quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sentar-se à janela do avião


Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.

No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa etal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.

As poltronas do corredor agora eram exigência. Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.

Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar. E , num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos. Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e ganhar tempo, pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.

(Alexandre Garcia)
Blog: Hora do Recreio de Berenice

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma ideia em construção...


Lidar com crianças no dia a dia é algo que requer um esforço maior, vai além de um simples olhar...
Quando estamos lidando com crianças de sete anos em diante, ter um manual na cabeceira da cama, não ajuda muito. Alguns apelam até para um consultor, tipo aqueles que sempre têm muitas respostas prontas pra tudo.

Hoje existe até departamento em algumas universidades para que nos tornemos especialista do especialista em determinada área, assunto, com o intuito de entendermos e aplicarmos alguns conhecimentos que são comuns às crianças nessa fase.

Quando falamos sobre o desenvolvimento da criança sempre nos referimos as teorias de Piaget e outros, que na verdade contribui e muito no entendimento de algumas questões por ele estudada. Mas... Essa criança cresce e nem tudo foi explicado, pelo menos a curiosidade persiste.

As crianças de hoje, respondem as questões presentes e atuais de forma diferenciada das crianças das décadas passadas. A surpresa é a constatação que as respostas são tão complexas que chegamos a nos perguntar da onde ela saiu, como se a mesma não coubesse naquela “cabeça de criança”. E ficamos perplexos e mais ainda, muitas das vezes sem respostas.

Assim, começa o desafio dos educadores, pais e dos professores, porque estes habitam, ou melhor, coexistem num mesmo universo e interagem de forma plena, usando todos os recursos existentes na busca de novos elementos.

Quando nos deparamos com um elemento fora de contexto, ao invés de refletirmos, estudarmos, fazemos alarde, no intuito apenas de informar e não de educar.

Uma criança recebe por dia milhões de informações, o que as tornam reféns pelo excesso da mesma. Digo que a falta como o excesso de informações causam a saúde mental da criança um prejuízo enorme.

Na escola as informações são sempre conduzidas através de uma seleção prévia e o que as faz serem direcionadas ao interesse da criança. Estas são utilizadas como mediadora de novos conhecimentos que são gerados como se fosse uma grande “corrente elétrica”, que gerasse novos conhecimentos.

Mas o que difere nas internalizações desses conhecimentos; é que os mesmos sendo bem aproveitados geram cultura, que ora para alguns indivíduos são perceptíveis e para outros não passam de conversa “fiada”.

Infelizmente nem tudo pode ser ensinado, eis outra questão. Sem dúvida o que trazemos no interior do “nosso corpo”, interfere e muito nas nossas escolhas.
E é essa a batalha que os educadores travam hoje: o que é natural (isto é, o que é da natureza humana), e o que é adquirido (o que se adquire no ambiente), independente do meio e da fonte (pessoa).

A ideia a princípio nos leva a retornar a um passado não muito distante. Pensávamos que essas questões já tivessem esgotadas e que não deveríamos mais nos preocupar. Mas o que parece é que ainda temos muito que desvendar. O mistério da mente, a descoberta da importância da memória, vem a contribuir para um novo olhar sobre os aspectos humanos e ambientais.

Acredito que o que devemos ter em mente é que o desenvolvimento humano ainda carece de entendimento, seja no âmbito da esfera psíquica ou no aspecto intelectual. Penso que nem as descobertas de novas tecnologias responderão as necessidades humanas em sua própria concepção. No máximo elas nos absorverão no intuito de amenizar a dor pela falta de compreensão do que seja uma existência plena de sentido e de existir.

Não escolhemos talvez as melhores metodologias de estudo e assim sendo nos desumanizamos diante de tantas perguntas sem respostas. O ser humano - o indivíduo, ainda carece de uma metodologia de trabalho onde o objeto de estudo não seja uma experiência de ego.

Assim, não é tempo de nos aposentarmos das nossas indagações e sim encontrarmos fontes motivadoras de diálogo, de escuta e de respostas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Esqueceram de mim ou o Fracasso do G-20 - Frei Betto

Meu nome é miséria. Comprometo, hoje, a vida de cerca de 1,5 bilhão de pessoas, sobretudo crianças desnutridas, vulneráveis à morte precoce.
Tinha esperança de que na reunião em Londres, no início de abril, o G-20, que reúne as 20 maiores economias do planeta, se lembrasse de mim. Hoje, devido à indiferença dos que governam o mundo, ameaço a maioria da população da África, cuja situação é agravada por cerca de 25 milhões de pessoas contaminadas pelo HIV. Em menor proporção, estou presente também na Ásia e na América Latina.

No Brasil, sou encontrada a olhos vistos no Vale do Jequitinhonha (MG), na fronteira entre Alagoas e Pernambuco, no interior do Maranhão e do Pará, nas tribos indígenas e entre a população quilombola. E, de modo aberrante, nas favelas que circundam as grandes cidades.
Esperava que o G-20, frente à crise financeira mundial, fosse destinar recursos para reduzir a minha incidência global. Segundo as Metas do Milênio, da ONU, bastariam US$ 500 bilhões para erradicar a fome crônica que, hoje, castiga 950 milhões de pessoas.

Os governantes do G-20 sofrem de hiperopia, o contrário da miopia: enxergam muito mal de perto. Em vez de debaterem como livrar o mundo da minha presença, decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para “salvar o mercado”, entenda-se, FMI, BID, Banco Mundial, grandes empresas e bancos – os responsáveis pela crise.

O capitalismo neoliberal deu um tiro no próprio pé. Agora apela aos cofres públicos para socorrer os “pobres” miliardários que costumam transformar a injeção de recursos em bônus astronômicos aos executivos de empresas sob risco de falência.
Que decepção o G-20! Pensei que daria fim aos paraísos fiscais. Em vez de fechar o bordel, decidiu divulgar o nome de seus frequentadores. Viva o império dos laranjas! Já deve ter gente abrindo empresas capazes de dividir a grana do narcotráfico e da corrupção em porções mais palatáveis.

Por que o G-20 não proibiu governos, empresas e pessoas físicas de terem ativos em paraísos fiscais ou de se associarem a instituições ali estabelecidas? A resposta é óbvia: encarregou a raposa de manter fechado o galinheiro...
Vários países europeus são verdadeiros Éden para as finanças escusas: Suíça, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, a City de Londres etc. Quem garante que esses feudos de riqueza ilícita (no mínimo, sonegadora de impostos em seus países de origem) vão mesmo quebrar o sigilo bancário de seus clientes, como quer o G-20?

E por que entregar toda essa fortuna de US$ 1,1 trilhão ao FMI, de triste memória? Todos sabemos tratar-se de uma instituição atrelada à Casa Branca e à política exterior usamericana; mete o nariz nas finanças dos países que lhe tomam dinheiro emprestado; impõe medidas econômicas que favorecem privatizações, aumento da desigualdade social, oligopolização de empresas e bancos etc.

Em suma: os contribuintes, ou seja, o povo, que mais paga impostos, está compulsoriamente convocado a canalizar fortunas para tentar aplacar a crise financeira dos donos do mundo. Estes temem que, sem crédito, os países emergentes deixem de comprar produtos manufaturados das nações ricas, aumentando o desemprego, e sigam o exemplo do Equador, que decretou moratória enquanto durar a crise.

Antes de pensar em contribuir com US$ 10 bilhões para a “vaquinha” do FMI, o Brasil deveria curar-se da hiperopia e olhar um pouco mais para mim: com esse recurso eu seria progressivamente erradicada e haveria aqui mais educação, menos violência urbana e, portanto, mais qualificação profissional e menos desemprego.
Fonte: Rede Pitágoras

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aprendizagem na Terceira Idade

Ao estudar as conquistas recentes da terceira idade em relação à aprendizagem vi que de certa forma parece que estamos voltando à infância.

Desde que nascemos buscamos compreender o mundo a partir dos instrumentos sensoriais e mentais que dispomos. Sabemos que a cada passo dado estamos diante de novos valores, novas crenças, novos objetos, novos ambientes, que de uma forma ou outra impulsionam a novas descobertas, desenvolvendo novas estruturas de pensamentos e saberes.

Assim, a aprendizagem se modifica, quando introjetamos a todos os momentos novos saberes.
Hoje fala-se em conhecimento em rede, que nada mais é que o reconhecimento que tudo está interligado, quando vemos que esta se identifica com o significado e passa a dar sentido ao contexto, aos ambientes dos quais vivemos e aprendemos à vida toda.

Nessa concepção, os fenômenos são observados e descritos por conceitos, modelos e teorias que fazem parte de um conhecimento que se transforma de geração a geração.
O ensinar e o aprender devem fazer dessa interação de conhecimentos, um elo entre uma aprendizagem significativa e de qualidade, onde o vínculo seja construído de forma a permitir que a aprendizagem seja sempre reinventada e o ensinar seja apresentado de forma flexível, cooperativa e interativa garantindo o saber.

Percebe-se que os modelos tradicionais tornam-se cada vez mais inadequados. Portanto, a aprendizagem ocorre a vida toda, mesmo na velhice.
A sociedade demonstra uma preocupação em ensinar a criança e o jovem, se esquecendo que o aprender é ao longo da vida toda.

Assim, devemos investir na conscientização de que envelhecer com qualidade de vida e que aprender é sempre prazeroso, porque são eles que possuem saberes que servem para a vida toda. Este aprender vai em busca de um saber essencial para uma vida em busca de uma cidadania plena, de liberdade e de respeito mútuo.

A tecnologia de informação e a comunicação trazem inúmeras mudanças em toda a sociedade, apontando novas tendências de valores e concepções de vida. Essas tecnologias abrem novas possibilidades e trazem novas exigências para a aprendizagem e o viver nesse século, apontando novos caminhos para a educação ao longo da vida e a inclusão de cidadãos que estão na Terceira Idade.

Novos significados são recriados, através desse mundo tecnológico de informações e comunicação na sociedade do conhecimento, pois a informação gera um conhecimento que se faz presente pelo seu significado. Assim o ensino tende a ser inovador, motivador e criativo, sendo reestruturado ao longo da vida.

A Pirâmide de Mashow hierarquiza as necessidades humanas numa escala de prioridades, com o objetivo de compreender as motivações das pessoas. Assim, podemos fazer um paralelo entre informação e as necessidades, pois a nossa sociedade, privilegia mais as necessidades básicas, sejam elas individuais ou grupais. Porém, temos que lembrar que a verdadeira aprendizagem é construída e não memorizada. Tudo tem o seu valor e significado, portanto tudo faz parte de uma escolha. O que se busca, na terceira idade, é um ganho na qualidade de suas escolhas, ganho este que só o amadurecimento intelectual e afetivo podem fornecer a esse indivíduo, que conquista a sua liberdade consciente de seus direitos e deveres.
Fonte: Identidade na Terceira Idade- Mashow.

domingo, 30 de agosto de 2009

Considerações sobre o ato de educar


Considerações sobre o pensamento de Sara Pain, educadora e psicopedagóga que em muito contribui para o trabalho pedagógico, quando se trata de dificuldades de aprendizagem.
Para essa educadora, educar vai além do reconhecimento do próprio corpo, vai além das percepções...
Educar é se reconhecer em si e no outro. Aquele que percebe a natureza das suas intenções , possui naturalmente o reconhecimento de sua aprendizagem, que ora possui o papel de ensinante e ora possui o papel de aprendente. A educação é algo que se constói, passo a passo, indo em busca de uma nova identidade cultural. Assim, educar é um ato de amor, onde as regras são construídas por aqueles que fazem parte desse processo.
Fazer do outro nosso semelhante. Ensinar é exercer o desejo de reproduzir na sua forma mais radical, pois carente de inscrições instintivas, o ser humano só chega a ser ele próprio através da aprendizagem.

Para esta autora, "fazer do outro um semelhante, é necessário antes amar a si próprio. Pois o direito a transmitir vem da valorização por aquilo que somos. Mas se esse amor por nós mesmos for pessoal, egocêntrico, narcisista, a transmissão alienaria o sujeito em formação, o transformaria numa imagem".

O amor que permite educar, é o amor pelo que se é, mas somente na medida em que cada um de nós é depositário de uma cultura comum a um grupo e mais além ainda dessa cultura particular, das conquistas próprias ao ser humano em geral.

Não se pode ensinar verdadeiramente um conteúdo ou ler e escrever, sem sentir profundamente a grandeza sublime do pensamento inteligente, capaz de ter elaborado tais maravilhas. Ensinar a contar e a escrever é muito bom, mas transmitir ao mesmo tempo o valor humano destas conquistas que necessitaram milhões de anos de evolução para se concretizar.

A generosidade da doação supõe paralelamente o amor pelo outro e a crença em sua possibilidade de interar esse dom. Não se trata aqui então de um amor caridoso porque o ensinar não é um “favor” que fazemos a aquele que não sabe, é um amor de reciprocidade no qual receber justifica plenamente o prazer de oferecer.

Para ensinar é preciso amar, em primeiro lugar o ser humano e a todas as suas capacidades de produzir cultura, amar o aprendiz como depositário da continuidade e da transformação dessa cultura, e amar-se a si mesmo como capaz de aprender e de seguir aprendendo para assegurar essa transmissão: "Amar é uma condição indispensável para que esse ato sublime da transmissão do conhecimento se realize apaixonadamente na militância pedagógica.

Esqueci de um amor muito importante para poder ensinar: o amor que a comunidade deve demonstrar ao professor e que se traduz no reconhecimento das instituições por seu trabalho. Além dele é necessário o amor que traduz pela ajuda dos colegas, pelo agradecimento dos pais e pelo carinho dos alunos".
Fonte: Penamentos segundo Sara Pain.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Três poesias e muitas verdades


"Um ser humano é uma parte do todo a que chamamos Universo.
Uma parte limitada no tempo e no espaço.
Ele concebe a si mesmo como algo separado de todo resto.
É como se fosse uma espécie de ilusão de óptica da sua consciência.
Essa ilusão é um tipo de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais.
Nossa tarefa deve ser libertarmo-nos dessa prisão ampliando o nosso
Círculo de compaixão, de maneira a abranger todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza".

( Albert Einstein)


Que a nossa educação permita compreender-nos enquanto humanidade; que ela nos faça extrapolar os limites da individualidade e do egoísmo para irmos ser com os outros. Se o homem somente é social com os outros, ele somente pode ser um ser particular sendo, ao mesmo tempo, toda a humanidade. Há que se forjar uma educação que nos deixe sair para fora de todas as lógicas, indo ao encontro ao que há de mais humano.
Nessa construção o papel do educador é fundamental. Essa construção deverá ser realizada por muitas mãos.


Mãos dadas

"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi os suspiros ao anoitecer, à paisagem vista da janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente".

( Carlos Drummond de Andrade)


Foi o presente, os homens presentes, a vida presente, que constrói esse homem, com infinitas possibilidades de aprendizagens. Este constrói se reinventando, deixando de lado os equívocos do tempo, construindo na história presente o seu ideal. Se existe uma intencionalidade nessa existência, existe também o compromisso de viver a vida no aqui e agora. Mas o que faz esse homem em terras nada férteis. O que faz com que busque o desconhecido? Esse homem do aqui e agora, que internaliza o mundo através dos muitos homens que possui. O que faz esse herdeiro da humanidade, buscar algo além de sua individualidade?


Dispersão

"Perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto.
E hoje, quando me sinto, é com saudades de mim.
Passei pela minha vida, um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar, nem dei pela minha vida...
(...)
Regresso dentro de mim, mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada, sequinha, dentro de mim.
(...)
Eu tenho pena de mim, pobre menino ideal...
Que me faltou afinal? Um elo? Um rastro?..."
( Mario de Sá Carneiro)

Já existimos nesse emaranhado de relações sociais e sabemos que o desenvolvimento da afetividade, da moral e da inteligência são ingredientes relevantes na formação desse indivíduo.
Há urgência que se construa uma educação pela qual o homem se perceba enquanto objeto e sujeito de uma construção
O tempo passa e o homem evolui, cresce em busca de um equilíbrio nas relações diárias. Este se lança ao desconhecido. E ao construir o seu mundo de fantasias, se lança a própria sorte, sem saber aonde chegar.
Mas... Não há mais tempo para se perguntar:- O que faltou...





quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dando uma olhada em diferentes blogs encontrei na rede social DIHITT, essa campanha que acredito seja de interesse de todos nós.
Esta está sendo promovida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, intitulada “Quebrando o Silêncio", no qual defendem a quebra do silêncio em prol da denuncia de casos de abuso sexual e violência sexual contra crianças.
Este bolg é inspirado através da pessoa do Pastor Adolfino e seus companheiros de trabalho.
Acredito que esta que seja uma das formas de ajuda e que com certeza em muito contribuirá.
Infelizmente estamos diante de um problema sério e que pode ocorrer em qual ambiente e com qualquer pessoa, independente de sua classe social. O que percebo em meu trabalho é o aumento de crianças vítimas desses predadores. Os relatos são crescentes e muito pouco ainda é possível de se resolver, seja em apoio social, psicológico e moral. Por isso, destaco abaixo um documento onde explica de forma clara, o que seja esse transtorno , que hoje em dia é tão divulgado pela mídia.
Pedofilia é um transtorno parafílico, onde a pessoa apresenta fantasia e excitação sexual intensa com crianças pré-púberes, efetivando na prática tais urgências, com sentimentos de angústia e sofrimento.

O abusador tem no mínimo 16 anos de idade e é pelo menos 5 anos mais velho que a vítima.O abuso ocorre em todas as classes sociais, raças e níveis educacionais.A grande maioria de abusadores é de homens, mas suspeita-se que os casos de mães abusadoras sejam sub-diagnosticados.
Existem faixas etárias de abusadores:
jovens até 18 anos de idade, que aprendem sexo com suas vítimas adultos de 35 a 45 anos de idade que molestam seus filhos ou os de seus amigos ou vizinhos pessoas com mais de 55 anos de idade que sofreram algum estresse ou alguma perda por morte ou separação, ou mesmo com alguma doença que afete o Sistema Nervoso Central
e aqueles que não importa a idade, ou seja, aqueles que sempre foram abusadores por toda uma vida.
O sexo praticado com crianças geralmente é oro-genital, sendo menos freqüente o contato gênito-genital ou gênito-anal.As causas do abuso são variáveis. O molestador geralmente justifica seus atos, racionalizando que está ofertando oportunidades à criança de desenvolver-se no sexo, ser especial e saudável, inclusive praticando sexo com a permissão desta.
Pode envolver-se afetivamente e não ter qualquer noção de limites entre papéis ou de diferenças de idade.Quando ocorre dentro do seio familiar (o abusador é o pai ou padrasto, por exemplo), o processo é bastante complicado. Normalmente interna-se a criança para sua proteção, e toda uma equipe trabalha com o clareamento da situação.
Por vezes, a criança é também espancada e deve ser tratada fisicamente. A família se divide entre os que acusam o abusador e os que acusam a vítima, culpando esta última pela participação e provocação do abuso.
O tratamento, então, é inicialmente direcionado para a intervenção em crise.Depois, tanto a criança, quanto o abusador e a família devem ser tratados a longo prazo.Devido ao fato de abuso de menores ser um crime, o tratamento do abusador torna-se mais difícil.
As conseqüências emocionais para a criança são bastante graves, tornando-as inseguras, culpadas, deprimidas, com problemas sexuais e problemas nos relacionamentos íntimos na vida adulta.

Fonte: ABC da Saude


















" Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas."


Pablo Neruda

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Se tiveres alguma dúvida, apenas seja você mesmo. Já é especial e único por si só...



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Câmara aprova nova regulamentação para a profissão de pedagogo

Ao ler esta regulamentação para a profissão de Pedagogos, fico perplexa como alguém pode dizer que as mudanças foram poucas.
Entendo que a regulamentação da profissão de pedagogo venha perdendo o status há muito tempo e que o Estado já percebeu que em muito breve não haverá pessoas concluindo o curso de pedagogia. Assim, abre uma exceção para que os graduados de outra área,façam uma pós na área de pegagogia e concorra com o pessoal da área. Conclusão: Para se ter alguma habilitação recorre-se aos cursos de pós, que na verdade nada ensinam. Interessante como o Estado quando quer arranja solução pra tudo. Menos pagar o que deveria e que diz que paga.
Por experiência própria digo que tudo não passa de desvio de “função”, pois assim continua não pagando o que deveria.
Passei no concurso do Estado em 1995, em 1º lugar. Já possuía duas pós graduações. Hoje atuo como orientadora educacional e se quer sou reconhecida em minha função. O meu salário, ao qual irei me aposentar é de professor docente II. Que atualmente para 40h de serviço não passa de 1.500,00-( salário bruto) pode? E ainda querem pagar menos?
Sinto informá-los que em minha opinião muito em breve qualquer pessoa estará habilitada a ser pedagogo e aqueles que olharem a profissão com respeito e dignidade não estarão em sala de aula. É triste e sério, mas será o que irá acontecer!
Desculpem o desabafo!!!

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Câmara aprova nova regulamentação para a profissão de pedagogo- Da Redação em São Paulo
A Câmara aprovou nesta quarta-feira (19) a regulamentação da profissão de pedagogo.

O texto prevê que apenas quem tiver graduação em pedagogia poderá exercer a profissão. A medida passou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), em caráter conclusivo e deve seguir para análise do Senado, caso não haja recurso para votação em plenário. O texto diz ainda que quem tiver pós-graduação na área, porém, sem o curso de graduação, poderá exercer funções de administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional na educação básica. O relator da matéria na CCJ, deputado Jefferson Campos (PTB-SP) afirma que "a profissão já está regulamentada" e que a proposta "apenas atualizou e complementou a regra vigente sobre essa matéria". O deputado referia-se a dispositivos da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), especialmente ao que determina que "a formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação".

A principal inovação do texto aprovado em relação ao original é a supressão da previsão de um órgão de fiscalização da profissão. Entendeu-se que a fiscalização feita pelo Ministério da Educação e pelas secretarias estaduais e municipais de educação é suficiente para coibir os desvios. Atividades exclusivas - Entre as atividades que passam a ser exclusivas do pedagogo estão:

•a elaboração e o acompanhamento de estudos, planos, programas e projetos da área de educação, ainda que não escolares; •gestão educacional nas escolas e nas empresas de qualquer setor econômico; •a administração, o planejamento, a inspeção, a supervisão e a orientação educacional nas escolas; •o recrutamento, a seleção e a elaboração de programas de treinamento e projetos técnico-educacionais em instituições de diversas naturezas.

domingo, 23 de agosto de 2009

Mudança de comportamento escolar

Toda criança em idade escolar deve freqüentar a escola. Mas nem todos recebem orientação em casa de quais são os seus compromissos diários.

Quando se é criança vive correndo de lá pra cá e de vez em quando nos comportamos mal. Algumas crianças não se adaptam à turma ou a escola que freqüenta e muitas vezes necessitam de orientação.

Algumas orientações são bem rígidas, isso sob o olhar da criança, mas para o adulto nem sempre. Acredita-se que uma punição será melhor resposta para aquele momento. Entretanto, houve uma época em que essas crianças eram na escola, colocadas na “cadeira do pensamento” ou “a cadeira quente” (denominações usadas em muitas escolas), onde a intenção era fazer com que a criança parasse para pensar sobre o seu erro. É comum acontecer que alguns professores até trazem suas preocupações com essas crianças difíceis para as reuniões com os especialistas.

Tentar se evitar ao máximo soluções como essa, é o desejo de todo professor, na medida do possível, pois uma vez que o aluno ia ao setor de orientação, voltava de lá desanimado, acreditando que nada na instituição escolar o favorecia. Acontece também que crianças com mau comportamento sofrem com os rótulos. Isso além de prejudicá-lo perante os colegas de turma, se espalhando na comunidade escolar como uma imagem negativa, reforçando o comportamento indesejado diante do equívoco de como a questão foi tratada. Este aluno passa a não ter confiança na sua possibilidade de mudança. Infelizmente isso é muito comum.

Uma vez foi relatado em uma supervisão que um aluno tinha perturbado a aula da professora o tempo todo. Ele chutava a canela de seus companheiros, xingava muito e exigia que as meninas sempre que saíam da escola, lhe pagasse uma “taxa de proteção”, o que significava que recebia dinheiro por este “serviço prestado”. Ele raramente fazia seu dever de casa, apesar de um bom desempenho escolar em algumas áreas do conhecimento. Mas necessitava mostrar o tempo todo o quanto era forte e poderoso. Logo essa situação ficou insustentável. A equipe escolar se reuniu e resolveu dar um basta nessa situação.

Os responsáveis foram convidados a vir à escola, quando o aluno representante da turma veio até mim e exigiu que o aluno devesse ser colocado na cadeira do pensamento, para que pudessem dizer a ele como ele os tinha provocado e ofendido. Além disso, ele deveria devolver a grana que havia tirado das crianças. Eu salientei a eles que dessem um tempo a mais a essa criança para que fosse conversado com ele sobre o que estava acontecendo.

Eu comecei a dizer que iríamos expressar os nossos sentimentos com freqüência na sala de aula. Que todos falariam um de cada vez e que essa dinâmica passaria a fazer parte do nosso trabalho diário. Todos teriam um tempo para falar de sua família, suas preferências e gostos. Que todos receberiam uma frase e que esta deveria ser complementada por uma idéia sua, que fosse significativa para cada um deles. A frase era: - Você é um de nós... E assim todos relataram como se sentiam fazendo parte daquele grupo. Em poucos meses o comportamento de todos na sala de aula mudou. Não teve mais aquela competição que a todo o momento era motivo de conflito. Todos passaram a respeitar os limites do outro e seus erros, como algo que faz parte de um processo de crescimento. Não riam mais de seus colegas e nem muito menos usavam a cadeira do pensamento.

Era necessário se trabalhar a turma toda. O que ficou desse trabalho foi o crescimento pessoal de cada criança que ao ser valorizado enquanto pessoa passa a ser a personagem principal dessa história. Quando damos oportunidade à criança de construir a sua história e descontruir os mitos que a envolve, tudo passa a ser um desafio a mais e não um incômodo.

As crianças constroem ao longo do seu percurso escolar, desde muito cedo a internalizar os conceitos do certo e do errado. Apenas o que falta a elas é a dosagem do quanto elas podem usar esses recursos a seu favor. O limite de uma má atitude vem dessa censura interna que num primeiro momento se apresenta como um estranhamento, indo para uma atitude de vergonha, para mais adiante haver a censura moral. O que se deve reforçar numa criança, no início de um aprendizado é a atitude de arrependimento, sem haver nenhuma ação constrangedora.

Este trabalho rendeu muito na escola enquanto crescimento emocional. Os alunos entenderam que o erro é algo que pode ser corrigido e ser substituído por outra ação. Aquela criança melhorou o seu comportamento não mais prejudicando a ninguém, devolveu o dinheiro cobrado aos colegas e voltou a fazer parte do grupo. Esse pertencimento foi à consciência de que ele fazia parte do grupo e que mais vale uma boa ação do que o erro e a marginalização.

Em pouco tempo ele retornou ao grupo e voltou a suas atividades escolares sem prejuízo nenhum. Isso só foi possível devido à compreensão de sua professora, que estava pronta a ouvi-lo e principalmente pronta a mudar as regras do jogo.