quinta-feira, 3 de junho de 2010

A livraria


Sempre que vou ao Rio de Janeiro, passo pela livraria Leonardo da Vinci, aquela que coleciona mais de 100 mil exemplares de belos livros raros em cheiro, palavras e cores. É assim que vejo uma livraria. É a bela descrição de vários sabores e sensações. Ao entrar em uma livraria, temos que nos preparar, para vivenciar uma das mais belas sensações, a da comunicação plena. É como um ritual de quem vai ao seu primeiro encontro amoroso.

Conversar com quem gosta de livros é um momento único, é uma sensação de quem diz e sempre tem algo a mais a dizer. O sabor de quero mais é sempre emprestado e doado com a sutileza de três palavras: - Seja bem- vindo!

O livro, este de rara qualidade e desempenho, se descreve em uma palheta tão grande de cores, gosto e junções de emoções, que em cada prateleira você conhece um novo ser humano, este ser que é tão indecifrável, muitas das vezes indescritíveis, tanto quanto o que seja uma livraria.

Porém, o homem em qualidade, mais raro do que os livros apresentam-se um pouco mais belos que alguns e infinitamente vulnerável que estes.

Já os livros, ah, esse impenetrável mundo dos sonhos de muitos, vêm embalados em belas capas, mas sempre tendo como autor uma personagem real e outro de ficção. Conhece-nos de outras vidas, nos emociona como se fossemos almas gêmeas e nos transmite a possibilidade de envolvimento e crescimento na vida que hoje transitamos.

Você já se imaginou outra pessoa? Pois bem, ler um livro é se vir em um de seus personagens, outra pessoa, emprestando por alguns momentos o seu corpo, para quem sabe tomarmos consciência de que ele também faz parte ou fez em algum momento de sua vida em uma personagem real.

Ser poeta é vivenciar esses dois momentos, numa fração de segundos que nem mesmo, este ser poeta, toma consciência desse momento. É viver em transe, mesmo lúcido de suas intenções e apegos.

Ser poeta e escritor em vida é se transportar para um quadro e nele colocar o poema de sua vida, cheio de rimas, estrofes que nem sempre lidas nos faz entender quais as suas intenções, para mais tarde pairar em um divã.

Sinto o cheiro de chocolate... Sinto o cheiro de comida caseira, com muito alho, para tirar o mal olhado e festa de aniversário de criança com muito brigadeiro. O local da festa pode ser campo ou praia. De preferência numa casa confortável, num ambiente acolhedor e com os amigos mais próximos. Este é o meu livro predileto. Ingênuo como uma festa de criança, porém rico de emoções, que só dizem respeito as minhas lembranças.

Conhecer, aprender e fazer, é três dinâmicas que nem sempre andam juntas. E nem todos os livros as contemplam, mas te deslumbra esta possibilidade. Basta você ser criativo, livre e autônomo no pensar.

Posso conhecer e não aprender. Posso aprender e não fazer. E por último posso fazer e não compreender. A dinâmica da vida nos parece também ser assim...

A vida pode ser uma cópia. Os livros também pode ser uma cópia. Os livros têm autores. A vida nem sempre tem autores. Pelo menos a que vivemos.

Talvez aí esteja a raridade dos livros. É que neles os autores estão sempre presentes, mesmo sendo extintos, mas vivem em nossa consciência, tornando-os raros e eternos.

Eu sou uma pedagoga dos livros. Nele eu conheço a teoria, para na prática viver as palavras e sua intenção. O livro se define em ações, nunca esgotando as possibilidades de mudanças, para irmos mais além, na busca de um crescimento individual e coletivo.

Estou feliz. Cumpri a minha missão de mãe. Tenho uma leitora em minha vida, que além de minha intenção, faz de sua vida um livro colorido, com cheiro de erva medicinal, com sabor de frutas, com sementes germinadas pelo afeto e o romantismo transcrito em mandala, onde o outro sempre é bem acolhido, para mais tarde se tornar autor de sua história.

Feliz é aquele que coleciona livros.

Bom dia a todos!

Natalícia





2 comentários:

Julia disse...

Já entendi que o gosto por livros & livrarias é genético... rs
Não, não. Na verdade foi tudo graças ao seu dom de ensinar que eu me apaixonei pela leitura!
TE AMO!!! Júlia

Latapette disse...

Olá Nata, vamos ver se este depoimento fica. Muito bonito sua crônica sobre a livraria e os livros.
O que deveria ser comum, gostar de livros e leitura, aqui é raridade e uma qualidade.Grande abraço; Luiz