quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Holocausto " Nunca Mais" - Guga Dorea

Com o tema “A Prevenção Global do Genocídio: Aprendendo com o Holocausto”, um dos acontecimentos mais trágicos que chocou o mundo no século XX foi alvo de debates, nesse último mês de junho, no Seminário Global de Salzburgo, Áustria. Segundo o ex-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi A. Annan, o que se espera desse encontro é produzir um programa anual sobre o nazismo para servir de apoio aos professores do 2º grau de todo o planeta.

No artigo “O mito do ‘nunca mais’ em relação a genocídios”, Annan, reiterou a importância histórica de um tema como esse fazer parte do currículo programático das escolas. Para o atual presidente honorário do comitê do Programa de Prevenção do Genocídio e Educação sobre o seminário de Salzburgo, é fundamental que a partir desse aprendizado escolar os estudantes incorporem para si valores universais como os direitos humanos, a tolerância, além de rejeitarem o racismo e qualquer tipo de preconceito estigmatizante.

No entanto, enfatiza Annan, “é surpreendentemente difícil encontrar programas educacionais que tenham apresentado sucesso indubitável em vincular a história do Holocausto à prevenção de conflitos étnicos e genocídios no mundo de hoje”. Nesse contexto, reitera o ex-secretário, “não há dúvida de que é chegado o momento de levantar algumas questões difíceis a respeito da educação ‘tradicional’ sobre o Holocausto. Será que programas focados no sistema e na ideologia nazistas, e particularmente na experiência horrenda dos seus milhões de vítimas, se constituem em uma resposta efetiva aos desafios que enfrentamos atualmente?”.

Ampliando a pergunta realizada por Annan: qual será o significado de aprendizado sobre o Holocausto na vida particulares dos alunos? Se formos pensar o que foi na prática o nazismo, tratou-se de levar às últimas conseqüências a institucionalização da já histórica, inclusive nas escolas norte-americanas no início do século XX, separação dos seres humanos em “iguais” e “diferentes” entre muitas outras dicotomias excludentes. Uma suposta anormalidade começou a ser vista como perigosa, capaz de contaminar os “puros” e “perfeitos”, sendo necessário, portanto, implantar um processo radical de extermínio.

Não por acaso, além das câmaras de gás para os judeus, Hitler defendeu abertamente a eugenia para as chamadas hoje pessoas com deficiência, além de perseguir violentamente os ciganos e homossexuais. Talvez também não tenha sido coincidência que logo após o término oficial do Nazismo, movimentos sociais de famílias passaram a lutar pela inclusão de seus filhos no sistema regular de ensino e pelo fim da estigmatização. Mas será que, mesmo com a inclusão, essa dicotomização já foi superada subjetivamente?

Independente da resposta, vale ressaltar que a experiência concreta da inclusão trouxe a possibilidade de aprendermos a lidar com o considerado, histórica e culturalmente, “diferente” do modo de vida dominante. Voltando então à problematização trazida por Annan em relação ao ensino tradicional sobre o Holocausto, podemos então generalizar o debate para uma crítica real em torno do que o pedagogo e pensador brasileiro, Paulo Freire, chamou de “educação bancária”.

Pensando nas características do ensino tradicional, trata-se, segundo ele, de “encher” os educandos de conteúdos narrativos, de “retalhos da realidade desconectados da totalidade”, o que significa na prática esvaziar a palavra de sua concretude, alienando o receptor da mensagem da realidade que o cerca, além de configurar um individuo extremamente egocêntrico, no qual a existência do Outro não faz mais diferença.

A simples narração de conteúdos históricos, já nos mostrou Freire, tende a petrificar o conhecimento e. nessa forma de educar, o educando tende a se tornar um ser paciente. Não há mais a práxis e muito menos a criatividade transformadora. Quanto ao ensino do Holocausto, é possível dizer que ele esteja recheado de “fatalismo”, porém desligado da realidade cultural e singular do aluno, o mesmo ocorrendo com os conteúdos em geral apresentados no dia a dia alienante das escolas tradicionais.

Buscando inspiração na inclusão da pessoa com deficiência, estamos diante de uma oportunidade, quem sabe inédita, para pensarmos em uma educação mais democrática, em que a singularidade do aluno passe a ser levada em consideração, em que a percepção de seus dilemas concretos possa fazer pontes com realidades históricas aparentemente distantes de suas vidas. Caso as escolas não partirem para experiências concretas de que somos iguais como seres humanos e diferentes em nossas singularidades, dificilmente conseguiremos impedir que novos “holocaustos”, desde os mais imperceptíveis até os grandes genocídios, voltem a nos assustar.



Colaboradores: Andréa Paes Alberico, Elisa Helena Rocha de Carvalho, José J. de Carvalho, Frei João Xerri e Thomaz Ferreira Jensem

Um comentário:

SOS DIREITOS HUMANOS disse...

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
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