser loucoMaluco total
Na loucura real...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...
Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza...

Raul Seixas
(Cantor e Compositor Brasileiro)

Os limites entre a lucidez e a insanidade, de tão tênues, passam despercebidos pela maioria das pessoas. E, mais do que isto, no mundo em que hoje vivemos, de ritmo tão alucinado e frenético, cruzar as linhas que delimitam aquilo que é considerado são para o que chamamos de loucura torna-se tão frequente que a percepção da sanidade e da insanidade foi ficando cada vez mais difícil...

Afinal de contas, quem é louco e quem é lúcido?

Lúcido é o sujeito que vive dentro daquilo que chamamos de normalidade podem dizer muitos. Mas a que normalidade se referem? Aquela que nos leva de casa ao trabalho e do trabalho para casa, num movimento sem fim em que fazemos tudo igual, com pouca ou nenhuma alteração de nossos cotidianos?

Lúcido é quem paga contas, pratica esportes, corta cabelo, escova os dentes, faz compras, muda de emprego, confere o saldo bancário ou vai ao cinema? Normal pode ser considerado o sujeito que ama a vida e não se submete a estereótipos, mantém sua originalidade, dá passos firmes em direção a trajetórias que escolheu por conta própria e que o fazem sentir real prazer em estar vivo, respirando, pensando...

E o louco? Quem é? Pode ser o Chico Picadinho, que corta em pedaços suas vítimas ou o Maníaco do Parque, para citar os casos mais notórios de insanidade, pensam tantos outros. A loucura estaria então nos atos impróprios e, principalmente, violentos...

Mas, e os loucos que oferecem flores e se isolam do mundo por opção, pois não se sentem incluídos? Sua reação, não violenta, não agressiva, denota loucura pela busca de um espaço onde se sintam melhor, onde se percebam dentro... Que tanto há de loucura nisto? E quais são os locais onde se refugiam? Dentro de si mesmos? No meio do mato? Na química que os isola e os aniquila?

Raul estava certo quando dizia que “controlamos” a nossa maluquez e a misturamos a uma esperada “lucidez”... Trazia a tona a lógica tão apropriada e adequada a este milênio, aquela do ditado popular que diz termos um pouco “de médico e de louco”, todos nós...

Mesmo os mais lúcidos já transgrediram e precisam disto como necessitam do ar que respiram... Ainda que diagnosticados como insanos, há muito mais lucidez por trás dos atos de muitos loucos do que imaginamos e jamais nos daremos conta disso, pois não queremos ouvir o que dizem, entender o que pensam, nos dispor ao diálogo com eles...

O certo é que, na vida, não há certos definitivos, assim como, por conseguinte, não é possível definir e estabelecer de forma igualmente definitiva, quem são os loucos e os lúcidos entre nós...

João Luís de Almeida Machado - Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O paradoxo do nosso tempo

O paradoxo do nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas desfrutamos cada vez menos; temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus académicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas; mais medicina, mas menos saúde.

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma perdulária, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores.

Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência; aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida; adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos; já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com o nosso vizinho; conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior; fizemos coisas maiores, mas não coisas menores; limpamos o ar, mas poluímos a alma; dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos.

Escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos; aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência; temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral; temos mais comida, mas menos apaziguamento; construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação; tivemos avanços na quantidade, mas não na qualidade; estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e de carácter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos; estes são tempos em que se almeja a paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de comida, mas menos nutrição; são dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados.

São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, ficar por uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar. É um tempo em que há muito na vitrina e nada no estoque.

Fonte:César Romão em Estórias e Metáforas

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sentar-se à janela do avião


Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.

No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa etal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.

As poltronas do corredor agora eram exigência. Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.

Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar. E , num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos. Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e ganhar tempo, pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.

(Alexandre Garcia)
Blog: Hora do Recreio de Berenice

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma ideia em construção...


Lidar com crianças no dia a dia é algo que requer um esforço maior, vai além de um simples olhar...
Quando estamos lidando com crianças de sete anos em diante, ter um manual na cabeceira da cama, não ajuda muito. Alguns apelam até para um consultor, tipo aqueles que sempre têm muitas respostas prontas pra tudo.

Hoje existe até departamento em algumas universidades para que nos tornemos especialista do especialista em determinada área, assunto, com o intuito de entendermos e aplicarmos alguns conhecimentos que são comuns às crianças nessa fase.

Quando falamos sobre o desenvolvimento da criança sempre nos referimos as teorias de Piaget e outros, que na verdade contribui e muito no entendimento de algumas questões por ele estudada. Mas... Essa criança cresce e nem tudo foi explicado, pelo menos a curiosidade persiste.

As crianças de hoje, respondem as questões presentes e atuais de forma diferenciada das crianças das décadas passadas. A surpresa é a constatação que as respostas são tão complexas que chegamos a nos perguntar da onde ela saiu, como se a mesma não coubesse naquela “cabeça de criança”. E ficamos perplexos e mais ainda, muitas das vezes sem respostas.

Assim, começa o desafio dos educadores, pais e dos professores, porque estes habitam, ou melhor, coexistem num mesmo universo e interagem de forma plena, usando todos os recursos existentes na busca de novos elementos.

Quando nos deparamos com um elemento fora de contexto, ao invés de refletirmos, estudarmos, fazemos alarde, no intuito apenas de informar e não de educar.

Uma criança recebe por dia milhões de informações, o que as tornam reféns pelo excesso da mesma. Digo que a falta como o excesso de informações causam a saúde mental da criança um prejuízo enorme.

Na escola as informações são sempre conduzidas através de uma seleção prévia e o que as faz serem direcionadas ao interesse da criança. Estas são utilizadas como mediadora de novos conhecimentos que são gerados como se fosse uma grande “corrente elétrica”, que gerasse novos conhecimentos.

Mas o que difere nas internalizações desses conhecimentos; é que os mesmos sendo bem aproveitados geram cultura, que ora para alguns indivíduos são perceptíveis e para outros não passam de conversa “fiada”.

Infelizmente nem tudo pode ser ensinado, eis outra questão. Sem dúvida o que trazemos no interior do “nosso corpo”, interfere e muito nas nossas escolhas.
E é essa a batalha que os educadores travam hoje: o que é natural (isto é, o que é da natureza humana), e o que é adquirido (o que se adquire no ambiente), independente do meio e da fonte (pessoa).

A ideia a princípio nos leva a retornar a um passado não muito distante. Pensávamos que essas questões já tivessem esgotadas e que não deveríamos mais nos preocupar. Mas o que parece é que ainda temos muito que desvendar. O mistério da mente, a descoberta da importância da memória, vem a contribuir para um novo olhar sobre os aspectos humanos e ambientais.

Acredito que o que devemos ter em mente é que o desenvolvimento humano ainda carece de entendimento, seja no âmbito da esfera psíquica ou no aspecto intelectual. Penso que nem as descobertas de novas tecnologias responderão as necessidades humanas em sua própria concepção. No máximo elas nos absorverão no intuito de amenizar a dor pela falta de compreensão do que seja uma existência plena de sentido e de existir.

Não escolhemos talvez as melhores metodologias de estudo e assim sendo nos desumanizamos diante de tantas perguntas sem respostas. O ser humano - o indivíduo, ainda carece de uma metodologia de trabalho onde o objeto de estudo não seja uma experiência de ego.

Assim, não é tempo de nos aposentarmos das nossas indagações e sim encontrarmos fontes motivadoras de diálogo, de escuta e de respostas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Esqueceram de mim ou o Fracasso do G-20 - Frei Betto

Meu nome é miséria. Comprometo, hoje, a vida de cerca de 1,5 bilhão de pessoas, sobretudo crianças desnutridas, vulneráveis à morte precoce.
Tinha esperança de que na reunião em Londres, no início de abril, o G-20, que reúne as 20 maiores economias do planeta, se lembrasse de mim. Hoje, devido à indiferença dos que governam o mundo, ameaço a maioria da população da África, cuja situação é agravada por cerca de 25 milhões de pessoas contaminadas pelo HIV. Em menor proporção, estou presente também na Ásia e na América Latina.

No Brasil, sou encontrada a olhos vistos no Vale do Jequitinhonha (MG), na fronteira entre Alagoas e Pernambuco, no interior do Maranhão e do Pará, nas tribos indígenas e entre a população quilombola. E, de modo aberrante, nas favelas que circundam as grandes cidades.
Esperava que o G-20, frente à crise financeira mundial, fosse destinar recursos para reduzir a minha incidência global. Segundo as Metas do Milênio, da ONU, bastariam US$ 500 bilhões para erradicar a fome crônica que, hoje, castiga 950 milhões de pessoas.

Os governantes do G-20 sofrem de hiperopia, o contrário da miopia: enxergam muito mal de perto. Em vez de debaterem como livrar o mundo da minha presença, decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para “salvar o mercado”, entenda-se, FMI, BID, Banco Mundial, grandes empresas e bancos – os responsáveis pela crise.

O capitalismo neoliberal deu um tiro no próprio pé. Agora apela aos cofres públicos para socorrer os “pobres” miliardários que costumam transformar a injeção de recursos em bônus astronômicos aos executivos de empresas sob risco de falência.
Que decepção o G-20! Pensei que daria fim aos paraísos fiscais. Em vez de fechar o bordel, decidiu divulgar o nome de seus frequentadores. Viva o império dos laranjas! Já deve ter gente abrindo empresas capazes de dividir a grana do narcotráfico e da corrupção em porções mais palatáveis.

Por que o G-20 não proibiu governos, empresas e pessoas físicas de terem ativos em paraísos fiscais ou de se associarem a instituições ali estabelecidas? A resposta é óbvia: encarregou a raposa de manter fechado o galinheiro...
Vários países europeus são verdadeiros Éden para as finanças escusas: Suíça, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, a City de Londres etc. Quem garante que esses feudos de riqueza ilícita (no mínimo, sonegadora de impostos em seus países de origem) vão mesmo quebrar o sigilo bancário de seus clientes, como quer o G-20?

E por que entregar toda essa fortuna de US$ 1,1 trilhão ao FMI, de triste memória? Todos sabemos tratar-se de uma instituição atrelada à Casa Branca e à política exterior usamericana; mete o nariz nas finanças dos países que lhe tomam dinheiro emprestado; impõe medidas econômicas que favorecem privatizações, aumento da desigualdade social, oligopolização de empresas e bancos etc.

Em suma: os contribuintes, ou seja, o povo, que mais paga impostos, está compulsoriamente convocado a canalizar fortunas para tentar aplacar a crise financeira dos donos do mundo. Estes temem que, sem crédito, os países emergentes deixem de comprar produtos manufaturados das nações ricas, aumentando o desemprego, e sigam o exemplo do Equador, que decretou moratória enquanto durar a crise.

Antes de pensar em contribuir com US$ 10 bilhões para a “vaquinha” do FMI, o Brasil deveria curar-se da hiperopia e olhar um pouco mais para mim: com esse recurso eu seria progressivamente erradicada e haveria aqui mais educação, menos violência urbana e, portanto, mais qualificação profissional e menos desemprego.
Fonte: Rede Pitágoras

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aprendizagem na Terceira Idade

Ao estudar as conquistas recentes da terceira idade em relação à aprendizagem vi que de certa forma parece que estamos voltando à infância.

Desde que nascemos buscamos compreender o mundo a partir dos instrumentos sensoriais e mentais que dispomos. Sabemos que a cada passo dado estamos diante de novos valores, novas crenças, novos objetos, novos ambientes, que de uma forma ou outra impulsionam a novas descobertas, desenvolvendo novas estruturas de pensamentos e saberes.

Assim, a aprendizagem se modifica, quando introjetamos a todos os momentos novos saberes.
Hoje fala-se em conhecimento em rede, que nada mais é que o reconhecimento que tudo está interligado, quando vemos que esta se identifica com o significado e passa a dar sentido ao contexto, aos ambientes dos quais vivemos e aprendemos à vida toda.

Nessa concepção, os fenômenos são observados e descritos por conceitos, modelos e teorias que fazem parte de um conhecimento que se transforma de geração a geração.
O ensinar e o aprender devem fazer dessa interação de conhecimentos, um elo entre uma aprendizagem significativa e de qualidade, onde o vínculo seja construído de forma a permitir que a aprendizagem seja sempre reinventada e o ensinar seja apresentado de forma flexível, cooperativa e interativa garantindo o saber.

Percebe-se que os modelos tradicionais tornam-se cada vez mais inadequados. Portanto, a aprendizagem ocorre a vida toda, mesmo na velhice.
A sociedade demonstra uma preocupação em ensinar a criança e o jovem, se esquecendo que o aprender é ao longo da vida toda.

Assim, devemos investir na conscientização de que envelhecer com qualidade de vida e que aprender é sempre prazeroso, porque são eles que possuem saberes que servem para a vida toda. Este aprender vai em busca de um saber essencial para uma vida em busca de uma cidadania plena, de liberdade e de respeito mútuo.

A tecnologia de informação e a comunicação trazem inúmeras mudanças em toda a sociedade, apontando novas tendências de valores e concepções de vida. Essas tecnologias abrem novas possibilidades e trazem novas exigências para a aprendizagem e o viver nesse século, apontando novos caminhos para a educação ao longo da vida e a inclusão de cidadãos que estão na Terceira Idade.

Novos significados são recriados, através desse mundo tecnológico de informações e comunicação na sociedade do conhecimento, pois a informação gera um conhecimento que se faz presente pelo seu significado. Assim o ensino tende a ser inovador, motivador e criativo, sendo reestruturado ao longo da vida.

A Pirâmide de Mashow hierarquiza as necessidades humanas numa escala de prioridades, com o objetivo de compreender as motivações das pessoas. Assim, podemos fazer um paralelo entre informação e as necessidades, pois a nossa sociedade, privilegia mais as necessidades básicas, sejam elas individuais ou grupais. Porém, temos que lembrar que a verdadeira aprendizagem é construída e não memorizada. Tudo tem o seu valor e significado, portanto tudo faz parte de uma escolha. O que se busca, na terceira idade, é um ganho na qualidade de suas escolhas, ganho este que só o amadurecimento intelectual e afetivo podem fornecer a esse indivíduo, que conquista a sua liberdade consciente de seus direitos e deveres.
Fonte: Identidade na Terceira Idade- Mashow.

domingo, 30 de agosto de 2009

Considerações sobre o ato de educar


Considerações sobre o pensamento de Sara Pain, educadora e psicopedagóga que em muito contribui para o trabalho pedagógico, quando se trata de dificuldades de aprendizagem.
Para essa educadora, educar vai além do reconhecimento do próprio corpo, vai além das percepções...
Educar é se reconhecer em si e no outro. Aquele que percebe a natureza das suas intenções , possui naturalmente o reconhecimento de sua aprendizagem, que ora possui o papel de ensinante e ora possui o papel de aprendente. A educação é algo que se constói, passo a passo, indo em busca de uma nova identidade cultural. Assim, educar é um ato de amor, onde as regras são construídas por aqueles que fazem parte desse processo.
Fazer do outro nosso semelhante. Ensinar é exercer o desejo de reproduzir na sua forma mais radical, pois carente de inscrições instintivas, o ser humano só chega a ser ele próprio através da aprendizagem.

Para esta autora, "fazer do outro um semelhante, é necessário antes amar a si próprio. Pois o direito a transmitir vem da valorização por aquilo que somos. Mas se esse amor por nós mesmos for pessoal, egocêntrico, narcisista, a transmissão alienaria o sujeito em formação, o transformaria numa imagem".

O amor que permite educar, é o amor pelo que se é, mas somente na medida em que cada um de nós é depositário de uma cultura comum a um grupo e mais além ainda dessa cultura particular, das conquistas próprias ao ser humano em geral.

Não se pode ensinar verdadeiramente um conteúdo ou ler e escrever, sem sentir profundamente a grandeza sublime do pensamento inteligente, capaz de ter elaborado tais maravilhas. Ensinar a contar e a escrever é muito bom, mas transmitir ao mesmo tempo o valor humano destas conquistas que necessitaram milhões de anos de evolução para se concretizar.

A generosidade da doação supõe paralelamente o amor pelo outro e a crença em sua possibilidade de interar esse dom. Não se trata aqui então de um amor caridoso porque o ensinar não é um “favor” que fazemos a aquele que não sabe, é um amor de reciprocidade no qual receber justifica plenamente o prazer de oferecer.

Para ensinar é preciso amar, em primeiro lugar o ser humano e a todas as suas capacidades de produzir cultura, amar o aprendiz como depositário da continuidade e da transformação dessa cultura, e amar-se a si mesmo como capaz de aprender e de seguir aprendendo para assegurar essa transmissão: "Amar é uma condição indispensável para que esse ato sublime da transmissão do conhecimento se realize apaixonadamente na militância pedagógica.

Esqueci de um amor muito importante para poder ensinar: o amor que a comunidade deve demonstrar ao professor e que se traduz no reconhecimento das instituições por seu trabalho. Além dele é necessário o amor que traduz pela ajuda dos colegas, pelo agradecimento dos pais e pelo carinho dos alunos".
Fonte: Penamentos segundo Sara Pain.