quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aprendizagem na Terceira Idade

Ao estudar as conquistas recentes da terceira idade em relação à aprendizagem vi que de certa forma parece que estamos voltando à infância.

Desde que nascemos buscamos compreender o mundo a partir dos instrumentos sensoriais e mentais que dispomos. Sabemos que a cada passo dado estamos diante de novos valores, novas crenças, novos objetos, novos ambientes, que de uma forma ou outra impulsionam a novas descobertas, desenvolvendo novas estruturas de pensamentos e saberes.

Assim, a aprendizagem se modifica, quando introjetamos a todos os momentos novos saberes.
Hoje fala-se em conhecimento em rede, que nada mais é que o reconhecimento que tudo está interligado, quando vemos que esta se identifica com o significado e passa a dar sentido ao contexto, aos ambientes dos quais vivemos e aprendemos à vida toda.

Nessa concepção, os fenômenos são observados e descritos por conceitos, modelos e teorias que fazem parte de um conhecimento que se transforma de geração a geração.
O ensinar e o aprender devem fazer dessa interação de conhecimentos, um elo entre uma aprendizagem significativa e de qualidade, onde o vínculo seja construído de forma a permitir que a aprendizagem seja sempre reinventada e o ensinar seja apresentado de forma flexível, cooperativa e interativa garantindo o saber.

Percebe-se que os modelos tradicionais tornam-se cada vez mais inadequados. Portanto, a aprendizagem ocorre a vida toda, mesmo na velhice.
A sociedade demonstra uma preocupação em ensinar a criança e o jovem, se esquecendo que o aprender é ao longo da vida toda.

Assim, devemos investir na conscientização de que envelhecer com qualidade de vida e que aprender é sempre prazeroso, porque são eles que possuem saberes que servem para a vida toda. Este aprender vai em busca de um saber essencial para uma vida em busca de uma cidadania plena, de liberdade e de respeito mútuo.

A tecnologia de informação e a comunicação trazem inúmeras mudanças em toda a sociedade, apontando novas tendências de valores e concepções de vida. Essas tecnologias abrem novas possibilidades e trazem novas exigências para a aprendizagem e o viver nesse século, apontando novos caminhos para a educação ao longo da vida e a inclusão de cidadãos que estão na Terceira Idade.

Novos significados são recriados, através desse mundo tecnológico de informações e comunicação na sociedade do conhecimento, pois a informação gera um conhecimento que se faz presente pelo seu significado. Assim o ensino tende a ser inovador, motivador e criativo, sendo reestruturado ao longo da vida.

A Pirâmide de Mashow hierarquiza as necessidades humanas numa escala de prioridades, com o objetivo de compreender as motivações das pessoas. Assim, podemos fazer um paralelo entre informação e as necessidades, pois a nossa sociedade, privilegia mais as necessidades básicas, sejam elas individuais ou grupais. Porém, temos que lembrar que a verdadeira aprendizagem é construída e não memorizada. Tudo tem o seu valor e significado, portanto tudo faz parte de uma escolha. O que se busca, na terceira idade, é um ganho na qualidade de suas escolhas, ganho este que só o amadurecimento intelectual e afetivo podem fornecer a esse indivíduo, que conquista a sua liberdade consciente de seus direitos e deveres.
Fonte: Identidade na Terceira Idade- Mashow.

Um comentário:

Frederico Augusto Dias disse...

Concordo plenamente com seu artigo. Não há uma preocupação com o estímulo à aprendizagem na terceira idade. Parece que a pessoa está chegando ao "fim da linha" e portanto não há vantagens em se investir em novas habilidades. Porém o arcabouço intelectual formado ao longo dos anos possibilita o processamento de informações de forma única e por consequencia, resultados admiráveis deste processamento. Morrendo e aprendendo, este deveria ser o ditado...